Category Archives: bd portuguesa

Homenagem a Artur Correia

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Amanhã, haverá em Moura uma sessão de homenagem a Artur Correia recentemente falecidoJá fazendo parte dessa homenagem, foi inaugurada a 15 de Abril uma exposição com pranchas originais e reproduções de obras de BD na edição do corrente ano de 2018 da Feira do Livro de Moura. Nessa exposição estão incluídas imagens inéditas de adaptações à banda desenhada dos poemas populares Donzela Que Vai à Guerra e A Nau Catrineta, que acabam de ser publicadas no nº10 do fanzine Cadernos Moura BD com distribuição marcada para o dia da homenagem, Sábado, pelas 16h30.

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Mais famoso que Cristo…

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Inaugurada o ano passado no Museu de Sto. António, em Lisboa, eis a exposição dedicada às representações na BD portuguesa do santo popular mais popular do mundo, a seguir para o Museu Municipal de Portalegre – tendo inaugurado ontem. A Bedeteca de Lisboa apoiou nesta investigação. Uma curiosidade que aqui divulgamos, apesar do nosso ateísmo…

Estatua Santo Antonio (01) novoTexto do catálogo (disponível na Bedeteca): É-nos dito que Sto. António é o santo mais representado, imageticamente, em todo o mundo e sendo verdade eis um santo que se adequa bem à banda desenhada, área artística que tal como ele está em metamorfose contínua, assumindo cambiantes (des)multiplicadas, com interacção entre o sagrado e o profano, o erudito e o popular, o cristão e o pagão. Essas metamorfoses são perfeitamente perceptíveis visitando o Museu de Sto. António. Logo à entrada, no largo, rebuscando a lógica da Coluna de Trajano – monumento romano de 113 d.c. que é considerado como uma “proto-BD” – encontra-se a estátua de Domingos Soares Branco (1925-2013), inaugurada em 1982, em que vemos uma imagem de Sto António assente sobre base em cobre, profusamente decorada, onde é representada a sua biografia, incluindo os seus vários milagres. Também fazem parte do acervo do Museu alguns impressos italianos e alemães do século XX com o santo ilustrado ao centro rodeado por vinhetas arredondadas relatando sobre os seus milagres. A disposição parece-nos aleatória mas devido à óbvia narração, eis umas “BDs” em estado de graça.

1881Esta congénita interacção entre o erudito e o popular, leva a que este monstrum miraculorum seja o mais representado na BD portuguesa e outras áreas adjacentes, a começar logo pelo “pai” da BD portuguesa Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905) que usou e abusou da figura do Santantoninho em cartoons, ilustrações e BDs nas suas diatribes à Monarquia nos periódicos Pontos nos ii e O António Maria. O seu filho Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro (1867-1920) segui-lhe a pista da sátira política como se observa na sua crítica ao 7º Centenário de Sto. António em 1895.

Este tipo de registo crítico e publicado em jornais vai-se perder ao longo do século XX, reencontramos no Sempre Fixe em 1935 graças aos “Ecos da Semana” de Carlos Botelho (1899-1982). Este autor irá representá-lo mais vezes na maior parte das vezes sem a devoção religiosa ou institucional que o Antigo Regime obrigava mas, tal como os Bordalos, pela sua capacidade em gerar fenómenos sociais e culturais gigantescos como as marchas populares, às quais Botelho queixa-se em 1947, implorando por uma vacina contra esta maldita canção a “Marcha de Lisboa” ou um novo terramoto na capital! A obra de Botelho sempre foi e sempre será fora de comum na História da BD portuguesa, ou mundial, pelo seu formato cronista balizado entre 1928 e 1950. Também teve poucas sequelas. Uma delas foi a série À Esquina escrita por João Paulo Cotrim (1965) e desenhada por Pedro Burgos (1968) publicada entre 1998 e 1999 no jornal Público. Numa das tiras, é reportado a cidade em festa sob a bênção do santo, bastante assustado com tanta devoção popular que inspirou ao povo.

1952 (1) Bedeteca Cavaleiro AndanteSerá no “reino da pequenada” que haverá a seguir mais registos, sobretudo em ilustração nas revistas infanto-juvenis de BD mais emblemáticas do século XX como Diabrete (passe a ironia) ou Mundo de Aventuras. É visto em artigos dedicados aos Santos Populares e as suas festas, publicados nos números do mês de Junho e intercalados entre BDs de aventuras e humor típicas da época. Daqui, destacamos a capa de Fernando Bento (1910-1996) para o nº 23 do Cavaleiro Andante, de 1952, em que aparecem todos os heróis publicados na altura na revista a festejar os as destas dos três santos populares – S. Pedro, Sto. António e S. João – com ares de subserviência, pouco importando se um deles até é o Rei da Selva Tarzan ou outro é o repórter belga Tintim. Será Bento o primeiro a realizar uma biografia em BD sobre Sto. António no Diabrete nº128, de 1943. Dez anos depois há um curioso “jogo narrativo” na capa de Lusitas, uma publicação da Mocidade Portuguesa Feminina, desenhada por Mitza, pseudónimo de Maria Teresa Andrade Santos (1929), que mimetiza uma página de BD. Na realidade são ilustrações de episódios dos três santos populares, em que a leitora precisava de adivinhar quais as cenas que pertenciam às biografias dos respectivos santos. Em 1950 mais um mimetismo, uma página entre a BD e a ilustração de Vítor Silva (1932), no suplemento Joaninha da Revista Moda e Bordados. Em 1967, Eugénio Silva (1937) faz uma BD da vida do santo para um livro escolar, segue-se Baptista Mendes (1937) para o nº 454 do Mundo de Aventuras de 1982 e mais recentemente José Garcês (1928) consagrou um álbum inteiro intitulado Santo António em Banda Desenhada (Europress; 2016) e que deu o mote a esta exposição.

Sintetizando estas duas “facções”, a iconoclasta das páginas da imprensa e a didáctica das revistas e livros juvenis, está Nuno Saraiva (1969) que no jornal Sol, em 2011, ata o seu reconhecido perfil humorístico a uma pedagogia soft para explicar a tradição secular do “Dê-me uma moedinha para o Santo António”. Como bem se sabe, Saraiva tem sido o principal ilustrador das Festas da Cidade nesta década, não lhe faltando Santantoninhos nas suas dezenas de ilustrações de programas, cartazes e outra efémera.

Para fechar, o universo de Sto. António ainda aparece em algumas vinhetas por aí fora: figura histórica no primeiro volume de História de Portugal (1985) de A. Do Carmo Reis (1942) e Garcês; a sua ”identidade secreta” é comentada, a sua casa, que foi o local do senado da Câmara de Lisboa até 1753 é retratada e uma procissão em seu nome é vista por Beckford nos dois volumes de História de Lisboa (1998-2000) de A.H. de Oliveira Marques (1933-2007) e Filipe Abranches (1965); uma marcha popular no seu dia é vista em “3 de Braço Dado”, série com personagens teriomorfizados de Mitza com desenhos de Bixa (1926), pseudónimo de Maria Antónia Cabral no mesmo número da Lusitas já referido; e a sua estátua emblemática que identifica o bairro de Alvalade, centro de actividade Rock e Punk nos anos 80, é mostrada na BD de Afonso Cortez-Pinto (1978) e é extremamente mal desenhado pela mão esquerda do dextro Marcos Farrajota (1973) num encarte sem título que acompanha o disco Raridades, vol.1 (2009) e no livro com CD dos Sétima Legião da colecção BD Pop/Rock Português (2011) com autoria de Rui Lacas (1974).

Apesar desta lista não ser gigante, não deixa de fazer um corpo curioso de referências da BD portuguesa dos seus primórdios até aos dias de hoje. Existem mais algumas obras de BD portuguesa baseadas em figuras do Catolicismo, não muitas mais, no entanto Sto. António vence em número todas as outras. Lembramo-nos d’A Carga (2008) de Susa Monteiro dedicada a S. Vicente e se referimos aqui a “oposição” é porque em 2014, dois autores ligados à BD, José Eduardo Rocha (1961) e Pedro Moura (1973), produziram a peça Cabaret Vicente exibida no Teatro S. Luiz, que metia estes dois santos num concurso de popularidade. Sto. António perde nesta rivalidade teatralizada. Para nós parece que foi injusto o resultado porque desconfiamos que Sto António nos terrenos da Pop é análogo ao que John Lennon afirmou em 1966 quando disse que os Beatles eram mais populares que Jesus Cristo…

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Mais sete histórias

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Já saiu o segundo número do fanzine Seven Stories pelo Panda Gordo.  Desta vez com as colaborações de Bruno Borges, Émilie Gleason, Giada Ganassin, Lasse Wandschneider, Marie Weber, Mike S Redmond & Faye Coral Johnson e Nick Norman. E ainda Elliot Snowman que ilustrou a capa.

Estando o Panda sediado nas “inglaterras” quem quiser arranjar as suas edições o melhor é esperar pela RAIA, onde elas estarão lá representadas.

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Olha, “nutcases”

Francisco Sousa Lobo Master SongDepois de Amanda Baeza, Daniel Lima, Cátia Serrão, eis Francisco Sousa Lobo na colecção mini kuš! com Master Song, livro que chegou entretanto à Bedeteca de Lisboa e que é descrito desta forma: M is for Emily, and Emily is a London nanny who never recovered from reading Fifty Shades of Grey. She’s antisemitic, but looks after Jewish children. M is only half crazy. This is her song. Esta ideia de uma canção virá desta experiência?

Também já chegou o novo número (especial “Visitors”) da antologia š! (onde já passaram tantos autores portugueses que até perdemos a conta) com a participação de João Sobral ao lado de gente como Aisha Franz (Alemanha), Emelie Östergren (Suécia), Inés Estrada (México), Léo Quievreux (França), Matti Hagelberg (Finlândia), Powerpaola (Equador)…

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Carneiro Mal Morto

carneiromalmorto_n2_resizeEis que finalmente foi catalogado – 20 anos depois? – o único número possível de encontrar na Bedeteca de Lisboa do Carneiro Mal Morto, especialmente se tivermos em conta que esta publicação teve o apoio da Câmara Municipal de Lisboa.

Criado e editado por Rafael Gouveia (que participou na colecção Lx Comics) e o misterioso Daniel Dias, este fanzine a dois inseria-se numa tendência de aceitação nada fácil nos anos 90 (e mesmo agora, o que dizer?) das ideias do autor norte-americano Ralph Woods (Comics: Structure and texture, Black Press, New York, 1996), no sentido da viabilização de uma BD de cariz experimental, “multifacetada e transdisciplinar” (…) liberta dos seus padrões clássicos (..) feita de delírios gráficos da “poesia desenhada”.

Entre várias BDs curtas destes autores (gémeos? os seus estilos gráficos são muito próximos) é excepcionalmente bela a BD “Lonely planet” de duas páginas, em que a sensação de solitude é exposta de uma forma desarmante e simples. Uma pérola a rever…

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Giro…

POSTER-tangerina

Não é fácil pegar nos livros da Escorpião Azul mas eis outro que vale a pena: No Caderno da Tangerina, estreia de Rita Alfaiate (Lisboa, 1992), autora que dentro de um mundo juvenil e fantasioso sabe fazer muito bem o seu trabalho, ao contrário de tanta coisa débil que se edita em Portugal.

Diz a sinopse: Quando conheci a Tangerina, a minha nova colega de escola, fiquei feliz porque ela era diferente, e podia ser minha amiga. Mas a Tangerina era distante, havia algo que eu não compreendia. Ela tinha um caderno, um caderno estranho. Descobri que era nele que residia todo o seu mistério.

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Gazeta na Bedeteca

Já saiu o segundo número da Gazeta, publicação da RDA 69. E a Bedeteca de Lisboa já tem os dois números no seu acervo.

Como alguém escreveu sobre o primeiro número (imagem): abre um bairro de esperanças!!! Já não são só as Juntas de Freguesia que têm o monopólio de emissão de ideias no meio local. Devem ter reparado que nos últimos anos todas as Juntas passaram a ter o seu orgão de propaganda encoberta numa publicação que deveria ser usado como  serviço público. Além de algumas roçarem o luxo gráfico (ou o desperdício, conforme o prisma) o que querem mostrar apenas é o/a Presidente com crianças numa escola que recebeu um prémio, Presidente @ Parque reaberto, Presidente #limpar o cuzinho de um velhote no Centro de Dia (quem nos dera ao menos passávamos a saber que um Presidente de Junta é útil para alguma coisa), etc… Tudo tudinho a favor do executivo que estiver a presidir, em que a discórdia é censurada e até perseguida. Infelizmente a falência dos jornais locais deixou um vácuo editorial que as Juntas sorrateiramente e alegremente preencheram juntamente com a Dica da Semana ou a papelada nazi do Pingo Doce.

Se um Presidente da Freguesia de _______ pode projectar as suas operações higiénicas porque não poderá fazer também uma associação de bairro como a RDA69? Antro de anarco-ciclistas, libertários em ebulição e outras criaturas do contra, a Gazeta vence logo a bosta editada das Juntas porque tem um design impecável, humor q.b., intelecto crítico e o José Smith Vargas a ilustrar e a banda-desenhar. É grátis e tem um poster paradoxal para ser fotocopiado e colocado em todas as caixas de electricidade de qualquer cidade ou vila ou aldeia. Viva! 

Venham mais, acrescentamos nós!

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