Monthly Archives: Agosto 2016

A Donzela Desconhecida

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A donzela feroz será um dos melhores livros portugueses de BD de 2016 se alguém soubesse que existisse… Uma auto-edição de Rodolfo Castro (a) e André da Loba (d) que publica uma versão do Capuchinho Vermelho baseado em outras versões medievais deste conhecido conto juvenil, em que o grafismo sofisticado de Loba enche o olho e faz a festa.

Felizmente existe uma Bedeteca de Lisboa com o acervo bibliográfico mais fixe do país! Tanto que até a Donzela foi lá parar…

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Volta meia-volta

volta_capaChegou à Bedeteca de Lisboa o sobre-premiado livro de BD Volta de André Oliveira (a) e André Caetano (d), editado pela Polvo.

Sinopse: Um estranho e misterioso ciclista chega sem saber como a Reste du Monde, uma aldeia parada no tempo e aterrorizada por ameaças tenebrosas. As suas memórias são escassas, não traz consigo muito mais do que a bicicleta, mas com o intuito de colocar as ideias no sítio certo e recuperar parte do que perdeu, aceita ficar e deparar-se com uma sociedade isolada, com regras e leis muito próprias. À medida que os dias passam, o “Campeão”, como começam a chamar-lhe os habitantes do vale, percebe mesmo que é em si depositado o peso da salvação, apesar de mal conseguir salvar-se a si próprio. As suspeitas florescem, a morte espreita entre os arbustos, os fantasmas irrompem por cada esquina e algures na floresta… há uma sombra que se move. 

Obra seleccionada para a Bedeteca de Lisboa.

Capa_VilE também apareceu Vil : a tragédia de Diogo Alves também de Oliveira e Xico Santos (d) que parece-nos o melhor livro feito até hoje deste argumentista e também da “fordiana” Kingpin Books. A escrita parece-nos mais matura e inteligente, longe das pieguices que temos lido de Oliveira. Volta meia-volta, se calhar este livro é que merecia estar na Bedeteca Ideal e receber os “Prémios dos Bedófilos”…

Um thriller inspirado nos eventos reais ocorridos na Lisboa suja e conturbada do século XIX. Baseada no tumulto interior do galego até hoje considerado o maior e mais violento homicida a actuar em Portugal, e na sua relação doentia e tortuosa com uma obscura taberneira, VIL – A Tragédia de Diogo Alves coloca história e fantástico na mesma toada, ao som de um tenebroso Fado do AssassinoContado em quatro capítulos, segundo o olhar singular de quatro personagens simbólicas e a partir das emoções primordiais do protagonista, Vil relata a ascenção e queda de Diogo Alves, numa cidade de contrastes e num país em complexa transição.

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Made in Taiwan

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Talvez pela visita da Slowork à El Pep que foram parar à Bedeteca de Lisboa três livros desta editora de BD da Formosa. São eles:

– Factory de Yang Yu-Chi que conta a história laboral da sua mãe e que é a história laboral do “milagre” económico da Formosa, um dos “quatro tigres asiáticos”. As pessoas são metamorfoseadas de pinguins (o texto final explica o porquê desta escolha antropomórfica) nesta BD e são mostrados os sacrifícios de uma geração de trabalhadores que deram toda a sua vida no trabalho das fábricas (neste caso para uma fábrica de brinquedos para o Ocidente) e que tudo perdem quando estas mudam-se para outros países com mão-de-obra mais barata ou quando mudam o seu modelo de produção – por exemplo, quando a Formosa optou em investir em produção de tecnologia de ponta, um fabrico que exige outro tipo de mão-de-obra mais especializada…

Fronline Z.A. (imagem), uma antologia com pinta de panfleto sobre movimentos sociais na Formosa. As BDs querem oferecer uma faceta humana para estes movimentos geralmente conotados como subversivos ou “do contra” (…) pelos meios de informação. Acaba por matar dois coelhos de uma cajadada só porque cumpre o seu objectivo e ainda denuncia mais podres do Capitalismo Global e os governos corruptos – como a RCA que matou milhares de pessoas através da poluição que as suas fábricas produziram.

Halo-Halo Manila de Jimmeh Aitch um autor filipino que (…) tenta mostrar um país, que assim à distância, parece ser um caos demográfico, político, ecológico e tudo mais. São várias BDs que vivem mais das boas intenções do autor do que o talento e técnica. Não deixa de ter bons momentos, claro, quando desmonta o que é o nacionalismo ou pelo facto dos bófias serem representados por porcos – é incrível como o polícia é um animal universal!

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Férias cómicas

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A Ericeira BD a dar cartas…

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Manganões

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Chegaram à Bedeteca de Lisboa o último número da š!. Esta minúscula mas poderosa antologia da Letónia tem tido uma boa relação com Portugal se pensarmos no número especial “Portugal” – Desassossego. Neste número 25 temos a Hetamoé num especial “gaijin manga” ou seja o estilo “mangá” feito por estrangeiros (não-japoneses) acompanhada por boa gente como o argentino Berliac (que co-organizou este número), Andrés Magán (Espanha), Vincenzo Filosa (do colectivo italiano Canicola) entre outros… e um prefácio de Paul Gravett.

Resta dizer que há muitos números antigos da š! na Bedeteca de Lisboa! E de se noticiar que está patente uma mostra bibliográfica justamente com este tema! Ide lá ver!

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Siloé comprou os direitos de publicação do Manuscrito Voynich

Manuscrito Voynich

A editora espanhola Siloé comprou os direitos de publicação do Manuscrito Voynich – o livro mais enigmático de sempre, uma vez que o seu conteúdo e ilustrações são até hoje impossíveis de decifrar uma vez que foi escrito numa língua que não existe com criaturas nunca vistas.

Presumivelmente escrito na Europa Central, no século XV, é desconhecida a autoria e o sistema de escrita em que foi redigido. São cerca de 200 páginas, perto de 200 mil caracteres e não parece existir pontuação nas frases, aparentemente organizadas da esquerda para a direita. Em conjunto com o enigmático sistema de escrita, surgem ilustrações igualmente curiosas como desenhos botânicos de espécies raras ou desconhecidas de plantas; representações de nus femininos frequentemente imersos numa substância espessa; medalhões cosmológicos e o que parecem ser representações dos símbolos do Zodíaco. Com imensas teorias explicativas do manuscrito , desde que este guarda nas suas páginas o segredo para a juventude eterna ou até mesmo que não passa de um mero livro de remédios naturais, existe também quem defenda que não passa de um embuste, que não tem significado e que foi posteriormente escrito à data apontada, utilizando papel e técnicas antigas.

A editora, especialista na produção de fac-símile insistiu durante dez anos até conseguir finalmente a licença de publicação. Foram anunciadas precisamente 898 cópias do livro impossível, sendo que cada exemplar rondará os oito mil euros. Nas bancas a partir de Janeiro de 2018. Para quem tem menos orçamento tem sempre os livros do Jim Woodring na Bedeteca de Lisboa…

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Será bom?

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Há poucas razões para achar a editora Vertigo (da DC comics) seja um selo de qualidade… por isso quando saiu ontem o livro Luna Park, de Kevin Baker (a) e Danijel Žeželj (d), com o jornal Público, no âmbito da Colecção Novela Gráficaficamos na dúvida se vale a pena pegar neste título.

Dizem “eles”: Ilustrador, autor de BD e artista multimédia, o croata Danijel Žeželj tem dividido a sua carreira entre os EUA e a Europa, emprestando o seu traço único a histórias como este policial com um toque fantasmagórico, que assinala a estreia na banda desenhada do prestigiado escritor americano Kevin Baker. Autor de romances históricos de sucesso, cuja acção se centra nos finais do século 19, Baker revisita aqui os locais de Coney Island e Nova Iorque que pôs em cena na sua obra de maior sucesso, Dreamland.

Alik Strelnikov vive na sombra de Coney Island, um mundo de passeios silenciosos e parques de diversões enferrujados, que ridicularizam os seus sonhos de se tornar um herói. Há dez anos, trocou uma existência brutal no exército Russo pela promessa de se tornar um executor da máf­ia de Brooklyn, mas as suas noites são atormentadas por pesadelos em que as atrocidades a que assistiu na Chechénia se misturam com visões alternativas do passado, que terminam sempre da mesma forma trágica.

Ponto positivo: Žeželj já esteve exposto em Portugal no Salão Lisboa 2003 na colectiva Stripburek (editado pela eslovena Stripburger onde costuma colaborar regularmente) e na Bedeteca de Lisboa com a bela exposição Honey Talks (em 2008). Será por aí? Entretanto sabemos que esta edição é a preto e branco e não a cores como a original. Das duas uma, ou é para ser mais barato publicar ou então é para transformar um trabalho de uma editora corporativista numa “novela gráfica” artisticamente respeitável. E por falar em cores na BD, eis um texto que é muito mais interessante que este romance gráfico

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