Monthly Archives: Março 2026

Clément Oubrerie (1966-2026)

Faleceu no passado Domingo o autor de BD francês Clément Oubrerie, conhecido pelos desenhos da série Aya de Yopougon, de complicações da Esclerose Lateral Amiotrófica. 

Oubrerie ganhou projeção internacional em 2005, quando lançou, ao lado da argumentista Marguerite Abouet, o primeiro volume de Aya. Ambientada nos anos 1970, a série acompanha uma jovem de 19 anos que vive num bairro popular de Abidjan, na Costa do Marfim. A obra conquistou o prémios e deu origem a uma saga que soma oito volumes, traduzidos para mais de 15 idiomas, menos em Portugal. Por cá publicou-se Nas suas mãos : a incrível vida de Suzanne Noël. Menos mal…

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Monstra 2026

Os olhos lisboetas não terão descanso durante 10 dias enquanto a Monstra, festival de cinema de animação, exibir centenas de filmes para todos os públicos possíveis… Começa na próxima Quinta!

Mas antes e já AMANHàinaugura a exposição Olá Vasco Granja! A arte dos amigos do Pai da Pantera Cor-de-Rosa na Sociedade Nacional de Belas Artes, que reúne peças e documentos do espólio de Vasco Granja, figura maior da divulgação do cinema de animação em Portugal. Patente ao público até 4 de abril, estarão expostos cerca de 125 desenhos sobre papel e acetato de realizadores e grandes nomes da animação internacional, como Zbigniew Czernelecki (O lápis mágico), Richard Williams (A Christmas Carol), Zlatko Grgić (Professor Baltazar) ou Norman McLaren, assinalando o legado e a importância do seu trabalho para várias gerações.

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O Mosquito, 90 anos depois…

É catalogado e aparecem na Bedeteca de Lisboa os seus dois primeiros números – depois salta pela sua longa vida que vai até aos meados dos anos 80, ou seja, a colecção está incompleta mas pouco importa, a Bedeteca tem o número um!!! Yeah!

O Mosquito era a revista da canalha – que tal como em Espanha se chamava a BD de “Tebeo” por causa da revista TBO, ou no Brasil de “gibi” pelas mesmas razões – por cá houve uma geração de putos que chamava a BD de “mosquitos” tal a sua popularidade. Começou em 1936, desaparece em 1953, teve mais séries nos anos 60, outra em 1975 (número único) e finalmente entre 1984 e 1986 teve 12 números e vários especiais. Ao contrário da Mundo de Aventuras, tentou parecer “jovem” publicando Relvas, Torpedo 1936, Guido Buzzelli, Moebius mas depois insistia na mais anacrónica BD como o Príncipe Valente. Poderia ser um equivalente à Cimoc se tivesse um projecto editorial assertivo.

Pronto para consultas públicas!

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CCCRPGWTF!?

A Chili Com Carne meteu-se nos jogos RPG!? ‘Tá tudo doido!? Duas edições, uma em inglês, já saíram ou pelo menos já estão no sítio em linha da associação. Bom, a verdade é que já tinham lançado cartas de Tarot

Ao que parece Rumo ao Eclipse / Changing the Eclipse é um jogo histórico experimental que convida a calçar os sapatos de Eddington e fazer a sua viagem numa corrida contra o tempo. Criado por André Nóvoa, sob a direcção editorial de Hugo Soares e Ana Simões, arte de Ana Matilde Sousa e design de Diogo Jesus, o jogo desenrola-se ao longo de quatro meses, durante os quais temos de navegar diversas dimensões: viagens em alto mar, logística e burocracia colonial, questões científicas e até a imprevisibilidade meteorológica – tudo num esforço para chegar ao Príncipe antes que a Lua projecte a sua sombra na Terra no dia 29 de Maio de 1919. 

Desenvolvido no âmbito do projecto E3GLOBAL, financiado pela FCT, e concebido como jogo companheiro da BD Einstein, Eddington e o Eclipse – Impressões de Viagem. O propósito do jogo, para lá de envolver o jogador num momento crucial da história da ciência, é o de convidar à reflexão crítica sobre as geografias coloniais e infraestruturas imperiais que possibilitaram o sucesso desta expedição científica, tendo em conta os emaranhados sociais e ambientais que foi deixando pelo caminho.

Quer a BD quer o jogo é inspirado na viagem do astrofísico britânico, Arthur Stanley Eddington, que em 1919 partiu numa expedição para observar o eclipse solar total na ilha do Príncipe. A sua viagem, partindo de Cambridge, passando por Lisboa e Funchal, até às roças de São Tomé e Príncipe, foi mais do que uma aventura científica. Foi uma missão para testar a teoria da relatividade geral de Einstein, ainda por demonstrar, numa época em que o mundo ainda recuperava das consequências da Primeira Guerra Mundial.

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Fermento Bracarense

Até 30 de Abril está patente a exposição Fermento dos Aflitos, de André Lemos, na Livraria Centésima Página, em Braga, com um conjunto de desenhos originais que exploram tensões do quotidiano, inquietações sociais e fraturas contemporâneas através de uma linguagem visual incisiva e crítica.

É a partir  de uma prática centrada no desenho e que se expande para outros suportes e formatos, como a fanzine, que André Lemos constrói imagens que oscilam entre o humor mordaz, a crueza política e a vulnerabilidade íntima. Nesta apresentação em Braga, a exposição adapta-se ao contexto específico da livraria, potenciando a proximidade entre imagem, palavra e pensamento crítico e reforçando o diálogo entre as artes visuais e a edição independente.

Originalmente desenvolvida para a Escola de Verão “O Domínio Oculto da Reprodução Social: Comunidade, Ativismo, Arte e Teoria”, uma iniciativa da Cooperativa Oficina da Rua do Relógio em Alcáçovas, no Alentejo, a exposição adota uma dimensão reflexiva, convocando o público a confrontar-se com as dinâmicas sociais que moldam o presente.

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O Caminho de Volta

Chegou à Bedeteca de Lisboa a banda desenhada O Caminho de Volta de António Jorge Gonçalves.

O Ler BD escreveu sobre o livro…

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Não era 2.102.400 km?

Já não percebemos nada disto mas até 7 de Março na Tinta nos Nervos está patente a exposição Relatório aos 72.757 km : Estudos e conclusões preliminares dos cadernos de campo de Vasco Colombo.

Dizem: O conjunto de trabalhados de Vasco Colombo, apresentados na actual exposição da Tinta nos Nervos, teve origem no livro O Cabo de 2.102.400 km, editado em 2025. Os desenhos em mostra, libertos do imperativo narrativo que fundamentou a colecção publicada pela Levoir – o de construir uma história, sem palavras, em vinte e cinco imagens – ampliaram-se de sentidos. [calma, a colecção veio da notável editora francesa Martin de Halleux, a roscoff Levoir só introduziu o livro do Colombo e ainda cobrou mais por este volume em relação aos outros – e que entretanto aumentou ainda mais o preço para 22,90€, ei! E se fossem roubar pró km 37!?]

Realizados a tinta sobre papel, sem esboço ou ideia estrita pré-definida, com diferentes dimensões a experimentar o suporte, dispõem-se de forma heteróclita, num dispositivo visual imersivo, concebido especificamente para o espaço. Nele, cada imagem assume, em simultâneo, uma leitura autónoma e um lugar numa constelação potencialmente narrativa, de fragmentos e de pequenas ficções, que cabe ao visitante-espectador agenciar e dar sentido. O título da exposição reforça a ideia de um balanço, de uma pausa feita no caminho andado, um relatório de observação desse emaranhado de cabos e fios vislumbrados na sustentação dos dias e dos micro enredos imaginados, como se a vida (e a história das imagens) fosse uma espécie de rede capilar pulsante de enigmas que é essencial registar.

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