Monthly Archives: Maio 2012

Sangue Violeta 30 anos depois!

A El Pep apresentou no fim-de-semana passado, no Festival de BD de Beja, o livro de BD Sangue violeta e outros contos, da autoria de Fernando Relvas e que reune as BDs “Sangue violeta”, “Tax driver” e “Sabina” que tinham sidos publicadas no extinto semanário SE7E, entre 1982 e 1988. São as BDs que mais marcaram a memória dos leitores do semanário. Um traço elegante e ágil, contrastado nas manchas negras num preto e branco nervoso e com um registo dinâmico do grafismo punk dos cartazes de concertos de música dos anos 80.

O livro encontra-se à venda no site da Chili Com Carne e brevemente estará em lojas físicas. E foi seleccionado para a Bedeteca Ideal!

Fernando Relvas nasceu em Lisboa no mês de Setembro de 1954. Começou a publicar bandas desenhadas no ano 1974 em várias publicações como a Gazeta da Semana, na revista Fungagá e nos fanzines o Gorgulho e O estripador [publicações disponíveis para consulta na Bedeteca de Lisboa!!!] Relvas colaborou em revistas diversas revistas de BD: Mundo de aventuras, Mosquito, LX comics, e em diversos jornais: O fiel inimigo, Pão com manteiga, Notícias da Amadora.  Mas só começaria a ser célebre a partir da publicação (para uns a mais significativa de todas as suas obras) da BD “Espião Acácio” na edição portuguesa da famosa revista Tintin, tendo colaborado nesta revista, entre 1978 e 1982. Com o fim da revista, Relvas inicia uma colaboração no extinto semanário SE7E onde publica algumas das melhores experiências visuais em BD dos anos 80 e de escrita, em Portugal. No SE7E, publica BD’s a preto e branco e a cores: ” Sangue violeta”, “Concerto para oito infantes e um bastardo”, “Niuiork”, “Sabina”, “Tax driver”, “Herbie de best”, “O diabo à beira da piscina”, “Nunca beijes a sombra do teu destino” e um dos mais caricatos personagens lusitanos: Karlos Starkiller.

Em 1993, editaria pela ASA o álbum Em desgraça, em 1995 editaria pela Livros do horizonte As aventuras do Pirilau – O nosso primo em Bruxelas, e Çufo para o Grupo de Trabalho do ME para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses. Em 1997, o álbum Karlos Starkiller inauguraria a coleção Bedeteca, da responsabilidade da Bedeteca de Lisboa. Em 1997 dita pela Mundo fantasma o álbum L123 (seguido de Cevadilha speed). Relvas publica actualmente em webcomics no seu blog urso-relvas.blogspot.pt.

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Beja weekend

Sem orçamento para autores estrangeiros, o Festival de BD de Beja não esmoreceu e avançou para a sua oitava edição com uma programação nacional de onde destacamos a exposição de Maria João Worm – oportunamente, uma vez que a autora ganhou o Prémio Nacional de Ilustração. Apesar de tudo ainda há um espaço para uma exposição do brasileiro Júlio Shimamoto.

Nas colectivas é que vamos encontrar pérolas, pois são relativas a colecções de originais de BD do investigador e crítico Domingos Isabelinho e da Bedeteca de Beja, organizadora do evento. Em Traços Comuns : arte original da colecção de Domingos Isabelinhos vamos encontrar Al Columbia, Alberto Breccia, Aristophane, Carl Barks, Chester Brown, Chris Ware, Dave McKean, Eddie Campbell, Fred, George McManus, Guido Buzzelli, Hal Foster, Jaime Hernandez, Joe Matt, Kyle Baker, entre muitos outros. Na exposição Originais e serigrafias da Bedeteca de Beja haverá Alberto Vázquez, Aleksander Zograf, Andrea Bruno, Craig Thompson, David B., David Rubín, Fábio Moon, Fernando Gonsales, Fernando Relvas, Hermann, Hypollite, Jakob Klemencic, Lourenço Mutarelli, Loustal, Martin tom Dieck, Max, Miguel Rocha, Susa Monteiro, Ulf K., etc… – no fundo é um resumo impressionante dos sete anos de actividade do Festival!

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20 anos de Cru

O zine Cru volta passado 13 anos para comemorar 20 anos de existência, a fraude é assumida no entanto, como se pode verificar no press-release que recebemos:

«Casa de nomes como Esgar Acelerado, Rui Torres, Rui Ricardo, Eduardo de Portugal, Helen Gossip, Emerenciano Osga, Mário Moura, Paolo Matlam, Asnaldo di Pietro, Randy Alvey, Cunha Rêgo, entre muitos outros, a CRU, revista rasca e vadia, foi o fanzine mais representativo do no-design e do it yourself português durante a década de 1990. Com tiragens que não ultrapassavam os 100 exemplares, a CRU é hoje um valioso objecto de colecção, que agora se (re)introduz a uma plateia mais vasta. No limbo desde 1999, a CRU regressa aos escaparates com uma nova edição, mais Rasca e Vadia de que nunca, com antigos e novos colaboradores. CRU, uma publicação pelintra, repleta do melhor da cultura underground.

valter hugo mãe (que aqui se estreia como argumentista de BD), Nuno Saraiva, Alex Gozblau, Esgar Acelerado, Valquíria Aragão, Johnny Ryan, Rudolfo, Darren Merinuk ou Zita Carícias são alguns dos colaboradores desta edição, repleta de banda desenhada, ilustração, contos, críticas de discos, cinema, colunas de opinião e muitos outros motivos de interesse. Com impressão offset limitada a 300 exemplares a revista esgotará certamente mais depressa do que o Diabo esfrega um olho. Reserve já a sua cópia!»

O último número da Cru foi o 13 (tendo passado por cima do número 12) como poderão consultar na Bedeteca de Lisboa. Há festa de lançamento no dia 25 de Maio lá no Porto e na 20ª Feira Laica – que já se sabe que esta edição de Verão da Laica mudou de poiso após 7 anos consecutivos a ocupar a abandonada Bedeteca de Lisboa…

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Regresso da Fantasma!

É o regresso da Mundo Fantasma às lides editoriais depois de uma curta carreira entre 1999 e 2004 em que inseriram no mercado português nomes importantes como Étienne Davodeau, Stanislas, Joe Sacco (Palestina) ou Daniel Clowes. Regressa agora com Diário Rasgado 2007/2012 de Marco Mendes, segundo livro que compila as BDs autobiografias deste autor – o primeiro foi editado em 2008.

O lançamento está marcado para AMANHÃ, na loja Mundo Fantasma, às 17h.

Sobre o autor, pirateamos este texto sacado no programa do Festival de BD de Beja de 2009:

Porque Portugal não gosta de si…

O Marco Mendes (1978, Coimbra) desde 2004 têm se afirmado como autor de bd’s “pedaços-da-vida” registadas como autobiografia e desenhadas de forma suja e urgente, ao contrário do que as suas participações na antologia Mutate & Survive (Chili Com Carne; 2001) e na revista Quadrado (Bedeteca de Lisboa; 2003) apontavam. Nessas publicações vamos encontrar um virtuoso desenhador de estilo “Pop Art” ou seja, com tudo limpinho, bonitinho, em ordem…
Não sei o que aconteceu em 2004 mas é nesse ano que Marco junta-se a Miguel Carneiro e outros artistas para criarem o colectivo Os Gajos da Mula (no Porto) e desatam a editar zines com títulos escabrosos como Paint Suck’s!, Lamb-Heart (onde são publicados fantásticos desenhos de Marco quando era puto!), Hum, Hum! Estou a ver!…, Estou careca e a minha cadela vai morrer e Cospe Aqui. Mais recentemente faz com Janus o zine O projecto de fecundar a lua e com a sua companheira Lígia Paz o Carlitos.
As bd’s que publica em todos estes títulos parecem “inacabadas” – ou seja, estão “ainda” a lápis, não foram passadas a “limpo” (ou a preto), algumas pranchas até tem algum ensaio de cor. A perícia técnica “naturalista” a que a maior parte da bd está associada está lá mas parece que estamos antes a ver esboços do que um “produto final” até porque os textos estão cheios de palavras riscadas ou saem dos limites dos balões ou das caixas. A urgência de puxar a realidade para uma folha de papel ultrapassa os formalismos e convenções de escrita e do desenho que habitualmente estamos habituados a ver/ler na bd. O que é necessário é colocar o amigo Janus, por exemplo, entre outras pessoas reais a falarem banalidades – e de preferência embriagados.
Marco vive uma altura fantástica no que diz ao mundo da bd – aliás, é a BD que vive uma altura fantástica de expansão no mundo infiltrando-se tanto na galeria de arte (por acaso Marco é representado por uma) tanto como na livraria generalista tal é a riqueza de propostas que tem oferecido nas últimas décadas. Uma das razões desta riqueza deve-se também aos desenvolvimentos tecnológicos da impressão que permitem reproduzir as tais “bd’s inacabadas” com uma qualidade impensável para quem se via à rasca (por exemplo) com a fotocopiadora dos anos 80. Marco tal como muitos autores a nível mundial – da Anke Feuchtenberger aos Elvis Studio, da Amanda Vähämäki ao Brian Chippendale – podem imprimir as bd’s “urgentes” em formatos baratos, como um zine fotocopiado, sem ter de passar pelos processos de desenhar o lápis e depois a tinta onde se costuma perder a espontaneidade do primeiro registo.
Desde os anos 60 que se tem quebrado a lógica da divisão de tarefas na bd – vindo do “fordismo” dos “comics” desde anos 30. Robert Crumb e Moebius cada um do lado do Atlântico e à sua maneira trouxeram a “escrita automática” e o “cadáver-esquisito” para a bd. Harvey Pekar trouxe a autobiografia tão ou mais importante que as “freakalhices” dos outros dois monstruosos autores. Finalmente na bd podíamos TER realidade… um registo do que é o mundo em bd – algo impossível de ter com as distorções caricaturais ou escapistas que a bd estava associada.
Em Portugal existe “bd de autor” desde 1975 com a revista Visão mas são poucos as obras que digam o que “é Portugal” na bd. Na Visão apareceram alguns contos sobre o Ultramar, aqui e ali pode-se encontrar algumas aproximações biográficas (mais “realistas”? mais “intimistas”?) da sociedade portuguesa pós-25 de Abril – Relvas, Luís Félix, Diniz Conefrey, Ana Cortesão, Janus e até Arlindo Fagundes poderão estar nesta mini-lista que tem origens em Raphael Bordalo Pinheiro e ruptura em Carlos Botelho.
Daqui umas décadas os Historiadores ainda irão pensar que a bd é um produto infantil porque terão dificuldades em encontrar obras que lhes digam o que raios os portugueses sentiam, faziam ou que paisagem lhes rodeava desde 1950 (ano que Botelho deixa de fazer os “Ecos da Semana”), no máximo poderão saber que havia boémia e uma cena artística no Porto ou empregos miseráveis em Portugal! – Marcos Farrajota

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Langridge no more!

O autor Roger Langridge deciciu esta semana deixar de trabalhar para as duas grandes editoras de BD norte-americanas, DC Comics e Marvel, por achar que estas tratam os autores de forma pouco ética –  como são conhecidos os casos dos criadores do Super-Homem, das recentes prequelas de Watchmen ou o recente caso dos herdeiros de Jack Kirby que criou dezenas de personagens para a Marvel.

Langridge é conehcido por vários livros editados pela Fantagraphic Books mas também como ter escrito algumas BDs do Thor – na Bedeteca de Lisboa até há um comic com uma dessas aventuras…

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Reactivação da Fonte!

O artista plástico João Fonte Santa volta aos fanzines!!! Alguém se lembra da Besta Quadrada? O lançamento do fanzine Crianças Grandes Brincam Com Brinquedos Grandes será no dia 19 de Maio das 15h às 20h na Rua da Bombarda 29, em Lisboa. No evento vai estar o DJ Single Again (DJ set), pinturas e desenhos de Margarida Dias Coelho e João Fonte Santa, sabonetes, flora autóctone, bijutarias e sacos!

+ informações: bombarda29@gmail.com

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Animais premiados!

Animais domésticos de Maria João Worm é o livro vencedor do Prémio Nacional de Ilustração 2011, atribuído pela Direcção Geral do Livro e das Bibliotecas. Relembramos que o livro foi editado pela própria autora, sob o selo Quarto de Jade – sítio oficial e selo editorial criado pela autora e Diniz Conefrey.

O júri atribuiu duas menções especiais, a José Manuel Saraiva pelas ilustrações de Cesário Verde – Antologia Poética (Kalandraka) e a Catarina Sobral pelo livro Greve (Orfeu Negro).

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