V de Vitória?

Eis a nova Colecção Novela Gráfica pela Levoir e jornal Público que se lança HOJE. Ao contrário da colecção do ano passado, os nossos espíritos em relação a esta fornada são contraditórios. Por um lado mostra que o formato de livro e de romance gráfico finalmente está a impor-se no mercado calando as bocas “bedófilas” defensores do “rico couché” , cuecas à mostra (vulgo super-heróis) e “sem-cuecas” (vulgo os patos da Disney). Após a divulgação da listagem de obras ficou-se com a visão completa da colecção que tem lados positivos (poucos), alguns nulos (muitos) e um negativo…

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Positivos: 1) finalmente uma edição portuguesa de V de Vingança, o livro inaugural da colecção (…) uma das obras-primas de Alan Moore e David Lloyd (imagem), muitas vezes considerado como uma das 10 melhores Novelas Gráficas de sempre – para não mencionar o facto de que o design que Lloyd criou para a máscara da personagem principal se tornou num verdadeiro ícone cultural dos nossos tempos, agora que foi adoptada pelos Anonymous. Finalmente disponível numa bela edição de capa dura em português, é um livro essencial na biblioteca de qualquer fã de banda desenhada; 2) edição de mais livros de dois autores importantes como Jiro Taniguchi (Terra de sonhos) e Mattotti (Fogos e Murmúrios) ou de um documento como Fax de Sarajevo de Joe Kubert, retrato do agente editorial e amigo do autor durante a Guerra dos Balcãs e o cerco da cidade de Sarajevo, quando Kubert só conseguia receber notícias do seu agente pelos faxes enviados desde hotéis na cidade. Uma história muito dura e muito actual de um Refugiado apanhado no meio de uma guerra em solo europeu.

Nulos: 1) Edição de velhas glórias que mostram uma total falta de risco de conteúdo como Garagem Hermética de Moebius (cujo autor e obra já são bastante conhecidos em Portugal), Presas Fáceis de Miguelanxo Prado que esperemos que tenha alguma relevância (coisa que não tem acontecido nos seus últimos trabalhos), Guido Crepax (Valentina) ou o anacrónico Os exércitos do Conquistador de Jean-Paul Gal e Jean Pierre Dionnet; 2) temos dúvidas existências sobre Asa quebrada de Antonio Altarriba e Kim (os mesmos da interessante mas desequilibrada A Arte de Voar), O inverno do desenhador de Paco Roca e mais dúvidas temos sobre Parque Chas de Ricardo Barreiro e Eduardo RissoDaytripper de Fábio Moon e Gabriel Bá e A História de um Rato Mau de Bryan TalbotLuna Park de Kevin Baker e Danijel Zezelj, que não conhecendo as obras arriscamos a afirmar que estas podem descambar para uma literatura “light”, tal como acontece com A dança das andorinhas – morrer, partir, regressar de Zeina Abirached, uma nova autora que infelizmente colocou-se na posição de sucedâneo da Marjane Satrapi.

Sem dúvida que esta colecção não se apresenta tão seminal como anterior quando há muitos autores prioritários a lançar em Portugal como Guido Buzzelli, Chester Brown, Yoshihiro Tatsumi, Olivier Schrauwen, Adrian Tomine, Keiji Nakazawa, Emmanuel Guibert, Shigeru Mizuki, Daniel Clowes, David B, Seiichi Hayashi,… Não seria melhor a Debbie Drechsler sobre abuso de menores do que o trabalho frio e generalista de Talbot? Também entendemos que não é com estas duas colecções que os portugueses poderão saciar-se totalmente das décadas de ausência de livros de BD que não fossem para meninos – com as poucas e raras excepções dados pela Bedeteca de Lisboa, Polvo e outras editoras independentes. Dado ao custo do preço de cada volume (9,90€) poderá ajudar a formar um público, contribuir para um gosto mais apurado dadas as enormes diferenças existentes entre as obras que vão ser lançadas e poderá continuar a abrir portas para mais e melhor. Nesse sentido continuar a ser uma iniciativa de salutar…

Aspecto muito negativo: a ausência completa de uma obra portuguesa quando o que não faltam são trabalhos válidos, reconhecidos e com edições esgotadas como o Mr. Burroughs de David Soares e Pedro Nora… uma oportunidade perdida! Já para não falar da “quantidade” de autoras publicadas na colecção até agora…

Entretanto os responsáveis da colecção convidaram o ilustrador inglês David Lloyd do V de Vingança para sessões de autógrafos no lançamento da colecção em Lisboa, a saber:

Hoje, pelas 18h30 na Fundação José Saramago (com apresentação da colecção Novela Gráfica), amanhã, pelas 15h30 na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Nova (conversa com o autor e Pedro Moura e Rogério Miguel Puga da Universidade Nova de Lisboa) e no mesmo dia pelas 18h na loja do jornal Público.

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