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Bruta No More (actualização)

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MMMNNNRRRG vai acabar… em 2020! Parece uma piada de mau gosto mas sendo uma editora tão fora-do-baralho – já agora, lançaram mais um objecto d’AcontorcionistA, um Baralho de cartas (imagem) – é normal que também goze com as falências e finais das editoras. Dizem que estão fartos que ninguém consiga pronunciar o nome da editora (LOL), que o mundo vai acabar (!) e que estão enojados com o mercado de BD (mais do que nós!?) por isso fazem fade out até 2020 prometendo até lá editar mais umas k7s, livros de BD finlandesa e um Subsídios

Fundada por Marcos Farrajota em 2000 e dirigida com Joana Pires desde 2010, a MMMNNNRRRG publica “Art Brut Comix” de artistas de BD “outsider” de toda a parte do planeta: Portugal, EUA, Reino Unido, Croácia, Finlândia, Sérvia, Roménia, Holanda, África do Sul, Bélgica, Grécia, Rússia e Suécia. Tendo a primazia o livro em offset tal não impediu de inaugurar o boom dos “graphzines” em serigrafia em Portugal e experimentado outros formatos menos convencionais. Desde 2015 que lança k7’s de “música inesperada” – Black Taiga, Melanie is Demented, Traumático Desmame, BLEID – com as embalagens mais saudáveis do planeta. Trabalharam com algumas instituições como a Escola Ar.Co. (num projecto que incluía Ana Hatherly, António Poppe,…) ou o Cinanima, receberam o prémio TITAN em 2010 com Já não há maçãs no Paraíso de Max Tilmann; no 10º aniversário fez uma grande festa de dois dias nos Maus Hábitos com bandas ao vivo como Claiana e Ghuna X, entre outros, em 2011, cinco dos autores que publicaram (Janus, André Lemos, Pepedelrey, João Maio Pinto e Tiago Manuel) tinham trabalhos expostos na exposição Tinta nos Nervos no Museu-Colecção Berardo; Caminhando Com Samuel de Tommi Musturi foi seleccionado para o livro de referência 1001 Comics You Must Read Before You Die de Paul Gravett; em 2014 W.C. de Marriette Tosel foi seleccionado para um concurso da Society of Illustrators de Nova Iorque; em 2016, Anton Kannemeyer participou na polémica conferência da Fundação Gulbenkian Foundation e ganhou o Prémio Nacional de Melhor Álbum de autor Estrangeiro com Papá em África na Amadora BD.

PS – Entretanto chegou à Bedeteca de Lisboa o dito Baralho que é bem bonito, e pró menino e prá menina, e o que estiver entre ou fora…

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Máquinas

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No Sábado, às 16h, é lançado na loja da Kingpin Books o livro The Ghost In The Shell de Shirow Masamune. O evento irá contar com a presença do editor Júlio Moreno e do tradutor André Oliveira.

A JBC, editora especializada em manga no Brasil, chega agora a Portugal. Acumulando uma experiência de 25 anos no mercado da cultura japonesa, a Editora JBC faz parte do JBGroup, um grupo de comunicação que nasceu no Japão em 1992 e, desde 2001, publica manga no Brasil. Actualmente, a JBC imprime no Brasil  dez novos títulos de banda desenhada japonesa por mês, atingindo o número de 1 milhão de exemplares por ano. A partir de agora, inicia-se uma nova produção idealizada especialmente para Portugal, com mangas produzidos e adaptados 100% em território português.

The Ghost in the Shell, da autoria de de Masamune Shirow, é o primeiro título da JBC Portugal, (…) Inédita em Portugal, a nova versão tem acabamento de luxo, seguindo o mesmo padrão da versão brasileira, a primeira no mundo a usar os ficheiros remasterizados pelo próprio autor. O mesmo material foi utilizado para esta versão portuguesa. A sobrecapa foi impressa com duas cores extras, usando no total seis cores na sua composição. Tem ainda um formato especial (17x24cm – bastante maior que o manga tradicional japonês), além do papel Lux Cream nas páginas internas. São 352 páginas, sendo que destas 62 são coloridas, tratando-se, portanto, de uma verdadeira edição de coleccionador.

(…) Publicada originalmente no Japão entre 1989 e 1991, The Ghost in the Shell é uma das obras mais com mais impacto entre os mangas de ficção científica, tendo influenciado directamente muitas obras posteriores, inclusivamente o filme norte-americano Matrix. O manga aborda, quase “filosoficamente”, a Inteligência Artificial, tema absolutamente actual.

Em 1995, o renomado [sic] realizador japonês Mamoru Oshii transportou para os ecrãs de cinema o universo idealizado por Masamune Shirow para a banda desenhada, tornando-se o anime um dos maiores fenómenos de culto de todos os tempos. (…) No ano passado, foi adaptado em Hollywood, com a actriz Scarlett Johansson (…) na pele da Major Kusanagi.

Apesar de ser uma obra única, no começo dos anos 2000, Masamune Shirow regressou ao universo da Major Kusanagi nos mangas. Foi publicado The Ghost in the Shell 2.0 e, posteriormente, a versão 1.5 da sua obra original de 1989. Estas duas bandas desenhadas estão nos planos da JBC Portugal para serem publicadas no nosso país.

Influenciado por obras “cyberpunk” do final dos anos 1980, como o manga Akira e o filme Blade Runner – Perigo Iminente, o cenário escolhido por Masamune Shirow para The Ghost in the Shell foi o futuro distópico de 2029, em que a alta tecnologia se mescla com uma sociedade decadente e desigual. É neste universo à beira do colapso que a Major Motoko Kusanagi é a principal agente da Secção 9 da Segurança Pública japonesa. Motoko é uma ciborgue altamente treinada, que tem como missão desvendar uma série de crimes cibernéticos realizados por um hacker conhecido como o Mestre dos Fantoches. Durante a caça ao criminoso virtual, Masamune Shirow insere no argumento questões existencialistas, ponderando inclusivamente se alguém provido meramente de Inteligência Artificial é, de facto, um ser vivo. E foi exactamente essa mistura de ficção científica, acção e temas filosóficos que fizeram do manga The Ghost in the Shell uma leitura obrigatória. Ao ponto de que talvez vá para a Bedeteca Ideal?

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Edit Mex Micro-Cuentos

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A Bedeteca de Lisboa irá colaborar com a edição deste ano da Edit – Feira de Edições de Lisboa trazendo um autor e investigador norte-americano de BD. Seguindo a linha de visitas anuais, inesperadas a Lisboa, do sérvio Vladimir Palibrik, o colombiano Daniel Jiménez Quiroz e o romeno Matei Branea, desta vez a Bedeteca sai das suas portas para apresentar o norte-americano Christopher Sperandiona Galeria Monumental, dia 7 de Julho, às 16h.

Sperandio é professor de Arte na Universidade de Rice em Houston (Texas, EUA) e o seu trabalho colaborativo mapeia várias margens entre a cultura de massas e de museu, tomando várias formas como BD (publicou pela Fantagraphics), jogos, esculturas temporárias, instalações pintadas, TV ou medias digitais.

Na Edit, irá dar uma pequena conferência sobre uma exposição itinerante, organizada por si, intitulada Between Love and Madness: Mexican Comic Art from the 1970s / Entre o Amor e a Loucura: BD Mexicana dos anos 70.

Sobre este tema: Antes da homogeneização da Aldeia Global, a cultura popular tinha uma variedade de formas em cada país. No principio dos anos 60 até meados dos anos 70, a BD no México era particularmente idiossincrática. Os “Micro-cuentos”, eram livrinhos de bolso, que publicavam histórias de géneros populares mas também continham críticas políticas subtis. Há uma estimativa que cada mês eram impressas 56 milhões de revistas e que a população do México era de 65 milhões de pessoas!

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Serão mesmo bons?

 

O mercado de BD em Portugal não pára. São inúmeros os lançamentos que aparecem sobretudo quando há os dois principais festivais de BD – Beja e Amadora. Talvez as editoras o façam nestes momentos porque o público fica tão excitado que compra tudo sem perceber das tretas, como as medíocres antologias do The Lisbon Studio ou o nostálgico Espião Acácio. Não havendo crítica em Portugal, ou melhor, a pouca que há (no Jornal de Letras, Expresso ou no blogue Ler BD) é sempre conivente e simpática com a miséria editorial, torna-se extremamente difícil perceber o que vale a pena gastar dinheiro e, ainda mais valioso, tempo para ler os livros que vão saindo. Não queremos dizer que estes dois livros sejam perda de “dinheiro = tempo” mas quer a Devir quer a G.Floy não deram provas absolutas de coerência editorial que façam delas uma referência para adquirir os seus livros de olhos fechados.

A primeira talvez mereça realmente mais respeito porque só se enterrou uma vez mesmo a sério com um péssimo Diário de Anne Frank – de resto tem publicado “novos clássicos” ocidentais como o Do Inferno como os mestres japoneses na colecção Tsuru. Sabemos que o italiano Manuele Fior sofre de boa reputação mas isso não quer dizer nada nos dias da web.2? E os prémios? Esqueçam, basta lembrar a pobreza dos premiados da última colecção Novela Gráfica, por exemplo. Realmente Cinco Mil Quilómetros por Segundo parece delicioso graficamente… diz a sinopse: Uma história sobre três jovens, Piero, Lucia e Nicola, ilustrada com tons quentes e frios, cores quer vibrantes quer sombrias, cuja alternância traduz as distâncias entre os personagens que habitam este livro: os 5000 Quilómetros que os separam, num espaço e tempo de fugas e reencontros, apenas sugerido. Somos surpreendidos com toda esta luz que nos inunda o olhar e se reflecte no prazer de seguir uma narrativa expressionista, ou apenas contemplar as belas aguarelas…

O catálogo da G.Floy há BDs para “mini-trumps”, muitos fantasminhas e naves espaciais. O Astrágalo foi uma excepção. Era bem escrito, claro!, O texto original era de Albertine Sarrazin! Será o caso de Afirma Pereira, a adaptação de Pierre-Henry Gomont do romance de Antonio Tanbucchi? Diz a sinopse: Obra emblemática sobre a resistência contra o totalitarismo e a censura, Afirma Pereira conta a progressiva tomada de consciência de um homem dos anos 1930 contra a ditadura que se vai erguendo no seu país, aqui contada numa adaptação gráfica profunda, imbuída de uma notável expressividade e dinamismo no seu desenho. (…) Afirma Pereira, de Antonio Tabucchi, é um dos mais belos romances do escritor italiano, que era quase um português por adopção e por paixão pelo nosso país. E é também um dos mais interessantes e complexos romances para adaptar a banda desenhada: o artista francês Pierre-Henry Gomont aceitou o desafio lançado pela sua editora, a Sarbacane, e produziu um dos mais belos e mais premiados livros de BD de 2016 (…)

Iremos esperar por exemplares na Bedeteca de Lisboa, não parece haver razões para grandes pressas. Curiosamente já houve uma oferta anónima do Afirma Pereira e que já chegou à Bedeteca. Não parece que isto seja um bom sinal… E a resposta é “nim”, gostamos porque está bem escrito e tem soluções gráficas interessantes, não gostamos porque faz de Lisboa um lugar turístico com excesso de beleza ignorando as misérias da cidade e claro, porque poucos autores de BD poderiam escrever um bom texto, o que dá que pensar que o livro original será sempre melhor que uma adaptação, não? Seja como for este já está seleccionado prá Bedeteca Ideal.

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It’s only Rock’n’Roll but I like it…

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Gato Mariano e o seu criador Tiago da Bernarda

Este fim-de-semana é bom para quem é do Sul! Sábado para quem está em Setúbal pode apanhar com uma conversa sobre BD e Rock com dois autores portugueses que se dedicam a estes temas: Marcos Farrajota e Tiago da Bernarda. Será na Casa da Cultura de Setúbal que irão apresentar os seus livros Free Dub Metal Punk Hardcore Afro Techno Hip Hop Noise Electro Jazz Hauntology e O Gato Mariano: Críticas Felinas (2014-2018), respectivamente – embora o do Gato Mariano ainda não esteja pronto.

Domingo, dia de depressão e tédio, eis uma nova edição da Feira Morta desta vez na Escola Ar.co. Sempre é melhor do que ir à igreja ou à praia!

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Oh não, a Novela Gráfica…

guardioes_louvre_capaAquilo poderia ser uma motivo de alegria, actualmente é apenas desconfiança pura. Começa hoje a quarta série da Colecção Novela Gráfica da Levoir, distribuída nos próximos meses no jornal Público.

Se a primeira série foi motivo de alegria para um mercado nacional estagnado e que durante décadas não queria saber de Romances Gráficos, dada às escolhas manhosas das últimas séries, o que se espera desta nova?

Começa bem? Sim, com o Jiro Taniguchi, um autor japonês que poderá ser intocável no que diz respeito a Qualidade mas é preciso ver que Os Guardiões do Louvre (imagem) é um trabalho de encomenda do museu francês, logo suspeitamos que poderá ser um trabalho menos pessoal deste autor. Há também um Tardi. O resto são “espanholadas” (portugueses nada e ainda bem, sabe-se lá que foleirada os editores poderiam escolher!) e muitos dos livros são adaptações literárias – I wonder why? Pelo menos não há desta vez “Batman Dogs”…

Como o orçamento não dá para tudo, vamos esperar um ano até que apareçam os livros na Bedeteca de Lisboa, afinal de contas, temos de meter os miúdos na Universidade…

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Vapor

NGIII_08Saiu a 18 de Agosto do ano passado com o jornal Público e eis que chegou hoje à Bedeteca de Lisboa o livro Vapor de Max. Esta foi a melhor notícia de 2017 porque finalmente este autor foi publicado em formato livro depois de nos ter visitado muitas vezes nos festivais de BD do Porto, Lisboa, Amadora e Beja… Claro que o autor foi publicado na revista Quadrado mas isso não basta!

Sinopse: Vapor, um eremita exilado num estranho deserto bastante frequentado, enfrenta a tentação sobre as mais diversas formas, numa história surrealista, entre o minimalismo e o género fantástico, marcada por um humor delirante. Criador de Peter Pank, editor da revista Nosotros Somos los Muertos, um dos nomes maiores da El Vibora e colaborador frequente da New Yorker, o catalão Max, na sua fúria contra o mundo e no seu carinho pela arte dos comics, criou um heroísmo perfeito; tão absurdo que dói no nervo exacto onde a arte se deve sentir.

Entretanto chegaram mais títulos da última edição da Colecção Novela Gráfica e parece confirmar o que pensámos na altura, que este era o único título interessante da colecção, que só deu desilusões. Lamentamos ter divulgado o “light” Vivès e o bimbo do Hanuka. Na altura escrevemos isto: não queremos comprometer a nossa missão de divulgar obras em que não tenhamos um sentido de vazio após a sua leitura. Esperemos voltar a escrever sobre os outros títulos daqui um ano quando os livros chegarem à Bedeteca de Lisboa. Temos pena mas também temos pena da nossa carteira e a futura carreira universitária da nossa filha! Ao contrário dos primeiros dois anos da colecção em que foram lançados álbuns e autores de referência (Crumb, Baudoin,…) este ano a Colecção tem sido uma tanga – tanga por ser Verão ou tanga de opções?

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