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gits_1-sobrecapa_portugal-webLançado no ano passado, foi colocado na Bedeteca Ideal, o livro The Ghost In The Shell de Shirow Masamune. Resta saber é quando chegará um exemplar à Bedeteca de Lisboa…

Como escreveram: A JBC, editora especializada em manga no Brasil, chega agora a Portugal. Acumulando uma experiência de 25 anos no mercado da cultura japonesa, a Editora JBC faz parte do JBGroup, um grupo de comunicação que nasceu no Japão em 1992 e, desde 2001, publica manga no Brasil. Actualmente, a JBC imprime no Brasil  dez novos títulos de banda desenhada japonesa por mês, atingindo o número de 1 milhão de exemplares por ano. A partir de agora, inicia-se uma nova produção idealizada especialmente para Portugal, com mangas produzidos e adaptados 100% em território português.

The Ghost in the Shell, da autoria de de Masamune Shirow, é o primeiro título da JBC Portugal, (…) Inédita em Portugal, a nova versão tem acabamento de luxo, seguindo o mesmo padrão da versão brasileira, a primeira no mundo a usar os ficheiros remasterizados pelo próprio autor. O mesmo material foi utilizado para esta versão portuguesa. A sobrecapa foi impressa com duas cores extras, usando no total seis cores na sua composição. Tem ainda um formato especial (17x24cm – bastante maior que o manga tradicional japonês), além do papel Lux Cream nas páginas internas. São 352 páginas, sendo que destas 62 são coloridas, tratando-se, portanto, de uma verdadeira edição de coleccionador.

(…) Publicada originalmente no Japão entre 1989 e 1991, The Ghost in the Shell é uma das obras mais com mais impacto entre os mangas de ficção científica, tendo influenciado directamente muitas obras posteriores, inclusivamente o filme norte-americano Matrix. O manga aborda, quase “filosoficamente”, a Inteligência Artificial, tema absolutamente actual.

Em 1995, o renomado [sic] realizador japonês Mamoru Oshii transportou para os ecrãs de cinema o universo idealizado por Masamune Shirow para a banda desenhada, tornando-se o anime um dos maiores fenómenos de culto de todos os tempos. (…) No ano passado, foi adaptado em Hollywood, com a actriz Scarlett Johansson (…) na pele da Major Kusanagi.

Apesar de ser uma obra única, no começo dos anos 2000, Masamune Shirow regressou ao universo da Major Kusanagi nos mangas. Foi publicado The Ghost in the Shell 2.0 e, posteriormente, a versão 1.5 da sua obra original de 1989. Estas duas bandas desenhadas estão nos planos da JBC Portugal para serem publicadas no nosso país.

Influenciado por obras “cyberpunk” do final dos anos 1980, como o manga Akira e o filme Blade Runner – Perigo Iminente, o cenário escolhido por Masamune Shirow para The Ghost in the Shell foi o futuro distópico de 2029, em que a alta tecnologia se mescla com uma sociedade decadente e desigual. É neste universo à beira do colapso que a Major Motoko Kusanagi é a principal agente da Secção 9 da Segurança Pública japonesa. Motoko é uma ciborgue altamente treinada, que tem como missão desvendar uma série de crimes cibernéticos realizados por um hacker conhecido como o Mestre dos Fantoches. Durante a caça ao criminoso virtual, Masamune Shirow insere no argumento questões existencialistas, ponderando inclusivamente se alguém provido meramente de Inteligência Artificial é, de facto, um ser vivo. E foi exactamente essa mistura de ficção científica, acção e temas filosóficos que fizeram do manga The Ghost in the Shell uma leitura obrigatória.

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plano poupança reforma

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A Porto Editora depois d’O Diário de Anne Frank (adaptação muito bem conseguida) lançou o ano passado O Velho e o Mar de Ernest Hemingway (1899-1961) pelo francês Thierry Murat. É uma velha táctica: uma editora generalista aposta em BD pela parte literária da coisa porque não sabe distinguir o que é uma boa BD com ou sem textos canonizados. E claro, uma adaptação promete sempre lucro fácil mesmo que a BD em si seja preguiçosa artisticamente – aliás, o termo correcto não será “barata”? Barata na produção embora bastante cara para os leitores (cerca de 19 euros! Escândalo!).

Aliás se lermos a sinopse, nada implicará que não se leia o conto escrito mas não esta adaptação em BD, porque esta última está feita tal e qual como está aqui descrita, sem poesia ou humanidade: Cuba, início dos anos 1950. Santiago, um velho pescador, sai para o mar após 84 dias sem pescar um único peixe. Todos os habitantes da ilha afirmam que Santiago está velho de mais e em maré de azar, mas Manolin, o pequeno rapaz, continua a acreditar nele apesar dos comentários depreciativos dos pais. Ao 85.º dia, Santiago decide partir para o mais longe possível, ao largo do Golfo, em busca do peixe que lhe devolverá o respeito dos habitantes da ilha. É então que encontra um magnífico espadarte, enorme e forte. A luta homérica entre o velho e o peixe predador durará três dias e três noites: no regresso a terra firme, o velho, derrotado, recuperou a dignidade entre os seus pares após uma batalha corajosa.

Um perfeito exemplo de como uma má BD não tem volta a dar mesmo com o aval da Literatura. As imagens estáticas (Murat, repete connosco: “o Photoshop não é Deus!”) com “incongruências estilísticas” (como sinais cinéticos ridículos nas tais imagens paradas) resultam numa plasticidade nula ao longo de um álbum “luxuoso”. A narrativa é fria e despida de sentimentos, um crime grave quando estamos perante daqueles contos bem “calientes” do HemingwaySe é para matar árvores à pala da “literatura em BD para enganar a malta” tentem para a próxima o Othello pelo Denis Deprez, sff.

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#lisbonisshit

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E adivinhem? Mais outra loja a ir à vida! Tal como a Sunrise até ao final deste mês, a Gateway City Comics vai sair de Alcântara. Aberta em 2017, parecia mais uma loja de brinquedos com personagens de BD que uma loja de BD (esperem, há diferença?) e já caiu vítima da especulação imobiliária lisboeta. Esperemos que reabram fisicamente um dia destes, até lá irá funcionar em linha.

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#lisbonisshit

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A Sunrise vai fechar até ao final deste mês, a explicação passa por um centro gentrificado e turistificado, de ricos e novos-ricos capazes de gastar 1000 Euros em roupa mas ignorantes incapazes de comprarem uma revista de 5 paus. Com isto, caiu o último lugar no centro de Lisboa que ainda nos fazia “descer à baixa”, para nós, o centro não serve para nenhum português ou lisboeta. As deslocações para outras partes da cidade são inevitáveis. Lancemos a campanha #lisbonisshit porque é isso mesmo o que a capital se tornou, uma bela merda.

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Sorriam, miúdas!

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Depois de Finalmente o Verão, o mercado português desenvolveu hábitos de leitura de BD para um público adolescente, sobretudo a Devir. Chegou passados estes anos todos o livro Sorri de Raina Telgemeier, um sucesso nos EUA, com mais de 3,5 milhões de cópias vendidas.

Sinopse: Raina só quer ser uma aluna normal do sexto ano. Mas uma noite, depois dos Escuteiros, ela tropeça e cai, ferindo gravemente os dois dentes da frente. O que se segue é uma longa e frustrante jornada, umas alturas com aparelho e outras sem ele, cirurgia, um embaraçoso aparelho externo nos dentes, e até uma prótese com dentes falsos. E para além disto tudo, ainda há mais coisas com que lidar: um tremor de terra enorme, confusão por causa de rapazes e amigos que afinal revelam que não são assim tão amigos. A história da Raina leva-nos desde o sexto ano à secundária, onde ela descobre a sua voz artística, descobre o que realmente significa a amizade e onde ela finalmente… sorri.

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Cão rima com Japão

1507-1Sabemos lá o que editoras novas nos querem impingir? Não há crítica se quer para nos guiarmos! Foi com desconfiança que soubemos d’O Cão que guarda as estrelas de Takashi Murakami, editado pela sucursal portuguesa da JBC. Entretanto lê-mos o livro nas livrarias da FNAC (que só servem para isso, substituir as bibliotecas quando se quer ler novidades) e não está mal! É uma pieguice mas é controlada. Com este e o livro do Jirô Taniguchi, pode-se dizer que há um género de BD canina nipónica, tipo “Inu Manga”?

Em tradução literal Hoshi Mamoru Inu ou O Cão que Guarda as Estrelas é uma expressão japonesa usada para descrever uma pessoa que deseja algo impossível, a sua origem vem da imagem de um cão que olha para o céu parecendo desejar uma estrela.

Cão que Guarda as Estrelas conta uma aventura vivida por dois companheiros, um simples senhor, sem dinheiro, emprego, ou família, e o seu cão, que farão o possível para viver e sobreviver na sua “viagem” pelo interior do Japão. O grande diferencial da narrativa está relacionado com o ponto de vista. Os acontecimentos são vistos sempre pelo olhar do cão, e a perspectiva canina dos fatos e os seus sentimentos são os companheiros do leitor ao longo das páginas.

O Cão que Guarda as Estrelas, fez muito sucesso no Japão e depois mais tarde nos Estados Unidos. (…) Além dos prémios, também foi um sucesso junto do público, com mais de 400 mil cópias vendidas em terras orientais, o que o levou O Cão Que Guarda as Estrelas a ser adaptado para os cinemas em 2011.

O livro foi lançado em Portugal em Outubro do ano passado. Justiça feita… só falta aparecer uma exemplar na Bedeteca de Lisboa.

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Quinta do Spirou

5b2ca2855bf746c09b70f1f63e8b1eebJuramos que tentamos ser abertas às propostas da colecção Novela Gráfica mas só ficamos nauseadas. Sobre O Fantasma de Gaudí sem comentários, ou melhor, é possível comentar: é um Spirou com entranhas, simplesmente ridículo. O Gente de Dublin também é do tipo Spirou encavalitado com aquela BD chata portuguesa pedagógica dos anos 80, só o conseguimos ler porque trata-se da biografia de James Joyce! Do que chegou nesta Quinta-Feira das Novidades na Bedeteca de Lisboa sobra Uma Irmã de Bastien Vivès que será assim tão melhor que as “espanholadas”?

Sobretudo é um mal-entendido para quem acha que percebe de BD, a começar pela própria tradutora e prefaciadora, Margarida Mesquita, que acha o máximo que Vivès não se consiga colocar num rótulo, do tipo “autor comercial” ou “autor alternativo”. Esquece-se que estes rótulos só fizeram sentido até aos anos 90 quando literalmente autores como Art Spiegelman (um autor de bestsellers é comercial ou é alternativo?) ou David B lutaram por uma Banda Desenhada que se adequasse ao formato livro e ao mercado livreiro (longe do nojo do mercado da “BD”) com obras que tivessem conteúdo sério e adulto, ou seja, que eram realmente uma “alternativa” à produção de BD industrial virada para crianças e jovens (super-heróis, patos semi-nus, narizes gordos) e adultos infantilóides (Frank Miller ou Manara). Actualmente, essa indústria continua a publicar esse mesmo lixo de sempre mas também literatura “light”: romances gráficos que parecem ter assuntos “sérios e adultos” mas que no entanto são apenas uma imitação sem conteúdo ou sentimentos dos pioneiros “alternativos”. Actualmente David B ou as obras menores do final de carreira de Harvey Pekar (infelizmente Pekar escreveu muita porcaria em uníssono com a explosão do mercado do romance gráfico) ou dezenas de autores franceses imitadores da L’Association (ou ainda centenas de autores espanhóis que imitam os imitadores franceses!) estão num mesmo plano horizontal comercial nas livrarias com milhares de obras em competição, ficando os únicos critérios de distinção as capacidades de distribuição e “marketing” das editoras, já que crítica de BD sempre foi uma enorme piada. Pensar ainda nas balizas “comercial versus alternativo” é puro anacronismo, ou então é mais perverso, é uma tentativa de vender uma ideia exótica sobre uma obra medíocre.

Vivès sabe usar muito bem os tempos narrativos para contar histórias vulgares ao ponto delas parecerem espectaculares ou mágicas, ou  “sensíveis” – essa “marca registada” dos autores “alternativos”. Só que ele é profundamente manipulador e preguiçoso, como qualquer outro “autor comercial”. Imita descaradamente a dupla Ruppert & Mulot (os três juntos fizeram entretanto livros em conjunto, não sabemos porquê) no seu estilo gráfico e trejeitos narrativos (a lembrar a animação), eliminando a informação desnecessária, como por exemplo, olhos e expressões das caras dos humanos, excepto quando Vivès precisa deles (olhos e expressões) para colocar um inocente efebo esbugalhado com as mamas da sua parceira de quarto – dois miúdos de sexos opostos partilham um quarto num Verão nesta BD sobre a descoberta da sexualidade. O que relata esta BD poderia ser a descoberta sexual de qualquer pessoa do planeta – menos do Chester Brown, obviamente – por mais atribulada (e original) que possa parecer ao leitor, no plano do argumento. Tudo é aparência porque tudo é superficialidade artística. É fácil dar as “piscadelas de olho” ao leitor da forma acima descrita para ele perceber o que as personagens sentem – da mesma forma como na TV ou Cinema, os “maus” tem sempre um tempo de câmara para que o telespectador possa suspeitar daquela figura em especial.

Mais fácil ainda é parecer audaz com cenas de sexo softcore entre menores. Cenas tão fugazes e leves como em toda a produção franco-belga, onde seja qual for o motivo e tema do álbum há sempre uma cena picante. É sabido que nos álbuns de BD franco-belga há sempre tetas e pinocada, seja numa cruzada contra os cães infiéis ou numa chacina de peles vermelhas. É o French touch! Curiosamente, até hoje só lemos uma obra de Vivès que fosse sincera e… era pornográfica. Apesar da sua “funcionalidade” de molhar a libido havia humor e gozo de costumes muito mais forte do que estas “novelas gráficas” publicadas em Portugal. Por alguma razão barata e compreensível, a Levoir prefere editar estes sucedâneos invés das obras originais e válidas, afinal, estes álbuns custam apenas 10 euros no seu lançamento com o jornal Público. Não se pode ter as “Grandes Obras da BD” por este preço, sejamos realistas. Ou é apenas mau-gosto dos editores?

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