Category Archives: bd portuguesa

Quinta dos fofinhos

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Chegou nesta Quinta-Feira das Novidades da Bedeteca de Lisboa, um exemplar da co-edição Chili Com Carne e O Panda Gordo, Lá com fora com os fofinhos de Mariana Pita. Trata-se de um luxuoso livro que compila de várias BDs produzidas por esta autora (que na música é conhecida por Moxila) entre 2013 e 2017, algumas publicadas em vários fanzines e na Internet, outras não… Há quem diga que o livro parece uma agenda “hipster” agrícola, o que também não é assim tão má comparação! Melhor do que os “bêbados da BD Amadora” fizeram…

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Seis Madokas

MM06_Capa_ExteriorChegou à Bedeteca de Lisboa o sexto e último volume da série Madoka Machina de André Pereira que prova ser um dos grandes talentos da nova geração de autores de BD portuguesa em registo Pop.

Sinopse: A IV Revolução Industrial já passou: democratizou-se a magia com recurso a várias aplicações para-smartphone e a transmutação do mercado num senciente digital unificou a sociedade através da tecnologia; todos nascem iguais e com acesso à Internet. Madoka Machina acompanha a relação amorosa de uma tríade de jovens adultos que tenta integrar-se numa sociedade onde o Estado foi chutado para canto e o assalariado é um ser em vias de extinção no mercado de trabalho. Ter poderes de transfiguração – sejam eles delegados através de misticismo arcaico ou comprados na última promoção online – e a habilidade de dobrar a realidade para se atravessar para o outro lado não ajuda tanto quanto se esperaria. 

Esta série de livros são dos poucos títulos relevantes da Polvo nos últimos anos mesmo sendo apenas uns livritos à Primata. (Per)seguimos Madoka, durante dois anos, como se fossemos um “troll” e rendeu! BD cyberpunk sem male powertrips que cumpre o que se espera da Ficção Científica: que ela critique o presente fingindo-se futurista.

Obra seleccionada para a Bedeteca Ideal.

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Chegou à Bedeteca de Lisboa

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O livro Pequenos Problemas que são 136 páginas de BDs curtas de Francisco Sousa Lobo, criadas desde 2004 até este ano. Algumas são inéditas outras já publicadas, muitas em publicações estrangeiras, que assim são publicadas em português pela primeira vez. Algumas BDs são a preto e branco, outras tem mais uma cor e algumas são a cores. (…) Sara Figueiredo Costa assina um prefácio que aqui transcrevemos parte: Diz-nos a física quântica que o tempo não existe, pelo menos do modo cronológico, arrumado e em sucessão, o modo como o conseguimos ver e sentir. E diz-nos que tempo e espaço se relacionam de tal modo que serão, juntos, uma categoria única de descrição do que nos rodeia, uma ferramenta funcional para obtermos respostas tão precisas quanto o universo permite sobre si próprio. A física quântica não é fácil de perceber para a maioria da humanidade e é frequente que outras linguagens nos deixem intuir respostas que, não sendo mais claras, são mais facilmente apreendidas pela intuição. As histórias curtas de Francisco Sousa Lobo não falam de física quântica, cultivando as perguntas com muito mais dedicação do que qualquer resposta, mas talvez por isso mesmo sejam uma espécie de mapa possível para certas declinações do mundo, não as que descrevem o cosmos, mas as que envolvem o indivíduo, esse lugar estranho e inóspito onde o espaço-tempo tantas vezes ameaça desintegrar-se.

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Quinta do Clima

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Na Quinta-Feira das Novidades na Bedeteca de Lisboa chegou o álbum de BD Reportagem Especial: Adaptação às alterações climáticas em Portugal de Bruno Pinto (a) e Penim Loureiro (d) publicado pela ClimAdaPT.Local, onde se encontra disponível para download gratuito.

Neste livro, podemos acompanhar uma jornalista e um repórter de imagem enquanto fazem uma reportagem de televisão sobre a adaptação às alterações climáticas em Portugal, focando também um projecto de adaptação a nível municipal (ClimAdaPT.Local). Neste percurso, cruzamo-nos com histórias e personagens reais, assistimos a conversas com especialistas no tema, conhecemos desafios postos pelas alterações climáticas e maneiras de lidarmos com eles.

Entretanto este projecto foi nomeado para um prémio mundial sobre questões climáticas, o único português como nos revela o jornal Público.

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Fogo!

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Chegou à Bedeteca de Lisboa um belo de um livro! El Volcán : Un presente de la historieta latinoamericana co-ditado entre a E(m)R e a Musaraña. Antologia sobre BDs contemporâneas de autores latino-americanos, vamos encontrar da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, México, Paraguai, Perú, Uruguai e Venezuela, em que encontramos autoras com dupla nacionalidade com pés em Portugal como a Amanda BaezaJúlia BarataPaula Puiupo. E claro vários outros e que destacamos: Abraham Díaz, Diego Gerlach, Diego Parés, Fábio Zimbres, Inés Estrada, Jaca, Martín López Lam, Max Cachimba, Pedro Franz, Powerpaola, Rodrigo La Hoz,… Uma boa razão para visitar este Sábado a Bedeteca!

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1984-2018

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Sairá na BD Amadora mais um livro de Pepedelrey pela Escorpião Azul intitulado Pepedelrey : Antologia Gráfica 1984 – 2018 com 208 páginas que reúne produção artística composta por bandas desenhadas, ilustrações, cartoons, relatos e apontamentos. Arrumados em caixas e gavetas ou simplesmente esquecidos em blocos e cadernos. Esta edição recupera trabalhos publicados em fanzines e acrescenta os inéditos, sem uma imposição narrativa. Existe uma coerência espontânea e a orientação editorial foi cedendo às deliberações cinéticas do artista.

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Espião ao Quadrado

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A Turbina Associação Cultural sob o selo Mundo Fantasma lançou em Maio deste ano, o álbum O Espião Acácio de Relvas, que é uma BD considerada mítica e publicada há quarenta anos atrás na revista Tintin (edição portuguesa). A edição é luxuosa q.b., um álbum com capa dura, com a pompa e circunstância de quando um “clássico” é reeditado, ainda mais quando o autor foi importante e tenha desaparecido há poucos meses. Diz a sinopse: Acácio de Mello o inconfundível espião português saído da fértil imaginação e da talentosa pluma de Fernando Relvas encontra o seu espaço num livro que recolhe a obra integral das suas aventuras.

O problema é que o trabalho de Relvas é bom a partir dos anos 80 para cima. Quem tiver dúvidas facilmente poderá comprovar porque as suas obras, publicadas originalmente em periódicos, felizmente foram recuperadas em livro ou em álbum a partir de 1997 com Karlos Starkiller, LX123 / Cevadilha Speed, Sangue Violeta e Rosa-Delta-Sem-Saída / Slow Motion. Deve-se acrescentar que o facto de ter havido estas reedições, de BDs perdidas em periódicos (ou fanzines) é um acto de salutar em Portugal. O que esses editores fizeram (e ainda foram muitos!) é considerado uma anomalia no mercado livreiro, que ignora a BD a todos os níveis. A Turbina ter voltado à carga na reedição dos trabalhos de Relvas é de uma coragem simbólica mas… Nos anos 70, Relvas era um chavalo.

Já tinha talento, traço e estilo. Já se adivinhava que traria humanidade à BD portuguesa mas ainda era “verde” e à procura da sua voz. Sabemos hoje que ele era irrequieto e várias vezes mudou de estilo gráfico na sua carreira e topamos no Espião Acácio indícios dessa voz a surgir. No entanto, a sua produção de 1978, e sobretudo quarenta anos depois, é vulgar e sem génio. Acreditamos que para os putos da altura, ao lerem o “Espião” na Tintin, lhes tenha “batido” imenso.

O público da Tintin não era o da Visão. A Tintin era uma revista betinha para “todo o público”, que é uma forma politicamente correcta de dizer para crianças e jovens.

Um miúdo que leu as BDs doidinhas do “Espião”, cheias de non-sense e alguma cultura urbana – a primeira vez que aparece “um punk” numa BD portuguesa deve-se a Relvas e a esta série em 1979 (no álbum, na pág. 98) -, terá guardado uma recordação carinhosa no seu coração. Só que, como um crítico da nossa praça recentemente “postou” em relação às memórias bedéfilas da infância: put your crappy childish comics where they belong: namely, up your ass! Sim, o Espião Acácio visto em 2018 é “crappy” e também “childish” por muito que doa aos seus editores que fizeram um excelente trabalho, aos fãs e leitores de Relvas e até às instituições que o meteram numa colecção de selos em 2004.

Temos pena ter de dizer desta forma tão crua. Estamos conscientes que não estamos a desrespeitar o autor porque sabemos que ele estava-se nas tintas para isto tudo e até uma vez disse-nos que estas questões da legitimação do seu trabalho ficariam resolvidas com o passagem do tempo. Uma consideração lúcida de Relvas, pois é o tempo que julga tudo e todos do que se faz neste planeta. O que queremos denunciar é que este livro é um produto de Nostalgia.

E Nostalgia significa Comércio apenas. É certo que esta edição foi feita com grande amor pelo autor e pela sua obra. Não vemos nesta reedição um gesto oportunista de lucro fácil. Só alguma falta de gosto e de selecção, típica na cena da BD. A Nostalgia intercepta-se com a noção de Popularidade, que por sua vez significa “infantil” – ou o chavão “dos 7 aos 77”, que é uma falácia intelectual. A edição é completada por uma detalhada bibliografia (ó amigo, diga lá “quadriculografia”, não tenha medo…) e deveria ser aqui que os seus editores deveriam ter-se focado e achado a resposta certa para honrar a Obra de Relvas.

Ele fez as BDs mais interessantes, adultas, urbanas, modernas e complexas no Se7e e não na revista dos “teenagers” dos 70. Talvez não o tenham feito porque QUERIAM MESMO era editar em álbum a sua recordação de infância / puberdade. Ou será porque a maioria dessas BDs já foram reeditadas em Karlos Starkiller e Sangue Violeta. Será? Eram as melhores? Ou as mais populares? Ainda assim, Relvas deixou muitas BDs perdidas para (re)ver, (re)ler e pensar na sua (re)publicação. Pela lógica do “Espião” então “vale tudo a pena”. Só pode significar que toda a obra do Relvas terá de ser reeditada! Que a Turbina não pare de girar álbuns do Relvas! Se isso acontecer, O Espião Acácio será apenas um detalhe na bibliografia, o trabalho de início de carreira numa colecção de “Obras completas”, um álbum salvaguardado por fãs devotos mas que deixaria espaço para que as suas outras BDs, as mais maduras, fossem valorizadas por pessoas “normais” – isto é, não-bedófilos e não-nostálgicos. Se isso não acontecer, então este álbum terá uma importância desmesurada… Como costuma acontecer sempre na História da BD.

Olhando para as cores deste álbum apercebemos que são as mesmas do L123 seguido de Cevadinha Speed, cuja edição também envolveu Júlio Moreira. Se não fosse a diferença dos tamanho e das capas (mole o L123, dura o “Espião”) até dá a sensação de estamos perante de uma colecção de “Obras Completas de Relvas”. Uma fantasia nossa…

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