Monthly Archives: Junho 2017

Quatro Madokas

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Apareceu na Bedeteca de Lisboa o quarto volume da série Madoka Machina de André Pereira que prova ser um dos grandes talentos da nova geração de autores de BD portuguesa em registo Pop.

Acho que vamos ter d eler tudo para trás para perceber o que aconteceu até agora: A IV Revolução Industrial já passou: democratizou-se a magia com recurso a várias aplicações para-smartphone e a transmutação do mercado num senciente digital unificou a sociedade através da tecnologia; todos nascem iguais e com acesso à Internet. Madoka Machina acompanha a relação amorosa de uma tríade de jovens adultos que tenta integrar-se numa sociedade onde o Estado foi chutado para canto e o assalariado é um ser em vias de extinção no mercado de trabalho. Ter poderes de transfiguração – sejam eles delegados através de misticismo arcaico ou comprados na última promoção online – e a habilidade de dobrar a realidade para se atravessar para o outro lado não ajuda tanto quanto se esperaria. Neste primeiro número (de uma série de seis) reúnem-se três capítulos, cada um debruçando-se sobre um momento na relação entre os três, e onde se fala de penis envy, diferenças geracionais e compras de supermercado. O registo é o de shoujo manga de quem nunca percebeu muito bem a Navegante da Lua, mas gostava.

Depois de anos a lançar livros que nos parecem irrelevantes a Polvo está a publicar algo excitante mesmo que sejam apenas uns livritos à Primata mas mais bem produzidos. Madoka faz-nos a vontade de ser “troll” e (per)seguir a série!!!

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Samba na Bedeteca e a 3D!!!

samba_2_aA Bedeteca de Lisboa recebeu várias edições da revista brasileira Samba, editada e produzida por LTG, Gabriel Mesquita e Gabriel Góes, a Samba é uma das melhores antologias brasileiras de BD independentes da actualidade e cujos autores participaram na antologia portuguesa Seitan Seitan Scum. 

No número dois (imagem) colaboram Clarice Gonçalves, Elcerdo, Daniel Lafayette, Stêvz, Rodrigo Urbano, Alex Vieira, André Valente, Eduardo Belga, João Lavieri, Jairo Neto, Pedro Franz, Fabio Barolli, Felder & Witko, Caêto, Mateus Gandara e Vitor Batista, e se já impressiona pela quantidade de páginas, esperem até meterem os óculos 3D que acompanham a edição!!! No número três temos trabalhos de Leandro Mello, Bruno Maron, Diego Gerlach, Rafael Campos Rocha, Carlos Ferreira, DW Ribatski, Rafael Corrêa, Tulio Caetano, Mateus Acioli, Pietro Luigi, Zakuro Aoyama, Pedro Cobiaco, Pedro D’Apremont, Julio Lapagesse, Pedro Ivo Verçosa e os franceses Felder e Witko, destacando-se o suplemento-não-suplemento Galaxian de LTG e Goés a lembrar os tempos da Metal Hurlant.

Também encontramos várias outras edições relacionadas com a Samba, como o zine Nix de Lucas Gehre, o mini sem/registo de  Pedro Ivo Verçosa (que já teve direito a uma pequena resenha crítica no Mesinha de Cabeceira) e o premiado DVD / curta-metragem Palhaços Tristes de Rafael Lobo, baseado nas BDs de Gabriel Mesquita.

piqui21Estas ofertas foram feitas pelo Piqui, colectivo de duas autoras que produzem fanzines de BD e que se encontravam em Portugal a estudar – ver Lisboa é very very typical

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Festa Punk Comix

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Saiu no 10 de Junho na Feira do Livro de Lisboa (…) dois livros em um, ou seja um split-book, bem à punk! No ano em que se “celebram” os 40 anos do punk em Portugal, a Chili Com Carne, em parceria com a Thisco, edita o (duplo) livro sobre este fenómeno: Corta-e-Cola : Discos e Histórias do Punk em Portugal (1978-1998) de Afonso Cortez Punk Comix : Banda Desenhada e Punk em Portugal de Marcos Farrajota.

Escrito a partir de um levantamento exaustivo de fanzines, discos e demo-tapes, ao longo de 256 páginas, os autores dissecam todo esse material para tentarem perceber como através de uma ética – do-it-yourself – se conseguiu criar uma (falta de) estética caótica e incoerente que hoje se identifica como punk. Através da produção gráfica desse movimento se fixaram inúmeras estórias – até agora por contar – de anarquia e violência; de activismo político, manifestações e boicotes; de pirataria de discos e ocupação de casas; de lutas pelos direitos dos animais; de noites de copos, drogas e concertos…

Corta-e-Cola / Punk Comix é ilustrado com centenas de imagens, desde reproduções de capas de discos a páginas de fanzines, cartazes, vinhetas e páginas de BD, flyers e outro material raramente visto.

E porque punk também é música, o livro vêm acompanhadas por um CD com 12 bandas de punk, rock ou música experimental actuais como Albert Fish, Dr. Frankenstein, The Dirty Coal Train, Presidente Drógado, Putan Club, Estilhaços Cinemáticos… As bandas ofereceram os temas, todos eles inéditos, sobre BD na forma mais abrangente possível, sobre personagens (Corto Maltese), séries (O Filme da Minha Vida), autores (Vilhena, Johnny Ryan) ou livros (V de Vingança, Caminhando Com Samuel). Alguns mais óbvios que outros mas tendo como resultado uma rica mistura de sons que vão desde o recital musicado ao Crust mais barulhento.

Na Sexta-Feira, dia 30 de Junho a partir das 18h vai haver festa de lançamento deste(s) livro(s) no Disgraça com exposição, conversa fiada, drogaria e punknaná!

 

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FLBLB

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Mais uma bizarria na Bedeteca de Lisboa! O número 14 da revista francesa (ex-fanzine?) FLBLB que mais tarde se transformou numa casa editorial. Publicado em 2002 reúne fotonovelas numa tentativa de demonstrar que também se pode fazer arte com esta forma – o que não achamos assim lá muito conseguido. Como sempre a fotonovela serve mais para o género humorístico do que para outra coisa, tanto que reeditam uma fotonovela de Gébé da Hara-Kiri #163 (1975). Ainda assim, uma edição curiosa!

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Tsuru

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A editora Devir anuncia uma nova colecção intitulada Tsuru. Esta colecção reúne autores japoneses clássicos e contemporâneos inovadores, reconhecidos pela sua contribuição para a arte da banda desenhada e também, para a cultura japonesa. Esperemos que isto signifique uma colecção coerente e não como a Biblioteca de Alice que tanto lançou o bom Comprimidos Azuis de Frederik Peeters como o sofrível Anne Frank

O primeiro volume desta colecção é O homem que passeia da autoria de Jiro Taniguchi, reeditando este livro que saiu em 2005 na colecção Clássicos da Banda Desenhada – Série Ouro. Esta edição conta com cerca de 100 páginas extra em relação à edição anterior e será lançada no dia 24 de Junho às 17h30 na Festa do Japão em Lisboa.

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Quinta Fria

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O título engana, lê-mos friamente este O Azul é uma cor quente de Julie Maroh, álbum bem intencionado e dramático para além de ter trazido para algum “mainstream”, graças à adaptação cinematográfica, uma história de “Amor & Morte” de duas jovens lésbicas.

O livro conta-nos a história de Clementine, uma adolescente de 15 anos que, um dia se cruza na rua com um par de raparigas. Uma delas tem o cabelo pintado de azul e sorri-lhe. A partir desse preciso momento, tudo muda na vida de Clementine: a sua relação com os amigos na escola, a sua relação com a família, as suas prioridades… e sobretudo a sua sexualidade.

É mais o carácter “mainstream” que nos interessa aqui divulgar nesta Quinta-Feira de Novidades na Bedeteca de Lisboa, pois estando fartas de ver BDs para rapazinhos e gajos mirones, é bom ter um álbum de BD assim editado em Portugal. A BD tem momentos narrativos porreiros (as ânsias do namoro, por exemplo) mas o falecimento da personagem era mesmo necessário? “Deus castiga os homossexuais”!? Soa a argumento freudiano de teenager… e realmente é! Lê-se na ‘net que a autora francesa escreveu o texto aos 19 anos e demorou cinco anos a desenhar o livro. Já agora, o desenho é genérico e a legendagem da edição portuguesa é feia…

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Ramos no CPBD

Manuel João Ramos -CPBD Jun.17

“Eu e a BD” – Palestra pelo Prof. Manuel João Ramos – 24 Junho 2017 – às 16h – Sede do Clube Português de Banda Desenhada: Avenida do Brasil, 52-A, Reboleira, Amadora.

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