Monthly Archives: Dezembro 2016

Dossiês de ontem

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Todo começou com os colóquios Hoje, a BD, co-organizados pela Bedeteca de Lisboa e a Associação do Salão Internacional de BD do Porto. A ideia era fazer um “livro branco” da BD em Portugal tendo como categorias de trabalho os fanzines, a investigação histórica, os festivais, a crítica e divulgação, os movimentos, a edição e os autores. Em 2000 chegou-se a publicar em livro o colóquio de 1999 com o de 1996 num livro editado pela Bedeteca, sendo dos poucos registos sobre a BD portuguesa contemporânea em livro.

As várias categorias destes colóquios em 2000 passaram a ser acompanhados anualmente pela Bedeteca, primeiro no seu boletim, o Contador-Mor (números 8 e 15), e mais tarde no seu sítio oficial bedeteca.com – que começou por estar desactualizado em 2010 e depois desactivado em 2011. Seja no livro seja no sítio em linha, estes textos – conhecidos como Dossiê – eram sempre acompanhados por sete ou oito ilustrações mais ou menos inéditas dos melhores ilustradores da época como Pedro Burgos, Alain Corbel, João Fazenda, André Lemos, Francisco Vidal, José da Fonseca (imagem), Pedro Zamith, Daniel Lima, Pedro Brito, Luís Henriques e Filipe Abranches.

Desapareceu o sítio em linha da Bedeteca mas o leitor Ricardo Baptista salvou a informações dos Dossiês feitos entre 2000 e 2009, redigidos por entidades como João Paulo Cotrim, João Miguel Tavares, Domingos Isabelinho, Sara Figueiredo Costa, Pedro Moura, Marcos Farrajota, Daniel Maia, Geraldes Lino entre muitos outros… São quase 10 anos de História e algum pensamento crítico salvos pela pirataria fandom.

Longlive the Copytheft!

E Bom Ano Novo!!!

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Sentido de orientação na Bedeteca

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Chegou à Bedeteca de Lisboa um exemplar de Sentido de Orientação (Teoria da Rota Deambulatória) de Marta Sales, pelo selo Ostraliana. É que para além de ser um livrinho de BD com interesse (e bonitinho, impresso em “riso”, claro!) foi alvo de uma intervenção multimedia da autora e cia, numa Feira Morta.

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Quinta do Strip

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Última Quinta-Feira das novidades na Bedeteca de Lisboa e chegou erotismo “setenteiro”: o álbum Lolly-Strip de Danie Dubos (a) e Georges Pichard (d) pode ter todos os defeitos da época – só o nome da editora ser Edições Sexo & Não Só já remete prá risota! – mas é um belo objecto gráfico, impresso com um cor-de-rosa-suave-impossível-de-reproduzir-em- 2016. Se fossemos tarados do “vintage” este seria um dos objectos que valeria a pena ter na estante alta da casa!

Lolly-Strip será das primeiras obras do género “heroínas eróticas” após o sucesso (e não só!) de Barbarella. Publicada em série na revista francesa Le Rire em 1966, foi publicada em álbum em 1972 pelo agitador entesado Eric Losfeld. Enquanto que um livro do Robert Crumb demorou muito mais do que seis anos a chegar a Portugal, é triste bem sabemos, esta edição portuguesa é um produto típico da libertação sexual pós-25 de Abril. Uma liberdade falsificada porque se há coisa que não falta nesta BD são correntes e prisões para a heroína, hum…

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Um cosmos dentro da Bedeteca

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O novo fanzine de BD d’O Panda Gordo e/ou João Sobral já chegou à Bedeteca de Lisboa. Como sempre temos uma cuidada publicação, “minimal” na forma mas “maximal” no conteúdo…

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Quinta do Ponto G

astralagoHoje Quinta-Feira das Novidades na Bedeteca de Lisboa chegou as duas novidades da G.Floy Studio que faz-nos sentir como se o Natal fosse mesmo uma cena fixe! A editora dinamarquesa com representação em Portugal anunciou em Fevereiro quando divulgou publicamente o seu plano editorial para o primeiro semestre deste ano, em que cumpriu as continuações das três séries da Image (Saga, Tony Chu e Fatale) e outras dentro da mesma linha, ou seja, de “comics” em que os autores tem os direitos reservados para si e dada a independência financeira permite alguns escapes maiores na parte criativa – embora seja séries que mantêm o rótulo de “aventura” e “fantasia(s)”. Não é isso que parece ser interessante aqui divulgar, o que interessa são Miracleman e O Astrágalo

O primeiro é a edição integral desta série escrita pelo “Argumentista Original” (é assim que Alan Moore é creditado) com desenhos de Alan Davis e John Totleben. É nos penoso divulgar aqui qualquer produto da Marvel que ao longo de um complicado processo de direitos de autor conseguiu comprar o direito de explorar uma personagem que desde cedo nasceu torto – já lá iremos – mas sem dúvida que Miracleman por Moore é um excelente trabalho sobre a desconstrução do mito do super-herói. E um exemplo de como a indústria da BD norte-americana é imunda. Criado em 1954 em Inglaterra com o nome “Marvelman”, a personagem serviu de sucedâneo comercial para substituir o “Capitão Marvel“, um super-herói que a DC Comics dirigiu uma acção legal acusando à editora Fawcett de copiar a sua galinha de ovos de ouro chamada “Super-Homem”. Estando o caso mal-parado nos EUA, os ingleses criaram este outro “Marvel” para o seu público insular com sucesso até 1963, criando o seu próprio universo fictício e mitológico. Vinte anos depois Moore, na revista inglesa Warrior, usa esse universo para fazer a sua revisitação “sombria” mas para ser ser publicada nos EUA mudam o nome para “Miracleman” sob pressão da Marvel. Impedida a continuidade da publicação ocasionada por uma disputa legal complexa e onerosa entre os vários autores (o Neil Gaiman irá escrever também a série e terá outros problemas legais que davam para mais um parágrafo neste “post”), a série saiu de circulação por muitos anos até que em Julho de 2009, a Marvel (sim!) adquiriu todos os direitos prometendo relançá-la (guess what?) com o nome original “Marvelman”.

Mais dramática foi a vida da escritora Albertine Sarrazin da qual Astrálago aparece como uma boa adaptação para BD pela francesa Anne-Caroline Pandolfo (a) e o dinamarquês Terkel Risbjerg (d). Citamos aqui a mais recente edição portuguesa deste romance pela Antígona ficamos a saber do que se trata o texto original: Livro de culto de um fulgurante cometa no universo literário francês, O Astrágalo (1965) narra a fuga permanente da jovem Anne depois de saltar os muros da prisão e, na queda, fracturar o osso do pé, cujo nome dá título a esta obra. Entre esconderijos e armadilhas, ergue-se dos escombros um ser rebelde e impetuoso, confrontado com a vertigem da liberdade e a paixão arrebatadora que a prende a Julien, o seu salvador. (…) Alma gémea de Jean Genet e «pequena santa dos escritores inconformistas», Albertine Sarrazin (1937-1967) teve uma vida tão breve quanto trágica. Abandonada em tenra idade na sua Argélia natal, conheceu um lar adoptivo e instituições, tendo abraçado, esporadicamente, o crime e a prostituição e, persistentemente, a rebeldia e a insubmissão. Presa por furto em Paris, em 1957 saltará o muro da prisão e fracturará o astrágalo. A sua mente brilhante, alimentada a versos de Rimbaud, dar-nos-ia três romances: O Astrágalo e La Cavale (ambos de 1965), escritos atrás das grades, e La Traversière (1966). (…) Foi «a primeira mulher a falar das suas prisões», segundo Simone de Beauvoir, e, pela elegância poética das suas páginas, denunciou como ninguém as prisões que nos enredam os dias.

Obras seleccionadas para a Bedeteca Ideal.

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Stop the press (11)

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Já se encontram nos bons “press centers”, que felizmente ainda existem por aí, C’était Calais, um número fora de colecção da Charlie Hebdo.

Diz a sinopse: algumas semanas antes do desmantelamento da Jungle, em Outubro de 2016, Coco e Foolz dirigiram-se a este acampamento improvisado e de condições precárias num terreno baldio da cidade francesa de Calais, no qual milhares de refugiados e migrantes ambicionaram atravessar o Canal da Mancha para o Reino Unido através do Eurotúnel, desde o início do milénio.

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Preto no branco na Bedeteca

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Lançado em Novembro deste ano numa festa no Terraço da ZDB eis agora na Bedeteca de Lisboa um exemplar do sexto número do fanzine Preto no Branco que conta com as participações de Ana Braga, Andreia César, Bruno Silva, Catarina Domingues, Catarina Figueiredo Cardoso, Conxita Herrero, Francisco Domingues, Isabel Baraona, Márcio Matos, Marcos Farrajota, Maria Condado, Marta Castelo, Marta Moreria, Mattia Denisse, Sílvia Prudêncio, Sofia Gomes e Tiago Baptista. Edição da Façam Fanzines e Cuspam Martelos.

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