Monthly Archives: Julho 2017

Valérian

Press-Release_Valerian

O jornal Público e a Asa / Leya a partir de 26 de Julho começam a colecção Valérian e Laureline da autoria de Pierre Christin (a) e Jean-Claude Mézières (d), composta por 12 volumes (11 dos quais são álbuns duplos), que incluem todos os 23 álbuns até agora publicados destes intrépidos agentes espaço-temporais ao serviço de Galaxity, capital do Império Galáctico Terrestre no séc. XXVIII.

Esta série é também uma obra-prima da ficção científica, tendo influenciado todas as criações posteriores nesse domínio, na literatura e não só.

No âmbito da produção cinematográfica, serviu de inspiração a vários realizadores, entre os quais George Lucas e Luc Besson. Este último, admirador confesso da série e dos seus autores, assina a longa-metragem Valérian e a Cidade dos Mil Planetas, com estreia nas salas portuguesas dia 27 de Julho.

Deixe um comentário

Filed under bd estrangeira, silly season

Esperamos não estar a deitar os foguetes antes da festa…

Final-300_Medina-393

Richard Câmara

Foram abertas as Bolsas de Criação Literária prometidas em Março deste ano! Eis o regulamento: livro.dglab.gov.pt/sites/DGLB/Portugues/noticiasEventos/Paginas/BOLSAS-DE-CRIACAO-LITERARIA.aspx

As bolsas foram criadas em 1996 e a sua atribuição foi interrompida em 2002, e reactivadas este ano (…) O modelo permite, pela primeira vez, a candidatura de autores sem trabalhos editados, podendo vir a apresentar um projecto de escrita com orientações sobre o trabalho a realizar. Outra novidade é a possibilidade de se candidataram projectos nas áreas da banda desenhada, literatura infanto-juvenil e obras de ilustração, enquanto a portaria de 1996 admitia estas modalidades apenas a título “excepcional”.

Até 2002, ano em que este programa foi suspenso, as bolsas eram atribuídas por doze meses e, a partir de agora, podem ter uma duração de apenas seis meses, adaptando-se a cada um dos projectos, o que, em vez de doze bolsas anuais, poderá traduzir-se na concessão de 24 bolsas por ano (…) em 2002, foram apoiados 72 autores, entre os quais Luísa Costa Gomes, Almeida Faria, José Luís Peixoto, Luís Cardoso, Possidónio Cachapa, Al Berto, Fernando Campos, Inês Pedrosa, Adília Lopes e Graça Lobo.

No caso da Banda Desenhada foram atribuídas bolsas a seis trabalhos entre 1998 e 2002, dos quais cinco foram publicados com boa recepção pública e da crítica e três tiveram publicação internacional, a saber:

Mesmo com uma pequena mancha – e não estamos a culpabilizar o autor, as editoras é que foram cegas em não terem publicado o livro de Câmara – perguntamos quantas obras noutras áreas tiveram este mesmo impacto e percentagem de sucesso? Repor estas bolsas era de máxima importância para que a BD portuguesa possa voltar a respirar. Por esta acção podemos dizer que o actual Governo está de parabéns!!!

Deixe um comentário

Filed under bd portuguesa, concursos

RAIA – Tráfico de edições e afins

FEIRA LAICA - edição independente

Caros editores, estão convidados para participar na Raia.

Raia
Tráfico de edições e afins.
Anjos 70 (antigo Regueirão dos Anjos)
21 e 22 de Outubro — das 14 às 24 (Sábado); das 14 às 20 (domingo)

Estamos na fronteira mas não há linhas no chão.

Em Lisboa, durante o fim de semana de 21 e 22 de Outubro, a Raia será o lugar para apresentar e vender edições, discos e artes gráficas. Paralelamente, haverá programação com lançamentos, leituras, exposições, música e projecção de filmes.

A Raia será dos pequenos editores e dos artistas gráficos.

A Raia não tem apoios institucionais. A receita do aluguer das bancas será utilizada exclusivamente para as despesas decorrentes da organização. O espaço de uma banca pequena (de 1,5 m2, aproximadamente) custará 7 euros; o espaço de uma banca grande (de 3 metros aproximadamente) custará 14 euros. O aluguer do tampo e dos cavaletes de uma…

View original post mais 260 palavras

Deixe um comentário

Filed under mercado

Necromancia no Milhões

necro7

Mais uma vez a Chili Com Carne organiza um mercado de edição independente no Milhões de Festa, o festival de Rock de Verão mais “cool” do/a _________ (preencher, sff) nos dias 20 e 23 de Julho. Desta vez vai acompanhada pelo Gato Mariano, Lovers & Lollypops, MMMNNNRRRG, Signal Rex (editora de Metal), os artistas Rui Moura (ilustrador do cartaz) e Xavier Almeida – criador de zines de BD dedicados ao evento.

Ah! Este ano o festival oferece um fanzine de BD sobre o evento com trabalhos inéditos de Ana Caspão, Joaquim Almeida, João Silvestre, Xavier Almeida, Marcos Farrajota, Tiago da Bernarda, Gonçalo Duarte, Rui Moura, André Pereira, Rudolfo e Ricardo Martins.

Deixe um comentário

Filed under mercado, zines

figurasavulsas

Daniel_Lima_web

Até ao final do ano é possível visitar uma exposição da obra gráfica de Daniel Lima patente na Biblioteca Municipal de Viana do Castelo.

Exposição de Obra Gráfica é um projecto de exposições cujo tema é a obra de um artista convidado, de reconhecido valor, publicada em livros, jornais e revistas por editoras e instituições nacionais e estrangeiras.

Deixe um comentário

Filed under acontecimentos, ilustração

Mais famoso que Cristo…

thumbnail_Convite Santo Antonio na BD 9 maio

De 18 de Julho até 27 de Setembro, no Museu de Sto. António estará patente uma exposição dedicada às representações na BD portuguesa do santo popular mais popular do mundo. A Bedeteca de Lisboa apoiou nesta investigação. Uma curiosidade que aqui divulgamos, apesar do nosso ateísmo…

Estatua Santo Antonio (01) novoTexto do catálogo (disponível na Bedeteca): É-nos dito que Sto. António é o santo mais representado, imageticamente, em todo o mundo e sendo verdade eis um santo que se adequa bem à banda desenhada, área artística que tal como ele está em metamorfose contínua, assumindo cambiantes (des)multiplicadas, com interacção entre o sagrado e o profano, o erudito e o popular, o cristão e o pagão. Essas metamorfoses são perfeitamente perceptíveis visitando o Museu de Sto. António. Logo à entrada, no largo, rebuscando a lógica da Coluna de Trajano – monumento romano de 113 d.c. que é considerado como uma “proto-BD” – encontra-se a estátua de Domingos Soares Branco (1925-2013), inaugurada em 1982, em que vemos uma imagem de Sto António assente sobre base em cobre, profusamente decorada, onde é representada a sua biografia, incluindo os seus vários milagres. Também fazem parte do acervo do Museu alguns impressos italianos e alemães do século XX com o santo ilustrado ao centro rodeado por vinhetas arredondadas relatando sobre os seus milagres. A disposição parece-nos aleatória mas devido à óbvia narração, eis umas “BDs” em estado de graça.

1881Esta congénita interacção entre o erudito e o popular, leva a que este monstrum miraculorum seja o mais representado na BD portuguesa e outras áreas adjacentes, a começar logo pelo “pai” da BD portuguesa Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905) que usou e abusou da figura do Santantoninho em cartoons, ilustrações e BDs nas suas diatribes à Monarquia nos periódicos Pontos nos ii e O António Maria. O seu filho Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro (1867-1920) segui-lhe a pista da sátira política como se observa na sua crítica ao 7º Centenário de Sto. António em 1895.

Este tipo de registo crítico e publicado em jornais vai-se perder ao longo do século XX, reencontramos no Sempre Fixe em 1935 graças aos “Ecos da Semana” de Carlos Botelho (1899-1982). Este autor irá representá-lo mais vezes na maior parte das vezes sem a devoção religiosa ou institucional que o Antigo Regime obrigava mas, tal como os Bordalos, pela sua capacidade em gerar fenómenos sociais e culturais gigantescos como as marchas populares, às quais Botelho queixa-se em 1947, implorando por uma vacina contra esta maldita canção a “Marcha de Lisboa” ou um novo terramoto na capital! A obra de Botelho sempre foi e sempre será fora de comum na História da BD portuguesa, ou mundial, pelo seu formato cronista balizado entre 1928 e 1950. Também teve poucas sequelas. Uma delas foi a série À Esquina escrita por João Paulo Cotrim (1965) e desenhada por Pedro Burgos (1968) publicada entre 1998 e 1999 no jornal Público. Numa das tiras, é reportado a cidade em festa sob a bênção do santo, bastante assustado com tanta devoção popular que inspirou ao povo.

1952 (1) Bedeteca Cavaleiro AndanteSerá no “reino da pequenada” que haverá a seguir mais registos, sobretudo em ilustração nas revistas infanto-juvenis de BD mais emblemáticas do século XX como Diabrete (passe a ironia) ou Mundo de Aventuras. É visto em artigos dedicados aos Santos Populares e as suas festas, publicados nos números do mês de Junho e intercalados entre BDs de aventuras e humor típicas da época. Daqui, destacamos a capa de Fernando Bento (1910-1996) para o nº 23 do Cavaleiro Andante, de 1952, em que aparecem todos os heróis publicados na altura na revista a festejar os as destas dos três santos populares – S. Pedro, Sto. António e S. João – com ares de subserviência, pouco importando se um deles até é o Rei da Selva Tarzan ou outro é o repórter belga Tintim. Será Bento o primeiro a realizar uma biografia em BD sobre Sto. António no Diabrete nº128, de 1943. Dez anos depois há um curioso “jogo narrativo” na capa de Lusitas, uma publicação da Mocidade Portuguesa Feminina, desenhada por Mitza, pseudónimo de Maria Teresa Andrade Santos (1929), que mimetiza uma página de BD. Na realidade são ilustrações de episódios dos três santos populares, em que a leitora precisava de adivinhar quais as cenas que pertenciam às biografias dos respectivos santos. Em 1950 mais um mimetismo, uma página entre a BD e a ilustração de Vítor Silva (1932), no suplemento Joaninha da Revista Moda e Bordados. Em 1967, Eugénio Silva (1937) faz uma BD da vida do santo para um livro escolar, segue-se Baptista Mendes (1937) para o nº 454 do Mundo de Aventuras de 1982 e mais recentemente José Garcês (1928) consagrou um álbum inteiro intitulado Santo António em Banda Desenhada (Europress; 2016) e que deu o mote a esta exposição.

Sintetizando estas duas “facções”, a iconoclasta das páginas da imprensa e a didáctica das revistas e livros juvenis, está Nuno Saraiva (1969) que no jornal Sol, em 2011, ata o seu reconhecido perfil humorístico a uma pedagogia soft para explicar a tradição secular do “Dê-me uma moedinha para o Santo António”. Como bem se sabe, Saraiva tem sido o principal ilustrador das Festas da Cidade nesta década, não lhe faltando Santantoninhos nas suas dezenas de ilustrações de programas, cartazes e outra efémera.

Para fechar, o universo de Sto. António ainda aparece em algumas vinhetas por aí fora: figura histórica no primeiro volume de História de Portugal (1985) de A. Do Carmo Reis (1942) e Garcês; a sua ”identidade secreta” é comentada, a sua casa, que foi o local do senado da Câmara de Lisboa até 1753 é retratada e uma procissão em seu nome é vista por Beckford nos dois volumes de História de Lisboa (1998-2000) de A.H. de Oliveira Marques (1933-2007) e Filipe Abranches (1965); uma marcha popular no seu dia é vista em “3 de Braço Dado”, série com personagens teriomorfizados de Mitza com desenhos de Bixa (1926), pseudónimo de Maria Antónia Cabral no mesmo número da Lusitas já referido; e a sua estátua emblemática que identifica o bairro de Alvalade, centro de actividade Punk nos anos 80, é mostrada numa BD de Afonso Cortez-Pinto (1978) e é extremamente mal desenhado pela mão esquerda do dextro Marcos Farrajota (1973) num encarte sem título que acompanha o disco Raridades, vol.1 (2009).

Apesar desta lista não ser gigante, não deixa de fazer um corpo curioso de referências da BD portuguesa dos seus primórdios até aos dias de hoje. Existem mais algumas obras de BD portuguesa baseadas em figuras do Catolicismo, não muitas mais, no entanto Sto. António vence em número todas as outras. Lembramo-nos d’A Carga (2008) de Susa Monteiro dedicada a S. Vicente e se referimos aqui a “oposição” é porque em 2014, dois autores ligados à BD, José Eduardo Rocha (1961) e Pedro Moura (1973), produziram a peça Cabaret Vicente exibida no Teatro S. Luiz, que metia estes dois santos num concurso de popularidade. Sto. António perde nesta rivalidade teatralizada. Para nós parece que foi injusto o resultado porque desconfiamos que Sto António nos terrenos da Pop é análogo ao que John Lennon afirmou em 1966 quando disse que os Beatles eram mais populares que Jesus Cristo…

Deixe um comentário

Filed under acontecimentos, bd portuguesa, referência

Ignorantes

AF_NOVELAS_GRAFICAS_2017_03_capa

Saiu hoje com o jornal Público o álbum Os Ignorantes – Relato de uma Iniciação Cruzada de Étienne Davodeau, no âmbito da Colecção Novela Gráfica 2017.

Diz a sinopse: O que têm em comum um produtor de vinho biológico e um autor de BD? Esta obra relata a experiência de dois amigos, Étienne Davodeau, um dos maiores autores de banda desenhada francesa actual, que não sabe nada de vinhos e Richard Leroy, viticultor que quase nunca leu BD. Juntos irão descobrir a ligação entre duas áreas aparentemente tão distintas.

O vinho e a BD vão servir de base a esta obra nomeada para a selecção oficial do Festival de Angoulême e mostrar que para a produção de vinhos e para a criação de um livro são necessárias dedicação, paixão e amor para que o trabalho seja bem realizado. Davodeau convida Leroy a partilhar a sua vida de viticultor em Anjou, França. Étienne foi trabalhar nas vinhas e na adega de Richard, durante mais de um ano, e este mergulhou no mundo do autor aprendendo como se produz um livro, como se promove nos Festivais, como é a relação com os fãs, com a editora e descobrindo que existem tantas maneiras de o fazer quantas as de produzir um vinho.

 

Deixe um comentário

Filed under bd estrangeira, press center