Bling Bling

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Há 5 anos neste preciso dia, a Disney comprou a Marvel, fazendo a concentração quase total da cultura juvenil numa só companhia comercial. Mais tarde, a Disney ainda irá comprar o império da marca Star Wars… Invés de ser visto como uma preocupação, os “bedófilos” ou ficaram felizes por este triunfo do capitalismo ou riam-se pela empresa de produtos infantis/ familiares terem comprado os “adultos” super-heróis – daí a cromice chegar ao ponto de imediatamente terem aparecido colagens com as personagens todas de ambas empresas (imagem) procurando pontos em comum entre elas.

Até gostamos deste “mash-up” – especialmente do logótipo e do castelo Doomisney – mas sabemos que esta união é perigosa e muito mais além do facto de que se já era estranho ter seres com “power-trips” e as cuecas à mostra, imaginem agora os fãs dos patos (sem cuecas) mais confusos: “usamos ou não cuecas? Por dentro ou por fora? Será que as hemorróidas físicas e mentais que temos são da prolongada exposição a produtos juvenis!?” Quack!

Se o parágrafo anterior é apenas uma graçola, o que é preocupante é voltarmos ao início dele: “ficaram felizes”. Este “ficaram felizes” significa que chegamos ao ponto máximo do Fascismo, quando os consumidores (já não se pode falar de cidadãos) não reflectem mais, aceitam a Nova Ordem e acham muito bem! É o caso clássico de “coolonização” mental, ou dos pobres que dada à miséria e necessidade de sobreviver no dia-a-dia, não se conseguem revoltar e até acham que os ricos (o patrão) têm razão nas maiores barbaridades que façam – Jardim ou Felgueiras anyone?

Como na “bola” ou na política, fala-se muito, acha-se que os outros só fazem asneiras. “Se eu estivesse lá fazia logo isto ou aquilo” é o que se ouve nestes dois tópicos mas que podem ser aplicados também na cultura Pop. O facto de se falar muito entre amigos ou escrever-se muito em blogues e fóruns em linha dá a sensação de poder ou de participação neste mundo cultural mas toda esta cultura não é bilateral. Muito antes pelo contrário! O consumidor tem uma ideia que ele é importante porque é ele que compra ou não um produto cultural, e o “artista” trabalha ou comunica para ele. Não percebe que o “artista” trabalha apenas para um “status quo” e para o seu patrão (multinacional ou “sponsor”) como qualquer outro assalariado. O consumidor acha-se inteligente porque viu o Matrix, logo pensa que é rebelde mas quem fez o dito filme é o mesmo que lhe oferece uma vida miserável a todos nós. São bastante conhecidas as grandes editoras que recusam-se a oferecer alguns benefícios económicos a autores que lhes fizeram a casa, como os casos bastante conhecidos de Jerry Siegel e Joe Shuster (criadores do Super-Homem) ainda hoje em tribnal, Jack Kirby (criador de quase todas personagens da Marvel) idem idem aspas aspas ou Alan Moore com os Watchmen – o britânico não tem direitos sobre o seu trabalho enquanto a DC Comics continuar a imprimir a obra;  ou pegando no exemplo do Matrix, que plagia a BD The Invisibles de Grant Morrison (e cia), o escocês não pode acusar legalmente os irmãos Wachowski desse rapinanço porque o filme é da Time-Warner que detêm a DC Comics, editora dos Invisibles. E claro, se quisermos ir ainda mais longe, sabe-se que a EMI está ligada às armas nucleares…

Quantas vezes se têm visto os “bedófilos” felizes da vida quando os seus “artistas” fazem contratos milionários ou quando as editoras perseguem outros artistas que usaram “propriedade alheia”. Seja na Europa ou nos EUA o que não falta são processos contra artistas pela Fundação Moulisart (Tintin), os representantes do Astérix, a Marvel, a DC Comics, a Disney, etc… O quadro mental é “darwinista” ou seja na cabeça destes escravos (vamos também de esquecer os termos cidadãos, consumidores ou “bedófilos” porque seria demasiado simpático) é que o “capitalismo funciona”! Quem tem “talento” (artístico ou para os negócios ou os dois) consegue chegar ao topo, por isso merece os valores astronómicos pelo seu trabalho e que o que está para baixo deve ser reduzido a cinzas, sem qualquer tipo de pensamento social. Esquecem-se que o facto dos gigantes juntarem-se não irá apenas piorar os concorrentes mas irá piorar as condições de trabalho de todos os envolvidos nas suas próprias empresas, geralmente concentrações de empresas implica emagrecer os recursos humanos das empresas fundidas. É fácil de perceber quando há menos patrões para praticarem preços concorrenciais que irão pagar menos aos profissionais de edição, designers e claro aos autores; e que  as obras que são produzidas desta forma terão tendência para piorar de qualidade, não que já não era muita, seja como for…

Como “Nazis in denial” não conseguem perceber na armadilha económica e cultural em que estão metidos. Que a cultura passou a ser monolítica ao ponto de alguém nos ter dito que a silhueta do rato Mickey já era mais conhecida que o crucifixo cristão – nos anos 60, o John Lennon tentou isso afirmando que os Beattles seriam mais famosos que Jesus Cristo mas deu-se mal… Hoje, não seria de admirar que as lápides dos escravos passam a ter esculpido (ou apenas em PVC que é mais barato) o perfil desse rato invés de um RIP! Squeak!

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Filed under mercado, silly season

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