Monthly Archives: Agosto 2013

Dor de corno

a1758db7c1f041dbb56746da8bc3fd76Ao que parece não há novidades no Verão na Bedeteca de Lisboa! O desepero por ler algo de novo fez-nos avançar para este Shuck Unmasked de Rick Smith (a+d) e Tania Menese (a), editado em 2003 pela irregular Top Shelf, e que afinal não é mau de todo! Está escrito na contra-capa que é uma mescla da Luluzinha com Promethea (!?) mas para nós é mais Hellboy (nem que seja pelos cornos de ambas personagens) com os Peanuts – o que se calhar vai dar ao mesmo…

Quem sobreviveu ao inglês empastelado da Krazy Kat tem aqui também um desafio mas que no final compensa pela simpática fantasia e boa onda desta BD. Pensavamos que ia ser uma daquelas leitura de Verão calminha e afinal deu mais “trabalho” do que parecia… Aliás, todo o livro é sobre aparências, não pensvámos é que seria tão literal. Realmente, não se pode julgar um livro pela sua capa!

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Houdini na Bedeteca de Lisboa

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Chegou à Bedeteca de Lisboa o zine / catálogo (?) de desenhos Houdini de Bráulio Amado, editado pela Sleep City! (label do autor) e a galeria Watdafac (de Madrid). Trata-se de um registo de uma exposição que percorreu dois continentes durante 12 meses / cidades – uma das datas estava inserida no ciclo de exposições “Not Mex Not Tex”, em Denton (Texas), projecto em parceria entre a Associação Chili Com Carne e o autor norte-americano Nevada Hill.

Mucho nice!

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É ano de eleições!

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Nunca tinhamos topado porque temos perninhas e conseguimos andar mas durante anos o elevador da Biblioteca dos Olivais (onde se situa a Bedeteca de Lisboa) não funcionava!!!

E agora pelos vistos já funciona para as pessoas idosas e com problemas de deslocação poderem aceder à biblioteca – senão, ficavam só no rés-de-chão a ler BD, o que também não era mau, não?

Enfim, no ano de eleições autárquicas  resolvem-se os problemas mas depois de destruirem a horta comunitária do Monte (Rui “fdp” Rio style) e a encher Lisboa de pilaretes, da rotunda do Marquês à Mouraria, do Cais do Sodré aos Olivais – aliás, os Olivais desde há meses que é um bairro invadido por pilaretes, havendo já uma proposta para mudar o nome do bairro para Pilaretes – não é um elevador que compensará a barbárie. Será que as actuais campanhas políticas são pagas por empresas de pilaretes? Sabemos que a Associação Amigos de Olivais Sul vai-se candidatar  à Junta de Freguesia, são nesses que iremos votar, fartos de partidos políticos e acreditando nos movimentos de cidadãos!

Imagem sacada ao projecto brasileiro Pindura 2011.

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Definitivamente é a “silly season”…

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Agora sim, temos a certeza que é… com a inauguração desta exposição: Outra História por Maria Imaginário e Mariana, a Miserável, este Sábado, 10 de Agosto às 18h, na Fábrica Features.

Segundo contam: Já todos conhecemos a Monalisa, a Vénus de Milo e a Grande Odalisca. Mas o que a maior parte de vocês não faz ideia é que o que estamos habituados a ver é só uma pequena faceta destas meninas. Afinal de contas é o trabalho delas, estarem para ali penduradas numa moldura a mandar o seu charme maravilhoso e inocente. Preparem-se, porque o que vos vamos mostrar não vem nos livros de história. Esta é a parte que acontece quando as luzes dos museus se apagam, nas folgas das nossas maiores referências do mundo da pintura. Quem diria que a Monalisa gosta de amamentar coraçõezinhos carentes e vestir-se com roupa sexy tigresse no seu tempo livre?! Esta é outra face da vida delas. Esta é outra história…

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Padre Muchachooooo!

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O Rudolfo não pára… descobrimos que ele foi o cérebro por detrás da excelente exposição Lixo Futuro e entretanto lançou mais um zine de BD, o Musclechoo pelo seu selo editorial Ruru Comix. Para muitos, isso será um comportamento normal de quem tem acompanhado os lançamentos deste autor e músico mas entretanto para a Vice, Rudolfo prepara uma BD sobre o seu ídolo musical de juventude (ehm…) o sr. Otto Von Shirach! É assim que deveria sempre ser!!!

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Fiche-moi le camp!

Estivemos estes dias todos embriagados com os belos acontecimentos desta semana… Primeiro, passamos pela invicta galeria da loja Mundo Fantasma onde vimos uma das excitantes exposições de BD da actualidade anunciada aqui. Lixo Futuro??? Presente de Luxo! Parabéns aos organizadores e a esta nova geração de autores portugueses de BD pela surpresa exposta!!!

maria+josé+pereiraA outra boa notícia foi ler este artigo no sítio “bedófilo” Central Comics sobre o mercado português de BD em que topámos que a Maria José Pereira (na foto, sacada nesta entrevista nula) já não trabalha na Asa / LeYa. Finalmente parece que se reformou ou levou um pontapé no rabo (tanto nos faz) tal é esta figura que durante décadas fodeu (desculpem, não há outro termo) o mercado da BD portuguesa, seja na sua demanda comercial seja nas possibilidades de encontrar uma “nova BD” ou novos públicos.

Começou a sua negra carreira na defunta Meribérica/Liber, que continua a ser um marco editorial pelo seu sonambulismo e redundância. Quando este monolítico barco afundou-se no virar do milénio, Pereira esteve ligada à criação da Booktree, outra coisa balofa inexplicável, fugindo prá Asa poucos meses depois para dar cabo de vez do mercado editorial que se estava a (re)criar nos meados de 2000.

Graças ao “dumping” de álbuns franco-belgas de BD destas duas editoras, a Asa e a Booktree (e já agora, a VitaminaBD, Devir e Witloof), o espaço de exposição de BD de autor vindo dos esforços da BaleiAzul, Polvo, Círculo de Abuso, Chili Com Carne, MMMNNNRRRG, Mundo Fantasma e Nova Comix, foi soterrado por obras anacrónicas e sem sentido para um novo público à procura da “graphic novel” entretanto formado pelos esforços da Bedeteca de Lisboa e do seu Salão Lisboa (1996-2005), e do Salão de BD do Porto (1993-2001).

Conta-se secretamente entre os editores que por volta de 2004, a cadeia de lojas FNAC devolveu toneladas de livros em camiões Tir, devoluções de álbuns de BD franco-belga que não se venderam. Mesmo assim, José de Freitas (ex-Devir, actual Levoir) no tal artigo, ainda acha que «o último boom que vivemos em Portugal – de 2000 a 2004 – esse foi um boom de facto, porque havia projectos e direcções por trás das editoras que se propuseram editar BD regularmente».

Editar regularmente sem se vender e queimando a terra de todos não nos parece nenhum “boom” mas uma valente caganeira. As lojas desconfiadas passaram ainda a ter menos espaço prá BD e com isso, pequenas editoras independentes tiveram ainda mais dificuldade em entrar em grandes sistemas de distribuição / comercialização, impendindo a publicação da BD que interessava realmente para o público do século XXI – porque será que só agora é que se editam livros como Persépolis? Como se explica isto? Simples, Pereira faz parte daquela geração de funcionários de empresas (recusamos a chamar estas pessoas de “editores”) que vão para festivais da especialidade estrangeiros para se sentar num café a ouvir os resultados, por megafone do evento, os vencedores dos “álbuns do ano”, para depois mexerem-se a comprar os direitos para Portugal. Não queremos dizer que ela tenha feito isto ipso facto, mas esta imagem já nos foi relatada tantas vezes por pessoas que foram aos festivais de Angoulême ou de Bolonha (no caso da ilustração para a infância) que acreditamos que a senhora em questão não saiba quem é o Robert Crumb ou Arne Bellstorf justamente por fazer parte desta “caricatura real”.

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