Monthly Archives: Julho 2017

Deserto / Nuvem na Bedeteca de Lisboa

Chegou à Bedeteca de Lisboa o livro duplo Deserto e Nuvem de Francisco Sousa Lobo lançado na última Feira do Livro de Lisboa, pela Chili Com Carne.

Diz a sinopse: 1 claustro vazio em Évora / 1 ordem católica de silêncio e solidão / 1 inquérito espiritual / 2 livros num só / 20 cartas sem resposta / Muitas visitas do autor em dúvida … Deserto e Nuvem são obras de longo curso que examinam a forma de vida na Cartuxa de Évora, onde alguns monges resistem aos costumes do mundo, em absoluto silêncio e solidão. Serve este exame de pretexto para focar a própria natureza da fé humana, do apego às coisas do mundo, do que nos faz sentido. Deserto é composto de uma única narrativa centrada numa semana passada junto a Scala Coeli (escada do céu), que é como se chama a Cartuxa de Évora. É um livro quase jornalístico. Nuvem é composto de 20 cartas endereçadas a um monge cartuxo, e pode ser lido como uma resistência contra ambos os extremos que circundam a fé – o extremo que sabe que Deus não existe, e o extremo que se contenta com absurdos.

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Agave

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Um livro pode sempre ter outro nome, outra capa. Outra mão que o conduza, fundo, para dentro do mistério de que se resolve o mundo. No coração de Agave reúne-se um ciclo de poemas aludindo ao corpo transgressor vivenciando um México inflectido. Através da raiz da sua forma, expirando os conteúdos em verso num livrinho fixando esses mundos que, do olhar, encontram uma expressão no interior vago e inquieto da poesia. São nove poemas em caligrama pendular, editados pela Douda Correria – a editora portuguesa de poesia mais dinâmica do momento…

O livro é de de autoria de Diniz Conefrey – que ainda recentemente lançou o seu novo álbum de BD Nagual e já se encontra um exemplar para consulta e empréstimo na Bedeteca de Lisboa.

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Polina

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Apostamos neste livro como dos poucos títulos que se aproveitam da Colecção Novela Gráfica 2017: Polina de Bastien Vivès. Sai hoje com o jornal Público, claro, e custa os 10 paus que permitem arriscar nestes livros…

Dizem as informações oficiais: Bastien Vivès é um jovem prodígio da BD franco-belga, que já ganhou duas vezes o Festival de Angoulême, em 2009 e novamente em 2015. Co-criador da popular série Last Man com Balak e Michaël Sanlaville, possui um estilo indefinível, porque plural e em constante evolução, tendo todos os álbuns uma forma comum de nostalgia poética.

É difícil dizer o que mais surpreende em Bastien Vivès, se o seu virtuosismo gráfico ou a sua capacidade para contar histórias. E esta, que o autor nos conta, é a da pequena Polina Oulinova, de seis anos que vai fazer um teste numa prestigiada escola de dança. Apesar da falta de flexibilidade, é seleccionada para integrar as aulas de Nikita Bojinski, um professor de uma exigência absoluta, temido e admirado pelos seus alunos. Bojinski deixa poucas dúvidas quanto ao método que pretende utilizar para transformá-los em bailarinos de dança clássica: A dança é uma arte, não se aprende. Primeiro, traz-se no sangue e, depois, tem de se trabalhar. Comigo, vão trabalhar todos os dias e, acreditem, vai ser duro. Mas, se me derem ouvidos e trabalharem com inteligência, podem chegar longe.

Ao longo de seu percurso, Polina desenvolve com o seu professor uma relação complexa entre antagonismo e submissão. Polina é uma obra de grande leveza e graciosidade, e ainda assim, densa em conteúdo.

Polina foi adaptada ao cinema por Valérie Muller, com Juliette Binoche no seu elenco, e será apresentada no cinema este mês.

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Quinta da Nimona

nimonaQuinta-Feira em que chegam novidades editoriais à Bedeteca de Lisboa e eis Nimona de Noelle Stevenson lançado pela Saída de Emergência que comprova o que escrevemos aqui há alguns meses: que a melhor BD comercial actualmente é feita para teenagers e/ou miúdas / mulheres – e por mulheres! Há várias teorias para tal, por exemplo, ou porque a entrada das mulheres na indústria da BD trouxe ar fresco batendo os clichés do clube de rapazes “bedófilos” ou porque os web-comics trouxeram estruturas narrativas mais descomplexadas (Nimona originalmente foi feito para a ‘net)… ou ainda pelo facto dos criadores serem mais livres na ‘net ou em editoras “indies” (versus as marcas registadas das duas bestas editoriais DC e Marvel) podendo contar histórias menos tipificadas que manipulam os estereótipos (como bem analisa Pedro Moura no seu Ler BD)… ou ainda talvez pela influência do Manga comercial que sempre jogou com os sistemas binários bem/ mal, rapaz/ rapariga, etc… ou… tanto faz, o século XXI será nosso! Das mulheres!

Diz a sinopse: Quando o vilão Lorde Ballister Coração Negro conhece uma rapariga misteriosa de nome Nimona, ambos são impelidos a uma parceria criminosa com o objectivo de lançar o caos no reino. Assumem como missão provar perante todos que Sir Ambrosius Virilha Dourada e os seus comparsas no Instituto Para a Aplicação da Lei & Heroísmo não são tão heróicos e nobres como todos julgam. Vão ocorrer imensas EXPLOSÕES. E CIÊNCIA E TUBARÕES também não vão faltar. 

Obra seleccionada para a Bedeteca Ideal.

Curiosamente meses antes a Devir editou uma outra obra de Stevesson, as Lumberjanes… Quem sabe? Se calhar também é fixe para “teens”? Como vamos saber?

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Visita de Estudo na Bedeteca de Lisboa

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Já chegou à Bedeteca de Lisboa o zine do Milhões de Festa, publicação elaborada por este festival e a Chili Com Carne, que finge ser um livrito de uma escola de Corvos (Anais) que fez uma visita de estudo ao evento – mas que deram drogas duras aos alunos, certo? A capa é do Rudolfo e participam os seguintes “alunos”: Ana CaspãoAndré PereiraGonçalo DuarteJoão SilvestreJoaquim Almeida, Marcos FarrajotaRicardo MartinsRui MouraTiago da Bernarda e Xavier Almeida – este último um “repetente” nestas andanças com as suas Novelas Porno-Gráficas.

 

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Valérian

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O jornal Público e a Asa / Leya a partir de HOJE começam a colecção Valérian e Laureline da autoria de Pierre Christin (a) e Jean-Claude Mézières (d), composta por 12 volumes (11 dos quais são álbuns duplos), que incluem todos os 23 álbuns até agora publicados destes intrépidos agentes espaço-temporais ao serviço de Galaxity, capital do Império Galáctico Terrestre no séc. XXVIII.

Esta série é também uma obra-prima da ficção científica, tendo influenciado todas as criações posteriores nesse domínio, na literatura e não só.

No âmbito da produção cinematográfica, serviu de inspiração a vários realizadores, entre os quais George Lucas e Luc Besson. Este último, admirador confesso da série e dos seus autores, assina a longa-metragem Valérian e a Cidade dos Mil Planetas, com estreia nas salas portuguesas AMANHÃ.

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Oferta luso-cubana!

Está disponível na Bedeteca de Lisboa um número da revista cubana «latinoamericana de estudio de la historieta» (c) Linea. Um funcionário da Bedeteca explicou-nos o “como e porquê” desta aquisição: estava no Porto [em 2011] e fui à feira da ladra de lá [é a Vandoma, para quem não sabe] e reparei em dois exemplares desta revista que só conhecia da publicidade da Visão [mítica revista portuguesa de BD de 1975/76, a primeira revista de BD de autor em Portugal] que a distribuía em Portugal. O engraçado é que num dos exemplares até tinha um recibo de venda ao assinante / comprador das revistas (…) fiquei com uma revista para mim porque o aspecto vintage do seu design tem alguma piada e achei bem oferecer o outro número, até porque só custou 1 euro – a Vandoma é fabulosamente barata!

Num formato A5, com duas páginas a cores, a revista divulga autores cubanos e artigos sobre BD e cinema de animação numa perspectiva anti-imperialista / anti-capitalista. Um dos artigos curiosamente vêm da Sociedade Finlandesa de BD que fala dos monopólios editoriais da Escandinávia e a continua influência da BD norte-americana a afundar as produções nacionais. A Sociedade existe desde 1971, a revista teve uma vida entre 1973 e 1977 – não se consegue precisar a data concreta, talvez seja de 1974 – o que mostra que o mundo não mudou tanto como isso… Os monopólios ainda são os mesmos passados 40 anos! Hasta la victória, siempre!

Mais sobre a revista e a BD cubana pode ser consultada no catálogo do Festival de BD Amadora 2006.

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