Monthly Archives: Fevereiro 2018

330 mil euros

pombal

Segundo o blogue Bandas Desenhadas, este é o valor que a Câmara Municipal de Oeiras pagou para ter a Comic Con Portugal (depois de quatro anos em Matosinhos) no Passeio Marítimo de Algés, entre 6 e 9 de Setembro deste ano.

330 Mil Euros para um evento em que o público é infantilizado ao ponto máximo de ele próprio pagar um bilhete (bem caro!) para se ver a si  próprio. O público faz o próprio evento porque ora veste-se como “teenagers” em crise existencial (chama-se Cosplay) ora trintões que nunca foram à tropa fazem marchas fascistas (parada de militares da Guerra das Estrelas). De resto, tudo o mais é consumo: paga-se a celebridades para autografarem fotos ou tirarem “selfies”, há bancas de brinquedos ou BD (neste caso a BD também é de brincadeira), há adereços e k-lines com reproduções de ambientes de jogos de computador e de filmes de fantasia, conversas redundantes com “artistas” que nada têm para dizer, mesas de amadores, estagiários e empreendedores de BD e ilustração à procura de algo que não existe, etc… um programaço!

Oeiras seria capaz de gastar o mesmo valor num festival dedicado a John Cage? Vá, não vamos ser elitistas… um festival de cinema Queer? Ou trazer os Butthole Surfers que é quase Queer e é quase Cage? Uns 300 Euritos em livros de boa BD para as bibliotecas do concelho? Não nos parece. O que temos é uma autarquia empenhada em estupidificar a população. Talvez fosse bom o I.R.$. – outra notícia triste do mercado português de BD desta semana – fosse investigar sobre este “esquema” – it’s a “con”, right? A única boa notícia é que pelo menos, o Norte já se safou deste esterco! Devem estar felizes de não ter mais “nerds” a entupirem a IC1.

Deixe um comentário

Filed under acontecimentos, mercado

Quinta da Rambla

rambla-22

É de longe uma revista espanhola de BD tão boa como a Madriz ou a Medios Revueltos mas Rambla chegou hoje, Quinta-Feira das Novidades da Bedeteca de Lisboa, e não é assim tão desinteressante. Tem coisas… Publicada nos anos oitenta no “boom” espanhol parece-nos menos arriscada que as outras anteriormente mencionadas. Um artigo completo sobre a revista pode ser encontrado no sítio Tebeosfera. A Bedeteca tem cerca de 20 números dos 35 que saíram. Nada mau, vale a pena ir lá dar um saltinho este Sábado para ler estas preciosidades…

Deixe um comentário

Filed under acervo da bedeteca, bd estrangeira

Não é feio ler diários de raparigas!?

Anne+Frank+-+Biografia_GráficaÉ muito feio! Especialmente quando é adaptado para uma BD como o álbum Anne Frank – Biografia Gráfica, de Sid Jacobson (d) e Érnie Colón (a) lançado em 2013 pela Devir. Lamentavelmente temos um livro com um registo gráfico pobre e com um trabalho narrativo estático, de quem trabalha de forma industrial e sem paixão ou arte.

Se já é feio andar a ler os diários de uma rapariga, mais feio é fazer uma BD tosca ainda com as boas intenções de relembrar os crimes da extrema-direita que nos últimos anos subiram a sua voz. É mesmo muito feio editar esta BD e promovê-la como se fosse um livro com algum interesse…

annefrankNo ano passado, a Porto Editora, lembrou-se que existe BD no mundo dos livros e lançou mais um álbum sobre Anne Frank, desta vez com a autoria dos mesmos autores do filme de animação Valsa com Bashir, Ari Folman (a) e David Polonsky (d). Já chegou à Bedeteca de Lisboa um exemplar e percebemos da boa qualidade da obra e da produção gráfica -exceptuando a legendagem horrível. Merecia mais do que as três estrelas (em cinco) que o Público deu no dia 15 de Setembro. Pelos vistos é preciso que os editores paguem viagens a Paris aos jornalistas para que haja espaço à escrita sobre BD nos jornais… Vivemos tempos trágicos, sem dúvida.

No final do ano passado, ainda no jornal Expresso o crítico (!?) José Mário Silva deu quatro estrelas à obra, bem merecidas, embora sabemos que este jornalista é facilmente impressionável e ignorante. Basta relembrar o que escreveu sobre a mediocridade Vampiros. Desta vez, pensando que está a ser reguila, invés de escrever “banda desenhada” no género da ficha técnica do livro criticado, colocou a designação de “diário gráfico”. Percebe-se que Silva queira distinguir as produções “Peter Pan” (99% do mercado da BD nacional e mundial) dos temas sérios – o mesmo aconteceu com este livro, cujos analistas recusaram usar o termo “banda desenhada” para as produções de Almada Negreiros – mas um diário gráfico é um caderno de apontamentos (em texto ou em desenho ou em BD) feitos pelo próprio autor e não um livro produzido com meios económicos por terceiros como é o caso de Folman & Polonsky. É muito feio inventar diários gráficos de raparigas…

Obra seleccionada para a Bedeteca Ideal – a edição da Porto Editora, claro, a da Devir poderá ir para a reciclagem de papel!

PS – Cremos que foi também no Expresso que quando saiu a primeira edição portuguesa do Maus também escreveram que o livro não era BD mas literatura… A História infelizmente repete-se.

Deixe um comentário

Filed under acervo da bedeteca, bd estrangeira

Синие Зубы

Screen-shot-2018-02-13-at-6.45.06-PM

Um interessante “e-comix” do russo Uno Moralez para entreter este fim-de-semana…

Deixe um comentário

Filed under bd estrangeira, e-comix

Free Ahed Tamimi

ahed-tamimi-palestine-israel-001-950

Ler esta BD no The NIB

Deixe um comentário

Filed under e-comix

Ana Biscaia

fotografia_abrilabril1

Uma excelente entrevista em Abril Abril à ilustradora Ana Biscaia. Mesmo a propósito da sua exposição, Desenhar a sombra dos dias,  inaugurada o mês passado na Biblioteca de Viana do Castelo.

Deixe um comentário

Filed under acontecimentos, ilustração, referência

História Visual

41lSEHbakuL._SX379_BO1,204,203,200_Ainda há alguns meses queixávamos da falta de livros de referência na Bedeteca de Lisboa e eis que aparecem alguns livros do género, pelo menos de Ilustração.

Talvez Illustration : A Visual History de Steven Heller e Seymour Chwast não seja o livro mais científico para perceber a História da Ilustração mas é sem dúvida uma maravilha folheá-lo contemplando um século de imagens segundo as perspectivas estilísticas (do Vitoriano ao Digital) ou formais (do político ao erótico).

20080710200851740320_1_1024_2500Quanto ao catálogo da exposição Ilustração e Literatura Neo-Realista (patente em 2008-09 no Museu do Neo-Realismo) apesar de ser complicado de consultar as autorias das capas dos livros reproduzidas, não deixa de ser um deleite para os olhos (re)ver todas as imagens de um grande grafismo português.

Diziam: Pela sua maior projecção social ligada ao mercado editorial, o livro e os periódicos culturais significaram para o neo-realismo visual português uma espécie de meio privilegiado, onde mais facilmente se podia apresentar o desenvolvimento desse trabalho de ilustração que teve à época uma produção profícua e bastante decisiva na divulgação da estética neo-realista, com destaque para artistas como Júlio Pomar, Manuel Ribeiro de Pavia, Vítor Palla, Cipriano Dourado, Lima de Freitas, ou Rogério Ribeiro. Esta exposição procura assim apresentar alguns dos melhores resultados artísticos e editoriais dessa estreita relação entre artistas e escritores neo-realistas.

Que duas belas peças no acervo da Bedeteca!!!

Deixe um comentário

Filed under acervo da bedeteca, ilustração, referência