Monthly Archives: Maio 2016

Dog Story

Hetamoé - a loja de Gersaint cartaz pequeno

O mote para este ciclo de exposições é a icónica pintura L’Enseigne de Gersaint, realizada por Jean-Antoine Watteau em 1720 para a loja do marchand Edme François Gersaint. Nesta pintura a óleo de grande escala (163×308 cm) vê-se o interior da loja de Gersaint, localizada no centro de Paris, que comercializava arte e outros produtos de luxo para a aristocracia e burguesia parisiense de meados do século XVIII. É um dos últimos quadros pintados por Watteau e retrata o interior de uma loja especializada em arte sua contemporânea. Com o ciclo A Loja de Gersaint pretende fazer-se uma ponte com o universo desta loja de vocação pictórica, oferecendo seis pontos de vista sobre a ideia de coleccionar − da figura do coleccionador e dos objectos potencialmente colecionáveis –, do acto de desejar e da ideia do valor da arte.

O ciclo consiste em seis etapas, com a duração aproximada de uma semana cada, sendo que nesta recta final vão estar expostos trabalhos de Hetamoé e Miguel Pacheco (7 a 11 de Junho).

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Tiago Baptista

Tiago Baptista nasceu em 1986, perto de Leiria. Licenciou-se em 2008 em Artes Plásticas na ESAD nas Caldas da Rainha onde começou a publicar fanzines em 2005. A sua expressão artística é repartida pelo trabalho de pintura e desenho – Prémio de Pintura da Fidelidade Mundial 2009 e Prémio Amadeu de Souza Cardoso 2015 – como também pela BD que apesar da precaridade económica deste meio nunca a abandonou tendo já publicado dois livros a solo: Fábricas, baldios, fé e pedras tiradas à lama (Oficina do Cego + a9))); 2012) e Stalker (Ao Norte; 2015).

Desde já, gostaria de realçar os seus artigos escritos sobre o artwork das bandas Crass, Swans e Laibach, publicados em vários números do fanzine Preto no branco em que prova que ainda se pode escrever algo de interessante sobre estas bandas “clássicas” e melhor ainda, que ainda vale a pena ler em papel artigos sobre elas nesta Era Em Que Tudo Se Encontra na ‘Net. É importante referir isto porque há a tendência para se dizer que um bom autor de BD pode ser um mau escritor e/ou um mau desenhador. Baptista é mais um caso em que se mostra que nada disso é verdade, só na BD é que se poderia ter um discurso tão miserabilista como este. Quando os autores de BD são bons é porque são tão bons escritores como gráficos. No caso do Tiago, os resultados são surpreendentes tal é a sua verve literária como o seu imaginário.

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O seu percurso artístico e universo autoral de BD está bem documentado em entrevistas de rádio em linha (stress.fm), em vídeo (no sítio da Associação Ao Norte) e escrita no Maga (Clube do Inferno + Chili Com Carne + Thisco; 2015). A exposição neste festival apanha várias obras recentes do autor, entre elas as suas memórias numa residência artística em Berlim no ano de 2013 que saíram como episódios independentes na antologia Zona de Desconforto (Chili Com Carne; 2014) e dois números do Preto no Branco (Nov’14/Jan’16), bem como outras paisagens, algumas mais coloridas que outras, deste flâneur rural – eu sei, é uma contradição – como a última BD do Fábricas, baldios (…) e a BD na revista Gerador (Abr’15). Nestas últimas, revelou o bucolismo possível de Queluz, onde ele habita. São duas peças que merecem serem imortalizadas numa cápsula do tempo para representar Portugal no Novo Milénio.

Para além da sua actividade artística, Tiago complementa-se como editor tendo fundado em 2006 a Façam Fanzines e Cuspam Martelos, um guarda-chuva editorial para vários zines individuais seus como de outros autores. Conheceu este tipo de publicações nas Caldas da Rainha que era um enorme centro desta actividade edito-lúdica. Ao contrário dos seus colegas que se satisfaziam com o onanismo soalheiro da publicação sem consequências Tiago soube realmente entender esta rica cultura: mesmo que muito pouca gente ou ninguém leia fanzines, eles existem para o mundo, são o legado da nossa existência, são a projecção dos nossos sonhos, ansiedades, preocupações, objecções e sentimentos. Os fanzines, punhado de folhas agrafadas, tal como outras formas de criação artística são como uma espécie de imortalização do espírito.

Ao validar este modelo de edição com seriedade, Tiago não dorme na praia e é capaz de projectar situações militantes como participar nessa babilónia mais babilónia conhecida por Feira das Almas. Neste evento de “life style” de corpos voluptuosos de top, calção e pernoca sexy, lá estava ele numa mesa intitulada Solidariedade Fanzinista. Só por isso merece um Prémio Geraldes Lino!

(texto de Marcos Farrajota para o Splaft!, o boletim do Festival de BD de Beja)

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O cemitério da Ar.Co.

cronicasNão faltam cursos de BD em Portugal mas resultados públicos (publicados) ainda há poucos anos roçavam o zero. Se por um lado existe um mercado que pouco publica BD é muito estranho que não apareçam zines ou livros de autor no meio de tanta gente formada.

Felizmente nos últimos anos tem aparecido trabalhos de forma oficial como os livros de Francisco Sousa Lobo (ex-aluno na Ar.Co) ou de forma “underground” como fanzines editados pela Ar.Co (!) como Más Allá Del Cementério (2013) de Rodolfo Mariano

Chegou à Bedeteca de Lisboa As Crónicas de Cemitéria e outros lugares assim do mesmo autor que mais uma vez junta várias BDs, vindas da sua colaboração no Críticas Felinas, neste fanzine em formato A4. As BDs são interpretações gráficas de temas musicais de bandas como os HHY & The Macumbas, Keep Razors Sharp e Zundapp Speedkings.

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Boicota DC e Marvel!!! (2)

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A DC e Marvel foram derrotadas por Graham Jules, um homem de negócios que escreveu o livro Business zero to superhero em 2014. Jules foi processado por usar a palavra “super-herói”, palavra que está registada como uma patente por estas duas editoras desde 1979. Segundo o jornal Telegraph Jules gastou 200 libras (para abrir o processo de reclamação) e 200 horas a estudar e a escrever cartas sobre propriedade intelectual. Este gajo sim, é um verdadeiro Super-herói! E derrotou duas empresas super-vilãs porcas capitalistas e os seus lacaios! Yes!

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Billie Holiday na Bedeteca

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Chegou à Bedeteca de Lisboa para empréstimo e consulta o livro que a Levoir e o jornal Público lançaram em Novembro do ano passado para comemorar o 100º aniversário de nascimento da Deusa do Jazz, Billie Holiday.

Holiday nasceu em Baltimore em 1915 e morreu em Nova Iorque em 1959, converteu-se numa mítica cantora de Jazz. Ainda hoje é considerada “a voz” que nos comove. Neste livro a história desenrola-se à volta da escrita de uma noticia pedida a um jornalista nova iorquino. Este profissional dos media tenta reconstruir a biografia da artista, procurando para além  dos escândalos públicos na vida da estrela (abusos, droga, violência, álcool, etc) a  verdade junto de quem com ela privou. Muñoz e Sampayo conseguem retratar num fundo de racismo e desgraça o mundo do blues e a ascenção e  queda de uma das maiores representantes da época de ouro do jazz.

Nascido em 1942, em Buenos Aires, José Muñoz estudou desenho na Escola Pan-Americana de Artes, onde foi aluno de Alberto Breccia e conheceu Hugo Pratt, os autores que mais influenciaram o seu estilo. Aos 18 anos, começou a trabalhar como assistente de Solano Lopez (o desenhador de El Eternauta, uma obra-prima da BD argentina, escrita por Oesterheld) e pouco depois substituiu Hugo Pratt como desenhador de outra série criada por Oesterheld, Ernie Pike. Em 1972, o agravar da situação política leva-o a exilar-se na Europa, onde ainda vive, entre Paris e Milão, depois de ter passado por Inglaterra, Espanha e por Itália. A sua carreira tem sido feita ao lado do seu amigo e compatriota Carlos Sampayo (…). José Muñoz ganhou o Grande Prémio de Angoulême em 2007.

Carlos Sampayo nasceu em 1943, também em Buenos Aires. Definindo-se como “um boxeur amador até ao dia em que fiquei K.O. por me ter distraído a olhar para um cartaz publicitário”, Sampayo trabalhou em publicidade, até se dedicar a tempo inteiro à BD como argumentista, colaborando sobretudo com Muñoz, mas também com Igort e com Oscar Zarate. Em finais de 1972, decide deixar a Argentina e ir viver para Espanha, onde ainda hoje reside. A colaboração entre os dois autores nasceu num aeroporto e amadureceu noutro. Tudo começou em 1974, no aeroporto de Londres, quando Zarate (…) aconselhou José Muñoz, de partida para Espanha, a contactar com Carlos Sampayo, que então vivia perto de Barcelona. Muñoz tinha, aliás, conhecido Sampayo três anos antes, curiosamente noutro aeroporto, aquando da partida de Zarate para Inglaterra. Da sua colaboração, nasceu em 1975 um herói, Alack Sinner, que valeria aos seus criadores dois Prémios de Angoulême, em 1978 e 1983.

(…) Embora José Muñoz tenha sido objecto de exposições no Museu Rafael Bordalo Pinheiro, em 1994, e nos Festivais de BD da Amadora, Porto, Lisboa e Beja, e de alguns episódios de Alack Sinner terem sido publicados nos jornais Lobo Mau e Diário de Lisboa e na revista O Mosquito, Billie Holiday é apenas o segundo livro da dupla publicado em Portugal, depois de Nos Bares, em 2005. 

Apesar dos editores esquecerem-se que Muñoz também foi publicado na revista Quadrado, dá-mos os parabéns aos editores por esta excelente iniciativa! O livro é editado em capa dura, uma “edição de coleccionador” porque é reforçada com um texto do crítico de Jazz Francis Marmande e desenhos de Muñoz em volta do tema com o título “Jazz Sessions”.

Obra seleccionada para a Bedeteca Ideal.

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No dia 26 de Maio, pelas 19h, a Zaratan – Arte Contemporânea tem o prazer de apresentar , uma exposição individual de Xavier Almeida, que reúne uma série de novos trabalhos, pensados especificamente para os espaços da galeria.

Natureza / Homem / Paisagem. É a partir deste triângulo (△) que se molda a exposição de Xavier Almeida. Uma imersão na humanização do território e na construção da paisagem através de uma série de desenhos, instalações e acções. “△” apresenta-se também como aglomeração de diferentes áreas de trabalho do autor.

Xavier Almeida (1980, Ovar) vive e trabalha actualmente em Lisboa. Não optando pelo ensino artístico académico (e após Mestrado Clássico em Arquitectura), Xavier decide ser assistente de artista: em primeiro no Atelier Van Lieshout (Roterdão, 2009) e depois com Fernanda Fragateiro (Lisboa, 2010- 15). Desenvolve desde 2008 projectos em várias áreas, principalmente em Desenho, Banda desenhada, Instalação e Interacção. Os temas mais comuns balançam entre a comédia e o absurdo.

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12º Festival de Beja

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Mais uma edição do simpático Festival Internacional de BD de Beja com muitos convidados estrangeiros e portugueses e respectivas exposições, para agradar gregos e troianos como o argentino Eduardo Risso (para os fãs de super-heróis e afins), uma exposição retrospectiva do falecido Estrompa, o espanhol Paco Roca (de Rugas), o Quarto de Jade (Maria João Worm e Diniz Conefrey), Sónia Oliveira, sendo que o nosso destaque vai para Tiago Baptista que além de ser dos autores de BD portugueses mais consistentes deste novo milénio, irá lançar um novo Toupeira Comix.

No entanto tal como no ano passado a programação apresenta-se sem surpresas. É sempre um prazer rever um autor de alto calibre como o francês Edmond Baudoin mas relembramos que ele já passou duas vezes pela BD Amadora nos últimos seis anos e em 2000 (quando ninguém queria saber dele) no Salão Lisboa, tal como o brasileiro Marcelo D’Salete também nos visitou o ano passado na polémica mesa-redonda da Gulbenkian. É claro que se justificam estas repetições dos autores por estes terem livros seus editados em Portugal, especialmente no caso de Baudoin que só no ano passado é que teve a A viagem em português.

O mais grave e o erro maior do ecletismo deste evento testemunhar a preocupação em convidar autores angolanos ao mesmo tempo que apresenta o pós-colonialismo de Jim Del Monaco (como aconteceu no ano passado numa miserável exposição sem originais) ou o mau-gosto das produções de Filipe Melo – será lançado um livro sobre Guerra da Guiné que na sua acção promocional incita o encontro deste tema delicado com… Vampiros!!! Teme-se o pior mesmo que já se saiba que não vão aparecer as criaturas sobrenaturais…

A grande novidade será o novo espaço físico abraçando exclusivamente o Centro Histórico da cidade a começar pelo Pax Julia – Teatro Municipal, o núcleo principal desta Festa da BD, e onde se centrarão boa parte das exposições e da programação paralela. O primeiro fim-de-semana (27, 28 e 29 de Maio) será completamente preenchido com a apresentação de projectos, sessões de autógrafos, conversas, concertos desenhados, lançamento de livros, workshops, etc., e reunirá todos os autores representados nas 23 exposições patentes ao público.

Como não podia deixar de ser, o Festival também terá à disposição dos visitantes o Mercado do Livro (a maior livraria do país durante este período) e uma zona comercial com várias tendas instaladas, no Largo do Museu Regional. E muitos espaços com refeições e petiscos!

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