A Levoir anda-se a passar e lançou pela primeira vez em Portugal, a aclamada obra Kobane Calling de Zerocalcare. Esta é uma oportunidade única para o público português conhecer a narrativa gráfica do artista italiano que se destacou no cenário internacional.
Kobane Calling começou como uma reportagem publicada na revista italiana Internazionale. Este trabalho é um diário sincero da viagem de Zerocalcare à Turquia, Síria e Iraque para documentar a luta do povo curdo contra o ISIS. Em 2016, a reportagem foi publicada como uma novela gráfica, tornando-se a obra mais importante do ano em Itália. Este livro de memórias vendeu mais de cem mil exemplares, dando voz a uma nação que luta pelo direito à existência.
Chegou à Bedeteca de Lisboa baixaria! Holandeses de André Toral (autor que saia na Animal!!) que conta a trajetória de dois irmãos judeus que se mudam para o Brasil na época da invasão holandesa, no século XVII. Castor é um artista sensível e idealista, que trabalha no atelier do mestre Rembrandt e sonha encontrar uma tribo perdida de Israel vivendo entre os índios brasileiros. Já Esaú é um sujeito pragmático, que vê no comércio de escravos uma oportunidade de enriquecer. Em fevereiro de 1643, seduzidos por promessas de riqueza e liberdade, os dois irmãos embarcam em um navio da Companhia das Índias Ocidentais de Roterdão para Recife.
– Joe Strummer in Passion is fashion – The Real Story of The Clash (Aurum; 2009) de Pat Gilbert
Hoje não começa o Festival de BD de Angoulême, certame de referência universal da BD, surgido em 1974 e que só interrompeu actividade no ano-Covid de 2021. O festival era gerido por uma associação intitulada de 9eArt+ que teve de cancelar o Festival e desistir de o organizar para sempre – ou seja para o ano, se ainda houver festival ele será um “reinício” com uma nova organização.
A 9eArt+ achava-se impune aos consecutivos abusos de poder e ocultamento de uma violação de uma funcionária sua (em 2024). Para quem não acredita neste mundo capitalista, o autor (trabalhador) ainda tem o verdadeiro poder e eis que depois dos autores de BD recusarem em participar no festival, as editoras tiveram de seguir atrás e alinhar no boicote. Um festival de BD sem artistas é como ir à missa e não encontrar lá vinhaça e bolinhas de pão!
Mais interessante seria ver algo deste tipo a aplicar-se à BD Amadora, o maior – e “maior” não quer dizer “melhor” – festival de BD em Portugal, que tem vindo sistematicamente a tornar-se num espaço exclusivo das grandes editoras, devido à sua directora de “olhos de carneiro mal morto”, Catarina Valente , tem vindo a por de lado agentes fundamentais da BD portuguesa – críticos, editoras, artistas – num retrocesso cultural. É tão grave, que já há, imaginem!, pessoas a dizer que no tempo do Nelson Dona é que era!!! É grave!
A pior banda do mundo de José Carlos Fernandes ainda encanta malta, eis umas vinhetas (e há mais ao longo do livro) de Ángel de la Calle no Pinturas de Guerra – reeditado pela Garbuix Books, este ano. Obra de 2017, é uma autoficção em que um espanhol chamado Ángel de la Calle chega a Paris na década de 1980 para escrever um livro sobre a actriz Jean Seberg e acaba por entrar em contacto com vários pintores latino-americanos refugiados dos golpes militares dos seus países. A figura de Fernandes aparece em clara homenagem, não fosse ele o “name-dropper” de excelência.
Passados uns quatro anos lá chegou à Bedeteca de Lisboa a revista Aguça, dedicada à ilustração portuguesa – e que também mete uma BD ou outra nas suas páginas como a Mosi ou o Gato Mariano. Publicação feita com amor a esta arte mas fechada ainda na fofura que tem marcado a ilustração portuguesa dos últimos 15 anos. Entretanto o projecto parece que já se foi…
No meio de inutilidades totais anunciadas para este ano pela Ala dos Livros eis que apanhamos o anúncio d’O Eternauta, a obra-prima da banda desenhada argentina de Héctor Oesterheld (1919-77?)e Francisco Solano López (1928-2011), para sair este ano. Parabéns à editora pela ousadia! A seguir O Eternauta pelo Breccia, não?