Será bom?

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Há poucas razões para achar a editora Vertigo (da DC comics) seja um selo de qualidade… por isso quando hoje sai o livro Luna Park, de Kevin Baker (a) e Danijel Žeželj (d), com o jornal Público, no âmbito da Colecção Novela Gráficaficamos na dúvida se valerá a pena pegar neste título.

Dizem “eles”: Ilustrador, autor de BD e artista multimédia, o croata Danijel Žeželj tem dividido a sua carreira entre os EUA e a Europa, emprestando o seu traço único a histórias como este policial com um toque fantasmagórico, que assinala a estreia na banda desenhada do prestigiado escritor americano Kevin Baker. Autor de romances históricos de sucesso, cuja acção se centra nos finais do século 19, Baker revisita aqui os locais de Coney Island e Nova Iorque que pôs em cena na sua obra de maior sucesso, Dreamland.

Alik Strelnikov vive na sombra de Coney Island, um mundo de passeios silenciosos e parques de diversões enferrujados, que ridicularizam os seus sonhos de se tornar um herói. Há dez anos, trocou uma existência brutal no exército Russo pela promessa de se tornar um executor da máf­ia de Brooklyn, mas as suas noites são atormentadas por pesadelos em que as atrocidades a que assistiu na Chechénia se misturam com visões alternativas do passado, que terminam sempre da mesma forma trágica.

Ponto positivo: Žeželj já esteve exposto em Portugal no Salão Lisboa 2003 na colectiva Stripburek (editado pela eslovena Stripburger onde costuma colaborar regularmente) e na Bedeteca de Lisboa com a bela exposição Honey Talks (em 2008). Será por aí? Entretanto sabemos que esta edição é a preto e branco e não a cores como a original. Das duas uma, ou é para ser mais barato publicar ou então é para transformar um trabalho de uma editora corporativista numa “novela gráfica” artisticamente respeitável.

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Já não sou eu que vivo até 29 de Outubro

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Já não sou eu que vivo é uma exposição de Francisco Sousa Lobo na galeria da Mundo Fantasma, que inaugurou este mês e ficará patente até 29 de Outubro.

Deveria haver também um livro impresso em risografia pela Mundo Fantasma com a Chili Com Carne mas parece que está atrasado… Intitulado It’s no longer I that liveth é um livro sobre ter treze anos em 1986. Relata alguns meses na vida de Francisco Ferreira, entre a região de Lisboa e Évora. Francisco Ferreira tem a pior das idades. Uma idade em que o Deus da infância já não existe e não há ainda outro Deus que o substitua. Uma idade em que já não se brinca e ainda não se tem amigos verdadeiros. Uma idade niilista. Uma idade sem nada. Mesmo assim Ferreira descobre qualquer coisa, agarra-se a qualquer coisa.

Francisco Sousa Lobo nasceu em 1973, em Moçambique, e vive entre Londres e Falmouth, no Reino Unido. Estudou primeiro arquitectura, depois arte. Em Londres acabou recentemente um doutoramento em arte, em Goldsmiths. Em Falmouth University ensina na licenciatura de Ilustração. Publicou vários livros de banda desenhada: Câmara Escura (Bedeteca de Lisboa; 2003), O Desenhador Defunto / The Dying Draughtsman (Chili Com Carne; 2013), O Andar de Cima (Ar.Co + Chili Com Carne; 2014), I Like Your Art Much (ed. de Autor; 2015), The Care of Birds / O Cuidado dos Pássaros (Chili Com Carne; 2015) e O Problema Francisco (Gulbenkian; 2015), também publicado em Espanha pela Ediciones Valientes. Prepara agora dois novos livros: Os Quarenta Ladrões (inquérito a artistas e críticos sobre a questão da influência) e Nuvem (sobre a Cartuxa de Évora).

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André Fernandes Jorge (1945-2016)

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Faleceu na Quinta-Feira passada André Fernandes Jorge, dono da Cotovia, editora que fez parceria com a Bedeteca de Lisboa para os seus Cadernos da Bedeteca, uma colecção de ensaios sobre BD em que se destaca imediatamente o seminal Os Comics em Portugal por ser a mais completa História da BD portuguesa até à data de publicação (estávamos em 1997).

Era um dos homens mais importantes da edição em Portugal, cujos critérios nunca se vergaram a modas ou lógicas de lucro. Os nossos leitores poderiam identificar esse princípio independente que ditava o lançamento de cada novo livro. Não precisamos ir longe, basta lembrar que há pouco mais de um mês chegaram a Portugal dois livros de um autor brasileiro nunca antes cá lido, Marcelo Mirisola, literatura de choque, que dizia ter poucas hipóteses de vender. Mesmo assim, trouxe cá o autor, e celebrou a liberdade de editar o que sempre “lhe deu na gana”, como também dizia. 

Um incisivo artigo sobre este editor foi publicado n’Observador.

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Os artistas também brincam…

0ab5b76d80144ac5b9e90a9c9cfe61ddO canadiano Seth é uma referência a nível mundial no que toca à BD tendo dado nas vistas nos anos 90 com It’s a good life, if you don’t weaken… Infelizmente os seus livros são raros na Bedeteca de Lisboa / BLX… até que encontramos este Wimbledon green : the greatest comic book collector in the world que parece-nos uma curte a gozar com a cena “bedófila”.

Feito entre a sua saga ainda em curso Clyde Fans e o design de Peanuts : obra completa, Seth criou uma farsa sobre os coleccionadores obcecados por “comics” em excelente estado de conservação – essa bolha financeira que sustenta a indústria da BD norte-americana – centrada em Wimbledon Green, o auto-proclamado O Maior Coleccionador de BD do Mundo, bem como os seus rivais, lojistas, leiloeiros e outros animais da América do Norte. Uma leitura divertida para estes dias de calor…

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Férias estragadas

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Ainda a semana passada líamos de calção de banho o Fuse e esta semana encontramos seis números da série Crossed One Hundred que vão pelo mesmo caminho do gozo de leitura de Verão mas desta vez vamos com protector solar…

Pelo que percebemos existe uma série chamada Crossed criada e escrita por Garth Ennis que é ficção científica pós-apocalíptica, entre a praga de zombies-tarados-sexuais e o sobrevivencialismo. Esta nova série passa-se 100 anos da série original e é escrita por Alan Moore e desenhada por Gabriel Andrade. Parece ser mais interessante que a betalhice telenovelesca do The Walking Dead mas achamos, por isso mesmo, que a sua leitura vai-nos estragar as férias!

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Isto não é pó de talco…

capa_talco1Há actualmente uma excitação com a BD brasileira que não partilhamos, especialmente cá em Portugal ela é promovida pela editora Polvo desde 2013 com a sua longa colecção de “romance gráfico brasileiro”. Daqui pouca coisa tem saído de realmente de interessante mas Talco de vidro de Marcello Quintanilha junta-se ao Morro da Favela e Cumbe. Se o livro anterior, Tungsténio, era apenas virtuoso no desenho e na narrativa este Talco de Vidro mostra-nos um desenho mais estilizado e livre, para além de uma maior capacidade de escrita de Quintanilha, conseguindo criar uma história cheias de armadilhas. Vamos esquecer o Tungsténio, sff.

Sinopse: Em Talco de Vidro, Quintanilha, o mais aclamado autor brasileiro contemporâneo de banda desenhada [!], cria um “thriller” psicológico a partir da crise existencial de Rosângela, uma bem-sucedida dentista de Niterói, no Rio de Janeiro, bem casada com um médico respeitável, com dois filhos pré-adolescentes e um carro novo na garagem, que se deixa afundar numa espiral de autodestruição, abeirando-se da imoralidade e do crime. A sua vida seria perfeita caso não fosse a inveja que sente pela sua prima, que um dia a visita na clínica…

Obra seleccionada para a Bedeteca Ideal.

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Verão mórbido

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A editora Devir lança no meio dos incêndios de Verão o 14º volume da série The Walking Dead (imagem), cheia de Zombies e sucesso mediático. Na Bedeteca de Lisboa estão lá nove volumes da série, com algumas falhas mas serve perfeitamente para uma leitura de Verão… mórbida!

Obra seleccionada para a Bedeteca Ideal.

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