Não é uma espanholada…

Está disponível esta semana o 10º volume colecção Novela Gráfica (what? ainda existe? who cares!), como sempre uma parceria entre a Levoir e o jornal Público, que apresenta desta vez A Armação, de Daniel Silvestre, em edição completa. Esta será a segunda obra portuguesa nesta colecção que existe desde 2015 e que até agora só tinha reeditado A Vida numa Colher de Miguel Rocha!

A obra do ilustrador português teve a sua primeira edição em 2023, no âmbito da 1.ª Residência Artística de Banda Desenhada Portugal-Bélgica, promovida pelo Instituto Camões em Bruxelas, em parceria com a Bedeteca de Beja. A publicação original teve uma distribuição não comercial e (…) esta nova edição permite conhecer a obra numa versão completa.

A Armação recupera as memórias do avô do autor, José Silvestre, que, aos dez anos, percorria os caminhos entre Porto Novo e Torres Vedras, transportando peixe num burro para ajudar os pais. A narrativa centra-se particularmente numa dessas viagens, durante a qual José teve de transportar sozinho, sobre o dorso do animal, um peixe com 150 quilos, ao longo de uma distância de quinze quilómetros. Partindo deste episódio específico, e sobretudo dos medos e fantasias que uma criança projecta perante a presença daquele peixe colossal, Daniel Silvestre constrói um retrato sensível e documentado da vida dos pescadores em Portugal durante a década de 1930. A obra cruza assim a memória familiar com a realidade social de uma época, recuperando através da banda desenhada um episódio da infância de José Silvestre e uma realidade marcada pelas dificuldades e pela dureza da vida das comunidades piscatórias portuguesas.

A ver vamos se é se esta obra portuguesa é melhor que as “espanholadas” xungas que a colecção nos habituou…

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Bolhas

Houve uma altura que a Bedeteca de Lisboa recebia a The Comics Journal. Talvez pela periocidade desta publicação ter deixado de existir que a Bedeteca ficou sem a mais importante revista de referência sobre BD. Talvez também seja essa a razão que toda a gente ficou doida com o fanzine Bubbles que só divulga o que nós gostamos (e é uma imensa minoria, como diziam os outros). Algumas almas caridosas ofereceram vários números ao acervo da Bedeteca. Fixe! Vamos ler isto com atenção!

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A Coxa Elétrica

RIP

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As outras pessoas fazem a Bedeteca

Se a Junta dos Olivais transformou a Bedeteca de Lisboa num arquivo morto – com a inoperância da Câmara de Lisboa – nem tudo está paralisado nas BLX, tanto que a Biblioteca da Penha de França organizou um destaque de colecção sobre a BD portuguesa, que acaba este mês.

Intitulada de BD em Portugal : Autores, obras e influências foram selecionadas 24 livros que vão desde o vôvô Bordalo até às últimas tendências – até recuperaram a Ana Cortesão invés de meterem um motivo “comics” / Lichtenstein Pop para o cartaz da mostra!!

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50 anos, né?

O Punk está velho até ao ponto de se reeditar ad aeternum… Ainda assim, caramba, nada normal em Portugal isto de uma terceira edição de um livro sobre os punkys, né? Eis que volta às livrarias o livro-duplo Corta-e-Cola / Punk Comix de Afonso Cortez e Marcos Farrajota, depois da reedição no ano passado como “benefit” para o espaço Disgraça, esta uma nova edição tem novas capas, uma original de José Smith Vargas e a outra é uma recuperação de uma imagem de uma BD de Nunsky (“Inadaptados” que saiu no Mesinha de Cabeceira #4, estreia do autor no mundo da edição!) e que tem sido usado nos cartazes da exposição Punk Comix – por falar nisso, o Farrajota faz uma visita guiada à exposição patente na Biblioteca dos Coruchéus HOJE, às 17h.

A única diferença com a edição do ano passado é só mais um acrescento na parte do Punk Comix porque de resto, não se passa nada neste país em relação a investigação sobre contra-culturas ou sobre BD… Ah! A edição é da Chili Com Carne, claro.

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+BD pedagógica

Ora se publica adaptações literárias ora BD pedagógica (para crianças? jovens? adultos?). Eis o que as editoras generalistas propõe para o seu público (infantil? jovem? adulto?). Isto porque os seus “editores” sabem tanto de BD como de sapatos. Chegou à Bedeteca de Lisboa o quarto volume da adaptação do “bestseller” (o “bestseller” justifica a edição, claro) Sapiens : História Breve da Humanidade pela Elsinore – que era um selo do Grupo 20|20, agora é da Penguin’tuga.

Sinopse do primeiro volume: Há cem mil anos, caminhavam pela Terra pelo menos seis espécies diferentes de humanos. Nos dias de hoje, existe apenas uma: o Homo sapiens. O que aconteceu aos outros? E o que nos acontecerá a nós? Neste primeiro volume (de um total de quatro) da adaptação do Sapiens: História Breve da Humanidade (já na 24.ª edição em Portugal) para novela gráfica, feita em parceria com o escritor David Vandermeulen e o ilustrador Daniel Casanave, Yuval Noah Harari, considerado um dos mais influentes intelectuais da actualidade, conta-nos a história de um simples símio que acabaria por se tornar o rei do planeta Terra, capaz de dividir o átomo, voar até à Lua e manipular o código genético da vida. (…) Este é o livro perfeito para alargar o diálogo iniciado em Sapiens: História Breve da Humanidade, e para apresentar o universo e as ideias de Yuval Noah Harari a novos leitores (jovens e adultos), curiosos pelo que tem sido a longa e agitada história do ser humano.

O primeiro álbum era desequilibrado, ora redundante na adaptação do texto original ora com metáforas bem montadas (em especial o último capítulo, Assassinos em série Intercontinentais), esta BD vale obviamente pelas ideias de Harari, sendo o trabalho de adaptação competente segundo uma qualidade média de BD caricatural à francesa – não tem o fôlego desta série – mas aprende-se imenso. Tem vindo a melhorar de volume a volume. Já que não ensina nada nas escolas, os putos e os adultos que leiam isto!

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Planeta Sendai

O projecto de edição de BD mais refrescante desta década em Portugal, a Sendai vai atacar à grande e à japonesa em breve – isto tudo para dizer que já estão para pré-venda, os seguintes monstrões para os dois gostos, o comercial e o artístico:

  • comecemos pelo que realmente interessa: SUEHIRO MARUO, o mestre do Erogoru finalmente publicado em Portugal com o livro Midori: a menina das camélias. Sinopse: Abandonada pelo pai e órfã de mãe, a doce Midori é levada por uma trupe de saltimbancos. Abusada constantemente pelos artistas e aberrações, Midori vê o seu futuro muito negro… Maruo é o mestre do erótico-grotesco e esta a sua obra-prima, inspirada num teatro de papel tradicional, evidencia a perversão e a avareza humanas através do dia-a-dia de uma inocente rapariga, numa Tóquio miserável dos anos 1930.
  • Planetes de Makoto Yukimura, o mesmo autor da famosa série Vinland Saga. Sinopse: Hatirota Hoshino, Hatimaki, é um simples funcionário. Trabalha como astronauta profissional numa estação espacial, onde a sua função é recolher detritos espaciais. Para conseguir comprar a sua própria nave, passa os dias a recolher lixo juntamente com os colegas Yuri e Fee, e com a recém‑chegada Tanabe. Aos 25 anos, ao entrar no quarto ano de trabalho, começa finalmente a pensar no rumo da sua vida. No ano 2075, num mundo onde aviões de passageiros circulam normalmente entre a Terra, a estação espacial e a Lua, o que irá Hatimaki pensar, sentir, e como irá crescer?

PS – entretanto já saiu o Midori do Maruo, verdadeiro festim de Sade com o Freaks do Tod Browning

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