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Pentângulo #2

pentangulo2Já saiu o segundo número da Pentângulo, uma publicação anual que mostra resultados de uma parceria entre a Escola Ar.Co e a Associação Chili Com Carne, que aqui unem os seus esforços criando um novo projecto editorial.

Este tem como objectivo conferir visibilidade ao trabalho de novos autores cuja formação tenha sido feita no curso de Ilustração e Banda Desenhada do Ar.Co. Numa relação saudável de partilha entre nomes consagrados e estreantes, a iniciativa conta com a participação de alunos, ex-alunos e professores.

O Departamento de Ilustração/BD do Ar.Co tem vindo a por em prática um modelo pedagógico que privilegia as aplicações específicas da ilustração e banda desenhada em relação ao mercado editorial, tendo para o efeito realizado parcerias com várias entidades ao longo dos seus 18 anos de existência. A Chili Com Carne – e a sua “irmã” MMMNNNRRRG – foi um dos parceiros com quem o departamento colaborou, como o atestam as publicações Brincar com as palavras, Jogar com as palavras, em 2002, e mais recentemente O Andar de Cima de Francisco Sousa Lobo, álbum realizado no âmbito do Ano Europeu do Cérebro, em 2014.

É na sequência destas colaborações que estas duas associações se juntam novamente, para afirmarem os seus lugares próprios na produção de banda desenhada nacional. 

Neste número colaboram Amanda Baeza, Ana Dias, André Pereira, Daniel Lima, Dois Vês, Francisco San Payo, Francisco Sousa Lobo, Gonçalo Duarte, João Carola, João Silva, Luana Saldanha, Marcos Farrajota (com dois textos, o famoso Relatório sobre Fanzines e afins de 2018 e uma pesquisa sobre assuntos LGBTI+ na BD portuguesa), Mariana Pinheiro, Mathieu Fleury, Nuno Saraiva (capa), Pedro Moura (com um texto bem fixe intitulado “Fuck Nostalgia”!), 40 Ladrões, Rodolfo Mariano, Rosa Francisco, Sara Boiça e Simão Simões.

O primeiro número encontra-se na Bedeteca de Lisboa. E o projecto foi seleccionado para a Bedeteca Ideal.

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Stoned na Bedeteca

Stoned de Nuno Amorim.

Eis que chegou à Bedeteca de Lisboa o livro Stoned de Nuno Amorim, publicado pela Mundo Fantasma o ano passado no âmbito da exposição do autor, Dos anos 70 à actualidade e Vice-Versa na galeria da loja, inaugurada a 8 de Setembro.

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Escreveram o seguinte sobre o autor: Daniel Clowes num suplemento do Eightball #18 (Mar’97) intitulado “Modern Cartoonist” ironizava – penso eu, com os gringos nunca se sabe! – num texto sobre BD que de 15 em 15 anos há um novo fôlego na cena. Basicamente, é preciso que apareça uma nova geração que apreenda e aplique as revoluções realizadas pela geração anterior. Não haveria a “BD Alternativa” dos anos 90 se 15 anos antes não houvesse a “underground comix” e estes não existiriam sem a EC Comics e a revista Mad dos anos 50. Tudo bem, parece justo.

Na edição de 31 de Janeiro de 1973 do jornal &etcNuno Amorim (com uns 21 anitos), já trabalhava para o mundo editorial mais sofisticado em Portugal – as Edições Afrodite e a &etc – e num artigo sobre a sua pessoa admite a admiração por Moscoso. Mais tarde, numa situação tão rara como a de 1973 – ou seja, dar tempo de antena a um ilustrador – é entrevistado no livro Editor Contra – Fernando Ribeiro de Mello e a Afrodite (Montag; 2016) e assume mais uma vez as suas influências dos anos 70 – Moebius e Caza, são os autores referidos.

Seja em 1973 seja 2016, os nomes dos autores que ele refere pouco importarão para o público. O estatuto marginal da BD permanece inalterado ao longo destas décadas todas e Amorim, como muitos outros artistas da sua geração e posteriores, “brincou” à BD. Publicou alguns trabalhos, principalmente na seminal revista Visão (1975-76) mas também alguns fanzines e nas publicações das míticas editoras acima já referidas. Como nunca houve uma estrutura económica de subsistência na BD em Portugal, ele parou de fazer BD e foi para outros poisos. Arquitecto de formação, foi director de arte em varias agências de publicidade internacionais em Lisboa, e posteriormente integrou os quadros da RTP, onde foi designer gráfico, realizador e responsável pelo departamento gráfico. Em 1991 foi co-fundador da produtora de cinema de animação Animais, onde é realizador e produtor de curtas metragens e séries de animação. Trabalhou e continua a trabalhar em imagem, área criativa pouco apreciada em Portugal. Um trabalho sujo mas que alguém tem de o fazer! 

A sua criação de BD ficou fechada na década de 70 com os pesos telúricos das influências da altura. Amorim e a malta da Visão tiveram quase todos o mesmo destino. Partiram para outra e foram esquecidos. Um caso ou outro voltou à BD, um ou outro ainda fizeram alguma obra em BD. Como profetizava Clowes, 15 anos depois aparecia uma nova geração de autores a baralhar as cartas – ligados aos zines e às revistas Lx Comics e Quadrado. Mas ao contrário que dizia Clowes, não parece que essa nova geração e as futuras tenham apreendido algo da anterior ou a tomado por base.

A verdade é que em Portugal apesar das suas inúmeras Bedetecas ou livros de História, os autores de BD não ligam ao passado. Empanturrados de hiper-realidade com tons de néon, mutações afrofuturistas, glitches cyberpunks, erotismo digital, risografia a brilhar pós-fluorescência, rocócós bling bling basta reeditar as BDs dos anos 70 como fiz com a antologia Revisão : Bandas Desenhadas dos anos 70 (Chili Com Carne; 2016) que lhes cai tudo em cima! Pá! Afinal os cotas já tinham feito cenas mamadas, meu! 

Se esta, tão apropriada, exposição na Mundo Fantasma se realizar com o título Dos anos 70 à actualidade e Vice-Versa, a Fita de Moebius completa-se. Se a Mundo Fantasma editar a BD inédita “Stoned” nas suas exemplares publicações impressas em Risografia então a Fita de Moebius, ironicamente, estreita-se. – Marcos Farrajota

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É bom é…

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Não sabemos como a Bedeteca de Lisboa tem a C’est Bon, uma revista sueca que ao contrário de outras deste país que se encontram no acervo da Bedeteca está redigida completamente em inglês!

Criada em 2004 por um colectivo que fazia parte parte Mattias Elftorp (que já visitou Lisboa duas vezes), a primeira série tem 6 números em que desde o inicio mostrava que é uma revista que “dá para os dois lados”, ora para BDs mais experimentais com as da alemã Anke Feuchtenberger como para mais convencionais com as do croata Daniel Zezelj.

Daí que estando a série actual no 44º número já passaram autores tão diferentes como Tommi Musturi, Knut Larsson, Igor Hofbauer, Martin tom Dieck, o “nosso” Pedro Nora, Marko Turunen, Dash Shaw, entre muitos outros… Aliás, Rui Moura participou no número 43 (imagem) publicado há poucos meses – esperemos que a Bedeteca arranje esse número já sabendo que a sua colecção não tem os números todos.

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100 anos

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Já anda a ser distribuído (a Bedeteca de Lisboa já recebeu o seu exemplar!) o número centenário do jornal de expressão anarquista A Batalha com uma BD merdosa de Gonçalo Duarte e Xavier Almeida, resenhas críticas a zines/livros de BD e com ilustração da boa! Neste número inclui um cartaz a 10 mãos (André Pereira, Cecília Silveira, Dois Vês, Gonçalo Duarte e João Carola) a lembrar as batalhas que estão aí. Caso não encontrem nas boas bancas e livrarias, os pedidos devem ser gentilmente feitos para o seguinte e-mail: jornalabatalha @ gmail . com

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Pita’s minikuš!

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Day Tour de Mariana Pita, autora de Lá fora com os fofinhos, é um volume da colecção mini kuš! em que se tem publicado um verdadeiro creme de la creme de artistas nacionais como Amanda Baeza, Daniel Lima, Cátia Serrão e Francisco Sousa Lobo. Viva Letónia! Um exemplar já chegou à Bedeteca de Lisboa!

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Stop the Press (20)

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Disseram: Bloco comemora 20 anos com comício e lançamento de revista Esquerda. O comício, a 9 de Março, no Mercado de Culturas, em Lisboa, e com início às 15h30, contará com intervenções de Fernando Rosas, Francisco Louçã, Luís Fazenda, Marisa Matias e Catarina Martins e com um momento musical com Fado Bicha e OMIRI. Durante a iniciativa será lançada a revista anual Esquerda, que irá para as bancas na semana seguinte. Mas a máquina capitalista é mais rápida e a revista já se encontrava nas bancas dias antes. Entretanto chegou um exemplar à Bedeteca de Lisboa e confirmamos que graficamente parece a Nova Gente em formato A3, um verdadeiro peixe morto quando se pega na dita cuja.

Confirma-se que apesar da “esquerda” (seja anarca ou académica) estar a apostar na BD nos últimos anos para converter as massas incultas (é para isso que a BD serve como bem se sabe!), ainda tem muito para recuperar em matéria de imagem e grafismo – o que é até triste se formos a pensar que tinham um património gráfico duramente ignorado nas últimas décadas.

Quanto à BD, se as “Batalhas e Mondes” chafurdam no “indie ‘tuga” trazendo à baila a Chili Com Carne, a Estrela Decadente, a Sapata Press ou ainda outras produções artísticas escatológicas e marginais através de resenhas críticas, ilustrações e BDs, já a Esquerda é um bocado mais confusa. Por um lado publicam uma BD inédita do saudoso Fernando Relvas e da sua esposa Nina Govedarica* mas por outro escrevem sobre Destemidas – Mulheres que só fazem o que querem de Pénélope Bagieu, daqueles produtos neutros e fofinhos produzidos pelo natural Nemesis da Esquerda (vulgo, o “Grande Capital”) via Gallimard, Levoir e jornal Público. É sabido que o pós-modernismo fez mal à Esquerda mas tanto…

*Detalhe curioso: a BD não é creditada com uma autoria explícita daquela divisão clássica de tarefas, ou seja, o argumentista e o desenhador. Terá sido a BD escrita por Relvas e desenhada por Govedarica? Ou terá sido feita a “quatro mãos” como as duplas Dupuy-Berberian, Max Andersson e Lars Sjunnesson (em Cão Capacho Bósnio), Gigi i Gigi ou Ruppert & Mulot? Seria muito interessante saber isso…

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Quinta do Espectro

396d713b04464a3da45210166657f5baTriste Quinta-Feira das Novidades na Bedeteca de Lisboa. Esticamos a nossa corda para algo que pouco nos diz, fantasias com fantasmas mas reconhecemos, dentro da onda gótica-trashy, que Jardim dos Espectros de Fábio Veras está muito bem feito tecnicamente, digno do melhor do que se faz dentro do género, podia estar publicado nos EUA.

Sinopse: Núvia é o jardim que acolhe centenas de almas que já pertenceram a este mundo. Mas por alguma razão, este local, que fora o mais visitado da cidade, é agora tabu na boca da população. O que fora um jardim alegre e cheio de vida, é agora palco de acontecimentos invulgares. Hoje poucos ousam entrar. Mas um forasteiro, assim como é tratado, parece não temer os segredos tão bem escondidos por entre os ramos das árvores. Saberá mais do que aparenta?

Admitamos que a história é uma treta mas não ofende como os “melos” da vida. Quem publica “comercial” que esteja de olho neste “puto”! E sobretudo arranje um bom argumento para ele – o que duvidamos muito que venha a acontecer.

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