Category Archives: bd estrangeira

Quinta da Flor

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Que Bedeteca mais “freak”! Chegou na Quinta-Feira das novidades o livro “Flor” do sul-coreano Park Kun-Woong (1972) publicado em 2002 pela Sai Comics. Se a BD não tem palavras, o livro em si tem e ficamos a pensar como é que as senhoras da catalogação conseguiram traduzir dos caracteres sul-coreanos para inglês!? Wow!

Épico de mais de 400 páginas sem palavras, vem da tradição dos Romances Gráficos dos inícios do século XX anos 20 e 30 (Frans Masereel, Lynd Ward,…) e de Eric Drooker embora acabe por ser mais mundano tratando sobre a história de violência da Coreia sob jugo japonês e a divisão do país após a Segunda Grande Guerra.

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Não é feio ler diários de raparigas!?

Anne+Frank+-+Biografia_GráficaÉ muito feio! Especialmente quando é adaptado para uma BD como o álbum Anne Frank – Biografia Gráfica, de Sid Jacobson (d) e Érnie Colón (a) lançado em 2013 pela Devir. Lamentavelmente temos um livro com um registo gráfico pobre e com um trabalho narrativo estático, de quem trabalha de forma industrial e sem paixão ou arte.

Se já é feio andar a ler os diários de uma rapariga, mais feio é fazer uma BD tosca ainda com as boas intenções de relembrar os crimes da extrema-direita que nos últimos anos subiram a sua voz. É mesmo muito feio editar esta BD e promovê-la como se fosse um livro com algum interesse…

annefrankEm 2017, a Porto Editora, lembrou-se que existe BD no  mundo dos livros e lançou mais um álbum sobre Anne Frank, desta vez com a autoria dos mesmos de Valsa com Bashir. Já o vimos pelas lojas, reconhecemos a boa produção gráfica e bom aspecto das ilustrações, etc… Mas deve merecer as três estrelas (em cinco) que o Público deu no passado dia 15 de Setembro. Pelos vistos é preciso que os editores paguem viagens a Paris aos jornalistas para que haja espaço à escrita sobre BD nos jornais… Vivemos tempos trágicos, sem dúvida.

Este fim-de-semana, no Expresso o crítico (?) José Mario Silva deu quatro estrelas à obra mas como sabemos, este jornalista é facilmente impressionável e ignorante, basta relembrar o que escreveu sobre a mediocridade Vampiros. Desta vez, pensando que está a ser reguila, invés de escrever “banda desenhada” no género da ficha técnica do livro criticado, colocou a designação de “diário gráfico”. Percebe-se que Silva queira distinguir as produções “peter pan” (99% do mercado da BD nacional e mundial) dos temas sérios – o mesmo aconteceu com este livro, cujos analistas recusaram usar o termo “banda desenhada” para as produções de Almada Negreiros – mas um diário gráfico é um caderno de apontamentos (em texto ou em desenho ou em BD) feitos pelo próprio autor e não um livro produzido com meios económicos por terceiros como é o caso de Folman & Polonsky. É muito feio inventar diários gráficos de raparigas…

PS – Cremos que foi também no Expresso que quando saiu a primeira edição portuguesa do Maus também escreveram que o livro não era BD mas literatura… A História infelizmente repete-se.

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Quinta Amarela

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Não tem a qualidade d’As aventuras de Hergé mas como já chegou um exemplar à Bedeteca de Lisboa nesta Quinta-Feira das Novidades eis então a biografia do criador da dupla Blake & Mortimer que a indústria de BD belga não deixa morrer com as dezenas de duplas de autores a continuarem a série após o falecimento do seu criador. Aliás, o álbum também caminha nesse sentido exploratório e preguiçoso…

No ano de 2017 em que se assinalaram os 40 anos da morte de Edgar Pierre Jacobs (a 20 de Fevereiro de 1987), a editora Arte de Autor apresentou A Marca Jacobs, biografia em BD deste contemporâneo de Hergé, de quem foi colaborador e amigo antes de se tornar “concorrente” após a criação d’As aventuras de Blake & Mortimer. Jacobs foi um homem de múltiplos talentos. Às vezes, barítono, por vezes, ilustrador, é convidado por Hergé para fazer parte da equipa da revista semanal Le Journal de Tintin e é nas páginas desta publicação que surge, em 1946, O Segredo do Espadão, aventura que será publicada ao ritmo de uma página por semana.

Fãs do seu trabalho, o argumentista Rodolphe e o desenhador Louis Alloing decidiram contar-nos a sua história, do seu nascimento em Bruxelas, em 1904, à sua morte, oferecendo uma série dos momentos mais marcantes da sua vida pessoal. Sem grande arte ou emoção, acrescente-se…

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O sonho molhado de qualquer bibliotecário

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A Devir já lançou o segundo volume de Criminosos do Sexo durante a “silly season” de 2016 e chegou finalmente o primeiro volume à Bedeteca de Lisboa. Os desenhos de Chip Zdarsky são um feiotes mas esta “sex comedy” escrita por Matt Fraction é um bom entretenimento para qualquer liberal, ora leiam lá esta sinopse: Suzie, uma bibliotecária conhece Jon, um actor. Depois de dormirem juntos descobrem que partilham a mesma habilidade que lhes permite parar o tempo quando atingem o orgasmo. À medida que a sua relação evolui, decidem aproveitar este truque para assaltar bancos e salvar a biblioteca de Suzie. Mas, nem tudo corre bem neste mundo ideal…

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Antílope

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Chegou à Bedeteca de Lisboa o número dois da revista brasileira de BD Antílope mostrando que para aqueles lados também há BD artística com uma forte lista de colaboradores como Amanda Baeza, Dash Shaw, Jason, Nik Neves ou Simon Hanselmann,… Destaque para os artigos teóricos e a entrevista muito interessante ao Chester Brown.

metropoles_taiskoshino_ZIP_04-209x300E Ainda ontem é mais exemplo dessa nova produção brasileira. De autoria de Taís Koshino – já publicada em Portugal no Lisboa é very very typical – foi a obra vencedora do concurso promovida pela Des.Gráfica.

(…) Feito de grandes painéis que trabalham texturas e grafismos, o livro explora diferentes tipos de delicadezas, com uma poética cheia de estranhamentos, reminiscências e intimidades. Novamente a sexualidade feminina vem à frente, assim como uma bem lacônica história de amor entre duas garotas. (…)

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Quinta da Democracia

democraciaChegou nesta Quinta-Feira das Novidades da Bedeteca de Lisboa o livro Democracia : uma História sobre a Coragem de Mudar o Mundo dos gregos (claro, só podia) de Alecos Papadatos (que também colaborou em Logicomix) e Abraham Kawa.

Apesar da edição ser feia, o design péssimo e a legendagem feita por quem nunca legendou BD, não deixa de ser um livro interessante sobre a Grécia antiga, menos “bedófila” que o Alix.

A sinopse diz: Maratona, 490 a. C.: Na véspera da batalha pela independência e pela sua recém-criada e revolucionária forma de governo (a que chamam “democracia”), os soldados atenienses conversam. Um deles, Leandro, conta aos camaradas como chegou até ali – como testemunhou os abusos dos velhos regimes tirânicos, a sua corrupção e brutalidade, e também a emergência de um novo sistema político que daria voz igual a todos os cidadão. Fala dos poderes estrangeiros que se imiscuem no governo da cidade-estado – como Esparta e a Pérsia – e da coragem de uma ideia capaz de mudar o mundo. Conseguiria esta ideia triunfar? A batalha do dia seguinte daria a resposta… Uma história cativante (com base nas fontes históricas clássicas) sobre as origens da Democracia – que tem muito a ensinar-nos sobre o seu futuro

Obra seleccionada para a Bedeteca Ideal.

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Areia para os olhos

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Infelizmente não somos muito dogmáticos a defender os nossos boicotes… e Sandman de Neil Gaiman [et al.] merece um “post” aqui devido à qualidade da obra, como refere Pedro Moura no seu blogue. Começaram a chegar à Bedeteca de Lisboa os vários volumes da colecção Sandman que saiu o ano passado no jornal Público.

Entretanto, surgiu também na Bedeteca de Lisboa a mini-série Sandman : Overture por Gaiman (a) e J.H. Williams III, um “comeback” tão inútil como cheio de fantasia visual. Verdadeira areia para os olhos…

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