O Dia da Mulher segundo o PNL

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A imagem acima reproduzida é de Watchers, novo álbum de Luís Louro, autor de 54 anos que parou de crescer intelectualmente aos vinte – quando começou a publicar BD, haverá causa/efeito? A imagem só pode ser uma homenagem clara à condição da Mulher na sociedade portuguesa: humilhada, violentada, violada, desamparada pelo sistema judicial e com fortes probabilidades de ser morta – feminicídio – com requintes de maldade. Graças à imaginação fértil e audaz do autor, a “objectificação do corpo feminino” passa para segundo plano porque passamos a outro nível elevado de denúncia social que é a profanação gráfica do corpo feminino por bichos exóticos em miniatura.

O autor que é, sem sombras de dúvida, um visionário como um cavaco sabe que o futuro será assim: continuaremos a ter uma Lisboa linda linda linda de morrer (cidade gentrificada há mais de cinco anos mas este sagaz criativo acha que num “futuro próximo” ainda haverá “bairros populares”), com eléctricos aéreos (que futurismo!) a voar por aí, invés de cães vadios haverá elefantes e girafas do tamanho canino (finalmente!), com chavalada a falar “retro-jargão” (as personagens jovens do álbum falam à ’95 não sabemos bem porquê – talvez porque o Tricky tinha razão) e com toda a gente a filmar-se em panóptico digital – nada de novo até na BD e já acontece, meu!

Ó irmãs, vocês agora estão armadas em puritanas? Não! Que todos façam o que quiserem, que editem como quiserem, ele que ponha gajas co’as mamas à mostra a pinar com quem ele quiser, longe de nós querer censurar a “idiocracia” da “bedófilia”.

O que é ignóbil é tentarmos ignorar estes livros e eles insistem em serem bem visíveis graças aos apoios institucionais, principalmente pelas câmaras municipais com os mais graves problemas raciais como é Beja e a Amadora. E pensamos: “Bah, foi erro de casting … ou… a Leya tem poder sobre o Festival, o que se há de fazer!?”

Quando pensamos que estes autores atrofiados vão parar de fazer BDs porque é assim o comportamento do precário mercado da BD em Portugal, pimba! Aparece mais um livro como este Watchers e ainda dizemos “Que se lixe! Amanhã ninguém vai-se lembrar deste monte de ______ (palavrão, sff)…”.

Só que ninguém está preparado para ver um autocolante do Plano Nacional de Leitura colado na capa:

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Derrotadas, humilhadas, violentadas, violadas, desamparadas pelo sistema judicial e com fortes probabilidades de sermos mortas com requintes de maldade. Estamos sem saber o que pensar ou fazer. Falamos com pessoas do meio e apareceram estas teorias ridículas mas reveladoras:

Teoria 1: as “senhoras” do PNL não percebem nada de BD. Viram as putas das zebras anãs, a pessoa do Fernando e pensaram: “isto é fixe! Além de que é contra a Internet que está a destruir as cabexinhas das nossas crianxas e xovens” [sic] E todos os educadores e bibliotecários escolares sabem que o PNL é uma “marca branca” sem sentido nem critério, um projecto profanado pelos grandes interesses livreiros…

Teoria 2: É BD! Sabem que no Japão há menos violações e assassínios que no resto do mundo porque os filmes e BDs são tão violentos que servem de escape social [sexual]? Não será antes porque o Japão foi fortemente desmilitarizado depois da Segunda Grande Guerra, e não haver armas de fogo na sociedade civil, por exemplo? Sobre violações no Japão nada sabemos… A BD não leva a violações, seria defender as ideias do infame Fredric Wertham! A realidade é bem mais cruel como uma cabeça decepada de uma mulher num caixote do lixo em Leça da Palmeira. Apostamos que esse assassino nunca leu um álbum do Louro!

Teoria 3: Tudo é BD! Ninguém se preocupa. BD fazer escândalo público? Desde quando? Ninguém quer saber… Ninguém lê BD! Ninguém vê BD! Ninguém pensa BD! 

Uma vagina de uma mulher assassinada a ser devorada por ursos polares em miniatura é só bonecada! A “necro-objectificação” nem faz parte das exigências dessas feministas (obviamente sem a imaginação estratósférica de Louro) que se manifestaram ontem.

Está tudo bem, Louro, continua! Não penses!

Está tudo bem, senhoras do PNL, continuem a aconselhar BD de qualidade! Vocês conseguem! Está tudo bem, está tudo bem!

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Filed under acervo da bedeteca, bd portuguesa, referência

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