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Deuses & Neuras

 

 

 

Duas novidades que destacámos em Dezembro do ano passado que achámos interessantes:

  • Neuro Habitat de Miguel Ángel Martín, pela Escorpião Azul, em que o autor conta-nos história de um rapaz sem nome que nos vai acompanhando num quotidiano de isolamento radical, fechado no seu apartamento tendo como única companhia uma anaconda e um cão robotizado. O bisturi de Martín fala com extrema precisão na paranóia contemporânea. No começo parece não fazer mal, mas aos poucos vamos sorrindo com a sua ironia cruel, deixando a sua marca. A história deste livro não é real nem fantástica, é a história do vosso vizinho, ou talvez a sua.
  • Deuses Americanos de Neil Gaiman (a), P. Craig Russel e Scott Hampton (d) pela Saída de Emergência que assim publica a adaptação como novela gráfica do romance multi-premiado (…). Diz a sinopse: Shadow Moon sai da prisão e descobre que a sua mulher morreu. Derrotado, falido e sem saber para onde ir, conhece o misterioso Sr. Wednesday, que o emprega como guarda-costas, empurrando Shadow para um mundo mortífero onde fantasmas do passado regressam da morte e onde uma guerra entre deuses está iminente. 

Esta última obra já chegou à Bedeteca de Lisboa e foi seleccionada para a Bedeteca Ideal.

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Vitamina M

38d6b92533d14bcb91f7557b731bfbafParece que a Junta de Freguesia dos Olivais, que gere a Bedeteca de Lisboa, adquiriu livros da Vitamina BD para a dita biblioteca especializada em BD, através da M Books (livraria “pop-up” em estações de metro e comboio) talvez, por esta ter usado, no período de Natal, as ruas dos Olivais para montar uma das suas barraquinhas.

Este belo gesto é na verdade apenas miserável. Há anos que a Bedeteca não tem orçamento para comprar livros novos e se aparecem novidades quase todas as semanas é tudo graças ao Depósito Legal e às ofertas dos seus utentes. Se se confirmar que foram feitas compras à M Books topa-se logo que os preços são de uva mijona (3 a 5 euros cada álbum), o que significa que estamos perante “monos”, ou seja livros que não se vendem e enchem armazéns.

A única coisa boa desta aquisição foi que a Bedeteca tornou-se na biblioteca em Portugal mais completa de BD editada do seu território! “Que bom!” (mesmo que signifique ter tudo o que é de mau que se publicou por cá!). E porque o catálogo da Vitamina BD já não estava antes na Bedeteca? Porque nem a Bedeteca nem ninguém em Portugal recebeu o Depósito Legal da Vitamina BD! Esta editora imprimia os seus álbuns na Eslovénia – significa isto, que na Eslovénia há uma biblioteca com os livros da Vitamina BD? Coitadinhos…

Com esta aquisição, permitiu-nos ter uma visão mais crítica do que foi esta editora que publicou mais de 80 títulos, entre 1999 e 2010. Se a memória era difusa, agora percebe-se bem porquê, quase tudo não passa de lixo de Fantasia e Ficção Científica redundante e brilhante (pela impressão, não pelo conteúdo), alguns títulos até são de extremo mau gosto. Dez anos depois de ter desaparecido do mapa, a Vitamina BD é pouco lembrada e com sorte daqui uns anos, se alguém se lembrar dela, será apenas por ter publicado quase tudo em álbuns de capa dura extremamente bem impressos, ao contrário das suas rivais do passado (ex: Méribérica/Liber). O luxo das suas edições devia-se ao facto dos livros serem co-impressos com outras editoras estrangeiras, em grandes tiragens, o que permitia que cada edição para cada país tivesse custos de impressão muito baixos – só o fotolito da cor preta é que mudava (para texto da BD e ficha técnica). Esta estratégia será usada, mais tarde, por editoras pequenas como a MMMNNNRRRG ou qualquer outra editora portuguesa que publique a cores – é uma constante no caso da G floy, por exemplo.

A Vitamina BD publicou um único livro que tivesse um tema contemporâneo, O Local do italiano Gipi, ignorando magistralmente o fenómeno “Romance Gráfico” que explodia na altura – como fizeram a Círculo de Abuso, Mundo Fantasma, Nova Comix, Polvo,… Não publicou nenhum autor português – a não ser que achem um luso-descendente norte-americano com uma série falhada de português. Deixou várias séries por terminar por causa da megalomania, como aconteceu no passado com as outras editoras, felizmente não haverá muitas lágrimas a verter, quase todas elas eram descartáveis, o que se prova pela voracidade do “show business” que alterou todas as regras do entretenimento popular nesta década com a concentração de capitais – Guerra dos Tronos, filmes Marvel, Star Wars, etc… O que se safa? O tal do Gipi, alguns álbuns de Hermann (uma verdadeira obsessão editorial pelos vistos), o Mr. Punch (imagem) e outros livros do Dave Mckean (alguns no campo da ilustração para a infância), os do Lewis Trondheim e mais alguns argentinos… Oito livros em oitenta!? Então sempre é verdade aquela máxima de que 90% do que se edita é lixo!

Eis pois então que chegou o refugo do mercado português à Bedeteca de Lisboa, os restos mortais de uma indústria decadente que merece morrer, como diz o outro.

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Tinta nos Nervos

On June the 6th, a new bookstore-gallery opened in Lisbon, Portugal. It’s a space dedicated to the drawing arts, including graphic arts, illustration, editorial cartoon, comics and other stuff. It’s also a gallery, in which collective and solo shows from people and works associated to thoese disciplines will be held. Moreover, there’s a very cozy, […]

via Tinta nos Nervos. — Yellow Fast & Crumble

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Junho 27, 2019 · 09:54

Pássaros (2/2)

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A Relógio D’Água é uma das maiores editora independente portuguesa – ou seja, não foi comprada pelos porcos capitalistas de grande grupos económicos tipo Leya ou 20|20. Lançou-se agora na BD pela primeira vez, e invés de editar um Tatsumi ou Schrauwen faz como a sua rival Porto Editora, uma tosqueira: lança um romance gráfico que adapta um clássico literário (e apenas por causa disso!) com todas as hipóteses dessa adaptação não acrescentar nada mais à leitura do livro original. Preguiça aguda de quem não sabe o que é ainda BD no século XXI e que irá acabar com baba e ranho.

Mataram a Cotovia – To Kill A Mockingbird, romance de Harper Lee, vencedor do Prémio Pulitzer, em 1961 – fala-nos do crescimento de uma rapariga numa sociedade racista numa pequena cidade imaginária do Alabama, durante a Grande Depressão. A adaptação de Fred Fordham tem ar de que poderia ter sido feito por ele ou mais um gajo que desenha o “Capitão Américo” ou qualquer outra bosta. Um dia iremos ler esta coisa, quando chegar à Bedeteca de Lisboa, para provar que temos razão.

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LDC regressam a Portugal graças à Alegria

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O colectivo de Marselha que faz vomitar os olhos Le Dernier Cri regressa a Portugal – estiveram no Salão Lisboa 2005! – para poisarem na Feira da Alegria, a acontecer entre 13 e 16 de Junho no Porto! Ah! Parece que também virão os sérvios do festival Novo Doba! Vai ser uma pândega!!

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A leitura dominical

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Lá para trás, entre 2014 e 2016, houve distribuição da revista britânica 2000 AD / Judge Dredd nas bancas portuguesas, e até d’A Lei de Canon, um número especial com histórias da série Canon Fodder (LOL!) criada em 1993 nas páginas da 2000 AD inglesa, com argumento de Mark Millar e desenho de Chris Weston.

A primeira história foi popular entre os leitores mas Millar mudou o seu foco de atenção para a indústria norte-americana de “comics” e coube a Kek-W o argumento da segunda BD publicada em 1995. Devido a uma disputa de direitos autorais sobre a personagem entre Millar e a editora, esta segunda incursão foi o ponto final da série, verdadeira macacada trash divertida para quem amanhã irá à missa da manhã e precisa de “descarregar”. Basta ler a sinopse para perceber isso:  O Dia do Juízo Final chegou e Deus não apareceu. Os mortos ressuscitaram na Terra e o crime atingiu limites estratosféricos. Para enfrentar o desarranjo, a Igreja e a polícia se juntam e criam uma força implacável: a Patrulha Paroquial, liderada por Canon Law! Num cenário tão conturbado, os criminosos se tornam apenas pecadores a serem sumariamente eliminados. E é então que, em meio ao caos, Sherlock Holmes, Sigmund Freud, Albert Einstein, Júlio Verne e muitas outras mentes brilhantes se reúnem na tentativa de descobrir o que realmente aconteceu com o Criador.

Amanhã vai ser um bom Domingo porque este “especial” apareceu na Bedeteca de Lisboa, podendo ser requisitado para ser lido em casa num sofá herege!

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Lisboa civilizada!!

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Lisboa, dez anos depois da loja CHILI, volta a ser civilizada! Uma loja digna de uma capital europeia, apenas com qualidade e sem lixo! Até reciclam o título da nobre exposição de 2011! Atitude!!! Dia 6 de Junho estamos lá!!

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