Monthly Archives: Abril 2021

Super-Creizí

Chegaram à Bedeteca de Lisboa dois livros de referência – coisa rara!

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Sub-Roca

Como a Porto Editora não sabe o que é Banda Desenhada, não encontra os Pacos Rocas da vida mas sim os seus succedâneos. Soldados de Salamina de José Pablo Garcia é mais uma espanholada de Romance Gráfico “normie” que adapta o livro do escritor Javier Cercas. Por acaso até é um trabalho que acompanha Os Trilhos Do Acaso do Roca, embora se foque no facto de Rafael Sánchez Mazas não ter levado um tiro nos cornos.

Sinopse: Nos dias finais da guerra civil, perto da fronteira franco-espanhola, deu-se um fuzilamento de prisioneiros franquistas. Um destes escapou com vida, graças a um jovem soldado republicano, e conseguiu refugiar-se no bosque. Era Rafael Sánchez Mazas, poeta, fundador da Falange e futuro ministro de Franco. Sessenta anos mais tarde, um romancista em crise desenterra este episódio bélico e, fascinado por ele, propõe-se investigar e esclarecer as suas circunstâncias. Soldados de Salamina, romance de Javier Cercas publicado originalmente em 2001, foi aclamado como um clássico moderno da literatura por, entre outros, Kenzaburo Oé, Susan Sontag, George Steiner ou Mario Vargas Llosa.

Resta saber quando é que os espanhóis se dedicam aos verdadeiros heróis da Guerra Civil como o anarquista Melchor Rodríguez invés de se dedicarem aos fachos…

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Sem medos (e sem talento)

Então,… há aquelas editoras generalistas que publicam BD por causa de temas históricos, depois há aquelas que editam por serem adaptações literárias e por fim há editoras que editam pelos temas contemporâneos. Menos mal no último caso, embora o que as une a todas é a forma leve de delegar informação – bonecada para a massa ignorante.

Chegou à Bedeteca de Lisboa o livro Mulheres Sem Medo: 150 Anos de Combate pela Liberdade, Igualdade, Sororidade das norueguesas Marta Breen (a) e Jenny Jordahl (d) que serve para confirmar que só foi publicado em Portugal pela confusa Bertrand para rivalizar as Destemidas. O desenho básico e estático diz tudo sobre a pobreza do conteúdo de uma mera BD pedagógica para crianças – mas vendida como um produto adulto?

Sinopse: O artigo 1º da Declaração Universal dos Direitos do Homem começa por dizer o seguinte: «Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos.» Mas será que sempre foi assim? Será que, actualmente, é isso que acontece? (…) Quinze décadas de activismo pelo direito ao voto, ao aborto e à contracepção, de reinvidicações por algo tão simples como a liberdade e a igualdade, a educação e o direito ao próprio rendimento – sem esquecer a defesa do casamento gay e o movimento #metoo.

A história do movimento das mulheres é um importante ponto de viragem na História da Humanidade, desde tempos em que a mulher estava sujeita primeiro ao pai e depois ao marido – sem acesso à educação, sem poder possuir terras e sem ter direito a participar em reuniões políticas –, até aos dias de hoje, em que as mulheres são livres de tomar as suas decisões e, apesar de o caminho ainda não estar terminado, o mundo é melhor para elas e para todos do que há 150 anos.

(…) Uma breve história do feminismo, das suas principais figuras e das causas que defende. Liberdade, igualdade, sororidade. (…) Da luta abolicionista ao movimento #MeToo, passando pela história das sufragistas e do direito ao aborto e à contracepção e pela reivindicação dos direitos LGBTQ e do casamento gay… Está (quase) tudo aqui.

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A Fábrica de Erisicton

Pouco a pouco, a normalidade instala-se ao ponto de até o fanzine Mesinha de Cabeceira voltar numa onda de “back to the basics” após cinco anos de ausência. Este retorno às origens humildes de uma tiragem baixa de 100 exemplares, como fanzine / zine / perzine (riscar o que não interessa), tal como em 1992 (ano do primeiro número) tem a razão de ser para dar voz a autores desconhecidos / novos / fora de qualquer radar (riscar o que não interessa).
A Fábrica de Erisicton de André Ferreira que é uma BD eco-psicadélica inesperada sobre a destruição do Alentejo pelas culturas super-intensivas que se praticam. O grafismo é tão naíf como visionário, com poucos sítios para segurarmo-nos se não fosse o facto da mensagem ser tão desesperante. O aviso já pouco serve, o Destino está traçado, como se vê nestes anos estranhos que vivemos, em que nada mudou em termos de atitude ecológica, a borregada quer é viajar e poluir.
Sobre o autor: faz música sob o nome de Goran Titol (…), animação em técnica de “stop-motion” com ajuda na Mãe Natureza e é autor da BD tendo participado na antologia Venham +5 e com o livro a solo Ouro Formigas (2013), ambos publicados pela Bedeteca de Beja.

Entretanto, um exemplar deu à costa na Bedeteca de Lisboa.

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Diabruras

Diabruras há muitas! E há sempre mais algures no passado da BD com o seu enorme historial de crianças traquinas. Eis que chegou à Bedeteca de Lisboa um álbum policopiado das edições Emecê (ou seja, de Manuel Caldas antes do Libri Impressi) intitulado Anita e Filipim : As diabruras todas do mestre Fernando Bento (1910-96). Colecção da série que saia no suplemento O Pajem da revista Cavaleiro Andante. Mais uma vez fica provado que Bento não era só um excelente artista gráfico no campo realista com o seu estilo muito próprio como conseguia fazer outro estilo, mais limpo e elegante para um público minorca. Mais um pequeno tesouro no acervo da Bedeteca.

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A memória manhosa da RTP

Descobrimos esta reportagem nos arquivos da RTP da inauguração da exposição Filosofia de Ponta de Júlio Pinto e Nuno Saraiva (imagem – como ele era novinho!) que assim inaugurava a Bedeteca de Lisboa há 25 anos. Infelizmente a emissora do Estado é incompetente e creditou a Bedeteca à da Porcalhota que só existe há poucos anos… Enfim, erro corrigido.

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Salvar o Carnaval

Depois de terem editado o Jornal de Natal, a dupla editorial  The Inspector Cheese Adventures e Xerefé voltou a chamar às armas, que é como quem diz, aos lápis e tintas e ecrãs e canetas, outros ilustradores, desenhadores e artistas plásticos para darem corpo a uma nova publicação, desta feita, de Carnaval e munir todos os leitores com uma máscara muito eficaz contra as tristezas da pandemia, do confinamento, do isolamento, de fechos e cancelamentos, dos adiamentos e outros tormentos. Tal como o anterior, este jornal especial, de uma energia criativa transbordante, impresso agora a cores porque os dias cinzentos assim o exigem, reúne criadores de várias proveniências e origens, de norte a sul de Portugal, do Brasil a Inglaterra ou aos EUA e de diferentes gerações e percursos. Isto porque, como referem no texto que apresenta este Baile de Máscaras: «Andamos todos a precisar de Festa, com letra maiúscula. Este ano, a tradicional festa de Carnaval, de Entrudo, não vai acontecer dentro das ruas, das cidades das aldeias. Os caretos não vão poder correr livremente detrás dos montes, nem beliscar a carne das raparigas e rapazes. Mas a Vida não termina. E o Carnaval, que é festa pagã, a apontar para as palavras gozo, espalhafato, subversão, pernas pró ar, resistência e combate, este ano, estando confinado, sai à rua (o corpo brinca e dança!) num jornal chamado Baile de Máscaras».

Com participação de Tina Siuda, Ana Biscaia, Marta Madureira, Paul Hardman, Pedro Proença, Xana, Pedro Pousada, Madalena Moniz, Engrácia Cardoso, Paula Delacave, Eva Evita, Mariana, a Miserável, Joanna Latka, Tiago Baptista, Carlos Guerreiro, Juan Fontanive, Adriana Molder, André Ruivo, Nuno Saraiva, e o apoio à divulgação dos Caretos de Podence. O preço, esse, é simbólico e visa cobrir apenas os custos de impressão, porque o trabalho colectivo aqui é dádiva e o sorriso a recompensa.

Chegou um exemplar à Bedeteca de Lisboa, daí a recuperação deste “post”…

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