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Não é feio ler diários de raparigas!?

Anne+Frank+-+Biografia_GráficaÉ muito feio! Especialmente quando é adaptado para uma BD como o álbum Anne Frank – Biografia Gráfica, de Sid Jacobson (d) e Érnie Colón (a) lançado em 2013 pela Devir. Lamentavelmente temos um livro com um registo gráfico pobre e com um trabalho narrativo estático, de quem trabalha de forma industrial e sem paixão ou arte.

Se já é feio andar a ler os diários de uma rapariga, mais feio é fazer uma BD tosca ainda com as boas intenções de relembrar os crimes da extrema-direita que nos últimos anos subiram a sua voz. é mesmo muito feio editar esta BD e promovê-la como se fosse um livro com algum interesse…

annefrankAgora que estamos em 2017, a Porto Editora, lembrou-se que existe BD no  mundo dos livros e lança mais um álbum sobre Anne Frank, desta vez com a autoria dos mesmos de Valsa com Bashir. Já o vimos pelas lojas, reconhecemos a boa produção gráfica (o outro também tinha apesar do mau aspecto da obra propriamente dita) e bom aspecto das ilustrações, etc…  Mas deve merecer as três estrelas (em cinco) que o Público deu no passado dia 15 de Setembro. Pelos vistos é preciso que os editores paguem viagens a Paris aos jornalistas para que haja espaço à escrita sobre BD nos jornais… Vivemos tempos trágicos, sem dúvida.

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Quinta da Mamã

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Eis uma Quinta-Feira das novidades na Bedeteca de Lisboa com alto estilo! Chegaram dois volumes da antologia Mome editada pela muy respeitável Fantagraphics Books. Estamos tão chocados que a Bedeteca tenha recebido material desta qualidade que nem sabemos o que comentar… caramba tem Jim WoodringDash Shaw, Sophie Crumb (filha do Robert Crumb!), Al Columbia (capa), Paul Hornschemeier, Gabrielle Bell, Zak Sally entre outros…

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Atrito + Sapata

21762762_1564353393586420_5314905016403708067_oAtrito apresenta as aguarelas do livro de desenhos e textos de viagem de André Carrilho que, mais do que fazerem a continuação dos percursos iniciados com Inércia (2013), marcam o seu fim. Porque às vezes é preciso parar para poder seguir em frente. Afinal, cada desenho resultou de uma longa paragem em frente a cada um dos lugares. Acabada a obra, nada ficou como antes. Nem a paisagem e menos ainda o artista. Avancemos. Incluído na 8ª Edição do Bairro das Artes – amanhã na Abysmo às 19h.

À mesma hora e mesmo dia até porque está também inserido no Bairro das Artes acontece na STET o projecto Sapata Press, editora transnacional, sem fins lucrativos, com foco em banda desenhada/ quadrinhos de autoras de países de língua portuguesa. Na senda do feminismo interseccional, tenta inverter a sub-representação de mulheres e pessoas não-binárias nos espaços de produção de banda desenhada/ quadrinhos e a secundarização destas na história. Para este evento foram convidadas uma autora brasileira e uma portuguesa, que lançam em simultâneo publicações de cunho biográfico/ político e (ou) experimental: Sensui de Dois Vês (imagem em baixo) e Lado Bê de Aline Lemos.

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Safou-se…

casa_capa_vf_altaRugas era “light” e O Inverno do Desenhador também não era muito melhor – um documentário que deixa muito a desejar dado o tema de cinco desenhadores de BD nos anos 50… Isto não tem impedido que se insista em publicar mais livros do espanhol Paco Roca em Portugal. Chegou à Bedeteca de Lisboa um livro que saiu, no ano passado, com o jornal Público intitulado A Casa, uma história de amor filial, uma emocionante homenagem de Paco Roca ao seu pai onde os sentimentos se misturam, dando lugar a uma ponte entre passado e presente.

A história, bem simples, mas contada com a mestria própria de um excelente narrador, conta-nos o regresso dos três irmãos à casa onde cresceram, mas que agora se encontra vazia devido à morte do pai. A casa tem de ser vendida e em conjunto devem esvaziá-la mas, à medida que começam a fazê-lo encontram objectos que lhes trazem à memória recordações, pequenas situações cómicas, momentos vividos em conjunto com o pai.

Estes títulos “extra” da Colecção Novela Gráfica pautaram-se entre o obrigatório Billie Holiday de Sampayo & Muñoz e o inócuo Chernobyl. Onde ficará A Casa? Fica na literatura “light” claro, que não haja dúvidas, no entanto, como representação realista de uma classe média ibérica é um documento interessante. Passa-se em Espanha mas é óbvio o paralelo com Portugal dos anos 80 aos dias de hoje. E Roca parece transmitir sentimentos mais pessoais e íntimos que nas obras anteriores. Menos mal… Obra seleccionada para a Bedeteca Ideal.

HOJE, sai mais um novo título do autor na Colecção Novela Gráfica 2017 (dividido em duas partes, prá semana há mais) mas quem é que vai arriscar? Dizem que é o “Maus espanhol”, o que é uma publicidade de tão bom gosto como a “Anne Frank do Ruanda”.

 

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Quinta do Bongolê

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Chegou na Quinta-Feira das Novidades da Bedeteca de Lisboa os dois números de um fanzine do Brasil, o Bongolê Bongorô. Quem faz as mais de 90 páginas A5 é um tal de Melius que ultrapassa a escola Chiclete Com Banana com muita pinta mantendo sempre aquele humor sacana nas bd’s (com direito a poster!), um psicadelismo maconheiro, desenho livre, textos marados, tudo o que é necessário para um gajo ficar alegre num fim de dia xunga… Obrigadão, cara! O maior mistério ainda vai ficar na questão da lombada brochada (grande termo, hein?) que tem lá escrito Cartilha de Pesca Submarina nº36No segundo número participaram uma série de autores portugueses como Pepedelrey, João Cabaço e André Lemos.

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Larvas na Bedeteca

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Obviamente que foi da visita do colombiano Daniel Jiménez Quiroz à Bedeteca de Lisboa em 2015 que estão por lá dois números da revista Larva (números 14 e 15, ambos de 2011) e um zine de Luis Echavarría Uribe, autor colombiano que reside nos EUA.

A revista junta autores de BD colombianos mas também autores latino-americanos tornando-se literalmente num “novo mundo” a descobrir, sendo que desde já deixamos alguns nomes interessantes: Berliac, Jim Pluk, Joni B, Powerpaola, Rodrigo de Hoz, El Señor Juanito, DecurLuto… Também inclui artigos críticos (muito bem escritos diga-se!) sobre autores como Shaun Tan, Daniel Clowes, Edward Gorey,…

Cuatro Historias Pendejas (2015) de Uribe colecciona quatro BDs muito diferentes entre elas mas que revelam um desenho virtuoso e sobretudo narrativas contundentes para os nossos dias: do fim do mundo ao nervosismo de estar em público, da natureza à criatividade.

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Mimos madrilenos

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¡Qué guay! Além dos Medios Revueltos  encontramos na sempre excelente Bedeteca de Lisboa um número da revista Madriz, revista dos anos 80 que publicava a vanguarda da capital espanhola. Na realidade a Madriz é antecessora da Medios, tendo falido, dizem, por ser politicamente independente. O mestre de cerimónias era o mesmo: Felipe Hernandez Cava.

Uma publicação importante para consulta, para quem acha que a BD artística é um invenção recente…

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