Monthly Archives: Março 2012

Kristiina Kolehmainen (1956–2012)

Faleceu ontem, vítima de cancro, Kristiina Kolehmainen, fundadora e directora da Bedeteca de Estocolmo.

Mulher de armas, bem que instigou os suecos do seu conforto e calmaria para a banda desenhada, ora com a manutenção de uma excelente biblioteca de BD no centro da capital, ora organizando um relaxado festival de edição independente, o SPX de Estocolmo, onde convidava autores ou outros agentes de referência mundial na BD. Por lá visitaram como convidados da organização os portugueses Luís Lázaro (que teve direito a uma exposição), Marcos Farrajota (na imagem), Rosa Barreto (da Bedeteca de Lisboa) e a Jucifer.

De origem finlandesa, Kristiina dizia que os suecos tinham os polegares enfiados no rabo, e provava isso todos os dias com a sua alegria, capacidade de comunicação com o exterior e vontade de agir contra a timidez sueca, o snobismo de Estocolmo e a burocracia das instituições públicas – quem pensa que só em Portugal existe tal coisa, engane-se… Nos últimos anos a Bedeteca de Estocolmo mudou de sítio, para desagrado de Kolehmainen, no interior do edifício da Kulturhuset (Casa da Cultura). Dada a forma lenta e burocrática que funciona a Kulturhuset, para além de não entender o meio da BD e das suas potencialidades, esperamos que o seu falecimento não signifique o fim da Bedeteca nem da SPX para gaúdio dos burocratas e outros parvalhões.

– texto pirateado daqui

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Filed under obituário

Copos de fim-de-semana

Como qualquer bom boémio sabe, o fim-de-semana começa na QUINTA:

Vacant, exposição de pintura de Mimi (autora de BD e nos Enapá 2000), na galeria Monumental, às 19h.

SEXTA:

Lançamento do Buraco #3 na Es.cola com Guetho Blaster Orchestra para entreter, às 19h.

SÁBADO, parecia que ia ser o unDJ MMMNNNRRG a pôr som no Adufe Bar mas parece que já não… não se percebe, por lá encontramos um livrinho de BD gratuíto, Mimi & Eunice’s Intellectual Pooperty, de Nina Paley… O que se passa neste bar!?

DOMINGO, a ressaca passa pelo Jardim Vasco da Gama em Belém

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Filed under acontecimentos, bd portuguesa

Somos todos Judeus e Nazis, e não somos cidadãos do mundo

Katz Pilon from La 5e Couche on Vimeo.

Um livro a ser destruído e a Barbárie à porta… Os donos da Flammarion – Perái… Flama? Arian? Não pode haver coincidências  de trocadilhos! Não há “détournement” que resista!!! Mas escreviamos, os donos da editora tiveram uns pais e mães que se divertiam muito em 1933:

Tudo começou assim no século passado…  Mas no Século XXI, não haverá bons ou maus, Aliados ou do Eixo, judeus ou nazis… O conceito da Aldeia Global será auto-destruição, como já percebemos quando no Sul de Espanha são demolidos prédios construídos recentemente e que não se conseguiram vender, quando editoras destroem livros que não se vendem ou que lhes inflinja os “direitos de autor” como aconteceu com este Katz, para não falar os produtos alimentares destruídos todos os anos para não sofrerem descidas de preços, etc, etc…

O paradoxo há muito que foi lançado, há editores de livros que destroem livros! Melhor ainda, os editores são os piores inimigos dos livros. E este é um caso em que muito naturalmente os donos da Flammarion não tiverem pejo em mandar destruir um livro de outro editor – seu concorrente naturalmente, uma minúscula editora de BD vanguardista como a 5éme Couche – porque óbviamente já devem ter destruído milhares de exemplares das suas próprias edições dos Paulos Coelhos e afins… Achar que os editores que vivem nestes tempos de Neo-liberalismo selvagem, são pessoas de Cultura, Humanistas ou Cidadãos do Mundo, é um torpe engano! Estamos perante seres hediondos, desesperados, capazes dos piores actos para sobreviverem nem que isso implique eliminar tudo e todos que tiverem à frente.

Para dizer a verdade até nada temos contra a queima de livros na vida privada, afinal, há livros nocivos – e ninguém vai comer um yogurte fora de prazo, certo? Os prejuízos de um mau livro até são piores que uma intoxicação alimentar. O que somos contra é que queima seja feita por coacção ou como uma manifestação pública. A obra Katz predendia fazer uma nova leitura sobre Maus de Art Spiegelman ao colocar cabeças de gatos em todas as personagens invés da distinção que Spiegelman fez com os judeus (ratos), alemães (gatos) e polacos (porcos). Numa atitude de ignorância e prepotência, o editor do Maus para o mercado francófono considerou a obra de “plágio” e violadora dos direitos de autor, tendo mandado destruir os exemplares existentes e o ficheiro do livro – só faltava perseguir o autor e pô-lo numa câmara de gás. Não contemplou apenas a proibição da reprodução da obra para próximas edições nem que os lucros da edição fossem para alguma instituição de caridade (judaíca, já agora! ó piada infame!). Preferiu destruir por completo como se fosse um Deus caprichoso digno do Antigo Testamento, que deve ter sido o único livro (e o manual do IVA) que leu na sua vida. Estamos entregues aos bichos…

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Ilustre Chili


A Associação Chili Com Carne retoma actividade e lança em Abril dois livros com ilustrações de autores com ligações à banda desenhada.

O primeiro é já dia 1 de Abril, às 16h – nas seguintes coordenadas de GPS: +38° 41′ 46.11″, -9° 12′ 13.04″ (Pavilhão Tailandês, Jardim Vasco da Gama em Belém, Lisboa) – com Mystery Park, de André Ruivo, 14º volume da Colecção CCC, edição em parceria com The Inspector Cheese Adventures. Sobre o livro só se sabe que trata de pianistas bêbados, patinadores, cães e donos, pássaros, carros, leitores de jornais, polícias-crianças, chá, guitarristas, peixes, rádio a pilhas, fumadores, táxis, mergulhadores, fotógrafos, walkman, robots, índios, gémeos, gatos, namorados, casais, bichos de estimação, semáforos, sem-abrigo, detectives.

No dia 17 de Abril, o novo livro do crítico musical Rui Eduardo Paes, Bestiário Ilustríssimo, é lançado na Trem Azul às 21h30. O livro tem ilustrações de Joana Pires e no lançamento é inaugurada uma exposição dessas ilustrações do livro em suporte de serigrafia. Paes já esteve uma vez presente na Bedeteca de Lisboa, em 2006 (na comemoração dos 10 anos da Bedeteca), numa interessante conversa sobre “Copyleft”.

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Alguns FASCISTAS para o fim-de-semana!

Chegaram à Bedeteca de Lisboa novos livros de super-heróis, alguns em inglês (edições originais norte-americanas) outros em português (dos tempos áureos da Devir), dos quais destacamos o Batman : No Man’s Land, um arco de histórias sobre a cidade do famoso herói, Gotham City. Esta fica sitiada pelo próprio governo dos EUA, entregue a si própria num misto de violência humana como foi Sarajevo e a previsão de catástrofe que foi Nova Orleães com o furacão Katrina – esta série foi escrita em 1998/99. Outro paralelo pode ser encontrado no argumento de DMZ.

Outro livro que parece ser simpático é Trinity que junta os “três grandes da DC Comics”: Super-Homem, Mulher Maravilha e Batman. Trata-se de uma história escrita e desenhada por Matt Wagner que conta sobre os primeiros anos das carreiras destes super-heróis e os seus primeiros encontros…

Faltam mais novidades boas nesta biblioteca… Não quero levar FASCISTAS para ler este fim-de-semana!!!

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Oferta feliz

Chegou à Bedeteca de Lisboa, a revista norte-americana de bd Happiness #1, ou melhor, um zine todo catita, impresso e capa a cores… e que publica o português Rudolfo.

Só na Bedeteca para encontrar estas raridades!!!

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E de repente…

É o mundo das “graphic novels”… Acrescentando ao Blankets e Persépolis, agora é a Asa a apostar (novamente) em bd de assuntos sérios (doenças / tema sociais), de “autores alternativos” sem ser um álbum franco-belga…

De certeza que não sairá daqui uma futilidade como Cancer Vixen porque Maria e eu é de autoria  de Miguel Gallardo – e a sua filha María – que no passado ofereceu-nos Um longo Silêncio (Bedeteca de Lisboa + Biblioteca Museu República e Resistência; 1998).

Sinopse: Maria vive com a sua mãe, May, nas Canárias, a 3000km de Barcelona, onde vive Miguel Gallardo. Às vezes, Miguel e Maria vão juntos passar uma semana de férias a um resort na ilha Gran Canaria, um cenário pouco comum para receber entre os seus hóspedes um pai só com uma filha de catorze anos, que sofre de autismo.

Esta história é um relato original e cheio de humor, ironia e sinceridade sobre como se convive com uma deficiência e que, em 2010, serviu de guião a um documentário cinematográfico com o mesmo nome.

Esta obra valoriza de uma outra forma as pequenas vitórias de um universo muito especial, onde os sentimentos são expressos de modo espontâneo e cheios de ternura.

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