Category Archives: bd estrangeira

O livro do ano!!!

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Foi preciso uma editora de poesia, a Douda Correria, para editar um livro de BD completamente fora do baralho e dos poucos autores que apareceram neste milénio a quebrar regras. Eis que saiu este fim-de-semana (na RaiaO Reino da dupla francesa Ruppert e Mulot.

Escreveu Pedro Moura sobre a edição original de L’ Association: Fisicamente falando, O Reino parece (ou é mesmo) um objecto convencional: um jornal que, aberto, tem um formato A1. Cada spread apresenta-se sub-dividido em composições. À primeira vista, convencionais, explorando toda a espécie de combinações entre o regular e o semi-regular, na tipologia de Chavanne. À medida que lemos, entendemos que estamos a acompanhar várias histórias, ou pelo menos situações narrativas distintas e que não parecem partilhar pontos em comum: uma família numa viagem de carro, um grupo de bailarinos a tentar levar a cabo uma nova coreografia, um homem a construir um muro, um mecânico especializado em achatar carros e outros objectos, pessoas que atravessam uma escadaria. Mas cada sequência pode estar distribuída de modos diferentes na página, e as direcções, protocolos e eixos de leitura são totalmente estocásticos e livres. Esta distribuição, aliada a outros aspectos da(s) “narrativa(s)” fazem pensar que os autores estudaram talvez, ou também formas de composição típicas de jornais ilustrados ou de banda desenhada, em que num mesmo plano poderiam estar presentes mais do uma história, sob a forma de tira ou trecho, e passatempos gráficos, etc., explorando essas relações em potencialidades narrativas não-normativas. De resto, estas estratégias são tão variadas que permitiria ler O Reino à luz de quase toda a história das narrativas gráficas e das escolhas de composição, desde Töpffer com as suas rápidas sucessões e iterações aos diagramas de Ware, passando pelos jogos da Oubapo, as pliages de Al Jafee, brinquedos de papel da mais variada proveniência, e outras experiências ainda mais radicais de formalismo e técnicas de impressão.

Parabéns à editora pelo gesto ousado e por publicarem dos autores mais relevantes deste milénio pela primeira vez em Portugal! Entretanto um exemplar deste livro já chegou à Bedeteca de Lisboa… é absolutamente lindo e GIGANTESCO!!!

Obra seleccionada para a Bedeteca Ideal

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Quinta das balas

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Nesta Quinta-Feira das Novidades da Bedeteca de Lisboa chegou este monstro!!! Os 41 números de Stray Bullets de David Lapham – são “apenas” 1200 páginas – num volume só. Publicados originalmente entre 1995 e 2005, pelo próprio autor com o selo El Capitán. Ao contrário de perfeitas nulidades fascistas como Sin City ou Southern Bastards (só as indicamos porque infelizmente foram publicadas em Portugal, fuck them!) esta série que trata de crime e violência urbana, é bastante imaginativa em narrativa e história, tecnicamente superior e sobretudo é a BD mais “cool beans” que há!

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Kobe

Bertoyas está este fim-de-semana na RAIA 2 e é incrível: desde 2012 que há exemplares do seu zine Kobe na Bedeteca de Lisboa!

Este autor francês já fez livros pela L’Association e pelo Le Dernier Cri, o que não lhe impede de manter uma actividade DIY tão cheia de energia que passa pela estética iconoclasta “underground” e o sem-sentido degenerativo que nos faz perder em mil referências culturais em desnorte narrativo. É mais para ver do que ler dirão, não digo o contrário, embora seja divertido de se ler e de se ver.

J.M. Bertoyas nascido em 1969 numa região de florestas e ruínas radioactivas. Podemos dizer, com algum excesso discursivo, que o autor descobriu, para barrar o horror deste mundo, uma forma simples e económica para se exprimir (ou fugir, se preferirem): a banda desenhada. Sendo a sua obra caótica, agradável e muito esfumaçada. Cof cof Publicou em vários editores independentes de referência como L’Association, Les Requins Marteaux e Le Dernier Cri, para além do seu fanzine Kobe que já perdemos a conta da numeração. Actualmente trabalha com as edições Adverse e Arbitraire e tem cara de quem curte Mudhoney.

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It’s educational

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De formato reduzido mas com muito conteúdo, a Gradiva lança de uma assentada Os Direitos do Homem – Uma Ideologia Moderna de François De Smet (a) e Thierry Bouüaert (d) e O Universo : Criatividade Cósmica e Artística (imagem) com Hubert Reeves (a) e Daniel Casanave (d).

No último caso, dizem: com o talento de divulgador que já conhecemos, Hubert Reeves explica, com remissões hábeis para a criatividade humana que a Ciência revela, o que hoje sabemos acerca da criação do Universo. Com palavras e ideias simples, Hubert Reeves consegue que compreendamos o infinitamente complexo, desvendando conceitos e factos que assim ficam ao alcance de todos. E sobre o primeiro: Em 1948, na sequência da guerra e da descoberta do horror da Shoah, um comité propôs-se redigir a primeira Declaração dos Direitos do Homem de alcance universal. Esse acontecimento dará lugar a um diálogo e, nalguns casos, a uma confrontação transformadores entre várias visões e sistemas políticos do mundo. Neste livro conta-se a história da equipa que lançou no papel um sonho comum: um mundo no qual o Homem não voltasse a ser lobo do Homem…

Bom, bom era que a Gradiva voltasse a publicar os livros do Gonick

 

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Berlim 1996-2018

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Finalmente saiu nas lojas especializadas de BD do mundo inteiro, incluindo Portugal (BdMania, Mundo Fantasma, etc…), o número 22 do “comic-book” Berlin de Jason Lutes. Desde 1996 que saia muito irregularmente, para o tormento de muitos leitores, até chegar este último número. Foram 24 anos a acompanhar esta série sobre a transformação da cidade de Berlim, no que era uma capital de um cosmopolitismo único para o palco do monstro Nazi que se sabe.

Começou a ser editada pela extinta Black Eye Productions, tendo Lutes e outros autores desta editora passado pelo Salão de BD do Porto de 1997. A partir do número cinco da série passou para as mãos da importante Drawn & Quarterly até hoje com a conclusão e (re)edição em álbuns – dois já publicados e um terceiro para breve, para além de um álbum que reúne todos os três tomos. A Bedeteca de Lisboa, infelizmente, só dispõe a segunda parte de Jar of Fools – o primeiro trabalho de Lutes – no seu acervo. Pode ser que demore menos do que 24 anos para se conseguir alguma edição de Berlin

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Quinta de Chamigo

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Quinta-Feira das Novidades que chegam à Bedeteca de Lisboa e encontrámos este Adeus, Chamigo Brasileiro de André Toral.

Diz a sinopse: um romance gráfico sobre a guerra do Paraguai, André Toral relata a história de quatro personagens que participaram do conflito: dois vaqueiros do interior da Bahia, um jornalista carioca e um paraguaio que estudava em Londres. Acompanhando suas vidas, o autor constrói um grande panorama sobre a época e o contexto da guerra que envolveu entre 1864 e 1870 os países que actualmente fazem parte do Mercosul.

Toral mostra de que maneira a guerra interferiu directamente na vida das pessoas – na carreira, nos negócios, nas relações familiares, nos casos de amor, nas convicções políticas e ideológicas. Seguindo o fio de um enredo fictício, ele acompanha o quotidiano dos exércitos no “teatro de operações”, mostrando o pequeno comércio que se forma no rastro do deslocamento das tropas, as trocas entre os soldados, as pequenas ambições, os preconceitos de lado a lado, a ausência de glamour, os privilégios, as demonstrações de bravura e covardia etc.

O estudo da guerra do Paraguai ou guerra da Tríplice Aliança é fundamental para compreendermos a formação nacional do Paraguai, da Argentina e do Uruguai, a formação de fronteiras e o fim da hegemonia do Império do Brasil na região do Prata. Destinada ao público juvenil e adulto familiarizado com a linguagem da BD, Adeus, Chamigo Brasileiro originalmente integrou a tese de doutoramento que o autor apresentou em 1998 ao departamento de História da Universidade de São Paulo, tendo como tema a produção de imagens em torno da guerra do Paraguai. Esta edição vem acompanhada de uma cronologia da guerra e de um texto sobre as origens e o desenrolar do conflito.

Vamos ler este fim-de-semana com muita curiosidade este álbum pois trás-nos memórias velhas de umas BDs curtas deste autor (e justamente sobre este mesmo tema) na saudosa revista Animal

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Mais sete histórias

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Já saiu o segundo número do fanzine Seven Stories pelo Panda Gordo.  Desta vez com as colaborações de Bruno Borges, Émilie Gleason, Giada Ganassin, Lasse Wandschneider, Marie Weber, Mike S Redmond & Faye Coral Johnson e Nick Norman. E ainda Elliot Snowman que ilustrou a capa.

Estando o Panda sediado nas “inglaterras” quem quiser arranjar as suas edições o melhor é esperar pela RAIA, onde elas estarão lá representadas.

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