Monthly Archives: Fevereiro 2016

A viagem na Bedeteca

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Cerca de um ano depois aparece na Bedeteca de Lisboa o terceiro volume da Colecção Novela Gráfica: A Viagem de Edmond Baudoin, autor francês que faz parte daquele grupo de autores que já vieram várias vezes a festivais portugueses sem ter obra publicada sem razão! É o caso do espanhol Max (Porto, Amadora, Lisboa e Beja!) e de Baudoin, este presente a primeira vez no Salão Lisboa 2000 e mais recentemente um punhado de vezes nas últimas edições da BD Amadora. Claro que quer um quer o outro foram publicadas BDs’s curtas na Quadrado, no caso de Baudoin no número dois da terceira série (Setembro 2000), mas nunca em livro! E apesar das polémicas que se deram no blogue de Domingos Isabelinho (ler os comentários deste “post”) e mesmo que A Viagem seja um “trabalho menor” de Baudoin, 18 anos depois eis o livro em Portugal, cujo comentário “menos mal…” se alinha perfeitamente ao nosso miserável país.

Diz a sinopse: Um belo dia, Simon um empregado de escritório parisiense, abandona a mulher, o filho, a casa, o emprego e a sua cidade, para partir numa viagem pela França, à procura de si próprio. Uma viagem poética, contada pelo traço sensual de Edmond Baudoin, e galardoada em 1997 com o prémio para o Melhor Argumento no Festival de Angoulême.

Nascido em 1942, Baudoin abandona em 1971 o seu emprego como contabilista num hotel de Nice para se dedicar à sua grande paixão: a banda desenhada e o desenho. Tendo publicado nas principais revistas francesas como Circus, Pilote, L’Echo des Savanes e (A Suivre), Baudoin estreou-se em álbum em 1981, com Les Sentiers Cimentés, título publicado pela Futuropolis, editora que irá lançar mais de uma dúzia de livros seus em 10 anos. É um dos grandes representantes do romance gráfico autobiográfico, de que A Viagem é um exemplo poético, que mistura elementos da vida real com outros ficcionais. Autor de uma obra sequencial mais difícil que o normal, mais exigente para com o leitor, que por vezes parece situar-se a meio-caminho entre a BD e a pintura – ou por vezes a caligrafia, o que terá sido um a das razões pelas quais os editores japoneses se interessaram pelo seu trabalho – e que nunca enveredou pela facilidade, Edmond Baudoin viu esse seu percurso ser recompensado em 1992 ao receber o Alph’Art para Melhor Álbum no Festival de Angoulême

“Quando comecei o meu trabalho, percebia muito bem que estava a fazer algo que poderia ser de facto qualificado como difícil, na banda desenhada. Para mim, o prémio de Angoulême que recebi [pelo álbum Couma Aco] virou-me a vida do avesso. Naquele momento, interpretei aquele prémio como se me dissessem “Seguimos-te até aqui, mas podes ir muito mais longe, por isso, tens de te tornar um pouco mais tu próprio”. Então, muito bem. Vou mostrar-vos que posso ir um pouco mais longe”. – Edmond Baudoin 

A Viagem é um livro que ocupa um lugar singular na obra de Edmond Baudoin, por ter sido uma banda desenhada encomendada pela editora japonesa Kodansha, alguns meses depois de Baudoin ter sido premiado em Angoulême, num ano em que o Japão era país convidado do Festival. O pedido era específico, fazer uma espécie de remake de um seu anterior livro, também chamado A Viagem, para a revista Morning, uma revista de manga seinen (para leitores adultos). Por esse motivo, e porque a história era desenhada directamente no papel fornecido pela editora, e por ter sido publicada no sentido de leitura japonês, a sua composição e planeamentos são algo distintos do trabalho normal de Baudoin. (…) 

Premiada em 1997 com o Prémio do Festival de Angoulême para o Melhor Argumento, distinção a que não terá sido estranha o traço mais solto e livre, menos denso, que adoptou para este “quase-manga”, e que criou um ritmo de narração muito próprio, A Viagem tornou-se num dos marcos relevantes da sua obra. Depois de Le Voyage, e ao longo dos anos seguintes, Edmond Baudoin tem vindo a alcançar um estatuto que lhe tem permitido explorar a sua própria maneira de fazer banda-desenhada.  (…) 

“Eu não sou músico, mas utilizo muito a palavra música para expressar a noção de ritmo. Às vezes até falo, por exemplo, da música de Fellini ou da música de Pasolini. Para mim é muito importante que os seres andem na sua música. Para alguns, essa música poderá ser olhar para árvores vivas, pássaros a voar… e porque não? Mas o que quer que seja, cada um deve encontrar a sua música, e estar na sua música. Para mim isso é o essencial.” – Edmond Baudoin

Obra seleccionada para a Bedeteca Ideal.

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Puto Naruto!

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Chegou mais um investimento da Devir em Manga para putos! Já era sem tempo de NÃO deixarmos a criançada nas mãos de patos semi-nus e gajos com as cuecas de fora, ambos produtos do imperialismo norte-americano. A edição portuguesa de Naruto, o mangá mais popular do mundo, criado por Masashi Kishimoto vai no 11º volume e a Bedeteca de Lisboa já tem os primeiros dez da série. Fixe, não? (e tem em inglês uma “porrada” deles!)

Sinopse: Naruto é um jovem ninja em formação com uma queda incorrigível para a traquinice. As suas loucas tropelias arreliam os seus companheiros, mas há algo que Naruto leva muito a sério: vir a ser um dia o maior ninja da sua aldeia! Quack!?

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Um Contrato com Deus na Bedeteca de Lisboa

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Foi justamente há um ano que lançaram o primeiro volume da Colecção Novela Gráfica – corruptela de “graphic novel” quando não custava nada chamar de “Romance Gráfico” – para quem comprasse o jornal Público e quisesse dar apenas mais 9,90 Euros por livros bem impressos e com bom aspecto gráfico.

Esta foi uma colecção que quebrou o tabu do mercado editorial de publicar só banda desenhada de “género” e sobretudo de índole  infanto-juvenil. Como sabemos foi quase por mero acaso que foram publicadas em Portugal algumas obras com sucesso de crítica e de público no estrangeiro: Maus, Persépolis, Mundo Fantasma, Palestina… Apesar da colecção não ser muito “radical” como apontou o blogue The Crib Sheet eis uma forma de colmatar uma ausência de títulos básicos da BD mundial como Um contrato com Deus de Will Eisner (1917-2005), livro que chegou ao mercado português com magníficos 37 anos de atraso!

Terem arrancado com este título foi um acto simbólico pois foi graças a ele que o termo “graphic novel” tornou-se popular nos EUA e mais tarde pelo mundo fora. O livro reúne quatro histórias – A Contract whith God, The Street Singer, The Super, Cookalein – de personagens de origem judaica que sobrevivem num prédio pobre na Dropsie Avenue em Nova York, características que serão de resto recorrentes na obra de Eisner.

Este autor nem é dos mais esquecidos por cá, logo em 1977 a sua emblemática personagem The Spirit chegou a ter uma revista e neste milénio foram editadas três romances gráficos seus, a saber: O Grande Jogo (Devir; 2003), A Conspiração : A história secreta dos Protocolos dos Sábios de Sião (Gradiva; 2005) e a sua derradeira obra Fargin, o Judeu (Gradiva; 2007) – já para não falar do “OVNI” John Law, Detective

Por fim, dúvida mortal? Em 2016 irão repetir a “brincadeira” de fazer mais uma colecção destas?

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Comic Culture Clash

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O colectivo alemão Moga Mobo pretende fazer uma antologia de BD sobre “Conflitos Militares” para este ano. Fizeram um “open-call” no sítio comic-culture-clash.de.

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Quinta do Património

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Nesta Quinta-Feira de Novidades na Bedeteca de Lisboa, elas são velhinhas… Mas importantes, pois chegaram três volumes encadernados de revistas de BD para a infância dos anos 50 e 60 enriquecendo e completando o acervo da Bedeteca.

Encontram-se portanto na sala de reservados – onde estão revistas, fanzines e edições raras – O Pimpão (1955-56) com o seu lado apologético de patriotismo e moral (…) e um “Avôsinho” escrevia uma espécie de editoriais formativos para os jovens. Estes podiam mandar fotografias das suas terras (rubrica “Recantos da Nossa Terra”) que eram acompanhadas da foto-passe dos seus autoresValente : jornal juvenil ilustrado (1956-57) que está em tão bom estado que ainda tem as suas páginas fechadas; e Foguetão : semanário juvenil para o ano 2000 (1961) que já pode ser totalmente consultado na Hemeroteca Digital.

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Diogo Seixas Lopes (1972-2016)

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O Inverno de 2016 continua a ceifar vidas que nos são queridas. Daniel Lopes e João Chambel recordam a face do arquitecto Diogo Seixas Lopes (falecido no dia 18) ligada à BD e aos fanzines no blogue da Associação Chili Com Carne.

Na Bedeteca de Lisboa encontram-se alguns dos títulos referidos no texto de Lopes e Chambel.

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Deixem os putos em paz!

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O Trans-Pacific Partnership, o polémico acordo “secreto” TPP, está cheio de cláusulas que causam perplexidade, e uma delas chega mais recentemente com uma simples correcção de um parágrafo, e que criminaliza coisas tão banais como as legendas feitas por fãs.

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