Antes que queimem estes livros… (3/3)

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Por fim, completamente ao acaso encontramos The R. Crumb handbook cujo título diz tudo… Quem não quiser ler todos os grossos volumes de The Complete Crumb pode-se ficar por apenas um volume grosso que resume a importante carreira deste autor num texto redigido na primeira pessoa, acompanhado de fotografias, BDs, desenhos e um CD (Crumb toca Blues com um banjo).

O universo de Robert Crumb (1943, EUA) é sobre a solidão. A solidão de viver numa sociedade fria como a norte-americana. A solidão de não se conseguir comunicar num sistema de valores sociais cruel, especialmente para uma figura como a de Robert, e os irmãos Charles e Maxon, todos eles uns “nerds” assumidos e dissociados do mundo moderno e de todos os valores de consumo. Tão desfasado que era da “realidade imposta” que assim que arranjou uma miúda, perdeu a virgindade e desatou a casar-se com ela. Não foi uma boa ideia… Em 1965 teve a sua pior “trip” de LSD (que na altura conseguia-se com facilidade) e que o levou ao desgosto sentimental, infelicidade e desespero. As “trips” de LSD também lhe trouxeram para fora o que ele já suspeitava e odiava da América: bonecos desengonçados (sim, tripalhocos!), traumas com o sexo e a educação católica, o racismo latente da América e do próprio autor… Talvez seja aqui que a “escrita automática” em BD enquanto modelo de criação surja pela primeira vez, ou pelo menos da forma mais provocante.

Em 1967 com outros autores como Spain, S. Clay Wilson, Gilbert Shelton e Robert Williams criaram a Zap, revista de comics “underground” num mundo em mudança. Antes deles e depois com eles houve mais uma centena de revistas com aspecto psicadélico e temas anti-autoritários mas Crumb como é um artista consegui fugir à infantilização do “anti-autoritário pelo anti-autoritário”, criando uma obra mais profunda e pessoal que os autores da sua geração.

Importante referir que a circulação comercial das revistas underground criou um sistema alternativo de distribuição nos EUA que fugia ao “Comics Code” (referido no “post” anterior!) e mais tarde foi convertido numa rede de lojas especializadas que actualmente suporta toda a indústria norte-americana – que será a sua própria razão de “guethização” mais tarde. Resta acrescentar que Crumb e os undergounds foram o “ar fresco” nos EUA, que abriram as “portas da percepção” paras as novas gerações de autores, conhecidos por alternativos que apareceram nos anos 80 e 90. Além da obra inspiradora de Crumb, o autor nos anos 80 editou a revista Weirdo fascinado pela energia da “small press” Punk e onde publicou os novatos e agora admirados Peter Bagge, Joe Matt e Julie Doucet…

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Filed under acervo da bedeteca, bd estrangeira, referência

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