Category Archives: bd estrangeira

O Robot Salgado

rio_salgado_capaSe for preciso provar que os alemães são robots, este O Rio Salgado de Jan Bauer, lançado pela Polvo, será uma prova cabal disso.

Diz a sinopse: Na sequência de um drama pessoal, Jan Bauer parte em direcção ao interior australiano para um périplo solitário nas vastas extensões desérticas atravessadas pelos famosos Larapinta trail e Rio salgado. Quatrocentos e cinquenta quilómetros a pé, através do coração escaldante da Austrália. (…) Tudo muda quando se cruza na rota de Morgana, uma caminheira francesa. De uma forma lenta, mas inexorável, os dois viajantes do deserto vão aproximar-se… (…) Conta uma história de amor terno [aonde?] e inesperado, magnificamente enquadrada por espectaculares paisagens, que transporta o leitor ao fim do mundo, sob o trópico de Capricórnio.

Livro que nada transmite, nada se sente e nada se aprende, por alguma razão, dois exemplares do livro já vieram parar à Bedeteca de Lisboa e às BLX, doados por leitores (pelos vistos) arrependidos. De repente até o Tex até nos parece mais honesto…

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StripMagma

Strapazin 130, magazine

Chegou à Bedeteca de Lisboa, oferta de Pedro Moura, o último número da revista suiça Strapazin. Como o mesmo explica: No último Abril, o Festival Internacional de Banda Desenhada Fumetto, em Lucerna, Suíça, apresentou como exposição central o projecto Magma. Trata-se de uma colaboração à distância entre um grupo de autores suíços, que conta, por um lado, com Fanny Vaucher, Corinne Odermatt, o colectivo Ampel, e a artista Anete Melece, da Lituânia, e por outro com uma “embaixada do Brasil”, agregando Fábio Zimbres, Diego Gerlach, Rafael Coutinho e a artista visual Talita Hoffman. Ainda que nenhum destes grupos participasse como um “bloco nacional”, mas bem pelo contrário como artistas altamente idiossincráticos, inclusive no seu entendimento formal e estético do que pode ser entendido como “quadrinhos”, o projecto foi elaborado através de um contacto directo.

Os artistas trocaram uma série de impressões, ideias e imagens (“trocar cromos” é um pensamento que nos ocorreu de imediato), que serviria para que houvesse uma rede de comunicação e possível influência mútua. Através desse trabalho de bastidores, os artistas desenvolveram trabalhos originais, alguns mais próximos do material trocado do que outros, uns investigando mais profundamente questões de identidade ou de potencialidades artísticas do que outros mas sem dúvida que em resposta a esse contacto. Esta é uma das dimensões interessantes do Fumetto, que como que encomenda trabalhos originais e imediatamente associadas a essa mesma circunstância. (…) Tivemos o grato prazer de sermos convidados a observar o trabalho de troca de comunicações entre os artistas e a génese e desenvolvimento de alguns trabalhos, com o intuito de escrevermos um ensaio associado à acção. Os resultados podem ser vistos e lidos em alemão e português (o nosso texto foi escrito sob a norma do Brasil), aqui.

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Máquinas

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No Sábado, às 16h, é lançado na loja da Kingpin Books o livro The Ghost In The Shell de Shirow Masamune. O evento irá contar com a presença do editor Júlio Moreno e do tradutor André Oliveira.

A JBC, editora especializada em manga no Brasil, chega agora a Portugal. Acumulando uma experiência de 25 anos no mercado da cultura japonesa, a Editora JBC faz parte do JBGroup, um grupo de comunicação que nasceu no Japão em 1992 e, desde 2001, publica manga no Brasil. Actualmente, a JBC imprime no Brasil  dez novos títulos de banda desenhada japonesa por mês, atingindo o número de 1 milhão de exemplares por ano. A partir de agora, inicia-se uma nova produção idealizada especialmente para Portugal, com mangas produzidos e adaptados 100% em território português.

The Ghost in the Shell, da autoria de de Masamune Shirow, é o primeiro título da JBC Portugal, (…) Inédita em Portugal, a nova versão tem acabamento de luxo, seguindo o mesmo padrão da versão brasileira, a primeira no mundo a usar os ficheiros remasterizados pelo próprio autor. O mesmo material foi utilizado para esta versão portuguesa. A sobrecapa foi impressa com duas cores extras, usando no total seis cores na sua composição. Tem ainda um formato especial (17x24cm – bastante maior que o manga tradicional japonês), além do papel Lux Cream nas páginas internas. São 352 páginas, sendo que destas 62 são coloridas, tratando-se, portanto, de uma verdadeira edição de coleccionador.

(…) Publicada originalmente no Japão entre 1989 e 1991, The Ghost in the Shell é uma das obras mais com mais impacto entre os mangas de ficção científica, tendo influenciado directamente muitas obras posteriores, inclusivamente o filme norte-americano Matrix. O manga aborda, quase “filosoficamente”, a Inteligência Artificial, tema absolutamente actual.

Em 1995, o renomado [sic] realizador japonês Mamoru Oshii transportou para os ecrãs de cinema o universo idealizado por Masamune Shirow para a banda desenhada, tornando-se o anime um dos maiores fenómenos de culto de todos os tempos. (…) No ano passado, foi adaptado em Hollywood, com a actriz Scarlett Johansson (…) na pele da Major Kusanagi.

Apesar de ser uma obra única, no começo dos anos 2000, Masamune Shirow regressou ao universo da Major Kusanagi nos mangas. Foi publicado The Ghost in the Shell 2.0 e, posteriormente, a versão 1.5 da sua obra original de 1989. Estas duas bandas desenhadas estão nos planos da JBC Portugal para serem publicadas no nosso país.

Influenciado por obras “cyberpunk” do final dos anos 1980, como o manga Akira e o filme Blade Runner – Perigo Iminente, o cenário escolhido por Masamune Shirow para The Ghost in the Shell foi o futuro distópico de 2029, em que a alta tecnologia se mescla com uma sociedade decadente e desigual. É neste universo à beira do colapso que a Major Motoko Kusanagi é a principal agente da Secção 9 da Segurança Pública japonesa. Motoko é uma ciborgue altamente treinada, que tem como missão desvendar uma série de crimes cibernéticos realizados por um hacker conhecido como o Mestre dos Fantoches. Durante a caça ao criminoso virtual, Masamune Shirow insere no argumento questões existencialistas, ponderando inclusivamente se alguém provido meramente de Inteligência Artificial é, de facto, um ser vivo. E foi exactamente essa mistura de ficção científica, acção e temas filosóficos que fizeram do manga The Ghost in the Shell uma leitura obrigatória. Ao ponto de que talvez vá para a Bedeteca Ideal?

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Quinta do Valerian e Laureline

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Nesta Quinta-Feira de Novidades na Bedeteca de Lisboa, chegou a colecção Valérian e Laureline da autoria de Pierre Christin (a) e Jean-Claude Mézières (d), do jornal Público e a Asa / Leya, que saiu o ano passado no âmbito da estreia da longa-metragem Valérian e a Cidade dos Mil Planetas, realizado por Luc Besson.

Composta por 12 volumes (11 dos quais são álbuns duplos), que incluem todos os 23 álbuns até agora publicados destes intrépidos agentes espaço-temporais ao serviço de Galaxity, capital do Império Galáctico Terrestre no séc. XXVIIIEsta série é também uma obra-prima da ficção científica, tendo influenciado todas as criações posteriores nesse domínio, na literatura e não só.

Esta colecção veio substituir no acervo da Bedeteca as velhas edições da Meribérica que já davam mau aspecto nas estantes. Obra seleccionada para a Bedeteca Ideal.

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O 4’33” do 48cc

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Ilan Manouach volta com um livro conceptual, sempre pela 5éme Couche. Desta vez é Blanco, um álbum típico da produção franco-belga com nada impresso, branco mais branco não há, uma ode ao génio da estandardização. Excepcionalmente a editora colocou o PDF deste livro grátis para todos interessados.

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Serão mesmo bons?

 

O mercado de BD em Portugal não pára. São inúmeros os lançamentos que aparecem sobretudo quando há os dois principais festivais de BD – Beja e Amadora. Talvez as editoras o façam nestes momentos porque o público fica tão excitado que compra tudo sem perceber das tretas, como as medíocres antologias do The Lisbon Studio ou o nostálgico Espião Acácio. Não havendo crítica em Portugal, ou melhor, a pouca que há (no Jornal de Letras, Expresso ou no blogue Ler BD) é sempre conivente e simpática com a miséria editorial, torna-se extremamente difícil perceber o que vale a pena gastar dinheiro e, ainda mais valioso, tempo para ler os livros que vão saindo. Não queremos dizer que estes dois livros sejam perda de “dinheiro = tempo” mas quer a Devir quer a G.Floy não deram provas absolutas de coerência editorial que façam delas uma referência para adquirir os seus livros de olhos fechados.

A primeira talvez mereça realmente mais respeito porque só se enterrou uma vez mesmo a sério com um péssimo Diário de Anne Frank – de resto tem publicado “novos clássicos” ocidentais como o Do Inferno como os mestres japoneses na colecção Tsuru. Sabemos que o italiano Manuele Fior sofre de boa reputação mas isso não quer dizer nada nos dias da web.2? E os prémios? Esqueçam, basta lembrar a pobreza dos premiados da última colecção Novela Gráfica, por exemplo. Realmente Cinco Mil Quilómetros por Segundo parece delicioso graficamente… diz a sinopse: Uma história sobre três jovens, Piero, Lucia e Nicola, ilustrada com tons quentes e frios, cores quer vibrantes quer sombrias, cuja alternância traduz as distâncias entre os personagens que habitam este livro: os 5000 Quilómetros que os separam, num espaço e tempo de fugas e reencontros, apenas sugerido. Somos surpreendidos com toda esta luz que nos inunda o olhar e se reflecte no prazer de seguir uma narrativa expressionista, ou apenas contemplar as belas aguarelas…

O catálogo da G.Floy há BDs para “mini-trumps”, muitos fantasminhas e naves espaciais. O Astrágalo foi uma excepção. Era bem escrito, claro!, O texto original era de Albertine Sarrazin! Será o caso de Afirma Pereira, a adaptação de Pierre-Henry Gomont do romance de Antonio Tanbucchi? Diz a sinopse: Obra emblemática sobre a resistência contra o totalitarismo e a censura, Afirma Pereira conta a progressiva tomada de consciência de um homem dos anos 1930 contra a ditadura que se vai erguendo no seu país, aqui contada numa adaptação gráfica profunda, imbuída de uma notável expressividade e dinamismo no seu desenho. (…) Afirma Pereira, de Antonio Tabucchi, é um dos mais belos romances do escritor italiano, que era quase um português por adopção e por paixão pelo nosso país. E é também um dos mais interessantes e complexos romances para adaptar a banda desenhada: o artista francês Pierre-Henry Gomont aceitou o desafio lançado pela sua editora, a Sarbacane, e produziu um dos mais belos e mais premiados livros de BD de 2016 (…)

Iremos esperar por exemplares na Bedeteca de Lisboa, não parece haver razões para grandes pressas. Curiosamente já houve uma oferta anónima do Afirma Pereira e que já chegou à Bedeteca. Não parece que isto seja um bom sinal… E a resposta é “nim”, gostamos porque está bem escrito e tem soluções gráficas interessantes, não gostamos porque faz de Lisboa um lugar turístico com excesso de beleza ignorando as misérias da cidade e claro, porque poucos autores de BD poderiam escrever um bom texto, o que dá que pensar que o livro original será sempre melhor que uma adaptação, não? Seja como for este já está seleccionado prá Bedeteca Ideal.

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Not boring Europa!

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Está em russo! Mas o que sabemos é que a Gazelle of Death é:

  1. um livro de BD que se encontra na Bedeteca de Lisboa;
  2. a autoria é de Denis Alekseev;
  3. e que o Denis é a Gazelle of Death!

Passou a 20 de Abril pelo Lounge (Lisboa) a banda polaca Kurws que vinha conduzida pelo Gazelle of Death. Há muitos anos que o russo comprou um veículo para trabalhar como roadie de bandas levando os punks-mais-punks aos confins da Rússia e outros países pela Europa, tornando-se o condutor e a carrinha num mito do asfalto alternativo. Como podem imaginar, nas suas BDs, Alekseev conta centenas de histórias loucas de cada lado da barricada, dos punks que só fazem merda aos dos bófias repressores e desconfiados, do público que anda à porrada, de nazis ranhosos, de cães a arderem e de muitos quilómetros de vómito – contrariando os betitos da Chili Com Carne. Como ele diz na contra-capa: Nu regret!

PS – existe uma tradução em inglês deste livro, em documento digital de texto, que pode ser pedido aos funcionários da Bedeteca…

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