Monthly Archives: Dezembro 2018

O livro do ano!!!

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Foi preciso uma editora de poesia, a Douda Correria, para editar um livro de BD completamente fora do baralho e dos poucos autores que apareceram neste milénio a quebrar regras. O Reino da dupla francesa Ruppert e Mulot.

Escreveu Pedro Moura sobre a edição original de L’ Association: Fisicamente falando, O Reino parece (ou é mesmo) um objecto convencional: um jornal que, aberto, tem um formato A1. Cada spread apresenta-se sub-dividido em composições. À primeira vista, convencionais, explorando toda a espécie de combinações entre o regular e o semi-regular, na tipologia de Chavanne. À medida que lemos, entendemos que estamos a acompanhar várias histórias, ou pelo menos situações narrativas distintas e que não parecem partilhar pontos em comum: uma família numa viagem de carro, um grupo de bailarinos a tentar levar a cabo uma nova coreografia, um homem a construir um muro, um mecânico especializado em achatar carros e outros objectos, pessoas que atravessam uma escadaria. Mas cada sequência pode estar distribuída de modos diferentes na página, e as direcções, protocolos e eixos de leitura são totalmente estocásticos e livres. Esta distribuição, aliada a outros aspectos da(s) “narrativa(s)” fazem pensar que os autores estudaram talvez, ou também formas de composição típicas de jornais ilustrados ou de banda desenhada, em que num mesmo plano poderiam estar presentes mais do uma história, sob a forma de tira ou trecho, e passatempos gráficos, etc., explorando essas relações em potencialidades narrativas não-normativas. De resto, estas estratégias são tão variadas que permitiria ler O Reino à luz de quase toda a história das narrativas gráficas e das escolhas de composição, desde Töpffer com as suas rápidas sucessões e iterações aos diagramas de Ware, passando pelos jogos da Oubapo, as pliages de Al Jafee, brinquedos de papel da mais variada proveniência, e outras experiências ainda mais radicais de formalismo e técnicas de impressão.

Parabéns à editora pelo gesto ousado e por publicarem dos autores mais relevantes deste milénio pela primeira vez em Portugal! Um exemplar deste livro chegou à Bedeteca de Lisboa… é absolutamente lindo e GIGANTESCO!!!

Obra seleccionada para a Bedeteca Ideal

PS – como é óbvio o livro tem sido ignorado por todos que dizem gostar de banda desenhada em Portugal. Parece que o público só gosta de autores sucedâneos e derivados. Talvez em 2028 alguém se aperceba que houve esta edição…

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Agenda SOS Racismo 2019

43569464_977968245728353_3168181577922379776_nA Agenda da SOS Racismo para 2019 tem como tema principal o “Desporto e o Racismo” e nas suas páginas são publicadas vários “bartoons” de Luís Afonso e uma ilustração de Fernando Relvas. Útil, formativo e ilustrado, que melhor prenda para este ano?

Dizem: O desporto enquanto fenómeno social é um espaço de relações intersubjectivas e colectivas que espelha a diversidade cultural e étnica de que é feita o mundo que vivemos. É um fenómeno aglutinador e espaço de pertença e de diálogo intercultural, fomento de convívio e cooperação entre povos e nações.

Como fenómeno social, o desporto comporta ideias políticas e ideológicas subjacentes às sociedades e ao mundo em que vivemos. É um espaço de comunicação e disseminação de projectos ideológicos, sejam eles de afirmação de ideias de diversidade e consolidação do diálogo intercultural, seja de práticas e manifestações de atitudes discriminatórias, violência e racismo.

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Férias estragadas

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Frio lá fora, e pior como sempre somos invadidos de Natalixo que nos aumenta os níveis de misantropia. Pior pior bem pior, fomos à Bedeteca de Lisboa para encontrar algo para nos acalmar a alma e encontramos os 18 números do “comic-book” Crossed + One Hundred. Pelo que percebemos existe uma série chamada Crossed criada e escrita por Garth Ennis que é uma ficção científica pós-apocalíptica, entre a praga de zombies-tarados-sexuais e o sobrevivencialismo. Esta nova série passa-se 100 anos da série original e é escrita pelo génio Alan Moore e desenhada por Gabriel Andrade. É mais interessante que a betalhice telenovelesca do The Walking Dead mas parece que depois do sexto número quando o argumento passa para Simon Spurrier e os desenhos para Fernando Heinz, Rafa Ortiz e Martin Tuniga, a coisa descamba. Seja como for é óbvio que esta leitura vai-nos estragar o resto das férias de Natal e Ano Novo!

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Ressaca Raia (4/4)

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Por fim, chegou também o novo número do fanzine Cleópatra de Tiago Baptista (sem a chancela da Façam Fanzines e Cuspam Martelos – morreu?). Crescidinho (formato A4) este número onze publica nas suas páginas uma série de desenhos de Baptista que nos colocam na dúvida se poderão ser lidos como uma BD. A acrescentar artigos dele sobre discos de Gilberto Gil e Flux of Pink Indians, de uma exposição de João Gabriel e uma conversa com Francisco Sousa Lobo. Num ano estranho de produção de zines, eis uma publicação que se destaca e que se aconselha vivamente!

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Quinta de Hollywood

fadeoutChegou nesta última Quinta-Feira de Novidades da Bedeteca de Lisboa do ano, o livro The fade out : crepúsculo em Hollywood de Ed Brubaker (a) e Sean Phillips (d), editado pela G. Floy Studios, que é um verdadeiro tijolo de 400 páginas. Esta edição integral de luxo junta toda a história num só volume, complementado por mais de 50 páginas de extras, arte e informação adicionais.

Sinopse: Hollywood, 1948 – Um filme noir que não consegue ser terminado, preso em filmagens que nunca acabam. Um escritor perseguido pelos pesadelos da guerra. A morte suspeita de uma jovem estrela de cinema. O passado suspeito da estrela que a substituiu. E um produtor e o seu chefe de segurança capazes de fazerem tudo o que for preciso para manter as câmaras a rolar, no preciso momento em que o Perigo Vermelho, as investigações do FBI e as listas negras começam a destruir a cidade. The Fade Out é um mistério épico que vai muito para além de um simples homicídio, e é o mais ambicioso romance gráfico até à data de (…) Ed Brubaker e Sean Phillips, com a ajuda da célebre colorista Elizabeth Breitweiser. 

Obra seleccionada para a Bedeteca Ideal

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Берляк – это хорошо!

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Chegou à Bedeteca de Lisboa o “chapbook” Lembras-te do Yang Yang? do Berliac, que visitou Lisboa, em Outubro, na Valsa, graças à iniciativa PEQUENO é bom!

A Associação Chili Com Carne tem pequenos (!) episódios de hipocrisia mas do mal o menos. O regresso aos “encontros sobre edição independente” PEQUENO é bom! em nova fórmula já foi tentada o ano passado com a conversa com o havaiano / norte-americano Aaron $hunga no Bar Irreal, e repetem a fórmula trazendo o argentino Berliac. Para o trazerem fizeram um “crowdfunding” sem o usarem o termo, que engraçadinhos! Copy/ Paste da Chili: Diz um antigo provérbio grego que as coisas boas vêm em doses pequenas. Foi com tal sabedoria em mente que a Chili Com Carne promoveu os encontros mensais PEQUENO é BOM! em tempos idos de 2010. O objectivo era divulgar a edição independente junto do público português – essas “coisas pequenas” que circulam por aí, longe do olho público: zines, CD-R’s, k7’s, vinil, graphzines, livros de autor, etc… Agora, queremos retomar o PEQUENO é bom! para uma segunda temporada. Achamos que é saudável que artistas e público se encontrem num ambiente relaxado, fora dos grandes festivais e eventos não propícios a um tipo de conversa mais intimista. A nossa primeira escolha é o Berliac-sensei (Playground, SADBØI, Seinen Crap), autor argentino, residente em Cracóvia, de neo-gekiga que todos os miúdos fixes querem conhecer.

MAS… mas… mas… (…) Não há almoços grátis nem BDs à pala! Então para pagar os custos da viagem e estadia deste autor será publicado um zine que compila três pequenas histórias em Português, publicadas na revista Vice, intitulado Lembras-te do Yang Yang?Com tradução da Hetamoé, a tiragem será limitada a 30 exemplares. Serão assinados, numerados e personalizados pelo artista.

Curiosamente este exemplar na Bedeteca não está assinado. Sobras da tiragem? Um bootleg? E por falar nisso, porque a Rússia é conhecida por ser a paraíso da pirataria, apareceu também um exemplar de Торчки из азиатского супермаркета. Uma edição em russo de BDs de Berliac em que até aparece um certo Mocho e o mestre Tezuka… Há leitores russos na Bedeteca?

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Ressaca Raia (3/4)

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Outra beleza editorial vinda da Raia 3Colecção 2018 de Ema Gaspar é um catálogo de desenhos desta ilustradora que tem vindo a surpreender muita gente. Colecção 2018 é um graphzine impresso a cores sob papel de arquitecto, o que aumenta a fantasmagoria das ilustrações – que ficam sobrepostas.

Entretanto, a autora tem espalhado o seu trabalho de desenho e BD em várias publicações estrangeiras como a letã š! (essa “embaixada portuguesa”), Klub Zin (da Polónia) e Freaker UNLTD pela DDOOGG (Canadá). De referir que no caso da BD na š!, autora explora o tema do aborto, assunto que nos lembra quase nunca tocado na BD portuguesa… curioso, nunca pensamos nessa lacuna.

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