Monthly Archives: Maio 2017

Quem sabe?

Revendo novidades que vão ser lançadas amanhã em Beja, quem sabe se estes dois livros serão interessantes? Em comum o selo G.Floy, que pela primeira vez aposta em BD nacional.

Cidades, em parceria com a ComicHeart, é uma antologia de histórias de membros do The Lisbon Studio, um colectivo de criadores que partilham um espaço comum e agrega conhecidos autores nacionais. Os autores são Dileydi Florez, Filipe Andrade, Gonçalo Duarte, Joana Afonso, João Tércio, Marta Teives, Pedro Vieira de Moura e Ricardo Cabral. Ou seja autores que tanto roçam o trabalho artístico como o trabalho de encomenda, daí a dúvida…

A Leoa: Um Retrato Gráfico de Karen Blixen é uma biografia ”reinterpretada” da célebre autora dinamarquesa do século XX que nos deixou obras como África Minha ou A Festa de Babete. A autoria da banda desenhada é de Anne-Caroline Pandolfo e Terkel Risbjerg, os autores de O Astrágalo.

A vida (ou as vidas) da Baronesa Karen Blixen desfila à nossa frente neste álbum. Desde uma infância com um pai adorado mas muito ausente, um aventureiro nunca satisfeito, e com uma mãe encerrada na mentalidade conservadora da Dinamarca do final do século XIX, até uma aventura desesperada para escapar a um destino que lhe tinha sido traçado, burguês e aborrecido: aceita casar com o Barão Bror Blixen, e tomar as rédeas de uma plantação de café no Quénia… onde descobrirá uma paixão louca, o seu grande amor africano… até ao seu regresso à Dinamarca e à sua coroação como autora literária famosa.

Anne-Caroline Pandolfo e Terkel Risbjerg trabalham juntos há alguns anos, em adaptações à banda desenhada de livros vários, e em projectos próprios. Anne-Caroline Pandolfo é ilustradora e argumentista; um encontro fortuito com produtores de filmes leva-a a realizar duas curtas-metragens animadas para crianças, e isso vai encorajá-la a continuar esse trabalho criativo na banda desenhada. Terkel Risbjerg é um artista dinamarquês que estudou cinema e filosofia em Copenhaga, e acabou por se fixar em França, onde trabalhou alguns anos em animação, tendo trabalhado nomeadamente em O Gato do Rabino e na série Yakari. Juntos, assinaram já cinco romances gráficos: O Astrágalo (já editado pela G.Floy), bem como Mine: Une Vie de Chat, Le Roi des Scarabées, e mais recentemente Perceval, adaptação do Romance de Perceval e este A Leoa. Ficando a dúvida se O Astrálago era uma boa BD pelo texto literário de Albertine Sarrazin ou se pelo talento e técnica dos autores, veremos como será com a Leoa

Deixe um comentário

Filed under bd estrangeira, bd portuguesa

Fogos e Murmúrio na Bedeteca

14063863_1172813936109265_7388609637321288561_n

Chegou à Bedeteca de Lisboa um livro do grande mestre italiano da cor e do estilo, Lorenzo Mattotti, no âmbito da Colecção Novela Gráfica do ano passado e que foi daquelas grandes excepções de qualidade numa colecção que se pautou pela mediocridade. Fogos e Murmúrio são dois álbuns em um sendo a última história escrita em colaboração com Jerry Kramsky.

Um dos mais consagrados ilustradores da actualidade, Mattotti tem publicado o seu trabalho em jornais e revistas como Le Monde, The New Yorker, Cosmopolitan, Vogue, o que não o impediu de construir uma importante carreira também na BD e que até teve algumas (boas) edições em Portugal pela Fenda e Witloof. A Bedeteca de Lisboa também o editou, um catálogo de exposição e um livro de esboços.

Fogos, considerado como a sua obra mais importante e um ponto de viragem do autor, que passa de um tipo de trabalho mais narrativo, para um registo mais pictórico, em que a cor é um elemento simbólico e dramático, que condiciona a própria história. A obra Murmúrios com argumento de Mattotti e Kramsky, um amigo de infância, põe em cena uma personagem amaldiçoada por uma mancha bizarra no seu rosto, que acorda numa ilha estranha, sem saber quem é ou porque ali está, e que terá de procurar de modo muito simbólico o seu passado e a sua memória.

Deixe um comentário

Filed under acervo da bedeteca, bd estrangeira

Beja 13

beja2017

Não sabemos se o número treze dá mesmo azar ou se a Bedeteca de Beja, organizadora do Festival de Beja que antes imitava a Bedeteca de Lisboa e o Salão Lisboa, passou a imitar a BD Amadora… O certo é que além de ter demorado a apresentar o programa deste ano, ao ser anunciado desiludiu, assistindo-se à aproximação de nuvens cinzentas – num ano em que finalmente o cartaz passou a ter cores! – de “bedófilia”. Ainda assim não deixará de de ser um simpático fim-de-semana para ir lá dar um saltinho. Começa hoje…

Deixe um comentário

Filed under acontecimentos

Quinta Hermética

13729030_1139793352744657_8728915513699987750_n

Começaram a chegar volumes da Colecção Novela Gráfica do ano passado que saíram com o jornal Público e que se percebeu logo na altura que era uma oportunidade perdida para mostrar mais obras interessantes do que aquelas que acompanhrama o jornal. Vamos ignorar nos próximos “posts” aqueles que são medíocres ou poucos inspirados e realçar apenas o que interessa mesmo que seja a velha A Garagem Hermética de Moebius (1938-2012).

Como descreveu o blogue A Garagem de André Azevedo: Caótica, poética e delirante, mistura elementos de western, ficção científica, super-heróis e misticismo. Nos anos 70, Jean Giraud, autor já conceituado pela criação de Blueberry, cria o alter-ego Moebius, tornando-se um dos fundadores da seminal revista Metal Hurlant, criando um novo estilo de desenho de ficção científica que se tornaria um marco na BD internacional. Esta obra essencial é uma compilação de histórias que foram realizadas por vezes de forma improvisada por Moebius – ele desenhava uma página sem argumento para a próxima – e publicadas mensalmente, resultando em verdadeiras viagens não lineares e de pendor lisérgico. A personagem principal, o surreal Major Grubert, criou um universo de bolso no interior do seu asteróide, que contém três mundos sobrepostos, com os seus povos e civilizações. Três mundos que ignoram as suas origens, mas onde alguns habitantes começam a vislumbrar a verdade.

Obra importante para a desconstrução da BD, é bastante conhecida em Portugal porque sempre houve edições para as alucinações sci-fi de Moebius, fossem pelos álbuns manhosos da Meribérica/Liber, seja na colecção Os Clássicos da Banda Desenhada que saiu com o Correio da Manhã, seja ainda pelo álbum Arzach – Obra seleccionada na Bedeteca Ideal.

Deixe um comentário

Filed under acervo da bedeteca, bd estrangeira

Spray

Spray Works X.A.

Inaugura no Sábado, dia 27 de Maio, às 18h, uma exposição individual de  Xavier Almeida na Galeria Sol (Porto), intitulada de Spray Works.

Os trabalhos surgiram primeiramente para resolver um problema: rapidez e identidade na produção dos cartazes das sessões semanais Estrela Decadente (Graça, Lisboa). Isso foi no início de 2016 e até agora foram desenhados mais de 60 cartazes (com dimensões aproximadas do A0). Contudo essa investida rapidamente se ramificou para outras áreas e de repente passou a ser uma das técnicas favoritas de Xavier Almeida, que começou a explorá-la em trabalhos de desenho, de banda desenhada e acção/instalação. O resultado são trabalhos densos e espontâneos; onde o spray passou a ser personagem secundária; existe apenas para um fim, uma imagem.

Deixe um comentário

Filed under acontecimentos, outros media

Corto reeditado com arte?

GR_Balada do Mar Salgado_Arte de Autor_01

A editora Arte de Autor vai reeditar A Balada do Mar Salgado de Hugo Pratt que deu inicio às aventuras do emblemático Corto Maltese. Esta edição, limitada a 1000 exemplares, a preto e branco (assim sim!), capa dura, com prefácio de Umberto Eco e caderno introdutório com aguarelas a cores, é comemorativa dos 50 anos passados sobre o início da publicação de Una ballata del mare salato na revista italiana Sgt. Kirk, em Julho de 1967.

Sinopse: Estamos a 1 de Novembro de 1913, quando algures no Pacífico, entre o meridiano 155º e o paralelo 6º Sul, os primos Pandora e Cain Groovesnore são resgatados como únicos sobreviventes do naufrágio do navio “A Jovem de Amesterdão”. O catamarã que os resgata, tripulado por nativos, é comandado por um estranho e rude homem branco, de longas barbas e olhar sombrio a quem chamam Rasputine. Este aceita manter os dois jovens a bordo pois, aparentando pertencer a famílias abastadas, acredita que poderão valer-lhe um avultado resgate. Mas no seu trajecto rumo a Kaiserine, o catamarã fará outro estranho encontro com alguém à deriva. Trata-se de Corto Maltese, um velho conhecido de Rasputine e do Monge, amarrado a uma jangada e lançado ao mar por uma tripulação amotinada. (…)

Infelizmente também teremos pela editora este aborto da natureza

Deixe um comentário

Filed under bd estrangeira

AGAVE – CICLO DE POEMAS

Um livro pode sempre ter outro nome, outra capa. Outra mão que o conduza, fundo, para dentro do mistério de que se resolve o mundo. No coração de agave reune-se um ciclo de poemas aludindo ao corpo transgressor vivenciando um México inflectido. Através da raíz da sua forma, expirando os conteúdos em verso num livrinho fixando esses mundos que, do olhar, encontram uma expressão no interior vago e inquieto da poesia. São nove poemas em caligrama pendular, editados pela Douda Correria, convidando, desde já, para a sua apresentação – no dia 25 de Maio pelas 22 horas no bar da Barraca – com a presença dos poetas oficiantes (Nuno Moura, Diniz Conefrey, Maria João Worm); falando e lendo das janelas que se abrem neste outro tempo, neste outro espaço a aurora memorial.

View original post

Deixe um comentário

Filed under acontecimentos, outros media