Somos todos Judeus e Nazis, e não somos cidadãos do mundo

Katz Pilon from La 5e Couche on Vimeo.

Um livro a ser destruído e a Barbárie à porta… Os donos da Flammarion – Perái… Flama? Arian? Não pode haver coincidências  de trocadilhos! Não há “détournement” que resista!!! Mas escreviamos, os donos da editora tiveram uns pais e mães que se divertiam muito em 1933:

Tudo começou assim no século passado…  Mas no Século XXI, não haverá bons ou maus, Aliados ou do Eixo, judeus ou nazis… O conceito da Aldeia Global será auto-destruição, como já percebemos quando no Sul de Espanha são demolidos prédios construídos recentemente e que não se conseguiram vender, quando editoras destroem livros que não se vendem ou que lhes inflinja os “direitos de autor” como aconteceu com este Katz, para não falar os produtos alimentares destruídos todos os anos para não sofrerem descidas de preços, etc, etc…

O paradoxo há muito que foi lançado, há editores de livros que destroem livros! Melhor ainda, os editores são os piores inimigos dos livros. E este é um caso em que muito naturalmente os donos da Flammarion não tiverem pejo em mandar destruir um livro de outro editor – seu concorrente naturalmente, uma minúscula editora de BD vanguardista como a 5éme Couche – porque óbviamente já devem ter destruído milhares de exemplares das suas próprias edições dos Paulos Coelhos e afins… Achar que os editores que vivem nestes tempos de Neo-liberalismo selvagem, são pessoas de Cultura, Humanistas ou Cidadãos do Mundo, é um torpe engano! Estamos perante seres hediondos, desesperados, capazes dos piores actos para sobreviverem nem que isso implique eliminar tudo e todos que tiverem à frente.

Para dizer a verdade até nada temos contra a queima de livros na vida privada, afinal, há livros nocivos – e ninguém vai comer um yogurte fora de prazo, certo? Os prejuízos de um mau livro até são piores que uma intoxicação alimentar. O que somos contra é que queima seja feita por coacção ou como uma manifestação pública. A obra Katz predendia fazer uma nova leitura sobre Maus de Art Spiegelman ao colocar cabeças de gatos em todas as personagens invés da distinção que Spiegelman fez com os judeus (ratos), alemães (gatos) e polacos (porcos). Numa atitude de ignorância e prepotência, o editor do Maus para o mercado francófono considerou a obra de “plágio” e violadora dos direitos de autor, tendo mandado destruir os exemplares existentes e o ficheiro do livro – só faltava perseguir o autor e pô-lo numa câmara de gás. Não contemplou apenas a proibição da reprodução da obra para próximas edições nem que os lucros da edição fossem para alguma instituição de caridade (judaíca, já agora! ó piada infame!). Preferiu destruir por completo como se fosse um Deus caprichoso digno do Antigo Testamento, que deve ter sido o único livro (e o manual do IVA) que leu na sua vida. Estamos entregues aos bichos…

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Filed under acontecimentos internacionais, bd estrangeira

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