Apesar de não estar, estou muito

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Está patente até 16 de Agosto, na Galeria Municipal do Porto a exposição Apesar de não estar, estou muito de Rudolfo, que há mais de uma década (…) produz desenhos, textos, banda desenhada e música  (…) edita e publica fanzines e música em edições de autor desde os 16 anos; desde então já criou mais de 40 publicações independentes e participou em diferentes antologias de banda desenhada, tanto em Portugal como noutros países; paralelamente, tem colaborado com diversos artistas, músicos e escritores.

Com curadoria de João Ribas (ex-director do Museu de Serralves e curador do Pavilhão de Portugal na 58ª Bienal de Veneza, 2019), a exposição reúne as obsessões autobiográficas do artista e a sua distinta perspectiva da cultura popular; nos seus desenhos e bandas desenhadas, o seu elenco de pessoas, mutantes, alienígenas e tudo o que se encontra pelo meio proporciona um incessante comentário sobre questões como a criatividade, o género e a masculinidade, e as condições de produção de arte, simultaneamente desafiando os limites do livro de banda desenhada.

Apesar de não estar, estou muito apresenta desenhos, objectos, vídeos e textos de uma miríade de projectos e publicações do artista a partir de 2007, desde as suas primeiras bandas desenhadas underground independentes até aos seus mais recentes projectos como DJ Nobita e Gekiga Warlord, sempre atravessados tanto pelo seu sarcástico humor como por uma dilacerante honestidade.

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Um Horizonte!!

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Até 5 de setembro está patente na  Tinta nos Nervos uma exposição que mostra um conjunto de desenhos de Edmond Baudoin (Nice, 1942), grande mestre da banda desenhada contemporânea francesa e precursor da emergência da autobiografia nesta disciplina no final dos anos 1980.

La ligne, un horizon; le corps, une riviére (“A linha, um horizonte; o corpo, um rio») apresenta trabalhos originais, realizados a tinta-da-China sobre papel, provenientes de três projectos recentes: Le Corps Collectif, um longo ensaio-caderno de observação nascido do convívio com a companhia de dança contemporânea Le Corps Collectif, fundada em 2009 pela coreógrafa Nadia Vadori Gauthier; Humains, la Roya est un fleuve, fruto da colaboração com o artista Jean-Marc Troub’s, iniciada em 2011, de visitas a zonas de crise humanitária, auscultando migrantes económicos e refugiados em busca de uma vida melhor, perguntando-lhes os nomes e os sonhos; e La Traverse, co-assinado por Mariette Nodet, esquiadora de competição, alpinista e trekker, em torno de uma viagem de luto aos Himalaias.

Estes três livros, como a demais obra do autor, mostram encontros com o outro, e procura nesses «outros» o que eles reflectem de nós mesmos e, como esse encontro, nos tornam a todos mais humanos.

Baudoin é, incontestavelmente, um dos grandes mestres da banda desenhada contemporânea francesa, sendo mesmo uma força precursora da emergência da autobiografia nesta disciplina no final dos anos 1980, assim como da “literary turn” que presidiria a uma nova circulação social dos “romances gráficos”, não apenas em França, como noutros países. Ele é, por exemplo, um dos pilares recuperados pelos autores-fundadores da editora L’Association, que assim criavam a sua própria tradição, reforçada pela nova geração.

O artista, todavia, não abdica de forma alguma da qualidade pictural e a urgência gestual dos seus desenhos, bem pelo contrário essas características têm-se tornado mais apuradas na sua obra, a qual se traduz em mais de oito dezenas de livros. É difícil reduzi-lo a uma mão-cheia de temas, mas existem preocupações recorrentes e revisitações de certos assuntos que não apenas agregam cada título diferente – mesmo que sejam adaptações de obras de literatura, cadernos de viagem, obras de ficção, mesmo de género, colaborações, ou ensaios –, como a tornam uma “obra contínua”, passível de ser relida de tal maneira que os elementos se movem, tão vivos como a vida vivida.

(…) O autor teve apenas publicado no nosso país uma história curta, na revista Quadrado (n.º 2 da 3.ª série, Setembro de 2000; Bedeteca de Lisboa), e um livro, A Viagem, pela Levoir, em 2015. Esteve presente em Portugal em duas ocasiões: a primeira, no Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, na exposição central, colectiva, de Autobiografia e Banda Desenhada, comissariada por Pedro Moura (membro da Tinta nos Nervos) em 2012; e no XII Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, em 2016, no qual o autor marcou presença e teve direito a uma exposição.

La ligne, un horizon; le corps, une rivière é a oportunidade para um largo público ter acesso ao seu trabalho mais recente, reunido numa grande mostra da beleza poética, mestria no desenho e invenção gráfica deste fundamental mestre francês. Estes três livros, como a demais obra do autor, mostram, de modos distintos, encontros com o outro, com os outros, e procura nesses outros o que eles reflectem de nós mesmos e como nesse encontro nos tornam a todos mais humanos. Paisagens urbanas e rurais, montanhosas e pelágicas, ondas criadas por corpos em fuga ou na dança, corpos cansados da viagem, e outros cansados de dançar, rostos interrogativos e rostos conquistadores, todos unindo-se no contínuo rio provocado pelo traço negro de Edmond Baudoin, tudo desejando um voo admirável e eterno e, acima de tudo, humano.

Quem quiser “visitar” a estadia de Baudoin pela Tinta eis vídeos aqui.

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Stop the Press (23)

Já se encontra na Bedeteca de Lisboa o último número do jornal “anarco-centenário” A Batalha, em constante mutação editorial e que neste número publica um novo trabalho em BD do catalão Max, intitulado Manifestamente Anormal, um “panfleto e catarse” feito pelo artista durante o confinamento. A BD surge nas páginas centrais do jornal como suplemento “dobra-e-corta-tu-mesmo”. É de referir também a BD de três páginas de Gonçalo Duarte sobre a história do centro social Seara – a sua ocupação e violento despejo.

De resto, entre as diatribes com a sociedade capitalista e do espectáculo encontramos ilustração (Dois Vês, João Carola, André Pereira e o australiano Michael Fikaris que assina a capa) e resenhas críticas a vários livros de BD, como já não acontece na imprensa escrita há décadas!!

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Pão e Rosas

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Estão disponíveis na Bedeteca de Lisboa os dois números de Bread and Roses, jornal gráfico de intervenção social dirigido pela Silent Army da Austrália. Ou seja, deve ter chegado pelas mãos do autor Michael Fikaris. É uma publicação que alia muito bem imagem com textos políticos, de tal forma que os jornais Mapa ou Batalha poderiam seguir…

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Zine Sonora

A Valsa promove dia 4 de Julho, às 17h, o workshop Zine Sonora com a ilustradora Jaqueline Arashida. Dizem: este projecto é um encontro para a reflexão da importância das vozes e habilidades femininas em todas as vertentes artísticas. neste primeiro encontro, vamos reflectir sobre as mulheres que adoramos na música e criar um zine ilustrado para guardar a canção que move as nossas emoções. para participar, não é preciso ter formação ou experiência técnica em ilustração. vamos construir uma narrativa juntas e juntos, com materiais que facilitam a criação e deixem a imaginação fluir.

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Quinta do Heptameron

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Uma bela pérola que nos trouxe a mais ou menos regressada Quinta-Feira das Novidades na Bedeteca de Lisboa: Heptameron de María Colino é uma adaptação de alguns contos eróticos medievais. Colino foi uma autora de BD e ilustradora espanhola com um grafismo feroz que não deixa ninguém indiferente. Escrevemos “foi” porque entretanto dedicou-se à antropologia e vive nos Amazonas…

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Stripburger 75

A Bedeteca de Lisboa pode ter muitos problemas mas pelo menos com a revista eslovena de BD Stripburger não costuma falhar e deverá receber o novo número desta publicação que já ultrapassa 25 anos de existência! 

Número dedicado à Itália com um grupo de autoras – Sarah MazzettiCecilia ValagussaEliana AlbertiniMargherita MorottiAmbra GarlaschelliSerena Schinaia,… – e artigos sobre o colectivo Valvoline – de onde virá o conhecido Lorenzo Mattotti. Na edição também há uma BD de uma autora portuguesa, a Patrícia Guimarães.

A revista é redigida em esloveno e em inglês. Apesar de não haver alguns números deste projecto exemplar, sobretudo os primeiros e alguma da numeração confundir-se com os livros antológicos, a Bedeteca têm quase toda a colecção deste título para consulta e empréstimo.

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