Três Madokas

madoka

Num ano fraco de novidades de BD portuguesa na BD Amadora (a decorrer até dia 6 de Novembro) eis que se destaca o terceiro volume da série Madoka Machina de André Pereira que prova ser um dos grandes talentos da nova geração de autores de BD portuguesa em registo Pop.

Chegou à Bedeteca de Lisboa esse terceiro volume que teremos todo o gosto de ler… Até agora o que sabemos desta série: A IV Revolução Industrial já passou: democratizou-se a magia com recurso a várias aplicações para-smartphone e a transmutação do mercado num senciente digital unificou a sociedade através da tecnologia; todos nascem iguais e com acesso à Internet. Madoka Machina acompanha a relação amorosa de uma tríade de jovens adultos que tenta integrar-se numa sociedade onde o Estado foi chutado para canto e o assalariado é um ser em vias de extinção no mercado de trabalho. Ter poderes de transfiguração – sejam eles delegados através de misticismo arcaico ou comprados na última promoção online – e a habilidade de dobrar a realidade para se atravessar para o outro lado não ajuda tanto quanto se esperaria. Neste primeiro número (de uma série de seis) reúnem-se três capítulos, cada um debruçando-se sobre um momento na relação entre os três, e onde se fala de penis envy, diferenças geracionais e compras de supermercado. O registo é o de shoujo manga de quem nunca percebeu muito bem a Navegante da Lua, mas gostava. Em relação ao segundo número: Prosseguem as revelações sobre este peculiar universo. Ficamos a saber que o amuleto permite o acesso ao Aether e que só uns poucos lá conseguem chegar. Ismael, por enquanto, fica de fora. No primeiro episódio, Leonor, Orlando e Leandro levam uma tareia de três porcos nazis quando vão tomar café a uma espelunca local. No segundo, uma jovem Leonor aprende sobre a sociedade meritocrática e descobre as virtudes do esforço individual.

Depois de anos a lançar livros que nos parecem irrelevantes a Polvo está a publicar algo excitante mesmo que sejam apenas uns livritos à Primata mas mais bem produzidos. Madoka faz-nos a vontade de ser “troll” e (per)seguir a série!!!

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Filed under acervo da bedeteca, bd portuguesa

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