Mesquita na Camões

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Se conseguirem ler um dos cartazes mais feios de sempre, está tudo dito… De resto, raptamos este texto sobre o autor:

Victor Manuel da Silva Mesquita nasceu em Lisboa, a 18 de Abril de 1939. Como habilitações literárias possui frequência do Curso Industrial, tendo trabalhado em publicidade, ilustração, banda desenhada e pintura.

É sem dúvida o autor mais destacado da banda desenhada portuguesa da década 70. Talvez a afirmação anterior não pareça ser muito bombástica dada a generalizada insensibilidade que a banda desenhada sofre na sociedade em geral… No entanto, Mesquita para além de ser um autor reconhecido, foi o fundador da Visão, que entre 1975 e 1976 foi a revista mais importante e pioneira em Portugal para uma “nova banda desenhada” mesmo que só tenha durado 12 números. Foi uma publicação de ruptura com a banda desenhada do “antigo regime”, um caldeirão de novas expressões plásticas e de conteúdos nascidos da Liberdade que trouxe o 25 de Abril. Tendo a BD portuguesa sido obrigada, durante décadas pelo fascismo, a entreter crianças ou a promover uma educação pudica e nacionalista dos jovens, os autores da Visão romperam com a tradição num país à procura de novos rumos. Nesta revista., Mesquita desenvolveu uma intensa actividade como director, argumentista para os desenhadores André (1939-1993) e Zé Paulo (1937-2008) e como autor completo (desenhador e argumentista) sendo reconhecido pela sua obra de referência Eternus 9. Também desenharia Matei-o a 24 com argumento de Machado da Graça. Ambas obras ficariam inacabadas com a saída de Mesquita da redacção da revista, ao sexto número. Viria a terminar mais tarde a primeira banda desenhada, de forma a poder ser publicada em álbum em 1979: Eternus 9: Um Filho do Cosmos que teve direito a uma edição francesa e, coisa rara no nosso mercado, uma reedição em 2008.

De referir que sendo co-autor de Matei-o a 24, esta será a primeira banda desenhada sobre a guerra colonial, em tempo de Liberdade. Um tema quase nunca explorado na Banda Desenhada portuguesa até hoje – e se foi, raramente de forma interessante. Por isto tudo, se há um autor que representa de forma telúrica a década de 70 é Mesquita.

Mesquita estreou-se na BD em 1957 na popular revista Mundo de Aventuras. Esteve um período da sua vida em Moçambique e na África do Sul, voltando a Lisboa (e à BD), por volta de 1973, colaborando em revistas tão díspares como a Jacto, Cinéfilo ou Fungagá da Bicharada. Ao longo da sua carreira participou ainda n’O Mosquito (V série), Selecções BD, Expresso e em álbuns colectivos como Síndrome de Babel e Outras Estórias (1996).

A sua bibliografia inclui a colectânea Trilogia com Tejo ao fundo (Asa; 1995) e a sequela Eternus 9 – A Cidade dos Espelhos (Gradiva; 2010).

Os seus espantosos originais já foram vistos no Festival Internacional de Banda Desenhada de Angoulême (1998) e mais recentemente na exposição Tinta nos Nervos no Museu da Colecção Berardo / Centro Cultural de Belém (2011).

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