Monthly Archives: Setembro 2018

Cercando o desenho e a ilustração

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Duas exposições na Casa da Cerca inauguram este Sábado, às 15h30.

Uma de Desenho pela Ar.Co. intitulada Uma Pequena História da Linha. Seleção de Desenhos da Colecção do Ar.Co com artistas como Alexandre Conefrey, Ana Hatherly, Ana Jotta, Daniel Lima, Jorge Nesbitt, Mattia Denisse, Sara & André, entre outros… No seu 25.º aniversário a Casa da Cerca, desafiou o Ar.Co a mostrar aqui uma parte da sua colecção de desenho. Uma colecção que é feita de afectos, de histórias pessoais, de relações. Reunindo um conjunto de 28 artistas, provindos de diferentes universos e com estatutos muito diferentes no mercado da arte, a exposição faz uma pequena história da escola que é também, na sua diversidade, uma pequena história da linha.

Uma outra de Ilustração, organizada por Jorge Silva, intitulada A luta continua! 140 anos de Ilustração Portuguesa (imagem). A Ilustração parece ser arte amável, mais dada à metáfora e à erudição, e montra recatada do talento gráfico do artista, sem gritar ou conspirar na rua. O trabalho duro parece sobrar para os parentes de mau feitio congénito, como o cartune e a caricatura. E no entanto, ao longo dos tempos, muita revolução, muita luta, mesmo surda ou cínica, contra ismos e tiranos, se forjou também na ilustração de livros, cartazes e jornais, militante de causas e sonhos. (…) Esta mostra sintética passeia-se por 140 anos deste pedaço das artes visuais portuguesas (…) com trabalhos de Alice Geirinhas, André Ruivo, Dorindo Carvalho, Ferreira da Silva, Henrique Manuel, Henrique Ruivo, João Abel Manta, João da Câmara Leme, João Fazenda, João Fonte Santa, João Pedroso, José Vilhena, Manuel Macedo, Manuel Paula, Manuel Ribeiro de Pavia, Oficina Arara, Pedro Cabral, Pedro Zamith, Rogério Ribeiro, Sílvia Rodrigues, Stuart de Carvalhais, Tiago Manuel, Tom e Tóssan.

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Manta 90/40

Montag : para retronautas

Abre no dia 27 de Setembro, Sábado, na Galeria Valbom em Lisboa a exposição MANTA 90/40, dedicada à comemoração dos 90 anos de João Abel Manta e aos 40 anos da edição de Caricaturas Portuguesas dos Anos de Salazar, a sua obra-prima. Sou o curador científico da exposição e o responsável pelo design do livro/catálogo, publicado pela galeria e pela Caleidoscópio, que inclui também dois textos meus. Está aberta até 10 de Novembro.

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Concurso BD Amadora

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Detalhe do cartaz do ano passado (desenho de Nuno Saraiva)

Já está a bombar o concurso do Festival BD Amadora cuja entrega dos trabalhos é até 8 de Outubro. O tema é livre. Regulamento em pt-pt.facebook.com/amadorabd

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Cursos da Ar.co

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Rafael Santos, in Pentângulo #1

Responsáveis de departamento: Jorge Nesbitt e Daniel LimaProfessores: Madalena Parreira, Jorge Nesbitt, Daniel Lima, Berta Ehrlich, João Catarino, Marcos Farrajota, Cecilia Silveira, André Pereira, Rita Thomaz, Teodora Boneva, Catarina Sobral, João Carola, Pedro Moura, Manuela Correia Braga, Filipe Abranches, Nuno Saraiva, Catarina Lente, Amanda Bazea, Vasco Ruivo e professores convidados.

CURSOS COMPLETOS

Em horário diurno e pós-laboral

Curso regular de 3 anos dedicado a desenvolver competências técnicas e autorais em Ilustração e Banda Desenhada, entendidas como áreas de pensamento e expressão gráficas e narrativa. Desenvolvimento posterior: candidatura a Projecto Individual e/ou Curso Avançado de Artes Plásticas.

data: 08 Out 2018 a 21 Jun 2019

 

FORMAÇÃO PONTUAL

O Departamento programa regularmente cursos de formação pontual, workshops, cursos teóricos, aulas abertas, conversas com convidados em horário diurno e pós-laboral: 
Ilustração Científica, Ilustração Infantil, Cartoon Político, Edição de livro ilustrado, Ilustração Digital, Argumento para Ilustração, Desenho Narrativo, Desenho Burlesco, Animação,Uma história ilustrada, Adaptação do conto literário em BD, O mercado da ilustração, Portefólio de Ilustração, Livros autores editores e divulgadores, Gravura para ilustração: Histórias gravadas entre outros.

Mais informações, horários e preços em: arco.pt/site/formacao/index/ilustracao-banda-desenhada

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Blind

Chegou à Bedeteca de Lisboa Blind de Mattotti, um belíssimo álbum sobre a cegueira. Grazie Tasca Mastai pela oferta.

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Erzsébet brasileira na Bedeteca

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Chegou à Bedeteca de Lisboa a versão brasileira (imagem) de Erzsébetlivro de Nunsky, autor que regressou 17 anos depois de 88 (Mesinha de Cabeceira 13) também editado pela Chili Com Carne. Diz a sinopse: Erzsébet Bathory, a infame condessa húngara contemporânea de Shakespeare, ao contrário deste, incarnou como poucos o lado negro e animalesco do ser humano. São-lhe atribuídos centenas de crimes inomináveis que lhe grangearam alcunhas como “Tigreza de Csejthe” ou “Condessa sanguinária” e que a colocam no mesmo lendário patamar de bestas humanas como Gilles De Rais ou Vlad, o Impalador. Por detrás do seu rosto pálido, de olhar impassível e melancólico ocultava-se o próprio demónio, Ördög.
A edição brasileira é da Zarabatana Books, saiu o ano passado com o apoio da DGLAB e tem recebido bom “feedback” sobretudo dos “vloggers” de BD.

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Quinta da Adaptação

 

 

O mercado de BD em Portugal não pára. São inúmeros os lançamentos que aparecem sobretudo quando há os dois principais festivais de BD – Beja e Amadora. Talvez as editoras o façam nestes momentos porque o público fica tão excitado que compra tudo sem perceber das tretas, como as medíocres antologias do The Lisbon Studio ou o nostálgico Espião Acácio. Não havendo crítica em Portugal, ou melhor, a pouca que há (no Jornal de Letras, Expresso ou no blogue Ler BD) é sempre conivente e simpática com a miséria editorial, torna-se extremamente difícil perceber o que vale a pena gastar dinheiro e, ainda mais valioso, tempo para ler os livros que vão saindo. Não queremos dizer que estes dois livros sejam perda de “dinheiro = tempo” mas quer a Devir quer a G.Floy não deram provas absolutas de coerência editorial que façam delas uma referência para adquirir os seus livros de olhos fechados.

A primeira talvez mereça realmente mais respeito porque só se enterrou uma vez mesmo a sério com um péssimo Diário de Anne Frank – de resto tem publicado “novos clássicos” ocidentais como o Do Inferno como os mestres japoneses na colecção Tsuru. Sabemos que o italiano Manuele Fior sofre de boa reputação mas isso não quer dizer nada nos dias da web.2? E os prémios? Esqueçam, basta lembrar a pobreza dos premiados da última colecção Novela Gráfica, por exemplo. Realmente Cinco Mil Quilómetros por Segundo parece delicioso graficamente. Diz a sinopse: Uma história sobre três jovens, Piero, Lucia e Nicola, ilustrada com tons quentes e frios, cores quer vibrantes quer sombrias, cuja alternância traduz as distâncias entre os personagens que habitam este livro: os 5000 Quilómetros que os separam, num espaço e tempo de fugas e reencontros, apenas sugerido. Somos surpreendidos com toda esta luz que nos inunda o olhar e se reflecte no prazer de seguir uma narrativa expressionista, ou apenas contemplar as belas aguarelas…

O catálogo da G.Floy há BDs para “mini-trumps”, muitos fantasminhas e naves espaciais. O Astrágalo foi uma excepção. Era bem escrito, claro! O texto original era de Albertine Sarrazin! Será o caso de Afirma Pereira, a adaptação de Pierre-Henry Gomont do romance de Antonio Tabucchi? Diz a sinopse: Obra emblemática sobre a resistência contra o totalitarismo e a censura, Afirma Pereira conta a progressiva tomada de consciência de um homem dos anos 1930 contra a ditadura que se vai erguendo no seu país, aqui contada numa adaptação gráfica profunda, imbuída de uma notável expressividade e dinamismo no seu desenho. (…) Afirma Pereira, de Antonio Tabucchi, é um dos mais belos romances do escritor italiano, que era quase um português por adopção e por paixão pelo nosso país. E é também um dos mais interessantes e complexos romances para adaptar a banda desenhada: o artista francês Pierre-Henry Gomont aceitou o desafio lançado pela sua editora, a Sarbacane, e produziu um dos mais belos e mais premiados livros de BD de 2016 (…)

Não parece haver razões para grandes pressas mas curiosamente já houve ofertas anónimas de ambos livros, que chegaram hoje – a famosa Quinta-Feira das Novidades da Bedeteca de Lisboa – e a resposta é “nim” para os dois. O Afirma está bem escrito e tem soluções gráficas interessantes mas não gostamos o facto de ter feito Lisboa (mais uma vez) um postal turístico ignorando as misérias da cidade. Depois resta a questão de que são poucos os autores de BD que escrevem um bom texto – o que dá que pensar que o livro original será sempre melhor que uma adaptação – como é o caso do “5 mil”, cheio de beleza gráfica mas com personagens que tem a espessura de uma folha de papel (100 gramas?) e um enredo que não passa de mais uma história pueril de Amor para deixar burgueses emocionados, mai’nada!

O Afirma foi seleccionado prá Bedeteca Ideal.

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