Category Archives: bd estrangeira

Livro felino!

capa gato

Depois dos cães há é gatos! AMANHÃ, às 22h na Casa Independente, sai uma colectânea de BDs de críticas à música moderna portuguesa por Tiago da Bernarda através do seu avatar Gato Mariano.

O Gato Mariano : Críticas Felinas (2014-2018)  é o volume 13 da Colecção Mercantologia, dedicada à recuperação de material perdido no mundo dos fanzines e afins (…)  publicada pela Associação Chili Com Carne, o presente volume apresenta uma selecção de várias BDs da série O Gato Mariano publicado originalmente em várias plataformas em linha, desde 2014, com o nome Críticas Felinas (…), no sítio Rimas e Batidas, nos zines O Gato Mariano Não Fez Listas em 2015O Gato Mariano não fez listas e confrontou um fã que disse não perceber as suas reviews em 2016 e O Gato Mariano não fez listas em 2017 e nos dois números do fanzine Mariano (2016-17).

Dizem na Chili Com CarnePeludo, porte médio, língua afiada. É assim que Tiago da Bernarda descreve o seu alter-ego, mais conhecido como Gato Mariano, o crítico felino que vagueia os confins da Internet. É nesse lugar amorfo e amoral que, desde 2014, tem vindo a discutir sobre os mais recentes projectos da música alternativa portuguesa. O que começou como webcomic vira agora uma antologia que reúne as melhores tiras dos últimos quatro anos, num intenso volume de  144 páginas, muitas delas a cores (18x25cm) e uma super-capa com cortante de gato assanhado!

Samuel Úria diz isto (é de ficar de boca aberta, músicos e escritores não deveriam comentar artes visuais!): O Gato Mariano é uma das grandes criações da década (estimativa conservadora) em Portugal. Possivelmente nunca lhe será feita devida justiça, até porque um dos encantos que tem é a “subterraneidade”, o traço e as reflexões como nos grandes mestres de apelo clandestino na BD do final do século passado. Não é um Kochalka português, nem um Tony Millionaire português, nem um Mike Diana português; é um Tiago da Bernarda português.

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Quinta do Bug

capa-bug-2-martin-copiarNão confundir com este Bug… eis o espanhol Miguel Ángel Martín a ser publicado em Portugal finalmente! Autor que veio sei lá quantas vezes a festivais de BD em Portugal (Salão Lisboa, BD Amadora) sem nunca ninguém de adiantar com edição do seu trabalho. Finalmente a Escorpião Azul, projecto de um editor dissidente da Polvo, que até hoje não deu razões para ser referida aqui devido aos conteúdos amadores do seu catálogo, deu em Outubro de 2017 um primeiro passo mais interessante com este livro, que chegou à Bedeteca de Lisboa na sua Quinta-Feira das Novidades.

Bug apareceu pela primeira vez nos comic-books da série Brian the Brain editados em Espanha pela La Cúpula entre os anos de 1995 e 2003. Servia de complemento as aventuras de Brian. Apaixonado seguidor de documentários sobre a vida animal, Martin criou uma série dedicada aos bichos. Sempre sem palavras, Bug só pretende divertir o leitor, recreando o comportamento de parasitas num vasto mundo natural. São pequenas aventuras de caçadores e caçados. Graficamente o resultado final desta obra é assombroso. O Mundo reduz-se aos bichos.

Miguel Ángel Martín nasceu em 1960 em Léon, Espanha. É um dos autores de banda desenhada do país vizinho com maior projecção internacional, galardoado com o prémio Yellow Kid (Roma, 1999) de melhor autor estrangeiro, entre outros galardões não ficando de parte as polémicas em volta da edição italiana de Psicophatia sexualis que levou, em 1996, o editor Jorge Vacca a ser processado por incentivar ao homicídio, suicídio e pedofilia.

Obra seleccionada para a Bedeteca Ideal.

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Cão rima com Japão

1507-1Sabemos lá o que editoras novas nos querem impingir? Não há crítica se quer para nos guiarmos! Foi com desconfiança que soubemos d’O Cão que guarda as estrelas de Takashi Murakami, editado pela sucursal portuguesa da JBC. Entretanto lê-mos o livro nas livrarias da FNAC (que só servem para isso, substituir as bibliotecas quando se quer ler novidades) e não está mal! É uma pieguice mas é controlada. Com este e o livro do Jirô Taniguchi, pode-se dizer que há um género de BD canina nipónica, tipo “Inu Manga”?

Em tradução literal Hoshi Mamoru Inu ou O Cão que Guarda as Estrelas é uma expressão japonesa usada para descrever uma pessoa que deseja algo impossível, a sua origem vem da imagem de um cão que olha para o céu parecendo desejar uma estrela.

Cão que Guarda as Estrelas conta uma aventura vivida por dois companheiros, um simples senhor, sem dinheiro, emprego, ou família, e o seu cão, que farão o possível para viver e sobreviver na sua “viagem” pelo interior do Japão. O grande diferencial da narrativa está relacionado com o ponto de vista. Os acontecimentos são vistos sempre pelo olhar do cão, e a perspectiva canina dos fatos e os seus sentimentos são os companheiros do leitor ao longo das páginas.

O Cão que Guarda as Estrelas, fez muito sucesso no Japão e depois mais tarde nos Estados Unidos. (…) Além dos prémios, também foi um sucesso junto do público, com mais de 400 mil cópias vendidas em terras orientais, o que o levou O Cão Que Guarda as Estrelas a ser adaptado para os cinemas em 2011.

O livro foi lançado em Portugal em Outubro do ano passado. Justiça feita… só falta aparecer uma exemplar na Bedeteca de Lisboa.

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Misery loves company

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Saiu o novo número (#33) da š! que é dedicado ao tema da “Tristeza” (“Miséria”?) e onde participam a autora portuguesa Ema Gaspar e o norte-americano amiguito da Bedeteca de Lisboa Christopher Sperandio. Destaque especial para a autora alemã Lea Loos e o seu “Yoga do Afundanço”. Já chegou um exemplar à Bedeteca!!!

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Kuti#50

KUTIKUTI

Kuti50_kansi_webHere you go: KUTI#50!

This magazine marks a magnificent milestone in Kuti’s history. The issue includes a 35-page story about the Missus and Mr. Artist with a center spread poster! Art by Aapo Rapi, colouring by Petriina Koivunen.

Editors-in-chief in this issue Kutikuti. Layout by Benjamin Bergman. Edition of 6000.

Read it here or download yourself a free PDF.

You can also subscribe to Kuti. One year (4 issues) costs 12 eur in Finland or 20 eur abroad delivered to your home. All magazines feature translations in English. By ordering Kuti now in here you won’t miss any issues of 2019!

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Quinta do Spirou

5b2ca2855bf746c09b70f1f63e8b1eebJuramos que tentamos ser abertas às propostas da colecção Novela Gráfica mas só ficamos nauseadas. Sobre O Fantasma de Gaudí sem comentários, ou melhor, é possível comentar: é um Spirou com entranhas, simplesmente ridículo. O Gente de Dublin também é do tipo Spirou encavalitado com aquela BD chata portuguesa pedagógica dos anos 80, só o conseguimos ler porque trata-se da biografia de James Joyce! Do que chegou nesta Quinta-Feira das Novidades na Bedeteca de Lisboa sobra Uma Irmã de Bastien Vivès que será assim tão melhor que as “espanholadas”?

Sobretudo é um mal-entendido para quem acha que percebe de BD, a começar pela própria tradutora e prefaciadora, Margarida Mesquita, que acha o máximo que Vivès não se consiga colocar num rótulo, do tipo “autor comercial” ou “autor alternativo”. Esquece-se que estes rótulos só fizeram sentido até aos anos 90 quando literalmente autores como Art Spiegelman (um autor de bestsellers é comercial ou é alternativo?) ou David B lutaram por uma Banda Desenhada que se adequasse ao formato livro e ao mercado livreiro (longe do nojo do mercado da “BD”) com obras que tivessem conteúdo sério e adulto, ou seja, que eram realmente uma “alternativa” à produção de BD industrial virada para crianças e jovens (super-heróis, patos semi-nus, narizes gordos) e adultos infantilóides (Frank Miller ou Manara). Actualmente, essa indústria continua a publicar esse mesmo lixo de sempre mas também literatura “light”: romances gráficos que parecem ter assuntos “sérios e adultos” mas que no entanto são apenas uma imitação sem conteúdo ou sentimentos dos pioneiros “alternativos”. Actualmente David B ou as obras menores do final de carreira de Harvey Pekar (infelizmente Pekar escreveu muita porcaria em uníssono com a explosão do mercado do romance gráfico) ou dezenas de autores franceses imitadores da L’Association (ou ainda centenas de autores espanhóis que imitam os imitadores franceses!) estão num mesmo plano horizontal comercial nas livrarias com milhares de obras em competição, ficando os únicos critérios de distinção as capacidades de distribuição e “marketing” das editoras, já que crítica de BD sempre foi uma enorme piada. Pensar ainda nas balizas “comercial versus alternativo” é puro anacronismo, ou então é mais perverso, é uma tentativa de vender uma ideia exótica sobre uma obra medíocre.

Vivès sabe usar muito bem os tempos narrativos para contar histórias vulgares ao ponto delas parecerem espectaculares ou mágicas, ou  “sensíveis” – essa “marca registada” dos autores “alternativos”. Só que ele é profundamente manipulador e preguiçoso, como qualquer outro “autor comercial”. Imita descaradamente a dupla Ruppert & Mulot (os três juntos fizeram entretanto livros em conjunto, não sabemos porquê) no seu estilo gráfico e trejeitos narrativos (a lembrar a animação), eliminando a informação desnecessária, como por exemplo, olhos e expressões das caras dos humanos, excepto quando Vivès precisa deles (olhos e expressões) para colocar um inocente efebo esbugalhado com as mamas da sua parceira de quarto – dois miúdos de sexos opostos partilham um quarto num Verão nesta BD sobre a descoberta da sexualidade. O que relata esta BD poderia ser a descoberta sexual de qualquer pessoa do planeta – menos do Chester Brown, obviamente – por mais atribulada (e original) que possa parecer ao leitor, no plano do argumento. Tudo é aparência porque tudo é superficialidade artística. É fácil dar as “piscadelas de olho” ao leitor da forma acima descrita para ele perceber o que as personagens sentem – da mesma forma como na TV ou Cinema, os “maus” tem sempre um tempo de câmara para que o telespectador possa suspeitar daquela figura em especial.

Mais fácil ainda é parecer audaz com cenas de sexo softcore entre menores. Cenas tão fugazes e leves como em toda a produção franco-belga, onde seja qual for o motivo e tema do álbum há sempre uma cena picante. É sabido que nos álbuns de BD franco-belga há sempre tetas e pinocada, seja numa cruzada contra os cães infiéis ou numa chacina de peles vermelhas. É o French touch! Curiosamente, até hoje só lemos uma obra de Vivès que fosse sincera e… era pornográfica. Apesar da sua “funcionalidade” de molhar a libido havia humor e gozo de costumes muito mais forte do que estas “novelas gráficas” publicadas em Portugal. Por alguma razão barata e compreensível, a Levoir prefere editar estes sucedâneos invés das obras originais e válidas, afinal, estes álbuns custam apenas 10 euros no seu lançamento com o jornal Público. Não se pode ter as “Grandes Obras da BD” por este preço, sejamos realistas. Ou é apenas mau-gosto dos editores?

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O livro do ano!!!

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Foi preciso uma editora de poesia, a Douda Correria, para editar um livro de BD completamente fora do baralho e dos poucos autores que apareceram neste milénio a quebrar regras. O Reino da dupla francesa Ruppert e Mulot.

Escreveu Pedro Moura sobre a edição original de L’ Association: Fisicamente falando, O Reino parece (ou é mesmo) um objecto convencional: um jornal que, aberto, tem um formato A1. Cada spread apresenta-se sub-dividido em composições. À primeira vista, convencionais, explorando toda a espécie de combinações entre o regular e o semi-regular, na tipologia de Chavanne. À medida que lemos, entendemos que estamos a acompanhar várias histórias, ou pelo menos situações narrativas distintas e que não parecem partilhar pontos em comum: uma família numa viagem de carro, um grupo de bailarinos a tentar levar a cabo uma nova coreografia, um homem a construir um muro, um mecânico especializado em achatar carros e outros objectos, pessoas que atravessam uma escadaria. Mas cada sequência pode estar distribuída de modos diferentes na página, e as direcções, protocolos e eixos de leitura são totalmente estocásticos e livres. Esta distribuição, aliada a outros aspectos da(s) “narrativa(s)” fazem pensar que os autores estudaram talvez, ou também formas de composição típicas de jornais ilustrados ou de banda desenhada, em que num mesmo plano poderiam estar presentes mais do uma história, sob a forma de tira ou trecho, e passatempos gráficos, etc., explorando essas relações em potencialidades narrativas não-normativas. De resto, estas estratégias são tão variadas que permitiria ler O Reino à luz de quase toda a história das narrativas gráficas e das escolhas de composição, desde Töpffer com as suas rápidas sucessões e iterações aos diagramas de Ware, passando pelos jogos da Oubapo, as pliages de Al Jafee, brinquedos de papel da mais variada proveniência, e outras experiências ainda mais radicais de formalismo e técnicas de impressão.

Parabéns à editora pelo gesto ousado e por publicarem dos autores mais relevantes deste milénio pela primeira vez em Portugal! Um exemplar deste livro chegou à Bedeteca de Lisboa… é absolutamente lindo e GIGANTESCO!!!

Obra seleccionada para a Bedeteca Ideal

PS – como é óbvio o livro tem sido ignorado por todos que dizem gostar de banda desenhada em Portugal. Parece que o público só gosta de autores sucedâneos e derivados. Talvez em 2028 alguém se aperceba que houve esta edição…

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