Monthly Archives: Novembro 2017

A revista desenhada

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Já cá a referimos e sabemos que o número 10 encontra-se na Bedeteca de Lisboa… mas não poderiam fazer uma assinatura da revista? La Revue Dessinée é uma publicação francesa trimestral de reportagens em BD. No mais recente há BD-artigos sobre Jonathan Richman (curiosamente um músico já retratado por Aleksandar Zograf no saudoso fanzine Entulho Informativo), os podres da grande distribuição, a extinção dos animais,… E ainda oferecem:

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Sim, uma versão da Resist #2, revista de desenhadores contra o regime de Trump, onde se encontram trabalhos de Art Spiegelman e de Daniel Clowes entre outros. Por cá e em contrapartida, o jornal Expresso revela as suas garras de Fascista vendendo Bíblia em Acção, 750 páginas de BDs adaptadas à Bíblia num estilo “super-herói” por um bardamerdas italiano qualquer. Pá, se queriam publicar um tijolo de BD para não perderem o barco aqui ficam sugestões nossas:

  • BOTTOMLESS BELLY BUTTON de Dash Shaw, um tema que deveria tocar os leitores do Expresso: o divórcio entre um casal de cidadãos séniores… ops! não é um tema católico, raios!
  • LE JOURNAL de Fabrice Neaud… ops! É capaz de ser gay demais pró Expresso! Mas se calhar ajudaria muita gente da redacção e do público deste jornal envelhecido, não?
  • NONNONBA de Shigeru Mizuki, ops! Tarde demais, já foi publicado! Mas olhem, há sempre os quatro volumes do Showa! E o que não falta no espectro “manga” são calhamaços… E até com temas interessantes! Uau!
  • EPILÉPTICO de David B? Ops! Tem muito desenho esotérico…
  • Os três volumes de “Uma Vida na China”?

Pelos vistos, é mais complicado do que parece. O melhor é deixar o Expresso vender Bíblias em BD, assim até é mais fácil identificar o inimigo!

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Eu, assino…

euassassinoChegou o álbum multi-premiado Eu, Assassino da autoria de Antonio Altarriba (a) e Keko (d). Altarriba é escritor, ensaísta e argumentista que obteve, em Espanha, o Prémio Nacional de BD em 2010 com A Arte de VoarKeko é um artista madrileno que deu os seus primeiros passos em revistas como Madriz ou Métal Hurlant sabendo criar um estilo próprio caracterizado por um traço conciso e o uso do negro para criar diferentes atmosferas.

Sinopse: Enrique Rodriguez é professor de História da Arte na Universidade do País Basco e, aos 53 anos, encontra-se no auge da sua carreira. Além de estar prestes a converter-se numa figura de destaque na sua área, e de ter de lidar com as consequentes rivalidades por parte dos seus colegas de profissão, cultiva uma estranha paixão à qual gostaria de se dedicar a tempo inteiro: o assassinato como forma de arte. Enrique aproveita convenções e compromissos académicos para cometer assassinatos motivados por fins estéticos. Cada um deles é uma obra de arte inspirada numa técnica específica que marca a sua impecável trajectória como artista.

Obra seleccionada para a Bedeteca Ideal.

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A Lolita de Portugal na Bedeteca

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Chegou um exemplar de Lisboa é Very Very Typical, antologia da Associação Chili Com Carne, uma espécie de continuação de Zona de Desconforto mas ao contrário, ou seja, desta vez os autores que relatam as suas experiências em estudar ou trabalhar num país estrangeiro são estrangeiros em Lisboa!

Assim sendo vamos encontrar trabalhos da croata Anica Govedarica, a brasileira Taís Koshino (do selo editorial Piqui), o espanhol Elias Taño (do fanzine Arròs Negre), Alejandro Levacov (Argentina), BNK TNK (Japão), Martina Manya (Espanha), a luso-franco-suiça Aude Barrio (do colectivo Hecatombe), Nicolae Negura (Roménia), Dileydi Florez (Colômbia), o grande mestre Alain Corbel (França) e o brasileiro Téo Pitella. A capa é da responsabilidade do Lars Henkel, autor alemão que chegou a participar numa Feira Laica.

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Orla

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Depois da Sapata Press eis a Orla Press com objectivos idênticos: concebida enquanto projecto não-lucrativo, aberto quer a autorxs experientes, quer a completxs amadorxs, a OrlaPress assume-se como estrutura de experimentação com expressões que favoreçam linguagens e lógicas tendencialmente invisibilizadas ou subordinadas a favor dos interesses comerciais e ideológicos do paradigma editorial comum.

Constitiu-se por isso enquanto convite aberto a artistas, leitorxs e curiosxs para a partilha e diálogo em torno de webcomics gratuitamente distribuídos, que provoquem – quer mais, quer menos menos explicitamente – as expectativas normativas do que um comic é e faz, permitindo a articulação de outros afectos e lutas, outras pautas e perspectivas, outras identidades e horizontes.

OrlaPress assume-se enquanto projecto feminista, anti-transfóbico e anti-queerfóbico, anti-racista e anti-colonial, anti-capacitista e anti-sanista, anti-hierárquico e anti-normativo.

Procura demarcar-se da primazia de homens euro-americanos brancos, cisgénero e heterossexuais e/ ou materialmente privilegiados no mundo da banda desenhada mais visível, e deseja vir a ser um possível cenário para uma outra multiplicidade de sujeitos, de imaginários, de experiências e de fantasias, de modo a contribuir generativamente para um universo editorial mais plural, mais politicamente responsável e mais poeticamente potente. 

(…) Em breve, será lançada a Vaga #1 de webcomics da OrlaPress – uma selecção dispersa, livre, suja, sweet, triste, tola e generosa de trabalhos de BD de diferentes tipos e em diferentes estilos, que partilham em comum  estarem mais ou menos ao lado das expectativas impostas do que a banda desenhada pode – e deve – fazer em termos do que é, e em termos de por quem e para quem é feita.

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Quinta da Ilustração

2016_ilustpt_1_1000.jpgSerá provocação? A capa da Ilustração Portuguesa 2016 é cinzenta com apenas o título do evento impresso a preto, mai’nada… Tanto discurso sobre a ilustração e depois o catálogo-anuário e o evento mais importante da área faz disto? Ai ai… Ainda assim eis uma fantástica e verdadeira arma de arremesso ao olho que chegou nesta Quinta-Feira das Novidades na Bedeteca de Lisboa.

Para quem perdeu o perspectiva histórica é de consultar estes outros tijolos!

Entretanto topamos que também apareceu pela Bedeteca o catálogo do evento – É preciso fazer um desenho? – desse mesmo ano, de onde se destaca no meio de uma programação extensa e rica, a recuperação da obra de Luís Filipe Abreu (ver bibliografia BLX aqui) e do cartunista João Martins.

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Nau Negra na Bedeteca

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Chegou à Bedeteca de Lisboa, o livro lançado em 2015 pela El Pep, o último do recém-falecido Fernando Relvasintitulado Nau Negra, The Last Black Ship que foi o regresso do autor à BD histórica.

A Bedeteca de Lisboa dedica este mês uma pequena mostra bibliográfica deste importante autor português de banda desenhada.

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Relvas (1954-2017)

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Foto de Júlio Eme, autor na galeria Mundo Fantasma

Foi noticiada ontem no Diário de Notícias do falecimento de Fernando Relvas, autor-chave da BD contemporânea portuguesa… 

O Relvas foi, a nosso ver, um “artista de artistas”, naquele sentido em que a sua lavra e obra teve mais impacto sobre toda uma (ou mais) geração de artistas que se seguiram do que propriamente junto a um público mais massificado. 

Sobre o autor, no blogue do Sr. Geraldes Lino está uma completa biografia.

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