Billie Holiday na Bedeteca

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Chegou à Bedeteca de Lisboa para empréstimo e consulta o livro que a Levoir e o jornal Público lançaram em Novembro do ano passado para comemorar o 100º aniversário de nascimento da Deusa do Jazz, Billie Holiday.

Holiday nasceu em Baltimore em 1915 e morreu em Nova Iorque em 1959, converteu-se numa mítica cantora de Jazz. Ainda hoje é considerada “a voz” que nos comove. Neste livro a história desenrola-se à volta da escrita de uma noticia pedida a um jornalista nova iorquino. Este profissional dos media tenta reconstruir a biografia da artista, procurando para além  dos escândalos públicos na vida da estrela (abusos, droga, violência, álcool, etc) a  verdade junto de quem com ela privou. Muñoz e Sampayo conseguem retratar num fundo de racismo e desgraça o mundo do blues e a ascenção e  queda de uma das maiores representantes da época de ouro do jazz.

Nascido em 1942, em Buenos Aires, José Muñoz estudou desenho na Escola Pan-Americana de Artes, onde foi aluno de Alberto Breccia e conheceu Hugo Pratt, os autores que mais influenciaram o seu estilo. Aos 18 anos, começou a trabalhar como assistente de Solano Lopez (o desenhador de El Eternauta, uma obra-prima da BD argentina, escrita por Oesterheld) e pouco depois substituiu Hugo Pratt como desenhador de outra série criada por Oesterheld, Ernie Pike. Em 1972, o agravar da situação política leva-o a exilar-se na Europa, onde ainda vive, entre Paris e Milão, depois de ter passado por Inglaterra, Espanha e por Itália. A sua carreira tem sido feita ao lado do seu amigo e compatriota Carlos Sampayo (…). José Muñoz ganhou o Grande Prémio de Angoulême em 2007.

Carlos Sampayo nasceu em 1943, também em Buenos Aires. Definindo-se como “um boxeur amador até ao dia em que fiquei K.O. por me ter distraído a olhar para um cartaz publicitário”, Sampayo trabalhou em publicidade, até se dedicar a tempo inteiro à BD como argumentista, colaborando sobretudo com Muñoz, mas também com Igort e com Oscar Zarate. Em finais de 1972, decide deixar a Argentina e ir viver para Espanha, onde ainda hoje reside. A colaboração entre os dois autores nasceu num aeroporto e amadureceu noutro. Tudo começou em 1974, no aeroporto de Londres, quando Zarate (…) aconselhou José Muñoz, de partida para Espanha, a contactar com Carlos Sampayo, que então vivia perto de Barcelona. Muñoz tinha, aliás, conhecido Sampayo três anos antes, curiosamente noutro aeroporto, aquando da partida de Zarate para Inglaterra. Da sua colaboração, nasceu em 1975 um herói, Alack Sinner, que valeria aos seus criadores dois Prémios de Angoulême, em 1978 e 1983.

(…) Embora José Muñoz tenha sido objecto de exposições no Museu Rafael Bordalo Pinheiro, em 1994, e nos Festivais de BD da Amadora, Porto, Lisboa e Beja, e de alguns episódios de Alack Sinner terem sido publicados nos jornais Lobo Mau e Diário de Lisboa e na revista O Mosquito, Billie Holiday é apenas o segundo livro da dupla publicado em Portugal, depois de Nos Bares, em 2005. 

Apesar dos editores esquecerem-se que Muñoz também foi publicado na revista Quadrado, dá-mos os parabéns aos editores por esta excelente iniciativa! O livro é editado em capa dura, uma “edição de coleccionador” porque é reforçada com um texto do crítico de Jazz Francis Marmande e desenhos de Muñoz em volta do tema com o título “Jazz Sessions”.

Obra seleccionada para a Bedeteca Ideal.

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Filed under acervo da bedeteca, bd estrangeira

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