Monthly Archives: Junho 2017

Memória da Crise na Bedeteca de Lisboa

Saiu no FCBD/ MiniZineFEstPt este livro impresso em risografia – sempre com a qualidade DuoDesign! – que reúne várias BDs do espanhol residente no Porto Daniel Casal com argumentos de vários escritores, profissionais e amadores, sob o tema da “Crise” que atingiu os PIGS da Europa…
Cada argumento foi desenhado por Casal, no âmbito de um estágio na Turbina sendo difícil perceber se a coerência destas BDs aqui compiladas se deve ao tema ou se ao estilo de Casal. Apesar dos textos dispararem para vários lados, transformadas em BDs lembram os episódios slice-of-life de Miguelanxo Prado sem o erotismo bacoco de Tangências nem o exagero do Quotidiano Delirante. Algo no meio se possível. Talvez seja pelos diálogos encenados de um mundo que já não se ouve a si mesmo, desumanizando-se de forma mundana e o ritmo narrativo esparso que a comparação surja. Domínio técnico não falta!
Graficamente é muito próximo à Escola de Desenho do Porto, o que poderia soar a uma pretensão qualquer se não existisse mesmo o Clube de Desenho! A influência sente-se a milhas, um bocado de Marco Mendes, um coche de Nuno Sousa e uns pózinhos de Carlos Pinheiro. Mais bem acompanhado não podia estar. Todos os estágios deveriam ser assim, em tempo de crise ou não!

Esta edição da Turbina já se encontra no acervo da Bedeteca de Lisboa para consulta e empréstimo.

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Novela Gráfica 2017

novelas_graficas_2017_posterMais uma Colecção Novela Gráfica em que os moldes de selecção primam pela esquizofrenia total. Batman e Dylan Dog? Das duas uma, ou os editores são “bedófilos” e insistem em alienar a construção de um público maturo ou então é uma estratégia subversiva de trazer os tótós a lerem coisas mais sérias… Era preciso mesmo reeditar o Traço de Giz de Miguelanxo Prado? E o islamofóbico do Frank Miller? Será que os novos Paco Roca serão melhores do que já saiu até hoje? Começamos a duvidar muito… E o André Diniz voltará em forma como foi Morro da Favela? Coisa que não vimos noutros livros editados… Ó não, vamos ter o Books of Magic! So boooooring! Quem lê esta colecção acredita no Pai Natal, certo?

As boas novas passam pelas estreias em Portugal de Bastien VivèsAsaf Hanuka, a publicação finalmente de livros a solo de Max (FINALMENTE! FINALMENTE!) e Bartolomé Seguí com Gabi Beltrán, e o regresso à edição nacional de Etienne Davodeau… O Max foi o autor que veio sabemos lá quantas vezes a todos os festivais de BD portugueses sem nunca ter sido editado – a não ser em vários números da revista Quadrado, a saber #1 e 2 (2ª série, 1995) e 1-3 e 5 (3ª série pela Bedeteca de Lisboa, 2000-03), uns livros para a infância e uma serigrafia para o atelier Mike Goes West. Saber que vai ser editado em português é a melhor notícia do ano!

Ainda para estragar a festa, não há um romance gráfico de um autor português mais uma vez nesta colecção. Se calhar até é melhor assim, ainda republicavam o Jim del Monaco ou o Pizza-sei-lá-o-quê…

Começa HOJE com o jornal Público… Se a ordem de lançamentos for a que está no anúncio, só começamos a comprar livros daqui umas duas semanas, temos pena.

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Quinta do Quintanilha

Capa_Hinário-Nacional

Nesta Quinta-Feira de Novidades na Bedeteca de Lisboa chegou a colectânea de Marcello Quintanilha intitulada Hinário Nacional, lançado no ano passado pela Polvo.

Diz a sinopse: Hinário Nacional é um curto e delicado épico onde as histórias de diversos personagens se entrelaçam subtilmente. São relatos de pequenas tristezas e grandes dramas, todos vividos silenciosamente. É a história de alguém que se resigna com o facto de ter sido vítima de abuso sexual, e a de outro que oculta um dilacerante sentimento de culpa por ter abusado sexualmente. É a tristeza de um homem com a velhice e o desbotamento das histórias de amor. É o desejo de esquecer o sofrimento, o que se fez, de ser o que não é. E é um relato brutalmente honesto – e muitas vezes gentil – do brasileiro.

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21º Prémio Nacional de Ilustração

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O Prémio Nacional de Ilustração deste ano foi atribuído a Fátima Afonso com o livro Sonho com asas, editado em 2016 pela Kalandraka.

As duas menções especiais foram atribuídas a Catarina Sobral, pela ilustração da obra Tão, tão grande, com texto da própria, dada à estampa pela Orfeu Negro, e a Tiago Albuquerque e Nádia Albuquerque, pelo trabalho realizado em Sou o lince ibérico, que tem texto de Maria João Freitas e foi editado pela Imprensa Nacional – Casa da Moeda.

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É Fartar Vilanagem!

Vilanagem _5

Eis que a Bedeteca de Lisboa já tem catalogado este fanzine, editado pela Maria Macaréu, onde encontramos bds humorísticas de Xana e amigos que não poupam críticas aos “reality shows”, Jesus Cristo ou a Feira do Livro de Lisboa. Um título que está bem carregado de todo o espírito do que significa fanzine! Caretas, bazem!

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Recuerdos de 22 de Abril

Foi uma grande e Singular festaRemember 22 Abril 2017!

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Quatro Madokas

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Apareceu na Bedeteca de Lisboa o quarto volume da série Madoka Machina de André Pereira que prova ser um dos grandes talentos da nova geração de autores de BD portuguesa em registo Pop.

Acho que vamos ter d eler tudo para trás para perceber o que aconteceu até agora: A IV Revolução Industrial já passou: democratizou-se a magia com recurso a várias aplicações para-smartphone e a transmutação do mercado num senciente digital unificou a sociedade através da tecnologia; todos nascem iguais e com acesso à Internet. Madoka Machina acompanha a relação amorosa de uma tríade de jovens adultos que tenta integrar-se numa sociedade onde o Estado foi chutado para canto e o assalariado é um ser em vias de extinção no mercado de trabalho. Ter poderes de transfiguração – sejam eles delegados através de misticismo arcaico ou comprados na última promoção online – e a habilidade de dobrar a realidade para se atravessar para o outro lado não ajuda tanto quanto se esperaria. Neste primeiro número (de uma série de seis) reúnem-se três capítulos, cada um debruçando-se sobre um momento na relação entre os três, e onde se fala de penis envy, diferenças geracionais e compras de supermercado. O registo é o de shoujo manga de quem nunca percebeu muito bem a Navegante da Lua, mas gostava.

Depois de anos a lançar livros que nos parecem irrelevantes a Polvo está a publicar algo excitante mesmo que sejam apenas uns livritos à Primata mas mais bem produzidos. Madoka faz-nos a vontade de ser “troll” e (per)seguir a série!!!

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