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30 anos de Stripburger

A revista Stripburger fez 30 anos no ano passado! Criada em 1992 na Eslovénia, por um grupo de jovens identificados como Stripcore (devido às suas ligações à música Hardcore), este colectivo queria ver publicada uma BD mais diversificada e artística no seu país. Passadas três décadas é uma das revistas europeias de BD com maior longevidade, apenas ultrapassada pela suíça Strapazin. Durante muitos anos foram considerados os “embaixadores da BD da Europa de Leste” dada à marginalização que a BD sofreu nos tempos do Comunismo, tendo a exposição Stripburek que reunia originais de BD destes países, passado pelo Salão Lisboa de BD e Ilustração, em 2003.

Se o formato revista é a sua principal identidade, não impede que de vez em quando brinquem com números especiais que se assemelham a livros temáticos como um dedicado ao Sexo (que lhes valeu problemas nas alfândegas norte-americanas), às doenças mentais ou à guerra – um claro manifesto contra a entrada da Eslovénia na NATO. E o que dizer das suas caixinhas cheias de mini-livros? Numa das mais impressionantes, a Honey Talks, que esteve em exposição na Bedeteca de Lisboa em 2008, os artistas de cada livro criaram histórias a partir de ilustrações sobre colmeias de abelhas, que é uma tradição de artesanato da Eslovénia.

Para o número 80 da revista, número comemorativo, convidaram David Schilter (do projecto kuš!) como editor e o resultado está à vista, uma bela variedade de artistas, incluindo uma portuguesa! A capa é do japonês Harukichi e participam Disa Wallander, Ana Margarida Matos, Evangelos Androutsopoulos, Bohdana Zaiats, Oskars Pavlovskis, Akvile Magicdust, Maira Dobele & Rebeka Lukošus, Pauls Rietums, Harukichi, Tommi Musturi, Andrej Štular, Nuka Horvat, Powerpaola, Lukas Weidinger, König Lü. Q., Christopher Sperandio e Malcy Duff (SCT).

Já chegou um exemplar à Bedeteca de Lisboa!

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Monster Kuti

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André Lemos e Marcos Farrajota são os únicos portugueses a participar no monstruoso The Thick Book of Kuti que comemora os 50 primeiros números do jornal / revista de BD Kuti. O primeiro com a reprodução da capa no número 6 e o segundo com o artigo “Comix Remix”. Editado por Tuomas Tiainen e Heikki Rönkkö, neste tijolo de 480 páginas encontram-se mais de 150 autores entre eles Sami Aho, Max Baitinger, Zven Balslev, Benjamin Bergman, Pakito Bolino, Lilli Carré, Anna Deflorian, Terhi Ekebom, Roope Eronen, Frédéric Fleury, Aisha Franz, Matti Hagelberg, Anna Haifisch, Jyrki Heikkinen, Alejandro Jodorowsky, Bendik Kaltenborn, Kapreles, David Kerr, Marlene Krause, Jarno Latva-Nikkola, Tiina Lehikoinen, Lilli Loge, Gunnar Lundkvist, Moolinex, Søren Mosdal, Jérôme Mulot, Tommi Musturi, Pauliina Mäkelä, Jyrki Nissinen, Pentti Otsamo, Ville Ranta, Aapo Rapi, Kati Rapia, Helge Reumann, Sam Rictus, Florent Ruppert, Anna Sailamaa, Olivier Schrauwen, Tiitu Takalo, Rui Tenreiro (de Moçambique!), Alessandro Tota, Katja Tukiainen, Marko Turunen, Brecht Vandenbroucke, Amanda Vähämäki, Mikko Väyrynen, Emelie Östergren

Resta dizer que este livro ganhou o prémio de Melhor BD Alternativa de Angoulême em 2021 e que chegou um exemplar deste monstro à Bedeteca de Lisboa.

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80

2023 é o ano em que se comemora os 100 anos do Cinema de Animação em Portugal, sendo que em 25 de Janeiro de 1923 foi estreado O Pesadelo de António Maria, de Joaquim Guerreiro no Eden-Teatro, em Lisboa.

Hoje, no entanto, faz 80 anos que desapareceu Sérgio Luiz (1921-1943), autor de BD, realizador de filmes de animação e um inventor nato. Morreu prematuramente por tuberculose renal diagnosticada tardiamente – também por tuberculose iria falecer o seu irmão mais novo, Güy Manuel, a 5 de Agosto desse ano.

As BLX colocaram um “pedaço de história” da Animação hoje nas suas redes sociais, ou seja uma curta que era projectado no cinema Europa para indicar o intervalo de 10 minutos da projecção de filmes. O Boneco Rebelde foi feito de forma artesanal pelo autor em 1941, recuperado por Filipe Abranches e Leonardo de Sá no âmbito da exposição organizada pela Bedeteca de Lisboa em 1998 – e que existe também em formato “flip-book” no catálogo da exposição. Segundo se sabe, o filme foi feito com uma simples máquina fotográfica num estúdio improvisado no seu quarto, e Luiz utilizava radiografias, que tirava devido à sua doença, para as transparências.

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Sísifo na Planície

Inaugura AMANHÃ, às 16h, na Tinta nos Nervos a exposição de originais de BD de André Pereira, intitulada Sísifo na Planície e que reúne um significativo conjunto de pranchas originais do livro The End of Madoka Machina, que congrega, num só volume, os vários fascículos da mini-série original, juntando-lhes alguns capítulos inéditos e exclusivos para esta nova edição.

Madoka Machina acompanha a relação amorosa de uma tríade de jovens adultos que se tenta integrar numa sociedade dominada pela tecnologia e uniformizada pelo acesso à internet. Uma visão paralela de um futuro demasiado actual, fabricada através da combinação de uma figuração antropomorfica, interrogações existencialistas e uma geometria arquitectónica dos espaços que remete para o registo virtual dos jogos electrónicos.  
 
Ao núcleo central das pranchas expostas, acrescem os esboços preparatórios e pranchas de outras histórias que, não integrando a narrativa do livro, esboçavam já as personagens que haviam de figurar na saga que agora se publica na íntegra.

André Pereira (1987) é formado em Arquitectura e faz BD desde 2012. Começou por publicar zines com o Clube do Inferno, entretanto extinto, é autor de Safe Place (2014), Madoka Machina (2015-18) e O Sangue (2019), entre ou­tros e participou em antologias, como Querosene (2021), que também editou. Em 2020 fundou o co­lectivo MASSACRE com Hetamoé e Mao. É ainda editor da chancela de zines Erva Daninha e professor no Ar.Co.

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A obra gráfica de João Paulo Cotrim

Saiu no mês passado o belo livro Foi Quase um Prazer, de João Paulo Cotrim (1965-2021) que em jeito de homenagem compila informação preciosa e sistematizada sobre a obra quase infinita de Cotrim com tudo o que era imagem desenhada. Talvez as inquietações reveladas na elegia da Chili Com Carne possam ser apaziguadas com este livro. Esperemos bem que sim…

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Abolição do trabalho em Espanha

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Primeiro foi The Abolition of Work de Bruno Borges, a adaptar o texto original de Bob Black, editada pelo Atelier Arara conhecido pela excelente produção gráfica, impresso em serigrafia a duas cores, assim luxo para o proletário. Depois foi a versão compilada e em português, A Abolição do Trabalho, co-editada pela Turbina com quatro capas diferentes em serigrafia – cada capa diferente é um quarto da imagem acima reproduzida – em que finalmente torna-se num objecto acessível para as bolsas das massas para elas pararem de trabalhar!

Em 2021 o livro teve a sua versão brasileira pela Veneta e o ano passado foram os nostros hermanos via Pepita, que publicaram em castelhano. Amanhã deixaremos de trabalhar!

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É bom é…

Não sabemos como a Bedeteca de Lisboa tem a C’est Bon, uma revista sueca que ao contrário de outras deste país que se encontram no acervo da Bedeteca está redigida completamente em inglês!

Criada em 2004 por um colectivo que fazia parte parte Mattias Elftorp (que já visitou Lisboa duas vezes), a primeira série tem 6 números em que desde o inicio mostrava que é uma revista que “dá para os dois lados”, ora para BDs mais experimentais com as da alemã Anke Feuchtenberger como para mais convencionais com as do croata Daniel Zezelj.

Daí que estando a série actual já passaram autores tão diferentes como Tommi Musturi, Knut Larsson, Igor Hofbauer, Martin tom Dieck, o “nosso” Pedro Nora, Marko Turunen, Dash Shaw, entre muitos outros… E nos últimos anos uma série de autores portugueses como António José LopesRui Moura, Margo, Francisco Sousa Lobo (duas vezes), Ana Biscaia e num número mais recente Miguel Santos.

A Bedeteca de Lisboa recebeu todos estes números com as participações nacionais, fazendo da Bedeteca de Lisboa, pelo menos, a biblioteca especializada de BD com “toda” a BD portuguesa editada no estrangeiro! C’est bon!!!

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