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Quem sabe?

Revendo novidades que vão ser lançadas amanhã em Beja, quem sabe se estes dois livros serão interessantes? Em comum o selo G.Floy, que pela primeira vez aposta em BD nacional.

Cidades, em parceria com a ComicHeart, é uma antologia de histórias de membros do The Lisbon Studio, um colectivo de criadores que partilham um espaço comum e agrega conhecidos autores nacionais. Os autores são Dileydi Florez, Filipe Andrade, Gonçalo Duarte, Joana Afonso, João Tércio, Marta Teives, Pedro Vieira de Moura e Ricardo Cabral. Ou seja autores que tanto roçam o trabalho artístico como o trabalho de encomenda, daí a dúvida…

A Leoa: Um Retrato Gráfico de Karen Blixen é uma biografia ”reinterpretada” da célebre autora dinamarquesa do século XX que nos deixou obras como África Minha ou A Festa de Babete. A autoria da banda desenhada é de Anne-Caroline Pandolfo e Terkel Risbjerg, os autores de O Astrágalo.

A vida (ou as vidas) da Baronesa Karen Blixen desfila à nossa frente neste álbum. Desde uma infância com um pai adorado mas muito ausente, um aventureiro nunca satisfeito, e com uma mãe encerrada na mentalidade conservadora da Dinamarca do final do século XIX, até uma aventura desesperada para escapar a um destino que lhe tinha sido traçado, burguês e aborrecido: aceita casar com o Barão Bror Blixen, e tomar as rédeas de uma plantação de café no Quénia… onde descobrirá uma paixão louca, o seu grande amor africano… até ao seu regresso à Dinamarca e à sua coroação como autora literária famosa.

Anne-Caroline Pandolfo e Terkel Risbjerg trabalham juntos há alguns anos, em adaptações à banda desenhada de livros vários, e em projectos próprios. Anne-Caroline Pandolfo é ilustradora e argumentista; um encontro fortuito com produtores de filmes leva-a a realizar duas curtas-metragens animadas para crianças, e isso vai encorajá-la a continuar esse trabalho criativo na banda desenhada. Terkel Risbjerg é um artista dinamarquês que estudou cinema e filosofia em Copenhaga, e acabou por se fixar em França, onde trabalhou alguns anos em animação, tendo trabalhado nomeadamente em O Gato do Rabino e na série Yakari. Juntos, assinaram já cinco romances gráficos: O Astrágalo (já editado pela G.Floy), bem como Mine: Une Vie de Chat, Le Roi des Scarabées, e mais recentemente Perceval, adaptação do Romance de Perceval e este A Leoa. Ficando a dúvida se O Astrálago era uma boa BD pelo texto literário de Albertine Sarrazin ou se pelo talento e técnica dos autores, veremos como será com a Leoa

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Fogos e Murmúrio na Bedeteca

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Chegou à Bedeteca de Lisboa um livro do grande mestre italiano da cor e do estilo, Lorenzo Mattotti, no âmbito da Colecção Novela Gráfica do ano passado e que foi daquelas grandes excepções de qualidade numa colecção que se pautou pela mediocridade. Fogos e Murmúrio são dois álbuns em um sendo a última história escrita em colaboração com Jerry Kramsky.

Um dos mais consagrados ilustradores da actualidade, Mattotti tem publicado o seu trabalho em jornais e revistas como Le Monde, The New Yorker, Cosmopolitan, Vogue, o que não o impediu de construir uma importante carreira também na BD e que até teve algumas (boas) edições em Portugal pela Fenda e Witloof. A Bedeteca de Lisboa também o editou, um catálogo de exposição e um livro de esboços.

Fogos, considerado como a sua obra mais importante e um ponto de viragem do autor, que passa de um tipo de trabalho mais narrativo, para um registo mais pictórico, em que a cor é um elemento simbólico e dramático, que condiciona a própria história. A obra Murmúrios com argumento de Mattotti e Kramsky, um amigo de infância, põe em cena uma personagem amaldiçoada por uma mancha bizarra no seu rosto, que acorda numa ilha estranha, sem saber quem é ou porque ali está, e que terá de procurar de modo muito simbólico o seu passado e a sua memória.

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Quinta Hermética

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Começaram a chegar volumes da Colecção Novela Gráfica do ano passado que saíram com o jornal Público e que se percebeu logo na altura que era uma oportunidade perdida para mostrar mais obras interessantes do que aquelas que acompanhrama o jornal. Vamos ignorar nos próximos “posts” aqueles que são medíocres ou poucos inspirados e realçar apenas o que interessa mesmo que seja a velha A Garagem Hermética de Moebius (1938-2012).

Como descreveu o blogue A Garagem de André Azevedo: Caótica, poética e delirante, mistura elementos de western, ficção científica, super-heróis e misticismo. Nos anos 70, Jean Giraud, autor já conceituado pela criação de Blueberry, cria o alter-ego Moebius, tornando-se um dos fundadores da seminal revista Metal Hurlant, criando um novo estilo de desenho de ficção científica que se tornaria um marco na BD internacional. Esta obra essencial é uma compilação de histórias que foram realizadas por vezes de forma improvisada por Moebius – ele desenhava uma página sem argumento para a próxima – e publicadas mensalmente, resultando em verdadeiras viagens não lineares e de pendor lisérgico. A personagem principal, o surreal Major Grubert, criou um universo de bolso no interior do seu asteróide, que contém três mundos sobrepostos, com os seus povos e civilizações. Três mundos que ignoram as suas origens, mas onde alguns habitantes começam a vislumbrar a verdade.

Obra importante para a desconstrução da BD, é bastante conhecida em Portugal porque sempre houve edições para as alucinações sci-fi de Moebius, fossem pelos álbuns manhosos da Meribérica/Liber, seja na colecção Os Clássicos da Banda Desenhada que saiu com o Correio da Manhã, seja ainda pelo álbum Arzach – Obra seleccionada na Bedeteca Ideal.

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Corto reeditado com arte?

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A editora Arte de Autor vai reeditar A Balada do Mar Salgado de Hugo Pratt que deu inicio às aventuras do emblemático Corto Maltese. Esta edição, limitada a 1000 exemplares, a preto e branco (assim sim!), capa dura, com prefácio de Umberto Eco e caderno introdutório com aguarelas a cores, é comemorativa dos 50 anos passados sobre o início da publicação de Una ballata del mare salato na revista italiana Sgt. Kirk, em Julho de 1967.

Sinopse: Estamos a 1 de Novembro de 1913, quando algures no Pacífico, entre o meridiano 155º e o paralelo 6º Sul, os primos Pandora e Cain Groovesnore são resgatados como únicos sobreviventes do naufrágio do navio “A Jovem de Amesterdão”. O catamarã que os resgata, tripulado por nativos, é comandado por um estranho e rude homem branco, de longas barbas e olhar sombrio a quem chamam Rasputine. Este aceita manter os dois jovens a bordo pois, aparentando pertencer a famílias abastadas, acredita que poderão valer-lhe um avultado resgate. Mas no seu trajecto rumo a Kaiserine, o catamarã fará outro estranho encontro com alguém à deriva. Trata-se de Corto Maltese, um velho conhecido de Rasputine e do Monge, amarrado a uma jangada e lançado ao mar por uma tripulação amotinada. (…)

Infelizmente também teremos pela editora este aborto da natureza

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Shenzhen em Beja

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Deve ser a única edição que vale a pena das novidades editoriais de Beja… Há um novo livro da dupla franco-dinamarquesa Anne-Caroline Pandolfo e Terkel Risbjerg, a mesma que nos surpreendeu o ano passado com O Astrálago mas sem o apoio literário de Albertine Sarrazin temos as nossas dúvidas, veremos…

Sobre ShenzhenGuy Delisle tenta compreender os costumes de uma sociedade, durante o curto período de tempo em que trabalha na cidade e limitado à pequena área que lhe é permitido visitar. A sua observação perspicaz e divertida expõe os dias monótonos, as dificuldades causadas pela barragem da língua e choque de culturas, através de ilustrações detalhadas e cheias de charme, a que um jogo de luzes e sombras acrescenta significados. Guy Delisle nasceu no Canadá em 1966, trabalhou durante cerca de dez anos em animação. As suas experiências em estúdios de animação na Ásia, são descritas em Shenzen (2000) e em Pyongyang. Cive actualmente no Sul de França, com a mulher e filhos. É também autor de Jerusalém (Prémio de Melhor Álbum do Festival de BD de Angoulême, 2012) e de Chroniques Birmanes (Editions Delcourt).

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É o máximo!

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Na Bedeteca de Lisboa aparecem toda a espécie de publicações que nos deixam perplexos porque pensamos que conhecemos tudo… Eis que lá se encontra o número um da revista (antologia?) DopoTutto Max da editora francesa Misma – que têm em catálogo livros de Simon Hanselmann e Roope Eronen

A identidade que a revista e a editora transmitem é que estamos no campo de uma BD de autor com laivos de surrealismo Pop em que as infâncias dos seus autores foram carregadas de açúcar nos cereais do pequeno-almoço (a capa não engana!), desenhos animados nos Sábados de manhã e brincadeiras com bonecos em PVC durante o resto do dia. O que nada temos contra porque tivemos infâncias idênticas!

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Safou-se…

casa_capa_vf_altaRugas era “light” e O Inverno do Desenhador também não era muito melhor – um documentário pobrezito… Isto não tem impedido que se insista em publicar mais livros do espanhol Paco Roca em Portugal. Chegou à Bedeteca de Lisboa um livro que saiu, no ano passado, com o jornal Público intitulado A Casa, uma história de amor filial, uma emocionante homenagem de Paco Roca ao seu pai onde os sentimentos se misturam, dando lugar a uma ponte entre passado e presente.

A história, bem simples, mas contada com a mestria própria de um excelente narrador, conta-nos o regresso dos três irmãos à casa onde cresceram, mas que agora se encontra vazia devido à morte do pai. A casa tem de ser vendida e em conjunto devem esvaziá-la mas, à medida que começam a fazê-lo encontram objectos que lhes trazem à memória recordações, pequenas situações cómicas, momentos vividos em conjunto com o pai.

Estes títulos “extra” da Colecção Novela Gráfica pautaram-se entre o obrigatório Billie Holiday de Sampayo & Muñoz e o inócuo Chernobyl. Onde ficará A Casa? Fica na literatura “light” claro, que não haja dúvidas, no entanto, como representação realista de uma classe média ibérica é um documento interessante. Passa-se em Espanha mas é óbvio o paralelo com Portugal dos anos 80 aos dias de hoje. E Roca parece transmitir sentimentos mais pessoais e íntimos que nas obras anteriores. Menos mal…

Obra seleccionada para a Bedeteca Ideal.

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