O regresso da Geração Lx Comics

thumbnail_capa_tijolos_low

Coincidência mercantil interessante que aconteceu o ano passado. Para além de Selva!!! de Filipe Abranches, na sua chancela Umbra, saiu também O Colecionador de Tijolos de Pedro Burgos. Não é um livro “novo” porque saiu originalmente em França em 2017 mas eis finalmente em português e na Bedeteca de Lisboa. Dois autores de peso, ligados pelo passado terem publicado na excelente revista Lx Comics. Editado pela Chili Com Carne na sua colecção de romances gráficos, Rubi, apostaram a divulgação com excertos de boas críticas:

(…) Trata-se de um conto, no qual se acompanham personagens, conflitos e peripécias numa só narrativa. Se a cidade, alterada pelos efeitos da crise financeira e da mercantilização (o desemprego, a gentrificação, a especulação imobiliária), é o lugar e o pano de fundo em que o conto se desenrola, a arquitectura, como metonímia da construção e da criação, permanece na origem da banda desenhada de Pedro Burgos.
Valério, homem que já ultrapassou a meia-idade, fica sem emprego após o fecho do ateliê de arquitectura onde trabalhava. Decide, então, reabilitar a casa herdada dos avós para descobrir, incrédulo e revoltado, que foi ocupada por homens e mulheres sem-abrigo. Reagirá com violência, antes de perder os sentidos. Começa aí a sua derrocada existencial e espiritual: acordará, salvo pelos médicos, mas para se afastar do mundo (a cidade, cujo nome Pedro Burgos só revelará no fim), tornando-se no coleccionador de tijolos que os vizinhos e família observarão com piedade, receio e incompreensão. (…) José Marmeleira in Público

podemos ler O coleccionador de tijolos também como um retrato da sociedade portuguesa durante os anos da crise financeira, cujas repercussões se fizeram sentir em aspectos bem mais profundos do que se poderia imaginar à partida. O livro é, assim, apesar da sua superfície narrativa, uma espécie de mapa concentrado dos traumas das transformações operadas na cidade. Pedro Moura in LerBD

Os portugueses, e os lisboetas em particular, passaram agora a andar ditosos com a procura turística. Não há cidade que aguente ou aeroporto que chegue para tanta oportunidade de fazer dinheiro. Pelo meio desta “avidez da ganhuça” – para citar o escritor anarquista Assis Esperança (1892-1975) –, haverá sempre tipos estranhos que recolhem tijolos, para desdém dos empreendedores e desgosto dos presumíveis herdeiros. (…) uma parábola dos tempos que correm.
A leitura lembrou-nos por vezes o Will Eisner de The Building (…); outras, a poética do franco-grego Fred, criador do maravilhoso Philémon. A edição é cuidada, com atenção aos pormenores (por exemplo, a analepse impressa em papel doutra cor). Mestria na composição, solidez de ponto de vista que não nos deixa indiferentes, humor e amor em doses comedidas – o que mais se pode querer de uma BD? Ricardo António Alves in I

De referir ainda que na colecção RUBI há sempre prendinhas, e este O Colecionador de Tijolos não será excepção. Assim, um mini-zine intitulado Slow Motion, impresso em risografia e limitado a 90 exemplares acompanha a quem adquira o seu exemplar na loja em linha.

Deixe um comentário

Filed under acervo da bedeteca, bd portuguesa

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s