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Punk Comix na Bedeteca

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Chegou à Bedeteca de Lisboa dois livros em um, ou seja um split-book, bem à punk! No ano em que se “celebram” os 40 anos do punk em Portugal, a Chili Com Carne, em parceria com a Thisco, edita o (duplo) livro sobre este fenómeno: Corta-e-Cola : Discos e Histórias do Punk em Portugal (1978-1998) de Afonso Cortez Punk Comix : Banda Desenhada e Punk em Portugal de Marcos Farrajota.

Escrito a partir de um levantamento exaustivo de fanzines, discos e demo-tapes, ao longo de 256 páginas, os autores dissecam todo esse material para tentarem perceber como através de uma ética – do-it-yourself – se conseguiu criar uma (falta de) estética caótica e incoerente que hoje se identifica como punk. Através da produção gráfica desse movimento se fixaram inúmeras estórias – até agora por contar – de anarquia e violência; de activismo político, manifestações e boicotes; de pirataria de discos e ocupação de casas; de lutas pelos direitos dos animais; de noites de copos, drogas e concertos…

Corta-e-Cola / Punk Comix é ilustrado com centenas de imagens, desde reproduções de capas de discos a páginas de fanzines, cartazes, vinhetas e páginas de BD, flyers e outro material raramente visto.

E porque punk também é música, o livro vêm acompanhadas por um CD com 12 bandas de punk, rock ou música experimental actuais como Albert Fish, Dr. Frankenstein, The Dirty Coal Train, Presidente Drógado, Putan Club, Estilhaços Cinemáticos… As bandas ofereceram os temas, todos eles inéditos, sobre BD na forma mais abrangente possível, sobre personagens (Corto Maltese), séries (O Filme da Minha Vida), autores (Vilhena, Johnny Ryan) ou livros (V de Vingança, Caminhando Com Samuel). Alguns mais óbvios que outros mas tendo como resultado uma rica mistura de sons que vão desde o recital musicado ao Crust mais barulhento.

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Quinta da Bazooka

product_9782737652011_195x320Mais uma pérola da Bedeteca de Lisboa que chegou na Quinta-Feira das Novidades. Já é bem velhinha mas só agora é que apareceu catalogada no sistema das BLX tal é o passo de caracol que é dado à BD. E logo este livro, o único no acervo da Bedeteca com trabalhos do colectivo punk francês Bazooka, tão importantes que hoje não haveria Le Dernier Cri, por exemplo…

Entre 1974 e 1978, Christian Chapiron (Kiki Picasso), Jean-Louis Dupré (Loulou Picasso), Olivia Clavel (Electric Clito), Lulu Larsen, Bernard Vidal (Bananar) e Jean Rouzaud, depois de participarem a solo na Actuel começam a editar fanzines que deram nas vistas ao ponto de até ilustrarem capas de discos para Elvis Costello. Conhecidos pelo suplemento Un Regard Moderne (que deu nome à livraria de Paris) no jornal Libération em 1978, rapidamente o escândalo deu-se graças a uma imagem “pedopornográfica”, acabando a experiência em seis números. Um pedaço de história na Bedeteca…

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Nimona

nimonaJá chegou à Bedeteca de Lisboa – e melhor ainda, já lemos – o livro Nimona de Noelle Stevenson lançado pela Saída de Emergência e comprova o que escrevemos aqui há algumas semanas: que a melhor BD comercial actualmente é feita para teenagers e/ou miúdas / mulheres – e por mulheres! Há várias teorias para tal, por exemplo, ou porque a entrada das mulheres na indústria da BD trouxe ar fresco batendo os clichés do clube de rapazes “bedófilos” ou porque os web-comics trouxeram estruturas narrativas mais descomplexadas (Nimona originalmente foi feito para a ‘net)… ou ainda pelo facto dos criadores serem mais livres na ‘net ou em editoras “indies” (versus as marcas registadas das duas bestas editoriais DC e Marvel) podendo contar histórias menos tipificadas que manipulam os estereótipos (como bem analisa Pedro Moura no seu Ler BD)… ou ainda talvez pela influência do Manga comercial que sempre jogou com os sistemas binários bem/ mal, rapaz/ rapariga, etc… ou… tanto faz, o século XXI será nosso! Das mulheres!

Diz a sinopse: Quando o vilão Lorde Ballister Coração Negro conhece uma rapariga misteriosa de nome Nimona, ambos são impelidos a uma parceria criminosa com o objectivo de lançar o caos no reino. Assumem como missão provar perante todos que Sir Ambrosius Virilha Dourada e os seus comparsas no Instituto Para a Aplicação da Lei & Heroísmo não são tão heróicos e nobres como todos julgam. Vão ocorrer imensas EXPLOSÕES. E CIÊNCIA E TUBARÕES também não vão faltar. 

Obra seleccionada para a Bedeteca Ideal.

Curiosamente meses antes a Devir editou uma outra obra de Stevesson, as Lumberjanes… Quem sabe? Se calhar também é fixe para “teens”? Como vamos saber?

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Judea na Bedeteca de Lisboa

judea-1Chegou à Bedeteca de Lisboa um grande álbum de BD, se calhar o melhor de 2016! Trata-se de Judea de Diniz Conefrey, editado pela Pianola, uma chancela do colectivo O Homem do Saco.

Adaptação livre para banda desenhada da obra Mocidade de Joseph Conrad (1857-1924), diz a sinopse: Do livro para esta novela gráfica, a matéria é a mesma, o fogo é o mesmo, mas nesta outra aproximação o mar engole a representação do indivíduo, embora ele seja também a vaga que permite a vida. A tonalidade central nesta leitura já não é a mocidade nem toda a sua energia, que confronta e supera os males do mundo. Toda a substância, neste outro olhar, volta-se para o imponderável através da descrição dos eventos abertos aos sentidos, pulsando a narrativa em contraponto entre a imagem de acção exterior e um sentido visual abstracto; como expressão subjectiva de uma realidade interior. O narrador já não é Marlow, descrevendo os seus dias de mocidade, mas uma voz omnisciente que acompanha o leitor através da trágica viagem de um velho navio, procurando alcançar o Oriente.

Obra seleccionada para a Bedeteca Ideal

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Mundo real, dizem eles…

alice_capaChegou à Bedeteca de Lisboa mais um álbum de BD dedicado ao cancro da mama que mais uma vez é retratado com humor. Será tão revoltante como o Cancer Vixen?

Saiu em no ano passado com o jornal Público assinalando o Dia Nacional de Prevenção do Cancro da Mama, em que o Facebook da editora Levoir afirmava que esta obra obteve muito sucesso em Espanha e em outros Países… Também teve sucesso o Cancer Vixen e ainda está para vir o dia que sucesso seja sinónimo de qualidade ou de conteúdo (eis um vídeo earworm para ilustrar a questão do sucesso).

É uma novela gráfica sobre uma experiência de vida pela qual muitas mulheres passam e que afecta quem as rodeia, o cancro de mama. Com um humor inteligente, alguma ousadia e perspicácia, esta obra relata o dia-a-dia de uma história cada vez mais comum actualmente. É uma lufada de optimismo e valentia perante um tema delicado e doloroso. E  se isto já não mete qualquer um de pé atrás, ainda rematam com o paternalismo “bedófilo”: O que dizem alguns homens que leram a obra: “… considero que Alice num mundo real é uma obra que todo amante do bom comic deveria ler, uma obra que deveria ser oferecida ou emprestada a aquelas mulheres que tem dificuldade em entrar no mundo da bd…uma história simples que transpira naturalidade em cada uma das suas vinhetas e diálogos, uma história cheia de simpatia e cumplicidade com a protagonista desde a sua primeira aparição, com ela rimos, com ela partilhamos o seu sofrimento pelas situações que passa e até há momentos onde a abanaríamos para acordá-la e faze-la reagir e ver a vida como ela é, um presente a cada amanhecer ” Raúl López no blog Zona Negativa.

Pensávamos que essas “pobres” mulheres que tem “dificuldades em entrarem no mundo da BD” iriam preferir ler O Diário de Jules Renard ou o Maus ou o Fun Home… Estamos perante a formalização da “Teoria da Novela Gráfica” em que é mostrada como literatura ligeira, bestseller e eternamente “cómica” mesmo para assuntos sérios como a doença. É o novo paradigma da produção e edição contemporânea. Cá em Portugal chegou-nos com o tal outro livro do cancro da mama, vemos aqui um padrão?

– Hum…

– É grave, doutor?

– Receio bem que sim…

Ainda assim, apesar dos vários defeitos desta BD também ela tem algumas virtudes, nomeadamente como a sexualidade é tratada com alguma normalidade, sem o puritanismo “gringo” de Cancer Vixen. Merece ser incluída na Bedeteca Ideal até ao dia que se publique em Portugal o Our Cancer Year

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Cachalote

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Chegou à Bedeteca de Lisboa o Cachalote de Daniel Galera (a) e Rafael Coutinho (d), um livro que impressiona pelo peso do objecto ( tem 272 páginas), o cuidado design e os desenhos dinâmicos de Coutinho. Se é o argumento é bom isso só lendo, entretanto, deixamos a sinopse: Um astro decadente do cinema chinês incriminado pelo suposto suicídio de um colega, um escultor endurecido pela dedicação à sua arte e um playboy mimado que é expulso de casa procuram encontrar sentido nos acontecimentos drásticos ou misteriosos que abalam o curso de suas vidas. Um vendedor de uma loja de ferragens e uma linda e frágil rapariga tentam não ser destruídos por aquilo que os une, enquanto um escritor deprimido e a sua ex-mulher se mantêm unidos por aquilo que os separou. Cachalote é um mosaico de cinco histórias, que alternam mas não se cruzam, e falam de um único mistério, obviamente sem solução. Nessas narrativas — que transitam constantemente entre o realista e o fantástico, o dramático e o cómico — tudo é o que parece, mesmo que seja uma baleia emergindo das águas de uma piscina.

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Quinta Setenteira

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Nesta Quinta-Feira de “novidades” na Bedeteca de Lisboa chegaram duas peças bem interessantes que em comum têm o facto de serem ambas obras realizadas nos anos 70 em Portugal.

Há também uma ténue ligação ao mundo feminino mas enquanto Querida Heloísa do célebre Sam (1928-93) é uma tira de humor de sátira social (e sexual?) para a revista Mulher – Modas e Bordados (1974/76) e o jornal A Capital (1978) com ar tradicional na forma embora os temas parecem “ousados”;  Mário e Isabel é uma leitura de Isabel Lobinho de textos surreais de Mário-Henrique Leiria (1923-83) cheio de curvas eróticas nas composições de página. O exemplar (que só pode ser consultado) está assinado pela autora.

Lobinho é uma autora de BD cuja carreira é mais conhecida pelos trabalhos publicados nos anos 70 (na revista Visão) e anos 80 (no Correio da Manhã). Este álbum de 1975, editado pela Forja – para uma colecção Erótica mas que só teve este volume – teve uma reedição com má impressão pelos Cadernos Moura BD (#3, em 2002) que infelizmente não faz justiça à edição original – será por isso que nem se quer é referido no Revisão? Ou foi puro esquecimento?

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