Sábios do Sião na Bedeteca (10 anos depois!)

Pelos vistos demoraram 10 anos até A Conspiração : A História Secreta dos Protocolos dos Sábios de Sião de Will Eisner (19717-2005), editado pela Gradiva em 2005, para chegar à Bedeteca de Lisboa… É a última obra do mestre Will Eisner (1917-2005) que concluiu no seu último mês de vida, considerando-a a obra mais poderosa de toda a sua carreira. Profundamente perturbado pelo facto de os Protocolos dos Sábios de Sião – um alegado plano de domínio mundial escrito por líderes judeus – continuarem a ser publicados e distribuídos em todo o mundo, Eisner esperava que o seu relato gráfico desta injuriosa fraude pudesse alcançar uma audiência muito mais alargada do que a de qualquer obra académica sobre o assunto. Nesta história extraordinária, Eisner leva o leitor numa viagem que tem início na Paris de finais do séc. XIX, onde um agente da polícia secreta russa plagia uma velha obra filosófica francesa, fabricando um documento com o qual se pretendia provar a existência de uma conspiração judaica contra a civilização cristã. Concebido como um esquema anti-semita para desviar as atenções do regime repressivo do czar, o texto dos Protocolos foi inicialmente publicado na Rússia em 1905. E o sucesso da falsificação superou em larga medida as ambições propagandísticas dos seus criadores. Mais tarde, enquanto a I Guerra Mundial engolia a Rússia e a maior parte do mundo ocidental numa conflagração mortífera, a mentira tornou-se uma verdade internacionalmente aceite. Nem mesmo o venerável Times, que em 1921 expôs os Protocolos como uma grosseira fraude, conseguiu pôr cobro às publicações do panfleto, que em breve se sucediam em dezenas de países.

Apresentando um cortejo de figuras históricas que incluem, entre muitos outros, o czar Nicolau II, Adolf Hitler e Henry Ford, Eisner retrata poderosamente a ascensão do pensamento anti-semita moderno à luz da disseminação dos próprios Protocolos. Escritos durante o auge do Caso Dreyfus, que dividiu profundamente a França na viragem do século, os Protocolos, como revela Eisner, foram rapidamente adoptados por numerosas organizações, partidos e religiões racistas ou os fundamentalistas islâmicos. Infelizmente, Eisner faleceu antes de poder aferir se a sua obra gráfica teria o efeito correctivo que as anteriores denúncias e relatos não conseguiram ter. A sua esperança era que A Conspiração pudesse ajudar «a cravar mais um prego no caixão desta aterradora, vampírica fraude.»

A edição inclui uma introdução de Umberto Eco. Obra seleccionada pela Bedeteca Ideal.

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