Judas dançarino

p163-1Estes últimos dois dias foram terríveis de leitura de “novelas gráficas”. A terceira colecção da Novela Gráfica da Levoir / Público foi bem pior do que nós pensávamos. Se no seu segundo ano já descambava para sucedâneos como Zeina Abirached, neste terceiro ano, tirando o livro do Max – do que lemos até agora, falta-nos ler dois títulos apenas – pouco ou nada se aproveitou. Vários livros eram redundantes mas não eram tão graves como estas fraudes – os “gatos por lebre” – que pelos vistos os editores da Levoir não se importam nada de os lançar ofendendo a inteligência do… Público.

Dylan Dog é uma piores BDs que já lemos, um “plot” previsível feito pela indústria italiana (isto diz tudo), uma cópia miserável de “Sandman & Death” de Neil Gaiman. Dizem que o argumentista deste lixo está sempre muito doente e por isso só ele poderia escrever sobre o “Cão Dylan” a sofrer no hospital – não deveria ir antes para um canil!?

Como é possível publicar isto? Isso é segredo dos Deuses Editores, agora como se cria este tipo de lixo já é possível explicar com Batman : Uma História Verdadeira. Os “bedófilos” por mais que sofram no hospital ou levem porrada, nunca farão boa arte e este livro é exemplo disso – aliás, por mais que alguém sofra todas as humilhações do mundo não significa que faça boa arte. Paul Dini foi agredido por dois “pretos” e passa muito mal a resolver os seus traumas usando as personagens do universo Batman. O exibicionismo é bacoco como é normal quando autores de BD usam autobiografia para fazer dela um “reality show” para tótós num aparato artificial à la “comics” – como a cena de um colega de trabalho de Dini que é negro e que lhe dá um aperto de mão que significa “paz entre as raças Yo! Sou negro mas nem todos nós somos uns criminosos que te agrediram”. É um livro infeliz, em que os editores congratulam-se da capitalista DC Comics ter sido porreira em emprestar as suas personagens galinhas-de-ovos-de-ouro sobre as quais protegem contra tudo e todos, para que conte este seu miserável conto pessoal. Ele devia ter levado ainda mais nas trombas!

Outro sub-produto é Tempos amargos de Étienne Schréder, livro que teria tudo para correr bem porque não há muitos trabalhos realistas em BD sobre sem abrigos e alcoolismo. Schréder antes de ser uma estrela da BD franco-belga foi um funcionário publico de uma prisão, cujo destino e depressão levaram-no a uma vida de vagabundagem errante e alcoolismo grave. Tem cenas muito interessantes mas no cômputo geral é um relato frio até com pequenos laivos reaccionários. O “nosso” Relvas fez melhor apesar da sua vivência marginal não ter sido tão extrema como a que foi de Schréder e dos seus companheiros de desgraça. Ou seja, os “bedófilos” sejam gringos ou franciús (ou belgas) dá tudo no mesmo: pobreza espiritual.

Também sofrendo de alguma frieza e distância temos Histórias de Bairro (imagem) de Beltrán & Seguí, que nos lembra uma resenha no fanzine O Moscardo nos anos 90. Escreviam eles sobre a BD espanhola editada em Portugal, este comentário lúcido: “são mais que as mães”. Histórias de Bairro já foi mais do que batido enquanto tema, sobretudo em Espanha, sobre a juventude perdida espanhola dos anos 80 (copos, drogas, delinquência e inocência) mas o que estraga tudo é ter sido desenhada para ser uma BD betinha, comercial e bem comportada.

Entretanto, coincidência cósmica já anunciaram o quarto ano da Colecção e parece que… sei lá! Nada faz sentido!

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Filed under acervo da bedeteca, bd estrangeira

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