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BDs de Negreiros

3histdesenhadasSaiu no âmbito da grande exposição de Almada Negreiros na Gulbenkian a recolha Três Histórias Desenhadas pela Assírio & Alvim.

Diz a sinopse: É na década de vinte, em 1926, que Almada publica, no semanário ilustrado Sempre Fixe, as histórias «Era Uma Vez», «O Sonho de Pechalim» e «A Menina Serpente», que aqui se apresentam com base nos desenhos originais, fora uma ou outra lacuna. Como nos diz Sara Afonso Ferreira, no prefácio a esta edição, «[…] o autor confecciona ao longo dos anos uma série de caderninhos, geralmente em harmónio, por ele manuscritos e ilustrados dedicados ao estudo do número e da geometria. No entanto, ao apresentar desta forma os desenhos destinados à publicação de uma história aos quadradinhos num jornal, sem acompanhar os desenhos originais do texto do seu conto (de que apenas temos a versão do Sempre Fixe), Almada sugere a importância das imagens como veículo da narrativa — a segunda história publicada no Sempre Fixe, “O Sonho de Pechalim”, apresenta-se, aliás, sem qualquer texto (as legendas deviam ser redigidas pelos pequenos leitores no âmbito de um concurso infantil) — que as histórias podem ser contadas apenas por desenhos, que as histórias podem ser: desenhadas.»

De resto, todas as BDs feitas por Almada já tinham sido compiladas em 2004 pela Bedeteca de Lisboa no catálogo El Alma de Almada El Impar : Obra Gráfica, 1926-1931

Entretanto aconselhamos vivamente à leitura da resenha crítica de Pedro Moura sobre este livro que muito expõe o constrangimento que os intelectuais tem em relação à BD.

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Da iconofagia HOJE

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Mais famoso que Cristo…

thumbnail_Convite Santo Antonio na BD 9 maio

Até ao fim do mês, no Museu de Sto. António está patente uma exposição dedicada às representações na BD portuguesa do santo popular mais popular do mundo. A Bedeteca de Lisboa apoiou nesta investigação. Uma curiosidade que aqui divulgamos, apesar do nosso ateísmo…

Estatua Santo Antonio (01) novoTexto do catálogo – já disponível na Bedeteca: É-nos dito que Sto. António é o santo mais representado, imageticamente, em todo o mundo e sendo verdade eis um santo que se adequa bem à banda desenhada, área artística que tal como ele está em metamorfose contínua, assumindo cambiantes (des)multiplicadas, com interacção entre o sagrado e o profano, o erudito e o popular, o cristão e o pagão. Essas metamorfoses são perfeitamente perceptíveis visitando o Museu de Sto. António. Logo à entrada, no largo, rebuscando a lógica da Coluna de Trajano – monumento romano de 113 d.c. que é considerado como uma “proto-BD” – encontra-se a estátua de Domingos Soares Branco (1925-2013), inaugurada em 1982, em que vemos uma imagem de Sto António assente sobre base em cobre, profusamente decorada, onde é representada a sua biografia, incluindo os seus vários milagres. Também fazem parte do acervo do Museu alguns impressos italianos e alemães do século XX com o santo ilustrado ao centro rodeado por vinhetas arredondadas relatando sobre os seus milagres. A disposição parece-nos aleatória mas devido à óbvia narração, eis umas “BDs” em estado de graça.

1881Esta congénita interacção entre o erudito e o popular, leva a que este monstrum miraculorum seja o mais representado na BD portuguesa e outras áreas adjacentes, a começar logo pelo “pai” da BD portuguesa Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905) que usou e abusou da figura do Santantoninho em cartoons, ilustrações e BDs nas suas diatribes à Monarquia nos periódicos Pontos nos ii e O António Maria. O seu filho Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro (1867-1920) segui-lhe a pista da sátira política como se observa na sua crítica ao 7º Centenário de Sto. António em 1895.

Este tipo de registo crítico e publicado em jornais vai-se perder ao longo do século XX, reencontramos no Sempre Fixe em 1935 graças aos “Ecos da Semana” de Carlos Botelho (1899-1982). Este autor irá representá-lo mais vezes na maior parte das vezes sem a devoção religiosa ou institucional que o Antigo Regime obrigava mas, tal como os Bordalos, pela sua capacidade em gerar fenómenos sociais e culturais gigantescos como as marchas populares, às quais Botelho queixa-se em 1947, implorando por uma vacina contra esta maldita canção a “Marcha de Lisboa” ou um novo terramoto na capital! A obra de Botelho sempre foi e sempre será fora de comum na História da BD portuguesa, ou mundial, pelo seu formato cronista balizado entre 1928 e 1950. Também teve poucas sequelas. Uma delas foi a série À Esquina escrita por João Paulo Cotrim (1965) e desenhada por Pedro Burgos (1968) publicada entre 1998 e 1999 no jornal Público. Numa das tiras, é reportado a cidade em festa sob a bênção do santo, bastante assustado com tanta devoção popular que inspirou ao povo.

1952 (1) Bedeteca Cavaleiro AndanteSerá no “reino da pequenada” que haverá a seguir mais registos, sobretudo em ilustração nas revistas infanto-juvenis de BD mais emblemáticas do século XX como Diabrete (passe a ironia) ou Mundo de Aventuras. É visto em artigos dedicados aos Santos Populares e as suas festas, publicados nos números do mês de Junho e intercalados entre BDs de aventuras e humor típicas da época. Daqui, destacamos a capa de Fernando Bento (1910-1996) para o nº 23 do Cavaleiro Andante, de 1952, em que aparecem todos os heróis publicados na altura na revista a festejar os as destas dos três santos populares – S. Pedro, Sto. António e S. João – com ares de subserviência, pouco importando se um deles até é o Rei da Selva Tarzan ou outro é o repórter belga Tintim. Será Bento o primeiro a realizar uma biografia em BD sobre Sto. António no Diabrete nº128, de 1943. Dez anos depois há um curioso “jogo narrativo” na capa de Lusitas, uma publicação da Mocidade Portuguesa Feminina, desenhada por Mitza, pseudónimo de Maria Teresa Andrade Santos (1929), que mimetiza uma página de BD. Na realidade são ilustrações de episódios dos três santos populares, em que a leitora precisava de adivinhar quais as cenas que pertenciam às biografias dos respectivos santos. Em 1950 mais um mimetismo, uma página entre a BD e a ilustração de Vítor Silva (1932), no suplemento Joaninha da Revista Moda e Bordados. Em 1967, Eugénio Silva (1937) faz uma BD da vida do santo para um livro escolar, segue-se Baptista Mendes (1937) para o nº 454 do Mundo de Aventuras de 1982 e mais recentemente José Garcês (1928) consagrou um álbum inteiro intitulado Santo António em Banda Desenhada (Europress; 2016) e que deu o mote a esta exposição.

Sintetizando estas duas “facções”, a iconoclasta das páginas da imprensa e a didáctica das revistas e livros juvenis, está Nuno Saraiva (1969) que no jornal Sol, em 2011, ata o seu reconhecido perfil humorístico a uma pedagogia soft para explicar a tradição secular do “Dê-me uma moedinha para o Santo António”. Como bem se sabe, Saraiva tem sido o principal ilustrador das Festas da Cidade nesta década, não lhe faltando Santantoninhos nas suas dezenas de ilustrações de programas, cartazes e outra efémera.

Para fechar, o universo de Sto. António ainda aparece em algumas vinhetas por aí fora: figura histórica no primeiro volume de História de Portugal (1985) de A. Do Carmo Reis (1942) e Garcês; a sua ”identidade secreta” é comentada, a sua casa, que foi o local do senado da Câmara de Lisboa até 1753 é retratada e uma procissão em seu nome é vista por Beckford nos dois volumes de História de Lisboa (1998-2000) de A.H. de Oliveira Marques (1933-2007) e Filipe Abranches (1965); uma marcha popular no seu dia é vista em “3 de Braço Dado”, série com personagens teriomorfizados de Mitza com desenhos de Bixa (1926), pseudónimo de Maria Antónia Cabral no mesmo número da Lusitas já referido; e a sua estátua emblemática que identifica o bairro de Alvalade, centro de actividade Punk nos anos 80, é mostrada numa BD de Afonso Cortez-Pinto (1978) e é extremamente mal desenhado pela mão esquerda do dextro Marcos Farrajota (1973) num encarte sem título que acompanha o disco Raridades, vol.1 (2009).

Apesar desta lista não ser gigante, não deixa de fazer um corpo curioso de referências da BD portuguesa dos seus primórdios até aos dias de hoje. Existem mais algumas obras de BD portuguesa baseadas em figuras do Catolicismo, não muitas mais, no entanto Sto. António vence em número todas as outras. Lembramo-nos d’A Carga (2008) de Susa Monteiro dedicada a S. Vicente e se referimos aqui a “oposição” é porque em 2014, dois autores ligados à BD, José Eduardo Rocha (1961) e Pedro Moura (1973), produziram a peça Cabaret Vicente exibida no Teatro S. Luiz, que metia estes dois santos num concurso de popularidade. Sto. António perde nesta rivalidade teatralizada. Para nós parece que foi injusto o resultado porque desconfiamos que Sto António nos terrenos da Pop é análogo ao que John Lennon afirmou em 1966 quando disse que os Beatles eram mais populares que Jesus Cristo…

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Entrevista parasitária do Daniel Lima

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O ilustrador e autor de BD Daniel Lima foi o criativo entrevistado nas folhas volantes Parasitical Interviews do colectivo Desisto no âmbito do Singular – Uma Festa para os 21 anos da Bedeteca de Lisboa!!!

As “entrevistas parasitárias” são uma série de folhas em que um autor é entrevistado e mostra uma imagem exclusiva criada por si – no passado fizeram uma com a autora de BD Amanda Baeza. Estes panfletos são colocados em livros alheios pelo mundo fora, tendo sido no dia 22 de Abril colocados exemplares dentro dos livros da Bedeteca de Lisboa e da Biblioteca dos Olivais. Resta saber se colocaram também na livraria do Shopping dos Olivais ou em que outras lojas por aí… A busca por esta bela folha impressa em risografia já começou!

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Morta Singular

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HOJE, a Feira Morta no âmbito do Singular – Uma Festa para os 21 Anos da Bedeteca de Lisboa organiza um mercado de edições independentes com as participações de Thisco, Lisbon Studio (c/ presenças dos autores Ricardo Amaral e Joana Afonso), Dor de Cotovelo, jornal Jankenpon, Boira Records, Joana Mosi, Cafetra Records, Xavier Almeida, Chili Com Carne / MMMNNNRRRG, Oficina do Cego, João Carola, Clube do Inferno, Gato Mariano, SerroteZé Burnay.
Entre as 14h e as 18h. Acesso livre

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Máscaras Singulares

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Já topamos a surpresa da Oficina Arara para os 21 anos da Bedeteca de Lisboa! Máscaras pós-pós-neo-primitivistas!!! Andam espalhadas pela Bedeteca, assustam um bocado, não fosse uma produção desta arena d’artes gráficas e outros movimentos inconclusivos.

A Oficina Arara, fundada em 2010 por um grupo de artistas, designers e um engenheiro (Miguel Carneiro, Dayana Lucas, Von Calhau! e Luís Silva), é um estúdio de artes gráficas equipado para trabalhar em serigrafia. É projectado como um espaço autónomo e aberto de experimentação em torno da produção de cartazes, livros e outras edições, tentando estabelecer uma relação directa, contínua e ininterrupta entre o acto de desenhar e a impressão de múltiplos. Actualmente a “Arara crew” é composta por Miguel Carneiro, Dayana Lucas, Luís Silva, Bruno Borges, Daniela Duarte, Pedro Nora e João Alves.

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Quiz!

A Bang! é:

1) um título de uma revista francesa de referência sobre BD e imagem?

2) uma revista espanhola de informação e estudo de BD?

3) uma revista portuguesa sobre Fantasia e Ficção Científica?

Resposta: todas as respostas estão certas! Deve ser o título mais abusado do planeta sabe-se lá porquê…

bang-9-portada-150A “versão” espanhola mostra que em Espanha há uma enorme tradição de estudo da BD que chegou até aos dias de hoje… Neste caso foi criada pelo respeitado crítico, investigador e editor Antonio Martín e existiu entre 1968 e  1977 sendo que a Bedeteca tem todos os números entre o 7 e o 13 mais quatro números especiais de reedição de clássicos da BD espanhola. Numa consulta supercial é engraçado encontrar artigos de 1972 sobre o Mercado de San António (em Barcelona) que ainda hoje é um centro de mercado colecionista para tarados bedéfilos e outros animais nostálgicos, sobre o complicado mercado dos argumentistas com uma fotografia de Filipe Hernandez Cava com 20 anos (em 1974), sobre o “artista colectivo” El Cubri, uma entrevista ao mestre Alberto Breccia (em 1973) e um ensaio sobre a BD política sob a ditadura Franquista, escrito um ano antes do porco imundo morrer! Um tesouro esta publicação!

bangA revista francesa foi o que nos fez escrever este “post”. Existiu entre 2003 e 2006 num total de 12 números e um especial e encontram-se os números 4, 5 e 6 na Bedeteca. A revista é um super-luxo de impressão e design,  co-editada pela Casterman (casa belga de Corto Maltese, por exemplo) e pela reputada Beaux Arts Magazine – que quer no passado quer nos nossos dias ainda dedica alguns números especiais sobre BD, como Qu’est-ce que la BD aujourd’hui?, um excelente guia de novas tendências que mesmo sendo de 2003 é actual q.b. – encontram-se vários exemplares na Bedeteca! Estava em destaque na prateleira das novidades o número 5 e é dedicado ao inglês Alan Moore com uma interessante entrevista, uma BD inédita com Oscar Zarate e ainda uma Foto-BD biográfica sobre este autor. Também tem um artigo sobre Calvo onde podemos ver que os franceses são mesmo uns arrogantes que pensam que inventaram tudo!!! Allez les gars! A primeira loja de BD no mundo é holandesa, a ainda activa Lambiek fundada em 1968 em Amsterdão e não a vossa Futuropólis de 1972! Já agora, conhecem o Raphael Bordallo Pinheiro? Un manguito pour vous!

Bang18-713x1024A portuguesa subintitula-se como uma revista de Fantasia, FC e Horror, é editada pela Saída de Emergência e gratuita exclusivamente nas lojas da FNAC. Bem redigida encontramos artigos curiosos acerca a BD como sobre Hector Oesterheld, a galeria da exposição “Figuras Clássicas do Terror”, uma entrevista a João Leitão (do filme Capitão Falcão), etc…

Só podemos levar de empréstimo as Bang!s francesa e portuguesa. A espanhola não porque os exemplares estão ligeiramente danificadas, só podendo ser consultada localmente.

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