Category Archives: acervo da bedeteca

Fogos e Murmúrio na Bedeteca

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Chegou à Bedeteca de Lisboa um livro do grande mestre italiano da cor e do estilo, Lorenzo Mattotti, no âmbito da Colecção Novela Gráfica do ano passado e que foi daquelas grandes excepções de qualidade numa colecção que se pautou pela mediocridade. Fogos e Murmúrio são dois álbuns em um sendo a última história escrita em colaboração com Jerry Kramsky.

Um dos mais consagrados ilustradores da actualidade, Mattotti tem publicado o seu trabalho em jornais e revistas como Le Monde, The New Yorker, Cosmopolitan, Vogue, o que não o impediu de construir uma importante carreira também na BD e que até teve algumas (boas) edições em Portugal pela Fenda e Witloof. A Bedeteca de Lisboa também o editou, um catálogo de exposição e um livro de esboços.

Fogos, considerado como a sua obra mais importante e um ponto de viragem do autor, que passa de um tipo de trabalho mais narrativo, para um registo mais pictórico, em que a cor é um elemento simbólico e dramático, que condiciona a própria história. A obra Murmúrios com argumento de Mattotti e Kramsky, um amigo de infância, põe em cena uma personagem amaldiçoada por uma mancha bizarra no seu rosto, que acorda numa ilha estranha, sem saber quem é ou porque ali está, e que terá de procurar de modo muito simbólico o seu passado e a sua memória.

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Quinta Hermética

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Começaram a chegar volumes da Colecção Novela Gráfica do ano passado que saíram com o jornal Público e que se percebeu logo na altura que era uma oportunidade perdida para mostrar mais obras interessantes do que aquelas que acompanhrama o jornal. Vamos ignorar nos próximos “posts” aqueles que são medíocres ou poucos inspirados e realçar apenas o que interessa mesmo que seja a velha A Garagem Hermética de Moebius (1938-2012).

Como descreveu o blogue A Garagem de André Azevedo: Caótica, poética e delirante, mistura elementos de western, ficção científica, super-heróis e misticismo. Nos anos 70, Jean Giraud, autor já conceituado pela criação de Blueberry, cria o alter-ego Moebius, tornando-se um dos fundadores da seminal revista Metal Hurlant, criando um novo estilo de desenho de ficção científica que se tornaria um marco na BD internacional. Esta obra essencial é uma compilação de histórias que foram realizadas por vezes de forma improvisada por Moebius – ele desenhava uma página sem argumento para a próxima – e publicadas mensalmente, resultando em verdadeiras viagens não lineares e de pendor lisérgico. A personagem principal, o surreal Major Grubert, criou um universo de bolso no interior do seu asteróide, que contém três mundos sobrepostos, com os seus povos e civilizações. Três mundos que ignoram as suas origens, mas onde alguns habitantes começam a vislumbrar a verdade.

Obra importante para a desconstrução da BD, é bastante conhecida em Portugal porque sempre houve edições para as alucinações sci-fi de Moebius, fossem pelos álbuns manhosos da Meribérica/Liber, seja na colecção Os Clássicos da Banda Desenhada que saiu com o Correio da Manhã, seja ainda pelo álbum Arzach – Obra seleccionada na Bedeteca Ideal.

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É o máximo!

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Na Bedeteca de Lisboa aparecem toda a espécie de publicações que nos deixam perplexos porque pensamos que conhecemos tudo… Eis que lá se encontra o número um da revista (antologia?) DopoTutto Max da editora francesa Misma – que têm em catálogo livros de Simon Hanselmann e Roope Eronen

A identidade que a revista e a editora transmitem é que estamos no campo de uma BD de autor com laivos de surrealismo Pop em que as infâncias dos seus autores foram carregadas de açúcar nos cereais do pequeno-almoço (a capa não engana!), desenhos animados nos Sábados de manhã e brincadeiras com bonecos em PVC durante o resto do dia. O que nada temos contra porque tivemos infâncias idênticas!

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Safou-se…

casa_capa_vf_altaRugas era “light” e O Inverno do Desenhador também não era muito melhor – um documentário pobrezito… Isto não tem impedido que se insista em publicar mais livros do espanhol Paco Roca em Portugal. Chegou à Bedeteca de Lisboa um livro que saiu, no ano passado, com o jornal Público intitulado A Casa, uma história de amor filial, uma emocionante homenagem de Paco Roca ao seu pai onde os sentimentos se misturam, dando lugar a uma ponte entre passado e presente.

A história, bem simples, mas contada com a mestria própria de um excelente narrador, conta-nos o regresso dos três irmãos à casa onde cresceram, mas que agora se encontra vazia devido à morte do pai. A casa tem de ser vendida e em conjunto devem esvaziá-la mas, à medida que começam a fazê-lo encontram objectos que lhes trazem à memória recordações, pequenas situações cómicas, momentos vividos em conjunto com o pai.

Estes títulos “extra” da Colecção Novela Gráfica pautaram-se entre o obrigatório Billie Holiday de Sampayo & Muñoz e o inócuo Chernobyl. Onde ficará A Casa? Fica na literatura “light” claro, que não haja dúvidas, no entanto, como representação realista de uma classe média ibérica é um documento interessante. Passa-se em Espanha mas é óbvio o paralelo com Portugal dos anos 80 aos dias de hoje. E Roca parece transmitir sentimentos mais pessoais e íntimos que nas obras anteriores. Menos mal…

Obra seleccionada para a Bedeteca Ideal.

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Quinta dos Macacos

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O pula do Tarzan recuperado por Manuel Caldas na Quinta-Feira de Novidades da Bedeteca de Lisboa… Belos macacos!

Segundo o blogue A Garagem em 2014: Manuel Caldas, um dos maiores entusiastas nacionais da BD clássica – editor de Príncipe Valente, Lance, Hagar, Os Meninos Kin-Der, Krazy Kat, Cisco Kid, entre tantos outros – começou este ano a reeditar o Tarzan de Russ Manning (1929-1981), quer as tiras diárias, quer as pranchas dominicais que o autor realizou entre 1967/1972 e 1968/1979, respectivamente. Como sempre, e como já tinha realizado em Tarzan dos Macacos de Hal Foster, toda a arte foi restaurada com o intuito de obter a melhor reprodução possível mas sempre respeitando o original, quer nas cores, quer no tipo de letra usado. Espera-se, assim as vendas o permitam, que este trabalho hercúleo de Caldas chegue até ao fim, apesar de ser publicado em castelhano.

Entretanto também chegou à Bedeteca o segundo volume das páginas dominicais e ainda Casey Ruggles de Warren Tufts – também em castelhano e pronto para o dia de amanhã!

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Areia para os olhos

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Infelizmente não somos muito dogmáticos a defender os nossos boicotes… e Sandman de Neil Gaiman et al. merece um “post” aqui devido à qualidade da obra, como refere Pedro Moura no seu blogue. Começaram a chegar à Bedeteca de Lisboa os vários volumes da colecção Sandman que saiu o ano passado no jornal Público.

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Graite fanzaine!

graitestuff11Chegou à Bedeteca de Lisboa um exemplar de Graite Stuff #1 do Panda Gordo, mau, que mania de chamar ao autor/editor João Sobral de Panda Gordo… No formato A5 como qualquer bom fanzine que se preze e todo ele produzido de forma caseira, este zine publica uma BD em que Sobral desenvolve uma galeria de personagens meio-losers e meio- empreendedoras (venha o Diabo e escolha) numa observação económico-social que este autor emigrado na Glásgua nos tem habituado. Haverá continuação deste título?

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