Monthly Archives: Agosto 2014

Bling Bling

MisneyDisplay

Há 5 anos neste preciso dia, a Disney comprou a Marvel, fazendo a concentração quase total da cultura juvenil numa só companhia comercial. Mais tarde, a Disney ainda irá comprar o império da marca Star Wars… Invés de ser visto como uma preocupação, os “bedófilos” ou ficaram felizes por este triunfo do capitalismo ou riam-se pela empresa de produtos infantis/ familiares terem comprado os “adultos” super-heróis – daí a cromice chegar ao ponto de imediatamente terem aparecido colagens com as personagens todas de ambas empresas (imagem) procurando pontos em comum entre elas.

Até gostamos deste “mash-up” – especialmente do logótipo e do castelo Doomisney – mas sabemos que esta união é perigosa e muito mais além do facto de que se já era estranho ter seres com “power-trips” e as cuecas à mostra, imaginem agora os fãs dos patos (sem cuecas) mais confusos: “usamos ou não cuecas? Por dentro ou por fora? Será que as hemorróidas físicas e mentais que temos são da prolongada exposição a produtos juvenis!?” Quack!

Se o parágrafo anterior é apenas uma graçola, o que é preocupante é voltarmos ao início dele: “ficaram felizes”. Este “ficaram felizes” significa que chegamos ao ponto máximo do Fascismo, quando os consumidores (já não se pode falar de cidadãos) não reflectem mais, aceitam a Nova Ordem e acham muito bem! É o caso clássico de “coolonização” mental, ou dos pobres que dada à miséria e necessidade de sobreviver no dia-a-dia, não se conseguem revoltar e até acham que os ricos (o patrão) têm razão nas maiores barbaridades que façam – Jardim ou Felgueiras anyone?

Como na “bola” ou na política, fala-se muito, acha-se que os outros só fazem asneiras. “Se eu estivesse lá fazia logo isto ou aquilo” é o que se ouve nestes dois tópicos mas que podem ser aplicados também na cultura Pop. O facto de se falar muito entre amigos ou escrever-se muito em blogues e fóruns em linha dá a sensação de poder ou de participação neste mundo cultural mas toda esta cultura não é bilateral. Muito antes pelo contrário! O consumidor tem uma ideia que ele é importante porque é ele que compra ou não um produto cultural, e o “artista” trabalha ou comunica para ele. Não percebe que o “artista” trabalha apenas para um “status quo” e para o seu patrão (multinacional ou “sponsor”) como qualquer outro assalariado. O consumidor acha-se inteligente porque viu o Matrix, logo pensa que é rebelde mas quem fez o dito filme é o mesmo que lhe oferece uma vida miserável a todos nós. São bastante conhecidas as grandes editoras que recusam-se a oferecer alguns benefícios económicos a autores que lhes fizeram a casa, como os casos bastante conhecidos de Jerry Siegel e Joe Shuster (criadores do Super-Homem) ainda hoje em tribnal, Jack Kirby (criador de quase todas personagens da Marvel) idem idem aspas aspas ou Alan Moore com os Watchmen – o britânico não tem direitos sobre o seu trabalho enquanto a DC Comics continuar a imprimir a obra;  ou pegando no exemplo do Matrix, que plagia a BD The Invisibles de Grant Morrison (e cia), o escocês não pode acusar legalmente os irmãos Wachowski desse rapinanço porque o filme é da Time-Warner que detêm a DC Comics, editora dos Invisibles. E claro, se quisermos ir ainda mais longe, sabe-se que a EMI está ligada às armas nucleares…

Quantas vezes se têm visto os “bedófilos” felizes da vida quando os seus “artistas” fazem contratos milionários ou quando as editoras perseguem outros artistas que usaram “propriedade alheia”. Seja na Europa ou nos EUA o que não falta são processos contra artistas pela Fundação Moulisart (Tintin), os representantes do Astérix, a Marvel, a DC Comics, a Disney, etc… O quadro mental é “darwinista” ou seja na cabeça destes escravos (vamos também de esquecer os termos cidadãos, consumidores ou “bedófilos” porque seria demasiado simpático) é que o “capitalismo funciona”! Quem tem “talento” (artístico ou para os negócios ou os dois) consegue chegar ao topo, por isso merece os valores astronómicos pelo seu trabalho e que o que está para baixo deve ser reduzido a cinzas, sem qualquer tipo de pensamento social. Esquecem-se que o facto dos gigantes juntarem-se não irá apenas piorar os concorrentes mas irá piorar as condições de trabalho de todos os envolvidos nas suas próprias empresas, geralmente concentrações de empresas implica emagrecer os recursos humanos das empresas fundidas. É fácil de perceber quando há menos patrões para praticarem preços concorrenciais que irão pagar menos aos profissionais de edição, designers e claro aos autores; e que  as obras que são produzidas desta forma terão tendência para piorar de qualidade, não que já não era muita, seja como for…

Como “Nazis in denial” não conseguem perceber na armadilha económica e cultural em que estão metidos. Que a cultura passou a ser monolítica ao ponto de alguém nos ter dito que a silhueta do rato Mickey já era mais conhecida que o crucifixo cristão – nos anos 60, o John Lennon tentou isso afirmando que os Beattles seriam mais famosos que Jesus Cristo mas deu-se mal… Hoje, não seria de admirar que as lápides dos escravos passam a ter esculpido (ou apenas em PVC que é mais barato) o perfil desse rato invés de um RIP! Squeak!

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Neuroworld

NEUROWORLD-WEB

Poucos meses depois de referirmos a Snuff 2000 eis que aparece nova adaptação para filme em imagem real de BDs de Miguel Angel Martín mais uma vez pela mão do realizador Borja Crespo. Longe das torturas físicas de Snuff 2000 este Neuroworld é um pequeno compêndio de psicopatologias urbanas envolta das relações humanas – amor, sexo, fama (pela Internet), futilidade e vaidade. Como sempre as críticas de M.A. Martín são cirúrgicas! É divertido!

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Coelho Suíço

livre-lapin00_WEB

Encontramos um fanzine de Aude Barrio na Bedeteca de Lisboa. É o Petit Lapiin Chouin Chouiiin editado pelo colectivo Hecatombe – que esteve na Feira Laica, com uma exposição na Matéria Prima e que ganhou o Prémio de Melhor BD Alternativa / Fanzine na edição deste ano de Angoulême. Só na Bedeteca!

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Férias de Verão (1/3) : Angola

Luanda 2014 Cartaz
O Festival de BD e Animação de Luanda vai ser visitado por Nuno Saraiva que irá lá fazer montes de workshops… + infos aqui

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Indignar Israel com Israel

screenshots_2014-08-13-22-00-15 via Indignar Israel com Israel. Cartoon de André Carrilho – Carrilho nas BLX.

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Quinta Referência III

bff4d59ba4bd4832a160ed8f68e99145Mais novidades? De onde vêm isto tudo? Seja como for é Quinta-Feira e apareceram novidades na Bedeteca de Lisboa agora em pleno Agosto em que faltam funcionários para fazer tanta coisa! Não se percebe…

Desta vez são livros de referência que por acaso impressionam à primeira vista mas depois começa-se a encontrar as falhas! Como este Manga Design (Taschen; 2004) que é um tijolo trilingue (em castelhano, italiano e português) que reúne páginas e capas de Mangas dos 150 autores japoneses mais importantes, com o objectivo de criar um quadro dos vários estilos e temas gráficos da maior indústria de BD do Mundo. De Clamp ao Osamu Tezuka há um bocado de tudo, só é pena é que a tradução portuguesa esteja cheia de gralhas e erros ortográficos. Ainda assim, dada miséria de edição de obras de referência em Portugal (ou em português) esta obra foi seleccionada para a Bedeteca Ideal.

a998135fa95b4462bb905f7ae9b75cbeMudando de ilha… quem é que gosta de ingleses? Os próprios ingleses! Por eles, eles é que descobriram tudo e fizeram tudo… só os franceses é que rivalizam os “bifes”! Por isso, o livro Nasty tales : sex, drugs, rock’n’roll and violence in the British underground (Critical Vision; 2001) de David Huxley até prometia mas depois de o ler fica-se com a sensação que afinal o “underground” inglês foi pobre, ou então, que este ensaio de Huxley é daquelas teses académicas que nunca consegue ir ao fundo da questão, repete-se mil vezes em duas ou três afirmações e pouco comunica para o público. Ficamos a saber de alguns escândalos da altura relacionados com o jornal Oz e do fabuloso “detournement” de “Rupert, the bear” em 1973 mas o resto do livro não dá assim tanto Rock’n’Roll como isso. Pena! Não deixa de ser um livro curioso e interessante!

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Quinta Baralhada

polarity_01_cvr_a_1Continuam as Quintas-Feiras de novidades na Bedeteca de Lisboa!? Já não percebemos nada disto… Estas são novidades portuguesas ainda por cima! Ou quase… porque Polarity (Boom Studios; 2013) é uma produção norte-americana em que o “nosso” Jorge Coelho participa como desenhador! É uma BD de género de Super-Heróis escrita por Max Bemis, vocalista de uma banda Rock (ei! onde já vimos isso?) os Say Anything, que tem uma perspectiva interessante de explorar a doença mental neste mundo dos super-poderes e afins. Felizmente (ou infelizmente para os “bedófilos”) não há aqui gajos com as cuecas à mostra embora haja muito tronco nu masculino! Algumas tiradas sobre a cena artística contemporânea tem piada e Polarity mostra que é um livro bem divertido para ler à beira da piscina – ou dentro do tanque a dar bufinhas como é o caso de alguns.

Este é o segundo livro de Coelho para os EUA e a Bedeteca tem no seu acervo os dois!!! Mega mega white thing

ff3d21f9f4db4924a0218277ee535327Também bastante divertido para este Verão na praia fluvial ou marítima, tanto faz porque não somos esquisitos e gostamos de qualquer tipo de radiação, é Tiras do Baralho (El Pep; 2014) de André Oliveira (argumento) e Pedro Carvalho (desesenho).

Não se percebe bem porque é que se referem a “baralho” no título ou porque discutem isso no prefácio porque o livro é um luxo fantástico com uma capa dura e uma encadernação feita por argolas – sem dúvida a melhor produção editorial da El Pep! Numa linha de pensamento “OuBaPo” (exercícios de restrição idealizados por autores de L’Association nos finais dos anos 90) as tiras seguem sempre a mesma linha: duas entidades fazem qualquer coisa e que dá num final com piada.

A verdade é que muitas destas tiras verticais têm mesmo piada, ou então são os nossos cérebros que já estão bem queimaditos deste belo dia na Costa da Caparica!

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