Succedâneo de retrospectiva

Succedaneo retrospectiva fundao

Não soubemos desta mas entretanto lê-mos aqui o texto de Pedro Moura para a exposição e relembramo-nos que este fanzine Succedâneo teve uma exposição retrospectiva na Bedeteca de Lisboa em 2006 – quando a Bedeteca também comemorava 10 anos – intitulada Agora… chuchai no dedo.

Aproveitamos para recuperar a nota de imprensa de 2006: Editado por João Bragança co-habitaram nestas páginas bd’s, ilustrações, fotografias, assemblagens, restos mortais de instalações e performances essencialmente do editor mas também de outros criadores como o Neno, Paulo Pinto, Janus (autor d’O Macaco Tozé), Isabel Carvalho, Piggy, Pipa, Kromleqs (banda de música experimental)…

E se em 10 anos o Succ (como é carinhosamente apelidado pelos seus fãs) se metamorfoseou em vários objectos, nomeadamente, em carteira do Digimon, no interior de exemplares da antiga revista Flama ou dentro de saco de dejectos caninos, ou ainda numa caixa de plástico para comida, para acabar a façanha editorial e fugindo ao tradicional papel fotocopiado, teremos um Succ em formato de automóvel!

Sim leram bem, é triste, mas o Succ acabou! O número -31 (o Succ tinha numeração negativa) será reduzido à edição de dois exemplares: dois carros produzidos pelo autor e colaboradores – cuja construção foi possivel acompanhar em http://www.fanzinex.blogspot.com. Mas para os mais convencionais será feito um “fanzine propriamente dito”, «um sucedâneo do Succedâneo – queremos com isto dizer que o fanzine propriamente dito será um todo cheio de vértices, de volumes, de pormenores e a edição do sucedâneo do Succedâneo, será um meio de o fazer chegar até ao comum e pobre mortal».

Um destes exemplares está exposto na sala de exposições da Bedeteca para além da reconstituição da instalação “Vida de autor” (originalmente exibida no Zalão de Danda Besenhada, na Galeria ZDB, em 2000) e originais de ilustração e banda desenhada, fotografias, documentos, objectos diversos, enfim, tudo o que fez parte da história de um dos mais emblemáticos e duradouros zines editados em terras lusas.

Mas o que é isso do fanzine? – questionar-se-ão alguns leigos. A palavra resulta da contracção de “Fanatic” (fã) com “Magazine” e foi utilizada pela primeira vez na década de 40 para designar as publicações artesanais que começavam a surgir nos EUA e que se caracterizavam pela sua reduzida tiragem e distribuição e dedicação a temas específicos. Desde a explosão Punk e a expansão das fotocopiadoras que os fanzines passaram a ser o veiculo de ideias contra-culturais, disseminadores de ideias marginais e meio de expressão criativa por natureza ao ponto de alguns editores preferirem denominar de “zines” – os fanzines já não são fãs de algo. Assim se mantêm até hoje, à margem dos circuitos comerciais. A independência total está na sua essência. A sua concepção e produção resulta da exclusiva vontade do editor, do prazer que encontra em fazer e comunicar com outros. Esta total ausência de limites fazem dos zines um laboratório de criatividade, quer no plano dos conteúdos, quer no que respeita ao formato, grafismo, materiais utilizados ou no que toca à forma de distribuição e periodicidade. Esta é normalmente irregular, pois tudo depende do tempo e dos recursos do editor. Mas isso pouco importa, quando se gosta muito a paciência também não tem limites.

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Filed under acontecimentos, referência, zines

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