Category Archives: acervo da bedeteca

Os miúdos ainda curtem isto?

5bb1cbb09bf7461e88f6a4d69c36aa31A Asa e o jornal Público vão lançar uma colecção semanal dedicada à série Spirou e Fantasio que tenha o dedo autoral do mestre Franquin (1924-1997), nas Quarta-Feiras de 24 de Abril a 3 de Julho. Composta por 11 álbuns duplos a cores e de capa dura, custa 11,99€ cada um.

Não sabemos se as primeiras quatro BDs curtas de Franquin – que usamos para ilustrar este “post” – estão incluídas nesta colecção. Realizadas entre 1948 e 1950, substituindo (outro mestre) Jijé, Franquin ainda é um autor desconhecido, sendo que já se notam os seus tiques que serão celebres em Gaston Lagaffe ou nos álbuns mais emblemáticos do Spirou: expressividade corporal, acção extravagante, co-existência dinâmica entre humanos e animais, etc…

Spirou é uma máquina belga de fazer dinheiro mesmo usando aquela fatiota ridícula de paquete de principio de século XX – cujos hotéis de Lisboa voltaram a usar para sinalizar bem o estatuto de trabalhador humilhado – e vivendo num mundo que já não existe, leva-nos a questionar se esta colecção é destinada para crianças ou para agradar os “bedófilos” saudosistas. Considerando que esta obra foi seleccionada para a Bedeteca Ideal e as edições portuguesas sempre foram caóticas e incompletas, pelo menos fica bem numa Bedeteca pública.

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Pentângulo #2

pentangulo2Já saiu o segundo número da Pentângulo, uma publicação anual que mostra resultados de uma parceria entre a Escola Ar.Co e a Associação Chili Com Carne, que aqui unem os seus esforços criando um novo projecto editorial.

Este tem como objectivo conferir visibilidade ao trabalho de novos autores cuja formação tenha sido feita no curso de Ilustração e Banda Desenhada do Ar.Co. Numa relação saudável de partilha entre nomes consagrados e estreantes, a iniciativa conta com a participação de alunos, ex-alunos e professores.

O Departamento de Ilustração/BD do Ar.Co tem vindo a por em prática um modelo pedagógico que privilegia as aplicações específicas da ilustração e banda desenhada em relação ao mercado editorial, tendo para o efeito realizado parcerias com várias entidades ao longo dos seus 18 anos de existência. A Chili Com Carne – e a sua “irmã” MMMNNNRRRG – foi um dos parceiros com quem o departamento colaborou, como o atestam as publicações Brincar com as palavras, Jogar com as palavras, em 2002, e mais recentemente O Andar de Cima de Francisco Sousa Lobo, álbum realizado no âmbito do Ano Europeu do Cérebro, em 2014.

É na sequência destas colaborações que estas duas associações se juntam novamente, para afirmarem os seus lugares próprios na produção de banda desenhada nacional. 

Neste número colaboram Amanda Baeza, Ana Dias, André Pereira, Daniel Lima, Dois Vês, Francisco San Payo, Francisco Sousa Lobo, Gonçalo Duarte, João Carola, João Silva, Luana Saldanha, Marcos Farrajota (com dois textos, o famoso Relatório sobre Fanzines e afins de 2018 e uma pesquisa sobre assuntos LGBTI+ na BD portuguesa), Mariana Pinheiro, Mathieu Fleury, Nuno Saraiva (capa), Pedro Moura (com um texto bem fixe intitulado “Fuck Nostalgia”!), 40 Ladrões, Rodolfo Mariano, Rosa Francisco, Sara Boiça e Simão Simões.

O primeiro número encontra-se na Bedeteca de Lisboa. E o projecto foi seleccionado para a Bedeteca Ideal.

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Stoned na Bedeteca

Stoned de Nuno Amorim.

Eis que chegou à Bedeteca de Lisboa o livro Stoned de Nuno Amorim, publicado pela Mundo Fantasma o ano passado no âmbito da exposição do autor, Dos anos 70 à actualidade e Vice-Versa na galeria da loja, inaugurada a 8 de Setembro.

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Escreveram o seguinte sobre o autor: Daniel Clowes num suplemento do Eightball #18 (Mar’97) intitulado “Modern Cartoonist” ironizava – penso eu, com os gringos nunca se sabe! – num texto sobre BD que de 15 em 15 anos há um novo fôlego na cena. Basicamente, é preciso que apareça uma nova geração que apreenda e aplique as revoluções realizadas pela geração anterior. Não haveria a “BD Alternativa” dos anos 90 se 15 anos antes não houvesse a “underground comix” e estes não existiriam sem a EC Comics e a revista Mad dos anos 50. Tudo bem, parece justo.

Na edição de 31 de Janeiro de 1973 do jornal &etcNuno Amorim (com uns 21 anitos), já trabalhava para o mundo editorial mais sofisticado em Portugal – as Edições Afrodite e a &etc – e num artigo sobre a sua pessoa admite a admiração por Moscoso. Mais tarde, numa situação tão rara como a de 1973 – ou seja, dar tempo de antena a um ilustrador – é entrevistado no livro Editor Contra – Fernando Ribeiro de Mello e a Afrodite (Montag; 2016) e assume mais uma vez as suas influências dos anos 70 – Moebius e Caza, são os autores referidos.

Seja em 1973 seja 2016, os nomes dos autores que ele refere pouco importarão para o público. O estatuto marginal da BD permanece inalterado ao longo destas décadas todas e Amorim, como muitos outros artistas da sua geração e posteriores, “brincou” à BD. Publicou alguns trabalhos, principalmente na seminal revista Visão (1975-76) mas também alguns fanzines e nas publicações das míticas editoras acima já referidas. Como nunca houve uma estrutura económica de subsistência na BD em Portugal, ele parou de fazer BD e foi para outros poisos. Arquitecto de formação, foi director de arte em varias agências de publicidade internacionais em Lisboa, e posteriormente integrou os quadros da RTP, onde foi designer gráfico, realizador e responsável pelo departamento gráfico. Em 1991 foi co-fundador da produtora de cinema de animação Animais, onde é realizador e produtor de curtas metragens e séries de animação. Trabalhou e continua a trabalhar em imagem, área criativa pouco apreciada em Portugal. Um trabalho sujo mas que alguém tem de o fazer! 

A sua criação de BD ficou fechada na década de 70 com os pesos telúricos das influências da altura. Amorim e a malta da Visão tiveram quase todos o mesmo destino. Partiram para outra e foram esquecidos. Um caso ou outro voltou à BD, um ou outro ainda fizeram alguma obra em BD. Como profetizava Clowes, 15 anos depois aparecia uma nova geração de autores a baralhar as cartas – ligados aos zines e às revistas Lx Comics e Quadrado. Mas ao contrário que dizia Clowes, não parece que essa nova geração e as futuras tenham apreendido algo da anterior ou a tomado por base.

A verdade é que em Portugal apesar das suas inúmeras Bedetecas ou livros de História, os autores de BD não ligam ao passado. Empanturrados de hiper-realidade com tons de néon, mutações afrofuturistas, glitches cyberpunks, erotismo digital, risografia a brilhar pós-fluorescência, rocócós bling bling basta reeditar as BDs dos anos 70 como fiz com a antologia Revisão : Bandas Desenhadas dos anos 70 (Chili Com Carne; 2016) que lhes cai tudo em cima! Pá! Afinal os cotas já tinham feito cenas mamadas, meu! 

Se esta, tão apropriada, exposição na Mundo Fantasma se realizar com o título Dos anos 70 à actualidade e Vice-Versa, a Fita de Moebius completa-se. Se a Mundo Fantasma editar a BD inédita “Stoned” nas suas exemplares publicações impressas em Risografia então a Fita de Moebius, ironicamente, estreita-se. – Marcos Farrajota

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Quinta da Ilustração II

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Esta Quinta-Feira das Novidades na Bedeteca de Lisboa recebeu o catálogo da Ilustrarte 2018, belo livro com belos trabalhos. Que belo dia!

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Quinta da Lógica

Logicomix-kCinco anos depois da Gradiva ter lançado Logicomix : Uma Busca Épica da Verdade dos gregos Apostolos Doxiadis e Christos H. Papadimitrou (a) com Alecos Papadatos (d), is que finalmente aparece na Quinta-Feira das Novidades na Bedeteca de Lisboa. Até parece mentira…

Diz a sinopse: Esta novela gráfica baseia-se na vida enquanto jovem do brilhante filósofo Bertrand Russell, e na sua busca apaixonada da verdade. Atormentado por segredos familiares e incapaz de saciar a sua curiosidade juvenil, Russell tornou-se obcecado por um objectivo prometaico: estabelecer o fundamento lógico de toda a matemática.

Na sua incessante busca da verdade absoluta, Russell cruzou-se com pensadores lendários como Gottlob Frege, David Hilbert e Kurt Gödel, e encontrou um aluno apaixonado em Ludwig Wittgenstein. Mas o objectivo da sua busca definidora parecia estar sempre um pouco mais adiante. No amor e no ódio, na guerra e na paz, Russell continuou persistentemente a sua missão com uma teimosia que ameaçou pôr em perigo a sua carreira e a sua felicidade pessoal, levando-o finalmente ao limiar da loucura.

Logicomix é, ao mesmo tempo, um romance histórico e uma introdução acessível, mas rigorosíssima, a algumas das mais importantes ideias da matemática e da filosofia moderna. Com caracterizações ricas e uma ilustração expressiva que transporta o leitor para o ambiente da época, a obra transforma a busca destas ideias numa história apaixonante.

Rigorosa e engenhosamente construído, este livro lança luz sobre as lutas internas de Russell, ao mesmo tempo que as coloca no contexto das perguntas intemporais a que o filósofo e matemático passou a vida a tentar responder. No seu âmago, Logicomix é uma história sobre o conflito existente entre uma racionalidade ideal e o imutável e imperfeito tecido do real.

Obra seleccionada para a Bedeteca Ideal.

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Picto!

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A década passada foi a Era na Bonecada! E o maior evento desse período era a Pictoplasma, para não falar dos seus catálogos e livros. Um deles chegou à Bedeteca de Lisboa, o Character Encyclopaedia (livro esgotado e valioso!) que inclui alguns autores de BD como Denny Tyfus, Sascha Hommer e Dave Cooper, bem como alguns portugueses, a saber: António Carvalho, Paulo Patrício e Richard Câmara.

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É bom é…

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Não sabemos como a Bedeteca de Lisboa tem a C’est Bon, uma revista sueca que ao contrário de outras deste país que se encontram no acervo da Bedeteca está redigida completamente em inglês!

Criada em 2004 por um colectivo que fazia parte parte Mattias Elftorp (que já visitou Lisboa duas vezes), a primeira série tem 6 números em que desde o inicio mostrava que é uma revista que “dá para os dois lados”, ora para BDs mais experimentais com as da alemã Anke Feuchtenberger como para mais convencionais com as do croata Daniel Zezelj.

Daí que estando a série actual no 44º número já passaram autores tão diferentes como Tommi Musturi, Knut Larsson, Igor Hofbauer, Martin tom Dieck, o “nosso” Pedro Nora, Marko Turunen, Dash Shaw, entre muitos outros… Aliás, Rui Moura participou no número 43 (imagem) publicado há poucos meses – esperemos que a Bedeteca arranje esse número já sabendo que a sua colecção não tem os números todos.

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