Histeria Feminista

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Aproxima-se o Festival de Angoulême e começaram as polémicas que envolvem sempre um evento desta dimensão. Esta semana um grupo feminista atacou mediaticamente a organização do evento por não terem autoras de BD nomeadas para o “Grande Prémio”, um prémio de carreira que coloca o autor vencedor como Presidente na edição seguinte do Festival bem como uma grande exposição sua de retrospectiva.

Este ataque de estilo politicamente correcto à americana – o artigo no Mundo Fantasma desmonta bem este excesso – o que reclama parece ser uma impossibilidade histórica uma vez que a BD sempre sofreu do síndroma do “clube dos rapazes” durante quase toda a sua existência oficial. A “menina não entra” era a máxima das BDs da Luluzinha e do Bolinha que serve de metáfora infeliz para a falta de equalitismo na BD ou no mundo em geral que ainda hoje se aplica, por exemplo em barbeiros idiotas.

O estatuto da mulher na BD mudou nos anos 60/70, basta pensar em Trina Robbins, Roberta Gregory, Aline Kominsky-Crumb (nos EUA), Claire BretécherFlorence CestacChantal Montellier (França) e a “nossa” Isabel Lobinho. Sobretudo nos anos 90 deu-se um “boom” de participação feminina na BD quer na veia artística (Julie Doucet, Ana Cortesão, etc…) quer na popular que vai desde da “best seller” Marjane Satrapi às mangakas Clamp. Neste milénio, em países como a Suécia ou a Finlândia há tantos autores homens como mulheres, como foi provado no último Salão Lisboa em 2005. Apesar disto é provável que estatisticamente esta “acção terrorista deste grupo armado de feministas” – helás, isto já caiu num “kitsch” contra-revolucionário – tenham conseguido constatar o óbvio: sim, é verdade que faltam autoras com uma carreira tão poderosa como os autores masculinos para um prémio deste tipo em Angoulême. O que é uma reivindicação tão mole como um pénis de um tecnocrata depois de um banho… 

É certo que a BD tem muitos caminhos a percorrer mas não são os mesmos que exigem estas “nanas” porque mesmo que a qualidade da Arte pudesse ser feita através de distribuição de quotas de género (uma ideia tão aberrante como a eugenia) o “machismo” de Angoulême não é feito por haver uma misoginia calculista mas devido ao seu precário, paradoxal e eterno jogo entre Mercado e Arte. É um festival generalista que ora tenta agradar a “crítica” ora as grandes editoras mercantis de BD conforme o vento sopra. Neste equilíbrio impossível, já houve prémios justificados (Art Spiegelman, Robert Crumb, José Muñoz ou Tardi) mas o que dizer do Zep? Um autor de “humor pipi & cácá”? Que dizer de muitos outros autores “franciús” que também já ganharam? Se calhar mais vale acusar Angoulême de “nacionalista”, característica cada vez mais francesa a julgar pelas suas eleições governamentais “eternamente Le Pen”.

Realmente o que faz na lista o Daniel Clowes? Desde que se meteu no cinema nunca mais fez nada de jeito, ponham lá uma dama qualquer… Ou duas! Matt Madden??? Why? Ainda bem que estes desistiram de fazerem parte da lista de nomeação em solidariedade à “causa”! Para um prémio tão frouxo de pensamento crítico porque não ter uma polémica sensacionalista e pouco inteligente como esta? Cada qual tem o que merece…

E já agora, perguntamos a quem faz este tipo de pressão se pensam realmente nas autoras que “defendem”? Se agora meterem uma autora na lista do “Grande Prémio” o que ela vai sentir sabendo que está lá para servir de  mero tampão de interesses e não como uma artista por mérito próprio? E se ganhar o dito prémio não se perceberá que foi tudo por feito e oferecido por condescendência?

Por fim, se os nomeados para o “Grande Prémio” de Angoulême fossem Stéphane Blanquet (que tem pila e é francês) ou a alemã Anke Feuchtenberger algum deles ganharia o galardão?

Apostamos que não! É que para a “BD” e para o seu maior certame celebratório, o Festival de Angoulême, eles são “demasiado artistas”. Se houvesse outro evento em que a BD não fosse  tratada como mera mercadoria então (a mulher) Feuchtenberger poderia ganhar um prémio similar sem ajuda das suas “irmãs”… Ou o (homem) Blanquet sem ajuda dos seus irmãos porcos machistas.

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Filed under acontecimentos internacionais, referência

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