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Cão rima com Japão

1507-1Sabemos lá o que editoras novas nos querem impingir? Não há crítica se quer para nos guiarmos! Foi com desconfiança que soubemos d’O Cão que guarda as estrelas de Takashi Murakami, editado pela sucursal portuguesa da JBC. Entretanto lê-mos o livro nas livrarias da FNAC (que só servem para isso, substituir as bibliotecas quando se quer ler novidades) e não está mal! É uma pieguice mas é controlada. Com este e o livro do Jirô Taniguchi, pode-se dizer que há um género de BD canina nipónica, tipo “Inu Manga”?

Em tradução literal Hoshi Mamoru Inu ou O Cão que Guarda as Estrelas é uma expressão japonesa usada para descrever uma pessoa que deseja algo impossível, a sua origem vem da imagem de um cão que olha para o céu parecendo desejar uma estrela.

Cão que Guarda as Estrelas conta uma aventura vivida por dois companheiros, um simples senhor, sem dinheiro, emprego, ou família, e o seu cão, que farão o possível para viver e sobreviver na sua “viagem” pelo interior do Japão. O grande diferencial da narrativa está relacionado com o ponto de vista. Os acontecimentos são vistos sempre pelo olhar do cão, e a perspectiva canina dos fatos e os seus sentimentos são os companheiros do leitor ao longo das páginas.

O Cão que Guarda as Estrelas, fez muito sucesso no Japão e depois mais tarde nos Estados Unidos. (…) Além dos prémios, também foi um sucesso junto do público, com mais de 400 mil cópias vendidas em terras orientais, o que o levou O Cão Que Guarda as Estrelas a ser adaptado para os cinemas em 2011.

O livro foi lançado em Portugal em Outubro do ano passado. Justiça feita… só falta aparecer uma exemplar na Bedeteca de Lisboa.

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Quinta do Spirou

5b2ca2855bf746c09b70f1f63e8b1eebJuramos que tentamos ser abertas às propostas da colecção Novela Gráfica mas só ficamos nauseadas. Sobre O Fantasma de Gaudí sem comentários, ou melhor, é possível comentar: é um Spirou com entranhas, simplesmente ridículo. O Gente de Dublin também é do tipo Spirou encavalitado com aquela BD chata portuguesa pedagógica dos anos 80, só o conseguimos ler porque trata-se da biografia de James Joyce! Do que chegou nesta Quinta-Feira das Novidades na Bedeteca de Lisboa sobra Uma Irmã de Bastien Vivès que será assim tão melhor que as “espanholadas”?

Sobretudo é um mal-entendido para quem acha que percebe de BD, a começar pela própria tradutora e prefaciadora, Margarida Mesquita, que acha o máximo que Vivès não se consiga colocar num rótulo, do tipo “autor comercial” ou “autor alternativo”. Esquece-se que estes rótulos só fizeram sentido até aos anos 90 quando literalmente autores como Art Spiegelman (um autor de bestsellers é comercial ou é alternativo?) ou David B lutaram por uma Banda Desenhada que se adequasse ao formato livro e ao mercado livreiro (longe do nojo do mercado da “BD”) com obras que tivessem conteúdo sério e adulto, ou seja, que eram realmente uma “alternativa” à produção de BD industrial virada para crianças e jovens (super-heróis, patos semi-nus, narizes gordos) e adultos infantilóides (Frank Miller ou Manara). Actualmente, essa indústria continua a publicar esse mesmo lixo de sempre mas também literatura “light”: romances gráficos que parecem ter assuntos “sérios e adultos” mas que no entanto são apenas uma imitação sem conteúdo ou sentimentos dos pioneiros “alternativos”. Actualmente David B ou as obras menores do final de carreira de Harvey Pekar (infelizmente Pekar escreveu muita porcaria em uníssono com a explosão do mercado do romance gráfico) ou dezenas de autores franceses imitadores da L’Association (ou ainda centenas de autores espanhóis que imitam os imitadores franceses!) estão num mesmo plano horizontal comercial nas livrarias com milhares de obras em competição, ficando os únicos critérios de distinção as capacidades de distribuição e “marketing” das editoras, já que crítica de BD sempre foi uma enorme piada. Pensar ainda nas balizas “comercial versus alternativo” é puro anacronismo, ou então é mais perverso, é uma tentativa de vender uma ideia exótica sobre uma obra medíocre.

Vivès sabe usar muito bem os tempos narrativos para contar histórias vulgares ao ponto delas parecerem espectaculares ou mágicas, ou  “sensíveis” – essa “marca registada” dos autores “alternativos”. Só que ele é profundamente manipulador e preguiçoso, como qualquer outro “autor comercial”. Imita descaradamente a dupla Ruppert & Mulot (os três juntos fizeram entretanto livros em conjunto, não sabemos porquê) no seu estilo gráfico e trejeitos narrativos (a lembrar a animação), eliminando a informação desnecessária, como por exemplo, olhos e expressões das caras dos humanos, excepto quando Vivès precisa deles (olhos e expressões) para colocar um inocente efebo esbugalhado com as mamas da sua parceira de quarto – dois miúdos de sexos opostos partilham um quarto num Verão nesta BD sobre a descoberta da sexualidade. O que relata esta BD poderia ser a descoberta sexual de qualquer pessoa do planeta – menos do Chester Brown, obviamente – por mais atribulada (e original) que possa parecer ao leitor, no plano do argumento. Tudo é aparência porque tudo é superficialidade artística. É fácil dar as “piscadelas de olho” ao leitor da forma acima descrita para ele perceber o que as personagens sentem – da mesma forma como na TV ou Cinema, os “maus” tem sempre um tempo de câmara para que o telespectador possa suspeitar daquela figura em especial.

Mais fácil ainda é parecer audaz com cenas de sexo softcore entre menores. Cenas tão fugazes e leves como em toda a produção franco-belga, onde seja qual for o motivo e tema do álbum há sempre uma cena picante. É sabido que nos álbuns de BD franco-belga há sempre tetas e pinocada, seja numa cruzada contra os cães infiéis ou numa chacina de peles vermelhas. É o French touch! Curiosamente, até hoje só lemos uma obra de Vivès que fosse sincera e… era pornográfica. Apesar da sua “funcionalidade” de molhar a libido havia humor e gozo de costumes muito mais forte do que estas “novelas gráficas” publicadas em Portugal. Por alguma razão barata e compreensível, a Levoir prefere editar estes sucedâneos invés das obras originais e válidas, afinal, estes álbuns custam apenas 10 euros no seu lançamento com o jornal Público. Não se pode ter as “Grandes Obras da BD” por este preço, sejamos realistas. Ou é apenas mau-gosto dos editores?

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Mutantes

akira1-jbcAkira de Katsuhiro Otomo vai ser reeditada em Portugal pela empresa brasileira JBC Portugal – a mesma que este ano editou The Ghost in the Shell. Esta edição irá respeitar a leitura oriental e será a preto e branco – ao contrário da edição da Meribérica/Liber.

Obra fundamental da banda desenhada japonesa (Manga) criada por Katsuhiro Otomo (1958, Japão) e que impulsionou a curiosidade, o culto e por fim a popularização da bd japonesa em todo mundo.
Akira desenrola-se num cenário de destruição pós apocalíptico em Neo Tóquio no ano de 2030, após a III Guerra Mundial, em que gangues violentos compostos por adolescentes enfrentam a polícia, os quais tentam por sua vez manter em segredo diversas experiências governamentais com crianças possuidoras de poderes divinos ou sobrenaturais.

Obra seleccionada para a Bedeteca Ideal

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Raia 3 ESTE fim-de-semana

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Escusado dizer que é o maior evento de edição independente. Haverão novidades editoriais entre elas destacamos Sírio (Chili Com Carne) de Martín López Lam (autor peruano residente em Espanha, vencedor do importante Prémio Salamandra deste ano, que já visitou Lisboa em várias ocasiões e estará cá para o lançamento), Mucomorphia #4 de Filipe FelizardoSTRATEGIES AGAINST DEMOCRATIC DESIGN do italiano Alessio Sabatini (também presente) e Reconstrução dos Despojos (Edições do Tédio) de Ruca Bourbon,… Be there or be square!

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Deuses & Neuras

 

 

Duas novidades com interesse:

  • Neuro Habitat de Miguel Ángel Martín, pela Escorpião Azul, em que o autor conta-nos história de um rapaz sem nome que nos vai acompanhando num quotidiano de isolamento radical, fechado no seu apartamento tendo como única companhia uma anaconda e um cão robotizado. O bisturi de Martín fala com extrema precisão na paranóia contemporânea. No começo parece não fazer mal, mas aos poucos vamos sorrindo com a sua ironia cruel, deixando a sua marca. A história deste livro não é real nem fantástica, é a história do vosso vizinho, ou talvez a sua.
  • Deuses Americanos de Neil Gaiman (a), P. Craig Russel e Scott Hampton (d) pela Saída de Emergência que assim publica a adaptação como novela gráfica do romance multi-premiado (…). Diz a sinopse: Shadow Moon sai da prisão e descobre que a sua mulher morreu. Derrotado, falido e sem saber para onde ir, conhece o misterioso Sr. Wednesday, que o emprega como guarda-costas, empurrando Shadow para um mundo mortífero onde fantasmas do passado regressam da morte e onde uma guerra entre deuses está iminente. 

Esta última obra foi seleccionada para a Bedeteca Ideal.

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Feira Gráfica

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Vai acontecer a primeira edição da Feira Gráfica – Lisboa / Mercado de edições entre 27 e 28 de Outubro, no Mercado de Santa Clara, à Feira da Ladra, entre as 12h e as 20h.

Com organização de Emanuel Cameira (Postas de Pescada), Filipa Valladares (STET – livros & fotografias), Gonçalo Duarte (Oficina Loba) e Xavier Almeida (Estrela Decadente), trata-se de um evento que procura juntar no espaço do Mercado de Santa Clara, em Lisboa, várias iniciativas micro-editoriais, de diferentes pontos do país, ligadas ao livro (de literatura, ilustração, fotografia) mas também a outros universos de criatividade contemporânea constituídos por revistas/jornais culturais e/ ou publicações de autor como as fanzines ou impressões de diverso tipo (em serigrafia, gravura, risografia, etc.). Além da venda propriamente dita de publicações, a Feira contará também com um programa de lançamentos e conversas (em torno de temas ligados à prática da edição, na actualidade), incluindo ainda dois concertos.

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Quinta da Adaptação

 

 

O mercado de BD em Portugal não pára. São inúmeros os lançamentos que aparecem sobretudo quando há os dois principais festivais de BD – Beja e Amadora. Talvez as editoras o façam nestes momentos porque o público fica tão excitado que compra tudo sem perceber das tretas, como as medíocres antologias do The Lisbon Studio ou o nostálgico Espião Acácio. Não havendo crítica em Portugal, ou melhor, a pouca que há (no Jornal de Letras, Expresso ou no blogue Ler BD) é sempre conivente e simpática com a miséria editorial, torna-se extremamente difícil perceber o que vale a pena gastar dinheiro e, ainda mais valioso, tempo para ler os livros que vão saindo. Não queremos dizer que estes dois livros sejam perda de “dinheiro = tempo” mas quer a Devir quer a G.Floy não deram provas absolutas de coerência editorial que façam delas uma referência para adquirir os seus livros de olhos fechados.

A primeira talvez mereça realmente mais respeito porque só se enterrou uma vez mesmo a sério com um péssimo Diário de Anne Frank – de resto tem publicado “novos clássicos” ocidentais como o Do Inferno como os mestres japoneses na colecção Tsuru. Sabemos que o italiano Manuele Fior sofre de boa reputação mas isso não quer dizer nada nos dias da web.2? E os prémios? Esqueçam, basta lembrar a pobreza dos premiados da última colecção Novela Gráfica, por exemplo. Realmente Cinco Mil Quilómetros por Segundo parece delicioso graficamente. Diz a sinopse: Uma história sobre três jovens, Piero, Lucia e Nicola, ilustrada com tons quentes e frios, cores quer vibrantes quer sombrias, cuja alternância traduz as distâncias entre os personagens que habitam este livro: os 5000 Quilómetros que os separam, num espaço e tempo de fugas e reencontros, apenas sugerido. Somos surpreendidos com toda esta luz que nos inunda o olhar e se reflecte no prazer de seguir uma narrativa expressionista, ou apenas contemplar as belas aguarelas…

O catálogo da G.Floy há BDs para “mini-trumps”, muitos fantasminhas e naves espaciais. O Astrágalo foi uma excepção. Era bem escrito, claro! O texto original era de Albertine Sarrazin! Será o caso de Afirma Pereira, a adaptação de Pierre-Henry Gomont do romance de Antonio Tabucchi? Diz a sinopse: Obra emblemática sobre a resistência contra o totalitarismo e a censura, Afirma Pereira conta a progressiva tomada de consciência de um homem dos anos 1930 contra a ditadura que se vai erguendo no seu país, aqui contada numa adaptação gráfica profunda, imbuída de uma notável expressividade e dinamismo no seu desenho. (…) Afirma Pereira, de Antonio Tabucchi, é um dos mais belos romances do escritor italiano, que era quase um português por adopção e por paixão pelo nosso país. E é também um dos mais interessantes e complexos romances para adaptar a banda desenhada: o artista francês Pierre-Henry Gomont aceitou o desafio lançado pela sua editora, a Sarbacane, e produziu um dos mais belos e mais premiados livros de BD de 2016 (…)

Não parece haver razões para grandes pressas mas curiosamente já houve ofertas anónimas de ambos livros, que chegaram hoje – a famosa Quinta-Feira das Novidades da Bedeteca de Lisboa – e a resposta é “nim” para os dois. O Afirma está bem escrito e tem soluções gráficas interessantes mas não gostamos o facto de ter feito Lisboa (mais uma vez) um postal turístico ignorando as misérias da cidade. Depois resta a questão de que são poucos os autores de BD que escrevem um bom texto – o que dá que pensar que o livro original será sempre melhor que uma adaptação – como é o caso do “5 mil”, cheio de beleza gráfica mas com personagens que tem a espessura de uma folha de papel (100 gramas?) e um enredo que não passa de mais uma história pueril de Amor para deixar burgueses emocionados, mai’nada!

O Afirma foi seleccionado prá Bedeteca Ideal.

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