Monthly Archives: Dezembro 2011

Ofertas brasileiras

Para além do último número da Prego, a Bedeteca de Lisboa recebeu mais zines de bd brasileiros pela mão do Alex Vieira:

Bananas!, um falso “splitzine” de duas autoras brasileiras a cheiro vaginal da finlandesa Kati Kovács. É bilingue porque repetem as bds em português de um lado e em inglês do outro. Brasileiro é pouco ecológico! Chiquinha e Cynthia B. são as miúdas do zine, a última também edita o zine Goldenshower, verdadeira antologia cheia de humor podre sobre sexo!

A Zica, zine essêncialmente gráfico tem um número dedicado à Morte outro ao… sexo, claro!

– A Prego ainda deixou o seu número 3 e as suas publicações monográficas, uma de Diego Gerlach, Ano do Bumerangue, uma estória pirata com a personagem Fantasma! E duas do Guido T. Imbroisi, Vulgar Manual #1 e QNV (Quadro Negro Verde), ambas cheias de bds surrealistas/ psicadélicas deste autor que já foi publicado em Portugal na antologia Seitan Seitan Scum.

– E por fim, Letal Mágico #1, zine cheio de “besteirol” realizado pelo Estúdio Pinel… para quem gosta do Chiclete Com Banana.

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Sugestão de leitura Processo nº01.02.07

Título: Cuckoo
Autor: Madison Clell
Editor: Green Door Studios
Data: 2002
Formato: Livro
ISBN: 0-9711822-0-5

São estes livros que infelizmente nos recordam o quão ridículo é o termo “comic” para nomear banda desenhada em inglês. Os “Comics”, que se popularizaram nos finais do séc. XIX e inícios do séc. XX, eram realmente caricaturais e cómicos, entretenimento familiar e para as massas. Nos anos 30 apareceram os “comic-books”, revistas que começaram por compilar em papel barato as bd’s que eram publicadas nos jornais e que mais tarde começaram a editar conteúdo próprio. São revistas de formato maior que o A5 (na realidade: 17x26cm) de 32 páginas com bd impressa e com publicidade. Nos anos 50 passaram a ter um código de censura (o famoso “Comics Code”) para continuarem a ser distribuídas nos quiosques e só a partir dos anos 60 tiveram uma distribuição alternativa (sem código) com o movimento “underground”.

É neste contexto, o alternativo, que vamos encontrar Cuckoo de Madison Clell, certamente motivada pela nova movida do alternativo nos anos 90. Lançou 13 números deste título no formato “comic-book” e neste novo milénio compilou o material em formato de livro. De “cómico” as bd’s de Clell nada tem porque tratam de uma doença de foro psicológico, narrado e desenhado na primeira pessoa. Clell quando era criança foi raptada e violada – a caminho de casa – e desde então criou um uma desordem mental, conhecida popularmente como Múltipla Personalidade. Ou seja, “tem outras pessoas” dentro dela – na realidade as outras personalidades são processos psíquicos pós traumáticos que a protegem das memórias da violação quando criança. Clell procurou a bd como uma forma de “falar” do assunto, não faltando excertos que são catarses (no caso da violação), relatos de confusão na vida quotidiana e nas relações sociais (“as outras pessoas dentro de Clell” fazem uma série de gracinhas com as contas bancárias / cartões de crédito, por exemplo), da descoberta da sua desordem mental e das memórias da violação que reprimiu durante o resto da infância e juventude. E serve também a bd para divulgar e prevenir as pessoas sobre as questões de Múltipla Personalidade.

Apesar do trabalho de Clell ser “realista” (biográfico / vivencial) curiosamente, como a autora admite numa entrevista, os desenhos lembram uma série de Fantasia, nomeadamente Elfquest da dupla Wendy e Richard Pini mas longe do virtuosismo destes, pelo contrário o trabalho, narrativo e gráfico, de Clell é duro de se ler para quem não está habituado à lógica “Do It Yourself” dos fanzines. O desenho de Clell é o da estética lo-fi, diria mesmo “apunkalhado” de quem viveu os tempos do Grunge.

Para comparar a outras obras em bd que tratam de questões de doença, Cuckoo está longe do desenho rigoroso e do relato na terceira pessoa de L’ascension du Haut-Mal de David B (que trata da epilepsia do irmão do autor) e próximo do relato da primeira pessoa e desenho alternativo norte-americano de Our cancer Year de Harvey Pekar et al. Obras essas que podem ser consultadas e emprestadas também na Bedeteca de Lisboa. Mas Cuckoo tem vida própria que foge a estas tabelas porque é nitidamente casado com o registo imediato e o confuso por necessidade ou por opção – resultado das suas várias personalidades?

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Sugestão de leitura Processo nº01.12.06

Título: Em toda a parte : Everywhere : Partout
Autor: Baladi
Editor: Polvo
Data: 2006
Suporte: Livro
ISBN: 978-989-95180-1-8

Conhecer um autor – seja do que for – pode ser uma agradável surpresa como uma terrível desilusão. E quem o decide é o leitor quando o encontra porque até lá vai imaginá-lo desta ou daquela forma em parte devido às sensações, tiques, maneirismos que o autor transmite na sua obra. Claro que nos dias da Web tal jogo de surpresas e desilusões são esbatidas. É quase raro os autores terem uma capa de mistério tal é a quantidade de informação privada acessível. No mundo da banda desenhada, devido à sua falta de interesse mediática e económica – tirando os autores que funcionam no “star system” – continua um campo aberto de encontros inesperados.

Baladi (1969; Suiça) é um dos autores mais prestigiados da nova geração suíça que por mero acaso conheci em vários festivais de bd (em Berlim e Angoulême) e escrevo, não para me gabar de o ter conhecido, mas sim para chamar a atenção para o facto do trabalho do autor se misturar – à superfície e porque também foi assim que o conheci, em convívio social ligeiramente fútil – com o seu trabalho.

Antes deste Em toda a parte ter saído, a Polvo tinha editado Explicar tudo (na colecção Primata) um conto de uma “trip” mas sem ácido. Um “simulacro” (um alter-ego?) do autor está numa festa e começa a alucinar. Quando volta à consciência as pessoas dizem “mas tu nem tomaste nada” ou “é de comeres pouco”. “Em toda a parte” ele (simulacro e/ou autor) aparece outra vez. Um tipo meio confuso «é contemplado com uma viagem à volta do mundo. Ao longo das várias escalas dessa viagem de sonho, cruza-se com uma enigmática figura, que lhe surge cada vez com maior frequência, um pouco por todo o lado. De regresso a casa, verifica que nem tudo se encontra como deixou e que a estranha figura está cada vez mais presente.» A figura misteriosa, uma espécie de “Bugs Bunny psicadélico”, é um ícone que aparece em tudo o que é roupa, objectos e até numa tatuagem, ubíquo à escala planetária. Parte do livro, que me esqueci de referir até agora ser uma bd muda, ou seja, uma bd sem palavras, parece uma critica aqueles “3 círculos pretos que fazem um certo rato” que é o ícone mais importante do planeta rendido ao capitalismo mais feroz dos logótipos e das marcas.

Graficamente Baladi tem um traço devedor ao “underground” norte-americano mas ainda mais negro e contrastado, o que dá ao “simulacro do autor” um ar ainda mais pesado e depressivo. Curiosamente a ideia de “um simulacro do autor” vem da semelhança física do autor e da personagem desenhada – ambos são barbudos e tem aquele ar de quem anda meio perdido. Parte do livro é uma espécie de descontrolo hormonal de quem se sente perdido, incapaz de manter relações sociais e afectivas sólidas. É esse o Baladi que conheci?

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Que Prego!

O brasileiro Alex Vieira, editor da revista Prego e convidado especial da Feira Laica, já veio fazer uma visitinha à Bedeteca de Lisboa e deixou o último número da sua publicação – onde participa um autor português, Marcos Farrajota!

Vai haver uma festa de despedida na Quinta-Feira! Uma excelente oportunidade para quem não conseguiu visitar a Laica neste passado fim-de-semana.

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Sugestão de leitura Processo nº01.07.06

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Título: Os Guardiães de Maser
Autor: Massimiliano Frezzato
Editor: Vitamina BD
Data: 2003-2005
Suporte: Livro (6 volumes)
ISBN: 972-98327-0-6 (vol. I); 972-8658-46-X (vol. II); 972-98327-4-9 (vol. III); 972-98327-5-7 (vol. IV); 972-8658-38-9 (vol. V); 972-8658-87-7 (vol. VI)

Foi em 1999 que a editora Vitamina BD começou a sua actividade e logo com uma “bomba”. Não que a série “Os Guardiães de Maser” seja uma Obra-Prima ou até duvido que se trate de Arte com a maiúscula necessária. Longe disso, é uma série de entretenimento para fãs de ficção científica e aventura fantástica, de uma expressividade plástica “kitsch”, “realista” e impressionante pelo virtuosismo – e não por ser impressionista, claro.

Série que combina todos os elementos que agradam os fãs dos géneros referidos não faltam ao longo das suas páginas robots, aeronaves, criaturas bizarras, gadgets electro-mecânicos, culturas aliens, criaturas fofas e outras nem por isso, perseguições, lutas e mais lutas, voltas e reviravoltas de situações, onde a dada altura somos capazes de lembrarmo-nos de “Star Wars” ou “Nausicaa of the Valley of the Wind” (do japonês Miiazaki).

Visualmente, somos obrigados admitir que se trata de uma bd (literalmente) espectacular, ao ponto de quase superar qualquer filme dos géneros referidos. Realmente “Star Wars” e “Senhor dos Anéis” ficam uma “bocado a desejar” quando vemos toda esta imaginação “económica” – não são necessários milhares de dólares e equipas de milhares de pessoas para fazer esta bd – nem quando a partir do 3º volume Frezzato passa a ter a ajuda de Nikita Madryka no argumento.

A acção decorre no «planeta Kolonia, cuja civilização foi aniquilada há 60 anos, por um bando de anões que se revoltaram contra os cientistas humanos que controlavam a Torre de Maser. Uma torre que todos procuram, mas cuja localização actual ninguém conhece e que, por isso mesmo, adquiriu uma dimensão lendária do tipo Graal.» Não falta nestas aventuras um herói trapalhão, involuntário e simpático, chamado Fango. Não deveria dizer como acaba, mas devo avisar que apesar da série ter sido prevista originalmente para 3 trilogias, o autor acabou por conclui-la em duas – o que equivale a 6 álbuns. O final é inesperadamente “freaky”!

Voltando atrás, como dizia, “bomba” deve-se também ao facto da Vitamina BD ter começado a trabalhar em co-produção e co-impressão internacional dos seus álbuns de bd conseguindo a nível técnico que fossem luxuosos, muito bem impressos e com boa apresentação a preços bastante agradáveis. Pratica essa que tem mantido, imediatamente seguida pelas outras editoras de bd – independentemente da qualidade das obras publicadas. De resto, o sucesso comercial da obra foi consequência deste trabalho editorial “inovador”, trabalho esse que “não acaba” uma vez que os volumes que esgotam, tem vindo a ser reimpressos, fazendo dos “Guardiães” uma obra sempre acessível no mercado livreiro.

Para umas férias que se aproximam, eis 6 volumes que darão umas boas “hozs” (horas no universo de Maser) de leitura leve.

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Redol comics revival


Até 11 de Março de 2012 é possível ver no Museu do Neo-Realismo uma exposição decicada aos arquivos de um concurso de bd realizada em 1989 onde curiosamente um dos vencedores foi um muito jovem João Fazenda! Deve ser curioso…

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Oferta invisível

Saiu na CHILI ao QUADRADO e já veio parar à Bedeteca de Lisboa! É o novo zine de bd de Bruno Borges que compila trabalhos deste autor alguns inêditos, um trabalho de concurso (Ligatura), a bd em “versão original” do Futuro Primitivo, para o evento Novo Doba e o poster Silent Wall Army, provando a crescente a produção de bd deste artista.

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